quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

ONCO3 sobe até 52% antes de decisão da CVM sobre OPA estatutária da Oncoclínicas

Colegiado da autarquia julga nesta terça-feira recurso contra entendimento da área técnica que afastou obrigação de oferta; disputa envolve reorganização ligada à Centaurus e proteção prevista no estatuto

por João Souza
24/08/2026 às 15h30
em Empresas
Oncoclínicas (Onco3) - Gazeta Mercantil

As ações da Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos (ONCO3) chegaram a disparar 52% nesta segunda-feira (24), em uma sessão marcada pela expectativa em torno de uma decisão que pode alterar de forma relevante a relação entre um dos principais acionistas da companhia e os investidores minoritários.

O movimento ocorre na véspera da reunião em que o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deverá analisar um recurso contra o entendimento da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) sobre a não incidência de uma oferta pública de aquisição de ações prevista no estatuto da Oncoclínicas.

A pauta oficial da reunião do colegiado nº 23/2026, marcada para as 10h desta terça-feira (25), inclui expressamente o processo nº 19957.003474/2025-07, descrito pela própria CVM como um “recurso contra entendimento da SRE sobre não incidência de OPA estatutária na Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A.”.

Por volta das 14h40 desta segunda-feira, ONCO3 avançava 40,87%, a R$ 1,62, depois de alcançar alta de 52% na máxima intradiária. O desempenho chama atenção também pelo histórico recente de forte volatilidade do papel, que encerrou a sexta-feira (21) a R$ 1,15.

A valorização, entretanto, não significa que o mercado já conheça o resultado da reunião. Até o fechamento desta reportagem, o julgamento ainda não havia ocorrido e não existia decisão do colegiado determinando a realização da oferta.

O que a CVM decidirá

O ponto central da controvérsia é uma cláusula de proteção à dispersão acionária existente no estatuto social da Oncoclínicas, mecanismo conhecido no mercado como poison pill.

O artigo 39 do estatuto determina que qualquer adquirente que alcance participação igual ou superior a 15% do total das ações da companhia deverá, em determinadas condições, realizar uma OPA pela totalidade das ações.

O texto atualmente consolidado do estatuto estabelece prazo máximo de 60 dias a partir da aquisição ou do evento que resulte na chamada Participação Acionária Relevante. Também determina critérios mínimos para o preço da eventual oferta, incluindo parâmetros relacionados ao valor justo, às cotações das ações e a preços pagos em operações anteriores.

É justamente a aplicação dessa regra à reorganização societária envolvendo os fundos Josephina e a Centaurus Capital que está em disputa.

A questão não é simplesmente verificar se um veículo ultrapassou numericamente os 15%. O colegiado terá de apreciar o recurso contra a interpretação técnica segundo a qual a reorganização analisada não configurou uma aquisição capaz de acionar a obrigação estatutária de realizar a oferta.

Esse detalhe é fundamental para compreender o processo.

Como nasceu a disputa

No fim de 2024, uma reorganização envolvendo veículos de investimento ligados ao Goldman Sachs modificou a forma pela qual uma parcela relevante das ações da Oncoclínicas estava estruturada.

Documentos financeiros da própria companhia mostram que, em 31 de dezembro de 2024, o Josephina III aparecia com 16,05% do capital da Oncoclínicas, enquanto o Josephina I detinha 15,79% e o Josephina II possuía 4,97%.

Em março de 2025 ocorreu outra movimentação relevante. O Josephina III adquiriu privadamente 102.914.808 ações ordinárias e passou a deter 207.498.778 papéis da companhia, equivalentes, naquele momento, a 31,83% do capital social.

A comunicação enviada à companhia pelas entidades ligadas à Centaurus informou oficialmente a nova participação.

Foi a combinação entre a reorganização anterior e a concentração das ações no Josephina III que aprofundou o questionamento dos minoritários.

Fundos geridos pela Latache sustentaram que a estrutura deveria levar à aplicação da cláusula estatutária e, consequentemente, à realização de uma OPA. Em documento divulgado pela própria Oncoclínicas, os acionistas chegaram a solicitar a convocação de assembleia para discutir a suspensão dos direitos do Josephina III, sob o argumento de que a obrigação prevista no artigo 39 não teria sido cumprida.

A tese oposta é que não teria ocorrido uma aquisição nova, no sentido exigido pelo estatuto, mas a reorganização e individualização de uma exposição econômica que a Centaurus já possuía indiretamente antes da mudança na estrutura dos fundos.

É essa divergência que chegou à CVM.

Área técnica afastou a obrigação de OPA

Antes de o processo alcançar o colegiado, a área técnica da CVM analisou a questão e concluiu pela não incidência da OPA estatutária.

A existência desse entendimento está confirmada pela própria descrição oficial utilizada pela CVM para a reunião desta terça-feira: o processo submetido ao colegiado é um recurso contra a posição da SRE que afastou a incidência da oferta.

Portanto, a situação atual não é a de uma OPA já determinada e posteriormente suspensa. O que existe é uma decisão técnica favorável à tese de que a oferta não era obrigatória, agora contestada por meio de recurso.

Essa distinção também aparece em outra base oficial da autarquia.

Na posição disponível nesta segunda-feira, 24 de agosto, o sistema da CVM destinado às OPAs em análise não registrava qualquer oferta nessa categoria. O painel mostrava zero operações em análise, seja por alienação de controle, aquisição de controle, aumento de participação, cancelamento de registro, oferta voluntária ou concorrente.

