terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mercados

Juros futuros sobem após Fed e Copom; mercado reavalia Selic

Taxas dos DIs avançaram com sinalização mais dura do Fed e cautela do Copom sobre os próximos passos da Selic.

por Camila Braga
17/06/2026 às 20h43
em Mercados
Gráficos De Mercado Representam Alta Dos Juros Futuros E Reação Da Curva De Di Ao Fed E Ao Copom. - Gazeta Mercantil

Os juros futuros hoje subiram no Brasil em uma sessão marcada por forte reprecificação da curva de DI, reação ao Federal Reserve e expectativa sobre o Comitê de Política Monetária do Banco Central. As taxas dos DIs avançaram nos principais vencimentos depois que o banco central dos Estados Unidos manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas passou a indicar a possibilidade de alta ainda em 2026. No Brasil, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas deixou em aberto a extensão do ciclo de queda.

Resposta rápida: por que os juros futuros subiram hoje

Os juros futuros subiram porque o mercado passou a exigir prêmios maiores para carregar risco de juros no Brasil. A sinalização mais dura do Fed elevou os rendimentos dos Treasuries, fortaleceu o dólar no exterior e piorou o ambiente para países emergentes. Como juros mais altos nos Estados Unidos tendem a pressionar moedas como o real, investidores recalibraram as apostas para a Selic e passaram a ver menos espaço para cortes adicionais no Brasil.

Na prática, quando os juros futuros hoje sobem, isso indica que o mercado está projetando uma taxa de juros mais alta nos próximos meses ou anos. Esse movimento afeta títulos públicos, crédito, Bolsa, câmbio, fundos de renda fixa e expectativas para decisões futuras do Copom.

O que são juros futuros

Juros futuros são contratos negociados na B3 que refletem a expectativa do mercado para a taxa de juros em datas futuras. No Brasil, o principal instrumento é o contrato futuro de DI, conhecido como DI1. Segundo a B3, o contrato tem como ativo subjacente a taxa média diária dos Depósitos Interfinanceiros e é usado para proteção e gerenciamento de risco de taxa de juros.

Esses contratos não mostram apenas o juro atual. Eles indicam como bancos, fundos, gestoras, tesourarias e investidores profissionais enxergam o custo do dinheiro no futuro. Por isso, a curva de juros é acompanhada de perto em dias de Copom, decisões do Fed, divulgação de inflação, dados de atividade econômica e eventos fiscais.

Quando a curva sobe, o mercado exige juros mais altos. Quando a curva cai, o mercado aceita juros menores. Essa variação pode ocorrer em diferentes partes da curva: curto prazo, médio prazo e longo prazo.

Como o Fed mexeu com a curva de juros no Brasil

A reação dos DIs começou nos Estados Unidos. O Federal Reserve manteve a taxa básica americana, mas suas projeções mostraram uma mudança importante no debate interno. Nove dos 19 dirigentes do Fed passaram a considerar a necessidade de alta de juros ainda em 2026, enquanto nenhum tinha essa visão três meses antes, segundo a Reuters.

Esse tipo de sinalização é relevante para o Brasil porque os juros americanos funcionam como referência global de risco. Quando os Treasuries pagam mais, investidores internacionais tendem a exigir retorno maior para aplicar em países emergentes. Isso pode pressionar o dólar, elevar o prêmio de risco e reduzir o espaço para cortes agressivos da Selic.

Foi esse ajuste que apareceu na curva brasileira. Antes do anúncio do Fed, as taxas dos DIs chegaram a mostrar alívio. Depois da decisão, os vencimentos voltaram a subir com força, acompanhando a abertura da curva americana e a valorização do dólar no exterior.

Copom corta a Selic, mas mantém cautela

O Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano, no terceiro corte consecutivo, mas não deu um compromisso fechado sobre os próximos passos. Segundo a Reuters, o Banco Central reconheceu um cenário de inflação mais difícil e deixou a magnitude total do ciclo de calibração dependente de novas informações.

Essa comunicação é relevante porque o mercado não olha apenas a decisão do dia. O mais importante, muitas vezes, é o sinal sobre o futuro. Um corte de 0,25 ponto percentual pode já estar no preço. O que move a curva é a percepção sobre agosto, setembro, fim de 2026 e 2027.

Se o Fed fica mais duro, se o dólar sobe e se as expectativas de inflação seguem pressionadas, a curva brasileira tende a retirar cortes da Selic ou até embutir risco de manutenção por mais tempo. Por isso, mesmo com o corte da Selic, os juros futuros podem subir.

Como interpretar a alta dos DIs

A alta dos DIs não significa necessariamente que o Banco Central vai subir a Selic imediatamente. Significa que o mercado está cobrando mais prêmio para os vencimentos futuros.

