O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera os cenários de primeiro turno da mais recente pesquisa eleitoral do instituto Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (8), consolidando vantagem sobre os principais nomes da oposição na corrida ao Palácio do Planalto. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra Lula com 40,4% das intenções de voto no principal cenário estimulado, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em segundo lugar, com 32%. Apesar da dianteira do atual presidente, as simulações de segundo turno indicam uma disputa mais equilibrada, sugerindo que o cenário eleitoral permanece aberto a pouco tempo das convenções partidárias.
A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 6 de julho, por meio de entrevistas telefônicas com 1.500 eleitores em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-05628/2026.
No cenário estimulado em que Flávio Bolsonaro representa o campo conservador, Lula alcança 40,4% das intenções de voto. Em seguida aparecem Flávio, com 32%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Romeu Zema (Novo), com 2,5%; Aécio Neves (PSDB) e Renan Santos (Missão), ambos com 2%; além de outros pré-candidatos com percentuais inferiores.
Cenário muda com Michelle Bolsonaro
O instituto também simulou um primeiro turno em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) substitui Flávio Bolsonaro como representante do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesse cenário, Lula mantém os mesmos 40,4% das intenções de voto, enquanto Michelle registra 29,4%. Ronaldo Caiado sobe para 7%, Romeu Zema alcança 4,4%, Renan Santos aparece com 3,5%, Aécio Neves marca 3,2% e Augusto Cury chega a 2,5%. Os números mostram que Lula preserva a liderança independentemente do principal adversário testado, embora a composição do eleitorado oposicionista apresente diferenças relevantes conforme o nome escolhido.
Os dados reforçam que a disputa permanece fortemente concentrada entre os dois maiores polos políticos do país, enquanto os demais pré-candidatos aparecem com participação reduzida nas intenções de voto.
Segundo turno aponta ambiente competitivo
Embora Lula apareça em vantagem no primeiro turno, o levantamento mostra que uma eventual segunda etapa da eleição tende a ser mais disputada.
Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente registra 45% das intenções de voto, contra 40% do senador. Considerando a margem de erro da pesquisa, a diferença configura empate técnico.
Em outro cenário, Lula enfrenta Michelle Bolsonaro e amplia a vantagem, alcançando 45%, enquanto a ex-primeira-dama soma 36%. O levantamento também testa confrontos contra Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Joaquim Barbosa, nos quais o presidente mantém liderança numérica.
Os resultados indicam que, embora o atual presidente lidere a corrida presidencial neste momento, a eleição ainda apresenta elevado grau de competitividade, principalmente em um eventual segundo turno.
Espontânea revela elevado número de indecisos
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados respondem sem receber uma lista de candidatos, Lula também aparece na liderança, com 32,8% das citações.
Flávio Bolsonaro registra 20,3%, enquanto Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, ainda é lembrado por parte do eleitorado. Ronaldo Caiado aparece em seguida com percentual próximo de 1%.
O dado que mais chama atenção nessa modalidade é o elevado índice de indecisos. Cerca de um terço dos entrevistados afirmou ainda não saber em quem votaria caso a eleição fosse realizada hoje, indicando que parte significativa do eleitorado permanece aberta à influência do ambiente político e da campanha eleitoral.
Rejeição segue elevada entre principais nomes
O levantamento também mediu a rejeição dos possíveis candidatos.
Segundo a pesquisa, Lula apresenta índice de rejeição de 46,4%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43,4%. Michelle Bolsonaro aparece com 28%, seguida por Aécio Neves, Cabo Daciolo, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Os números revelam que os principais protagonistas da disputa nacional enfrentam níveis elevados de rejeição, aspecto que pode influenciar diretamente as estratégias eleitorais durante a campanha, especialmente em um eventual segundo turno, quando a capacidade de conquistar votos fora da própria base costuma ser decisiva.
Convenções partidárias devem definir cenário definitivo
Apesar dos resultados apresentados pelo levantamento, a corrida presidencial ainda depende da confirmação oficial das candidaturas durante as convenções partidárias.
Até esse momento, partidos seguem discutindo alianças, composições regionais e estratégias para ampliar competitividade. A definição dos candidatos a vice-presidente e a formação das coligações também poderá alterar a dinâmica da disputa.
Além das articulações políticas, fatores econômicos, desempenho do governo federal, evolução dos indicadores sociais e acontecimentos nacionais e internacionais tendem a influenciar a percepção do eleitorado ao longo dos próximos meses.
Pesquisas eleitorais representam um retrato do momento em que são realizadas e não constituem previsão do resultado final da eleição. Mudanças no cenário político, no comportamento do eleitor e nas campanhas podem provocar oscilações relevantes até a votação.
A divulgação do levantamento Meio/Ideia ocorre em um período decisivo do calendário eleitoral e será acompanhada de perto por partidos, agentes políticos e analistas, que utilizarão os próximos levantamentos para avaliar tendências, consolidação de candidaturas e possíveis mudanças no equilíbrio entre governo e oposição.








