A Itaúsa (ITSA4) oficializou sua entrada na disputa pela privatização da Copasa (CSMG3), um dos ativos mais cobiçados do setor de saneamento brasileiro. Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira (26), a holding informou que apresentou, ao lado de acionistas da Aegea, uma proposta para se tornar investidora de referência da companhia mineira no processo de desestatização conduzido pelo governo de Minas Gerais.
A concorrência também conta com a participação da Equatorial (EQTL3), ampliando a disputa entre grandes grupos privados por um dos principais ativos estaduais de infraestrutura do país.
O governo mineiro deverá anunciar nesta quarta-feira (27) o investidor de referência selecionado para a operação. Já a precificação da oferta pública secundária de ações (follow-on) da Copasa (CSMG3) está prevista para ocorrer em 2 de junho.
A movimentação reforça o crescente interesse do mercado pelo setor de saneamento, impulsionado pelas oportunidades abertas após a aprovação do novo marco regulatório e pelas necessidades bilionárias de investimento para universalização dos serviços de água e esgoto no Brasil.
Itaúsa e Aegea unem forças na corrida pela estatal mineira
A proposta foi estruturada por meio da Livorno Participações, veículo societário criado especificamente para participar da oferta pública de ações da Copasa (CSMG3).
Segundo comunicado das empresas, a participação da Aegea na holding será inferior a 1% do capital social ao término da operação. O restante dos recursos deverá ser aportado pelos acionistas participantes da estrutura.
A companhia destacou que o desenho da operação busca preservar sua liquidez e manter disciplina financeira.
“A iniciativa evidencia os objetivos de longo prazo da Aegea e o seu posicionamento como uma plataforma relevante no setor de saneamento, reforçando o pilar de disciplina financeira com foco em preservação de liquidez e estrutura de capital adequada”, afirmou a empresa em comunicado.
A participação da Itaúsa (ITSA4) representa mais um passo da estratégia de diversificação da holding, tradicionalmente concentrada em participações nos setores financeiro, industrial e de serviços.
Copasa se torna um dos ativos mais disputados do saneamento
A privatização da Copasa (CSMG3) é considerada uma das operações mais relevantes de infraestrutura previstas para 2026.
A estatal atende centenas de municípios mineiros e ocupa posição de destaque no mercado brasileiro de saneamento básico. O porte da companhia e sua abrangência operacional transformaram a operação em um dos principais testes para o processo de abertura do setor ao capital privado.
Desde a aprovação do novo marco do saneamento, operadores privados, fundos de investimento e grupos de infraestrutura passaram a disputar concessões e ativos estaduais em todo o país.
O objetivo é aproveitar o potencial de expansão de um setor que ainda demanda investimentos expressivos para ampliar a cobertura de água tratada e coleta de esgoto.
Equatorial amplia concorrência pela Copasa
Além do grupo liderado por Itaúsa (ITSA4) e acionistas da Aegea, a Equatorial (EQTL3) também apresentou proposta para participar da oferta, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico.
Embora não tenha confirmado oficialmente sua participação direta na disputa, a companhia reiterou que acompanha oportunidades de crescimento em seus segmentos de atuação.
“O Grupo Equatorial está sempre atento às oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta sobre possibilidades de negócios ou aquisições”, informou a empresa em nota.
Caso avance na operação, a Equatorial reforçará sua estratégia de expansão além do setor elétrico, movimento que vem sendo adotado por diversas companhias de infraestrutura diante das oportunidades criadas pelo novo marco regulatório.
Nos últimos anos, grupos de energia ampliaram investimentos em saneamento em busca de receitas recorrentes, previsibilidade regulatória e potencial de crescimento de longo prazo.
Governo de Minas acelera plano de desestatização
A venda da participação estatal na Copasa (CSMG3) integra a estratégia do governo de Minas Gerais para ampliar a participação privada em setores considerados estratégicos e acelerar investimentos em infraestrutura.
O modelo escolhido prevê a definição de um investidor de referência capaz de atuar como âncora institucional da companhia após a operação.
Por causa das regras impostas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tanto o governo mineiro quanto a própria Copasa permanecem limitados em suas manifestações públicas durante o período da oferta.
Em nota ao mercado, a companhia informou que está sujeita ao chamado período de silêncio regulatório.
“Para assegurar o estrito cumprimento das diretrizes da Comissão de Valores Mobiliários e evitar interpretações que possam comprometer o rito legal da oferta, estamos momentaneamente impossibilitados de nos manifestar sobre temas relacionados à operação ou ao desempenho da companhia”, informou a estatal.
Mercado acompanha impacto sobre governança e valorização das ações
A definição do investidor de referência é acompanhada de perto por investidores devido aos potenciais impactos sobre a estratégia corporativa, a governança e a capacidade de investimento da companhia.
Analistas avaliam que a entrada de um grupo privado com capacidade financeira e experiência operacional pode acelerar projetos de expansão, melhorar indicadores de eficiência e fortalecer a competitividade da empresa.
Ao mesmo tempo, permanecem no radar questões relacionadas à regulação tarifária, exigências de investimento e possíveis resistências políticas ao processo de privatização.
Para o mercado, a operação também funciona como um importante indicador sobre o apetite dos investidores por ativos de infraestrutura e saneamento no Brasil.
Saneamento segue como uma das principais apostas da infraestrutura brasileira
A disputa envolvendo Itaúsa (ITSA4), Aegea e Equatorial (EQTL3) evidencia como o saneamento se consolidou entre os setores mais estratégicos para investidores nos últimos anos.
A combinação de receitas previsíveis, contratos de longo prazo, necessidade estrutural de expansão e ambiente regulatório mais favorável continua atraindo grupos financeiros, operadores especializados e empresas de infraestrutura.
Com bilhões de reais em investimentos previstos para a próxima década, o setor permanece no centro dos movimentos de consolidação corporativa e das principais operações de privatização do país.
A escolha do investidor de referência da Copasa (CSMG3) poderá servir de parâmetro para futuras desestatizações estaduais e para novos investimentos privados em infraestrutura urbana no Brasil.