Veja a leitura prática:

Movimento O que significa Impacto provável
DI curto sobe Mercado vê menos espaço para corte da Selic no curto prazo Pressão sobre prefixados curtos
DI longo sobe Aumenta prêmio de inflação, fiscal ou risco externo Queda em títulos longos marcados a mercado
Dólar sobe junto Piora o ambiente para emergentes Mais cautela do Copom
Treasury sobe Juros globais ficam mais atrativos Saída de capital de ativos de risco
Curva inclina Longo prazo sobe mais que curto Mercado cobra prêmio estrutural maior

A parte curta da curva costuma refletir as próximas reuniões do Copom. A parte intermediária combina expectativa de Selic, inflação e atividade. A parte longa incorpora risco fiscal, credibilidade da política econômica e ambiente externo.

O que significa abertura da curva de juros

Abertura da curva ocorre quando as taxas futuras sobem. Esse movimento indica que o mercado passou a exigir juros maiores para prazos futuros. Pode acontecer por inflação mais resistente, risco fiscal, dólar em alta, sinalização dura do Banco Central ou choque externo.

No caso dos juros futuros hoje, a abertura foi explicada principalmente pela mudança na leitura sobre o Fed e pela percepção de que o ambiente externo tornou o trabalho do Copom mais difícil. Juros mais altos nos Estados Unidos reduzem a atratividade relativa de ativos brasileiros, especialmente quando há dúvida sobre inflação e câmbio.

E o fechamento da curva?

Fechamento da curva é o movimento oposto: as taxas futuras caem. Isso costuma ocorrer quando o mercado vê inflação menor, câmbio comportado, atividade econômica mais fraca ou comunicação mais favorável do Banco Central. Em períodos de fechamento da curva, títulos prefixados e Tesouro IPCA+ longos tendem a se valorizar no curto prazo, porque suas taxas de mercado recuam.

A diferença é importante para o investidor. Quando os juros futuros sobem, o preço de títulos prefixados e indexados à inflação pode cair. Quando os juros futuros caem, esses títulos podem subir antes do vencimento.

Impacto para renda fixa

A alta dos juros futuros afeta diretamente a renda fixa. Títulos prefixados, CDBs prefixados, debêntures, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ passam a refletir taxas maiores nos novos negócios. Para quem já tem títulos marcados a mercado, a alta das taxas pode gerar queda temporária no preço.

Para o investidor conservador, o movimento reforça a atratividade de ativos pós-fixados atrelados ao CDI, porque a Selic segue elevada. Para quem busca prefixar taxa, o cenário exige mais cautela: taxas maiores podem ser oportunidade, mas a volatilidade aumenta quando há incerteza sobre Fed, Copom, dólar e inflação.

Impacto para Bolsa, dólar e crédito

Juros futuros mais altos tendem a pressionar empresas sensíveis ao custo de capital, como varejo, construção civil, tecnologia, educação e consumo discricionário. Quanto maior a taxa de desconto usada pelo mercado, menor tende a ser o valor presente dos lucros futuros das companhias.

No câmbio, o efeito depende da combinação entre juros domésticos e juros externos. Se os juros americanos sobem ou permanecem altos, o dólar pode ganhar força globalmente. No crédito, DIs mais altos encarecem operações prefixadas e aumentam o custo de captação para empresas e consumidores.

Por que os juros futuros importam para a Selic

A Selic é decidida pelo Copom. Os juros futuros são definidos pelo mercado. A relação entre os dois é permanente, mas não automática.

O Copom define a taxa básica atual. A curva de DI mostra o que o mercado espera que aconteça com essa taxa ao longo do tempo. Quando os DIs sobem antes ou depois de uma decisão do Banco Central, isso indica que os investidores estão ajustando expectativas sobre a trajetória futura da política monetária.

Por isso, acompanhar os juros futuros hoje ajuda a entender não apenas a decisão atual do Copom, mas o grau de confiança do mercado na queda da Selic.

O que observar nos próximos dias

Os próximos movimentos da curva dependerão de quatro fatores principais: comunicação do Banco Central, comportamento do dólar, rendimentos dos Treasuries e novas leituras de inflação. A ata do Copom, os dados de IPCA, os números de atividade econômica e novos discursos de dirigentes do Fed podem alterar rapidamente as apostas.

Também será importante observar se a curva continuará precificando menos cortes da Selic ou se o movimento desta quarta-feira foi apenas uma reação imediata ao Fed. Se o dólar perder força e os Treasuries devolverem parte da alta, os DIs podem aliviar. Se o cenário externo continuar pressionado, a curva pode permanecer aberta.

Os juros futuros hoje subiram porque o mercado reagiu a um Fed mais duro, a Treasuries em alta e a um ambiente externo menos favorável para cortes adicionais da Selic. Mesmo com o Copom reduzindo a taxa básica para 14,25% ao ano, a mensagem de cautela manteve a curva pressionada. Para o investidor, a leitura central é clara: a renda fixa segue atrativa, mas a marcação a mercado deve continuar sensível a Fed, Copom, dólar e inflação.