Isso significa que o processo envolvendo a Oncoclínicas ainda está no estágio de discussão sobre se existe ou não obrigação de lançar uma oferta estatutária, e não na fase de análise de uma OPA efetivamente apresentada.

Participação de 31,83% não é a posição atual

Outro ponto relevante para o investidor é distinguir a participação que originou a controvérsia da estrutura acionária posterior da companhia.

Os 31,83% atribuídos ao Josephina III são fundamentais para compreender os fatos de 2025, mas não correspondem ao percentual atual do capital após operações societárias posteriores.

As demonstrações financeiras da Oncoclínicas mostram que, em 31 de dezembro de 2025, o Josephina III continuava com as mesmas 207.498.778 ações, mas sua participação havia caído para 18,31% porque o número total de ações da companhia aumentou substancialmente.

O capital passou de 651,75 milhões de ações no fim de 2024 para aproximadamente 1,133 bilhão no encerramento de 2025. Como o Josephina III não acompanhou proporcionalmente o aumento, sua fatia foi diluída.

Essa mudança não elimina o processo analisado pela CVM, porque a controvérsia está relacionada aos eventos que ocorreram quando a participação relevante foi formada e à interpretação do estatuto naquele momento.

Mas é importante para evitar a impressão de que a Centaurus, por meio do Josephina III, necessariamente continua detendo hoje quase um terço do capital da rede de oncologia.

Por que uma OPA pode ser tão relevante para ONCO3

A forte reação das ações está relacionada ao potencial econômico de uma eventual mudança de entendimento.

A cláusula da Oncoclínicas não determina simplesmente que o investidor relevante faça uma oferta pelo preço corrente da Bolsa.

O estatuto estabelece que o preço por ação não poderá ser inferior ao maior entre diferentes referências. Entre elas estão o valor justo apurado em laudo de avaliação e percentuais calculados sobre determinadas cotações ou preços relacionados a operações anteriores. Em alguns dos critérios, o estatuto utiliza 120% da respectiva referência.

Isso cria a possibilidade de que, se a OPA for considerada obrigatória, o preço econômico da oferta seja diferente da cotação observada em Bolsa.

Não é possível, porém, concluir antecipadamente qual seria esse valor apenas a partir do texto do estatuto. A determinação dependeria dos critérios aplicáveis, das datas de referência, de eventuais ajustes societários e, em determinadas hipóteses, de avaliação específica.

Por essa razão, estimativas sobre quanto a Centaurus ou o Josephina III teriam de desembolsar devem ser tratadas separadamente daquilo que já está formalmente estabelecido.

Conselho já rejeitou suspensão dos direitos do Josephina III

A disputa entre os acionistas também passou pelo conselho de administração da própria Oncoclínicas.

Em agosto de 2025, o colegiado da companhia analisou pedido para convocar uma assembleia destinada a deliberar sobre a suspensão dos direitos do Josephina III.

Segundo fato relevante divulgado pela empresa, o conselho concluiu que não havia elementos que autorizassem a adoção dessa medida excepcional e recusou o pedido de convocação.

O episódio demonstra que a discussão não surgiu apenas com a reunião desta semana da CVM. O conflito societário atravessa diferentes instâncias desde 2025 e envolve interpretações divergentes sobre a estrutura dos investimentos relacionados à Centaurus.

Terça-feira pode redefinir o caso

A reunião desta terça-feira passa, portanto, a ser um novo ponto decisivo.

Se o colegiado mantiver o entendimento da SRE, prevalecerá, dentro da CVM, a interpretação técnica de que a operação examinada não acionou a obrigação de OPA estatutária.

Se houver mudança de entendimento, o caso poderá produzir consequências relevantes para o Josephina III, para a Centaurus e principalmente para os acionistas da Oncoclínicas, embora os efeitos concretos dependam do conteúdo da decisão.

O documento oficial da pauta não antecipa votos nem resultado. Registra apenas que o recurso será analisado e informa que a diretora Marina Copola está impedida no processo.

Até lá, a disparada de ONCO3 traduz uma combinação incomum para uma ação que já vinha apresentando alta volatilidade: uma cláusula estatutária potencialmente valiosa para os minoritários, uma reorganização societária contestada e uma decisão regulatória capaz de definir se essa proteção será aplicada ao caso.

Fontes:
Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A.

LEIA MAIS

Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

A LVMH, maior grupo de luxo do mundo, encerrou a sessão de 15 de setembro de 2026 com valor de mercado em torno de €201 bilhões, depois de...

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) (BSLI3; BSLI4) recebeu R$ 376 milhões com a venda à XP de ativos que haviam chegado ao banco por meio de operações relacionadas...

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

O JPMorgan reduziu de R$ 24 para R$ 22 o preço-alvo das ações do Banco do Brasil (BBAS3) para dezembro de 2027 e manteve recomendação neutra para os...

Leia MaisDetails
Xp Reduz Aposta Em Privatização E Rebaixa Sanepar, Com Incerteza Sobre Precatório-Gazeta Mercantil
Empresas

Sanepar (SAPR11): XP corta recomendação para neutra e vê privatização mais distante

A XP Investimentos reduziu de compra para neutra a recomendação para as units da Sanepar (SAPR11), mesmo depois de elevar para R$ 45,80 o preço-alvo projetado para o...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

05:59:43
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP