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PIB do Brasil cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026, diz IBGE

Agropecuária avança 2,8% e lidera crescimento, enquanto consumo das famílias cai 0,4% e investimentos aumentam 1,2%

por Antônio Lima
01/09/2026 às 13h24
em Economia
Pib Do Brasil Cresce 0,5% No 2º Trimestre De 2026, Diz Ibge - Gazeta Mercantil - Economia

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais, e levou o Produto Interno Bruto (PIB) a R$ 3,4 trilhões no período. No primeiro trimestre, a atividade havia avançado 1,1%.

A composição do resultado mostra desempenhos bastante diferentes entre os setores. A Agropecuária cresceu 2,8% e liderou a expansão, enquanto a Indústria avançou 0,1% e os Serviços, responsáveis pela maior parcela da economia, aumentaram 0,2%.

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Pelo lado da demanda, o consumo das famílias caiu 0,4%. Os investimentos avançaram 1,2%, enquanto as exportações diminuíram 0,8% e as importações cresceram 1,8%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB aumentou 2%. No primeiro semestre, a economia acumulou expansão de 1,9% ante o mesmo período do ano passado. A mesma taxa de 1,9% foi registrada no acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho.

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Os números foram divulgados nesta terça-feira, 1º de setembro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Agropecuária lidera crescimento

A Agropecuária foi o componente mais forte do PIB entre abril e junho. O setor cresceu 2,8% frente ao primeiro trimestre e 6,8% na comparação com o mesmo período de 2025.

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O desempenho foi favorecido pela pecuária e por culturas com peso relevante no segundo trimestre. Entre os produtos agrícolas, a produção de soja teve crescimento estimado em 5,3%, enquanto o café avançou 15,1%.

Essas altas ajudaram a compensar desempenhos mais fracos de culturas como arroz, algodão e milho.

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Em termos de variação percentual trimestral, a expansão da Agropecuária foi 28 vezes a registrada pela Indústria e 14 vezes a dos Serviços. A comparação, porém, não corresponde à contribuição direta de cada setor para o PIB, já que Serviços têm peso muito superior na economia.

O resultado reforça a importância da produção agropecuária para o crescimento registrado no trimestre.

Indústria cresce 0,1% com força das atividades extrativas

A Indústria avançou apenas 0,1% na comparação com o primeiro trimestre.

O resultado positivo foi sustentado principalmente pelas indústrias extrativas, que cresceram 3,4%, beneficiadas pelo aumento da produção de petróleo, gás e minerais.

Outros segmentos industriais tiveram desempenho negativo. As indústrias de transformação recuaram 0,4%, assim como a Construção.

Eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos tiveram retração de 1,1%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a Indústria cresceu 1,5%. Mais uma vez, as atividades extrativas tiveram peso relevante, com expansão de 12%.

A indústria de transformação caiu 0,9% na mesma base de comparação, mostrando diferença expressiva entre os segmentos ligados à extração de recursos naturais e a produção manufatureira.

Serviços avançam 0,2%

O setor de Serviços registrou crescimento de 0,2% frente ao primeiro trimestre.

Informação e comunicação apresentou a maior alta, de 2,1%. Transporte, armazenagem e correio avançaram 1,1%, enquanto as atividades imobiliárias cresceram 0,2%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, os Serviços aumentaram 1,5%.

Informação e comunicação voltou a liderar, com expansão de 8,4%. Atividades imobiliárias avançaram 2,2%, Transporte cresceu 1,2% e as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados tiveram alta de 1%.

Também houve crescimento de 1,1% em outras atividades de serviços, de 0,9% no Comércio e de 0,9% em Administração pública, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social.

Por responder pela maior parcela da economia brasileira, o desempenho dos Serviços tem peso elevado na trajetória do PIB.

Consumo das famílias recua 0,4%

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre, após crescimento de 1,1% nos três primeiros meses do ano.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o componente ainda registrou avanço de 0,5%.

O consumo das famílias representa uma parcela relevante da economia brasileira e influencia diretamente o desempenho do comércio, dos serviços e de diversos segmentos industriais.

O consumo do governo seguiu direção oposta. Houve crescimento de 0,4% frente ao primeiro trimestre e de 3,1% na comparação anual.