FAQ otimizado

O que são juros futuros?
Juros futuros são contratos negociados na B3 que refletem a expectativa do mercado para a taxa de juros em datas futuras.

Por que os juros futuros subiram hoje?
Subiram porque o Fed sinalizou postura mais dura nos Estados Unidos, elevando Treasuries e pressionando mercados emergentes.

Juros futuros são a mesma coisa que Selic?
Não. A Selic é definida pelo Copom. Os juros futuros mostram a expectativa do mercado para a trajetória dos juros.

O que é DI futuro?
DI futuro é o contrato da B3 usado para negociar expectativas sobre a taxa DI, referência próxima ao CDI.

Alta dos juros futuros é ruim para a Bolsa?
Em geral, sim, especialmente para empresas sensíveis a crédito e consumo, porque aumenta a taxa de desconto dos ativos.

Alta dos DIs favorece renda fixa?
Pode favorecer novos investimentos com taxas mais altas, mas pode gerar queda temporária em títulos já comprados e marcados a mercado.

O que significa abertura da curva?
Significa que as taxas futuras subiram, indicando maior prêmio de risco ou expectativa de juros mais altos.

O que significa fechamento da curva?
Significa que as taxas futuras caíram, sugerindo expectativa de juros menores ou redução de prêmio de risco.

Tags: B3Banco CentralCDICopomcurva de juroscurva de juros hojeDI futuroDI futuro hojeDólarFedFederal ReserveFomcinflaçãoJuros Futurosmercadosrenda fixaSelicSelic hojetaxas dos DIs hojeTreasuries

LEIA MAIS

Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

O debate sobre o fim da isenção de Imposto de Renda para Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) voltou ao centro da...

Leia MaisDetails
Brasil Pode Ter Deflação Em Agosto; Entenda Por Que Inflação Ainda Deve Fechar 2026 Em 5,02% - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Brasil pode ter deflação em agosto; entenda por que inflação ainda deve fechar 2026 em 5,02%

O Brasil pode registrar deflação em agosto de 2026, com queda média dos preços ao consumidor pela primeira vez em um ano. O movimento, porém, não significa que...

Leia MaisDetails
Grupo Mateus Corta 6,6 Mil Funcionários Em Demissão Em Massa
Mercados

Grupo Mateus (GMAT3): XP rebaixa ação e corta projeção de lucro em até 33%

A XP Investimentos rebaixou a recomendação para as ações do Grupo Mateus (GMAT3) de compra para neutra e reduziu o preço-alvo para R$ 5 por ação no fim...

Leia MaisDetails
Vale (Vale3) Gazeta Mercantil
Ibovespa

Vale (VALE3) entra na lista de compra do BB; Gerdau (GGBR4) sai após alta de 7,7%

O BB Investimentos iniciou nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, uma recomendação de compra das ações da Vale (VALE3) dentro de sua estratégia de swing trade e,...

Leia MaisDetails
Fiis Fundos Imobiliários (Imagem: Jabkitticha/ Istockphoto)
Fundos Imobiliários

5 FIIs pagam dividendos hoje; IRIM11 rende 1,28% e RBRY11 paga R$ 1 por cota

Cinco fundos imobiliários têm pagamentos de rendimentos programados para esta terça-feira, 18 de agosto de 2026, com valores entre R$ 0,51 e R$ 1,00 por cota. O maior...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

17:28:13
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Pablo Marçal - Gazeta Mercantil
Política

Pablo Marçal corrige patrimônio no TSE: R$ 7,4 bilhões viram R$ 149,9 milhões

Leia MaisDetails
Michelle Pede Voto Para Flávio Em Palanque De Arruda E Embaralha Alianças No Df - Gazeta Mercantil
Política

Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

Leia MaisDetails
Eleições 2026: Lula E Flávio Bolsonaro Somam 77% E Deixam Rivais Distantes - Gazeta Mercantil
Política

Eleições 2026: Lula e Flávio concentram 77% das intenções de voto entre 13 candidatos

Leia MaisDetails
Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

Leia MaisDetails
Moro Abre 15 Pontos De Vantagem Na Disputa Ao Governo Do Paraná, Aponta Real Time Big Data-Gazeta Mercantil
Política

Moro abre 15 pontos de vantagem na disputa ao governo do Paraná, aponta Real Time Big Data

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Pablo Marçal corrige patrimônio no TSE: R$ 7,4 bilhões viram R$ 149,9 milhões

Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

Eleições 2026: Lula e Flávio concentram 77% das intenções de voto entre 13 candidatos

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

Moro abre 15 pontos de vantagem na disputa ao governo do Paraná, aponta Real Time Big Data

WhatsApp vai parar de funcionar em alguns celulares em setembro; veja se o seu será afetado

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP