9 startups brasileiras estão próximas de se tornar unicórnios, aponta mapeamento
O ecossistema de inovação brasileiro segue se consolidando como um dos mais promissores da América Latina. Um novo mapeamento realizado pela plataforma Distrito, especializada em dados sobre startups e tecnologia, identificou nove startups brasileiras com alto potencial de alcançar o status de unicórnio, ou seja, atingir valuation superior a US$ 1 bilhão. A análise faz parte da oitava edição do estudo “Corrida dos Unicórnios”, que avalia empresas de base tecnológica na região e indica aquelas com maior probabilidade de se tornar bilionárias em curto prazo.
A última startup brasileira a conquistar o título de unicórnio foi a QI Tech, em 2024, que se destacou por ser a única na região a atingir o valuation bilionário naquele ano. No ano anterior, em 2023, a Pismo, também brasileira, tornou-se unicórnio após ser vendida à Visa por US$ 1 bilhão, consolidando a força do Brasil no cenário latino-americano de inovação.
Panorama latino-americano e comparativo com Brasil
O mapeamento realizado pelo Distrito revela ainda que, fora do Brasil, startups latino-americanas têm demonstrado grande capacidade de crescimento. Em 2025, a fintech mexicana Plata tornou-se o primeiro unicórnio latino não brasileiro desde 2022, alcançando valuation de US$ 1,5 bilhão após rodada Série A de US$ 160 milhões. Fundada em 2022, a Plata possui atualmente 2,5 milhões de clientes ativos e, poucos meses depois, levantou uma Série B de US$ 250 milhões, dobrando seu valor de mercado para US$ 3,1 bilhões.
O Brasil, entretanto, não ficou atrás. No mesmo período, a fintech Kapital, focada em crédito para pequenas e médias empresas, alcançou valuation de US$ 1,3 bilhão, garantindo espaço relevante para o país em termos de capital investido no primeiro semestre de 2025.
Dos 48 unicórnios mapeados na América Latina, 25 são brasileiros, evidenciando que o país continua como protagonista regional no ecossistema de startups brasileiras. Pedro Conrade, fundador do Neon, unicórnio brasileiro de 2022, afirma que “o aprendizado coletivo aumentou, e estruturalmente o país tem mais condições de formar unicórnios do que no passado. No entanto, o caminho será mais disciplinado e menos impulsionado por ciclos de liquidez abundante, tornando o processo mais seletivo”.
Startups brasileiras com maior potencial para unicórnio
O estudo rastreou 50 startups brasileiras com chances concretas de alcançar o valuation de US$ 1 bilhão, sendo que 36 delas são brasileiras. Das mais próximas do status, 12 foram destacadas, com nove do Brasil. Entre elas, Digibee, Enter, Isa Saúde, Motorista PX, Music.ai, NG.Cash e Zippi aparecem pela primeira vez no levantamento.
Cinco empresas que já figuravam entre as mais próximas de se tornar unicórnio em 2025 também seguem em destaque: Celcoin, Flash, Mottu, Omie e Tractian. O mapeamento aponta que essas startups brasileiras têm elevado potencial para atravessar a marca bilionária em valuation nos próximos meses.
A seguir, o perfil detalhado das nove startups brasileiras com maior potencial, em ordem alfabética:
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Asaas – Fintech que oferece soluções de cobrança, pagamentos e gestão financeira para PMEs, com total captado de US$ 186,9 milhões.
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Cayena – Foodtech que conecta restaurantes a fornecedores de alimentos em um marketplace B2B, com US$ 89,5 milhões captados.
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Celcoin – Fintech que fornece infraestrutura financeira para que empresas ofereçam serviços bancários via APIs, com US$ 156,1 milhões captados.
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Enter – Lawtech que utiliza inteligência artificial para automatizar contencioso jurídico em grandes empresas, desde análise de processos até geração de peças e recomendações, captando US$ 40,5 milhões.
