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PCB e PSTU aprovam chapas presidenciais e ampliam disputa à esquerda em 2026

Edmilson Costa terá Cleusa Santos como vice, enquanto Hertz Dias formará chapa com Vanessa Portugal; nomes ainda dependem de registro e análise da Justiça Eleitoral

por Júlia Campos
03/08/2026 às 12h26
em Política
Eleições 2026 - Gazeta Mercantil

Reprodução

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) aprovaram suas chapas para a Presidência da República nas convenções nacionais realizadas em São Paulo no fim de semana. O PCB escolheu o economista Edmilson Costa para presidente e a professora aposentada Cleusa Santos para vice. O PSTU homologou o professor Hertz Dias para o Palácio do Planalto, com a professora Vanessa Portugal como companheira de chapa.

As decisões partidárias colocam mais dois nomes na fase de formação da disputa presidencial de 2026, mas ainda não equivalem ao registro definitivo das candidaturas. Pela legislação eleitoral, a convenção autoriza o partido a apresentar os pedidos à Justiça Eleitoral. Caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) examinar a documentação, as condições de elegibilidade e eventuais impugnações antes de decidir se as chapas poderão constar da urna.

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No caso do PCB, a convenção foi convocada para as 9h de sábado, 1º de agosto, no auditório 1º de Maio da Câmara Municipal de São Paulo. O edital publicado pelo próprio partido previa a deliberação das candidaturas a presidente e vice-presidente e a delegação de poderes à direção nacional para fazer ajustes necessários ao registro. A legenda confirmou a composição que vinha preparando desde julho, quando seu comitê central aprovou Cleusa para acompanhar Edmilson.

O PSTU reuniu seus filiados na noite de sexta-feira, 31 de julho, na sede do Sindicato dos Metroviários, no bairro do Belém, zona leste da capital paulista. Além da chapa presidencial formada por Hertz e Vanessa, a convenção aprovou Vera Lúcia para o governo de São Paulo e Renata França para vice-governadora. Os quatro nomes representam candidaturas próprias da legenda nos dois principais cargos executivos em disputa no país e no maior colégio eleitoral estadual.

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Registro ainda precisa ser apresentado ao TSE

O calendário eleitoral estabelece de 20 de julho a 5 de agosto como período para que partidos e federações realizem convenções, deliberem sobre coligações e escolham formalmente seus candidatos. Até o dia seguinte à reunião, a sigla deve transmitir pela internet a ata e a lista de presentes, digitadas no Sistema de Candidaturas — Módulo Externo, o CANDex. Esse envio documenta a decisão interna, mas não substitui o pedido de registro.

Partidos, federações e coligações têm até as 19h de 15 de agosto para encaminhar os registros. O processo inclui o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários, conhecido pela sigla DRAP, que reúne informações da convenção e da composição apresentada, e o Requerimento de Registro de Candidatura, o RRC, com os dados e documentos individuais de cada postulante. Para cargos do Executivo, a chapa precisa conter titular e vice.

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Depois da apresentação, os pedidos são autuados no Processo Judicial Eletrônico. A publicação abre prazo de cinco dias para impugnações por partidos, federações, coligações, candidatos e pelo Ministério Público Eleitoral; cidadãos também podem comunicar possível causa de inelegibilidade. Se houver falhas documentais, a Justiça Eleitoral pode determinar diligências. O julgamento resulta no deferimento ou no indeferimento do registro.

O TSE é responsável por analisar as chapas à Presidência e à Vice-Presidência. Os tribunais regionais eleitorais examinam as candidaturas a governador, vice-governador, senador e deputados. Assim, a chapa de Vera Lúcia e Renata França será submetida ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, enquanto as chapas de Edmilson-Cleusa e Hertz-Vanessa ficarão sob a jurisdição do tribunal superior.

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PCB confirma plano lançado no primeiro semestre

Edmilson Costa já era apresentado pelo PCB como pré-candidato desde fevereiro. Secretário-geral do partido e identificado como presidente nacional no cadastro do TSE, ele é doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas e concluiu pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma universidade. A legenda também o apresenta como autor de obras sobre capitalismo contemporâneo, crise econômica e poesia.

A indicação de Cleusa Santos foi aprovada por unanimidade pelo comitê central do PCB em 12 de julho, antes da confirmação convencional. Professora titular aposentada da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ela é doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Sua produção acadêmica se concentra em temas como seguridade social, trabalho, migração, direitos sociais e atuação de organismos internacionais.

Segundo a apresentação da própria sigla, Cleusa participou do movimento docente, integrou diretorias da seção sindical dos professores da UFRJ e presidiu a entidade entre 2002 e 2003. Atualmente, exerce função em um coletivo feminista ligado ao PCB. A escolha dá à chapa dois integrantes com trajetória acadêmica e partidária.

O programa divulgado com a pré-candidatura de Edmilson inclui estatização do sistema financeiro, revisão do pagamento da dívida pública, retomada de empresas privatizadas, jornada de 30 horas e fim da escala 6 por 1 sem corte salarial. Também defende reforma agrária, desmilitarização da segurança pública e substituição do Senado por um Parlamento unicameral. São posições partidárias a serem submetidas ao debate eleitoral caso o registro seja deferido.