Investimentos avançam, mas participação no PIB diminui

A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que reúne investimentos em máquinas, equipamentos, construção e outros ativos produtivos, cresceu 1,2% no segundo trimestre.

Na comparação anual, o avanço foi de 1,4%.

Mesmo com a alta, a taxa de investimento ficou em 16,1% do PIB, abaixo dos 16,6% registrados no segundo trimestre de 2025.

A redução foi de 0,5 ponto percentual em um ano, equivalente a uma queda relativa de aproximadamente 3% da participação do investimento na economia.

A taxa de poupança ficou em 16,6% no segundo trimestre, ante 16,5% no mesmo período do ano anterior.

O nível de investimento é acompanhado de perto porque influencia a capacidade produtiva futura da economia, incluindo gastos em infraestrutura, construção, máquinas e tecnologia.

Importações crescem e exportações recuam no trimestre

O setor externo apresentou movimentos opostos entre abril e junho.

As exportações de bens e serviços diminuíram 0,8% na comparação com o primeiro trimestre, enquanto as importações cresceram 1,8%.

A diferença entre as duas taxas foi de 2,6 pontos percentuais.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, ambos os componentes avançaram. As exportações cresceram 3,8% e as importações, 5,5%.

O crescimento mais forte das importações na comparação anual mostra maior expansão das compras brasileiras de produtos e serviços estrangeiros em relação às vendas externas.

PIB chega a R$ 3,4 trilhões

Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 3,4 trilhões entre abril e junho.

Desse total, aproximadamente R$ 2,9 trilhões correspondem ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 487,9 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

Os impostos líquidos sobre produtos representaram cerca de 14% do valor total do PIB no trimestre.

No primeiro semestre de 2026, a economia cresceu 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

A Agropecuária acumulou expansão de 3,6%, a Indústria cresceu 1,6% e os Serviços avançaram 1,8%.

No acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho, o crescimento também ficou em 1,9%.

Nesse intervalo, a Agropecuária avançou 6,2%, a Indústria cresceu 1,4% e os Serviços registraram expansão de 1,7%.

Entre os segmentos industriais, as atividades extrativas cresceram 12,2%. A Construção avançou 0,3%, enquanto a indústria de transformação recuou 1,1%.

Juros elevados seguem como condicionante da atividade

O resultado do PIB ocorre após um período prolongado de política monetária restritiva.

A taxa Selic permaneceu em níveis elevados durante o primeiro semestre, encarecendo financiamentos, capital de giro, crédito imobiliário, empréstimos às famílias e decisões de investimento empresarial.

Mesmo com o início da flexibilização monetária em 2026, mudanças na taxa básica de juros costumam chegar à economia real com defasagem.

Empresas e consumidores continuam expostos a contratos e linhas de financiamento contratados em condições mais restritivas, o que ajuda a explicar parte do comportamento do consumo e de segmentos como indústria de transformação e construção.

A combinação observada no segundo trimestre foi de forte crescimento da Agropecuária, expansão moderada dos Serviços, estabilidade da Indústria e retração do consumo das famílias.

Segundo semestre começa com atenção ao consumo e aos investimentos

Com o resultado do segundo trimestre, o PIB acumulou crescimento de 1,9% nos primeiros seis meses de 2026.

Nos próximos meses, consumo e investimento estarão entre os principais indicadores para medir a força da atividade econômica.

Uma melhora nas condições de crédito pode favorecer a recuperação do consumo das famílias, enquanto a evolução da Formação Bruta de Capital Fixo ajudará a indicar se as empresas mantêm disposição para ampliar capacidade produtiva.

O setor externo também permanecerá relevante, especialmente diante da diferença observada entre o comportamento das importações e das exportações no segundo trimestre.

A divulgação do PIB do terceiro trimestre mostrará se a economia conseguiu manter expansão mais equilibrada entre os setores e os componentes da demanda.

Fontes:

IBGE – Sistema de Contas Nacionais Trimestrais e divulgação do Produto Interno Bruto do segundo trimestre de 2026

IBGE – dados setoriais, componentes da demanda, taxa de investimento, taxa de poupança e valores correntes do PIB

Banco Central – decisões e comunicados do Comitê de Política Monetária sobre a taxa Selic e a evolução da atividade econômica

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