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Flash – HRTech que evoluiu de plataforma de benefícios corporativos para hub de gestão de pessoas e despesas, com US$ 130 milhões captados.
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Mottu – Startup de aluguel de motos para entregadores, oferecendo modelo integrado de crédito, manutenção e serviços, com US$ 112 milhões captados.
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Nomad – Fintech com conta internacional em dólar para pessoas físicas, incluindo cartão e investimentos no exterior, com US$ 117,5 milhões captados.
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Omie – Fintech que desenvolveu ERP em nuvem para PMEs, integrando gestão financeira, fiscal e contábil, com US$ 296,2 milhões captados.
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Tractian – Startup que combina sensores IoT e software para monitoramento preditivo de máquinas industriais, com US$ 183,7 milhões captados.
Tendências e oportunidades no ecossistema brasileiro
O levantamento evidencia que o Brasil possui um ecossistema sólido de startups brasileiras, com base tecnológica diversificada e alto potencial de crescimento. A presença de fintechs, HRTechs, lawtechs e foodtechs demonstra maturidade e capacidade de inovação, alinhada às demandas do mercado global.
Segundo o Distrito, fatores como aprendizado coletivo, maior disciplina financeira e foco em eficiência operacional aumentam a probabilidade de sucesso dessas empresas. Entretanto, o caminho para unicórnio continua seletivo, exigindo estratégias robustas de captação, escalabilidade e governança corporativa.
Além disso, o estudo ressalta que a diversidade setorial das startups brasileiras contribui para mitigar riscos e aumentar a resiliência frente a crises econômicas ou mudanças regulatórias. O avanço da digitalização, aliado à expansão de investimentos em venture capital, cria um ambiente propício para a formação de novos unicórnios.
Impacto econômico e social
A ascensão das startups brasileiras para o status de unicórnio não é apenas um marco financeiro. Ela representa incremento de empregos qualificados, desenvolvimento tecnológico e internacionalização de soluções brasileiras. Cada novo unicórnio impulsiona o ecossistema, atraindo mais investimentos e fomentando o surgimento de novas iniciativas de alto impacto.
Além disso, a presença crescente de startups brasileiras no cenário global contribui para a inserção internacional do país, fortalecendo a imagem do Brasil como polo de inovação e tecnologia. O crescimento desse segmento também auxilia na redução da dependência econômica de mercados externos e fomenta a competitividade industrial e tecnológica.
O papel do investimento em venture capital
O capital de risco é decisivo para que startups brasileiras atinjam o patamar de unicórnio. Rodadas estratégicas, como as realizadas por Plata e Omie, evidenciam a importância de investimentos robustos e bem estruturados, capazes de gerar crescimento sustentável.
O Distrito aponta que a maturidade do ecossistema, aliada a rodadas de investimento mais disciplinadas, torna o processo de crescimento menos impulsionado por ciclos de liquidez e mais focado em resultados consistentes. Isso aumenta a probabilidade de sucesso a longo prazo e consolida o Brasil como referência regional em tecnologia e inovação.
Cenário futuro
Com nove startups brasileiras no radar para se tornarem unicórnios em breve, o país demonstra grande potencial de se firmar como líder latino-americano em inovação tecnológica. Setores como fintech, HRTech, lawtech e foodtech apresentam soluções escaláveis, com capacidade de expansão regional e internacional, consolidando a posição do Brasil no mapa global de startups.
O acompanhamento contínuo do ecossistema, aliado a políticas de incentivo e governança corporativa eficiente, será fundamental para transformar essas promessas em realidade econômica. Para investidores, empreendedores e gestores, o momento é de observação estratégica, preparação e alinhamento de recursos para aproveitar as oportunidades que o crescimento das startups brasileiras oferece.
A expectativa é que, nos próximos anos, novas empresas do país atinjam valuation bilionário, ampliando o número de unicórnios e fortalecendo a presença do Brasil na economia digital global.