PSTU leva professor e rapper ao Planalto

Hertz Dias é professor de História da rede pública do Maranhão, rapper e militante do movimento negro. A candidatura o coloca novamente em uma disputa nacional: em 2018, ele integrou como vice a chapa presidencial encabeçada por Vera Lúcia. O registro oficial daquele pleito, mantido pelo TSE, identifica a campanha “Vera presidente e Hertz vice” com o número 16, correspondente ao PSTU.

Depois daquela eleição, Hertz disputou a Prefeitura de São Luís, em 2020, e o governo do Maranhão, em 2022. Em sua apresentação para 2026, ele se define como integrante do grupo de rap Gíria Vermelha e um dos fundadores do Movimento Quilombo Urbano. O partido usa essa trajetória para vincular a chapa às pautas trabalhistas, antirracistas e culturais que compõem sua atuação política.

Vanessa Portugal é professora da rede pública municipal de Belo Horizonte e dirigente sindical. A educadora já concorreu ao governo de Minas Gerais pelo PSTU em 2022 e foi anunciada neste ano para a vice-presidência. Na comunicação da campanha, a legenda apresenta a chapa como uma composição própria, sem aliança com outro partido, e atribui a Vanessa atuação nos movimentos de mulheres, da educação e do funcionalismo público.

Entre as bandeiras publicizadas pelo PSTU estão o fim da escala 6 por 1 sem redução salarial, aumento geral dos salários, revogação das reformas trabalhista e previdenciária e defesa dos serviços públicos. A sigla também formula sua candidatura como oposição simultânea à extrema direita e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As declarações exprimem o posicionamento do partido e não uma avaliação independente sobre os demais concorrentes.

Convenção também organiza a disputa em São Paulo

A escolha de Vera Lúcia para o governo paulista devolve à dirigente uma posição de cabeça de chapa, desta vez no plano estadual. Operária do setor calçadista e integrante da direção partidária, ela foi candidata à Presidência em 2018 e 2022. Em 2026, terá como vice Renata França, militante do PSTU com atuação em movimentos de trabalhadores, segundo as apresentações públicas da legenda.

A composição estadual permite ao partido organizar uma campanha simultânea em São Paulo e no país e apoiar suas candidaturas proporcionais. O PSTU mantém o número 16; o PCB está registrado com o número 21 na relação oficial de partidos do TSE.

PCB e PSTU são legendas registradas na Justiça Eleitoral desde a década de 1990. Com chapas próprias, poderão divulgar suas plataformas nos espaços de campanha previstos em lei e buscar presença nacional. A participação dependerá do cumprimento das regras de registro e propaganda.

Até o fim do prazo das convenções, em 5 de agosto, outras siglas ainda podem confirmar candidatos, coligações ou apoio a chapas já anunciadas. A fotografia da eleição, portanto, continuará provisória por alguns dias. Mesmo depois das convenções, substituições e ajustes poderão ocorrer dentro das hipóteses previstas na legislação, e a lista juridicamente válida será definida pelos processos de registro.

Campanha geral começa em 16 de agosto

A propaganda eleitoral nas ruas e na internet será permitida a partir de 16 de agosto. Antes disso, os escolhidos em convenção precisam respeitar os limites legais do período anterior à campanha. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começará em 28 de agosto e seguirá até 1º de outubro.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Se nenhum candidato à Presidência ou a um governo estadual alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, excluídos brancos e nulos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Neste momento, a etapa imediata para PCB e PSTU é transformar as deliberações de suas convenções em pedidos completos no CANDex.

Até a decisão da Justiça Eleitoral, a formulação precisa é dizer que Edmilson, Cleusa, Hertz, Vanessa, Vera e Renata foram homologados por seus partidos. O registro deferido — e não apenas a votação interna — assegura a inclusão dos nomes na urna eletrônica.

Para as duas legendas, o desafio dos próximos dias será cumprir o calendário, apresentar documentos e consolidar as equipes de campanha. Para o eleitor, as convenções sinalizam a ampliação da oferta de chapas de esquerda em 2026, mas a relação final de candidatos dependerá dos pedidos protocolados até 15 de agosto e dos julgamentos posteriores do TSE e dos tribunais regionais.

Fontes

  • TSE — Registro de candidaturas
  • TSE — Calendário das Eleições 2026
  • TSE — Resolução nº 23.760/2026
  • TSE — Partidos registrados
  • PCB — Edital da Convenção Nacional
  • PCB — Homologação da chapa presidencial
  • PCB — Pré-candidatura de Edmilson Costa
  • PCB — Pré-candidatura de Cleusa Santos
  • PSTU — Perfil oficial
  • Hertz Dias — Perfil oficial
  • Vanessa Portugal — Confirmação da candidatura a vice
  • Vera Lúcia — Perfil oficial
  • PSTU São Paulo — Convocação da convenção

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