As ações de Petrobras (PETR4), Cosan (CSAN3), XP (XPBR31) e Braskem (BRKM5) estão entre os principais destaques corporativos desta terça-feira, 19 de maio, em uma sessão marcada por resultados, declarações de executivos, reestruturações financeiras e movimentações estratégicas de empresas listadas na B3.
Também entram no radar dos investidores B3 (B3SA3), Telefônica Brasil (VIVT3) e Banco Daycoval, em meio a notícias sobre sucessão no comando da Bolsa, aquisição de participação remanescente em infraestrutura de fibra óptica e avanço regulatório para abertura de uma agência bancária nos Estados Unidos.
Na Petrobras (PETR4), a presidente Magda Chambriard afirmou que a estatal registrou crescimento de 16% na produção no primeiro trimestre de 2026, em comparação com igual período do ano anterior. Segundo a executiva, o avanço envolveu produção de petróleo, refino, gás e eficiência operacional, contribuindo para lucro de US$ 6,2 bilhões no período.
Na Cosan (CSAN3), o fundador e presidente do conselho, Rubens Ometto, tentou afastar dúvidas sobre o futuro da holding. Ele afirmou que a companhia “não vai acabar” e continuará sob controle da família, após comentários feitos na teleconferência de resultados ampliarem ruídos sobre a reestruturação do grupo.
A XP (XPBR31), por sua vez, divulgou lucro líquido ajustado de R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre, alta anual de 7%, mas abaixo da projeção de analistas. A companhia também anunciou troca de CFO, dividendos de cerca de R$ 500 milhões e um programa de recompra de ações de até R$ 1 bilhão.
Petrobras (PETR4) destaca alta de 16% na produção
A presidente da Petrobras (PETR4), Magda Chambriard, afirmou que a estatal cresceu 16% em produção no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo intervalo de 2025. A executiva comparou o desempenho ao avanço do agronegócio e disse que investidores internacionais têm demonstrado apoio à estratégia da companhia.
Segundo Magda, o aumento da produção foi um dos principais fatores do resultado trimestral. A presidente da Petrobras (PETR4) citou avanços em petróleo, refino, gás e eficiência operacional, que teriam contribuído para lucro de US$ 6,2 bilhões.
A fala ocorre em um momento de atenção do mercado à estratégia da estatal. Investidores acompanham produção, investimentos, política de dividendos, disciplina de capital, preços de combustíveis e relação da companhia com o governo federal.
Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Magda também anunciou investimentos de R$ 37 bilhões da Petrobras (PETR4) em São Paulo até 2030. Os recursos serão destinados a refino e biorrefino, logística, exploração e produção, descarbonização e geração de energia sustentável.
Para o mercado, o ponto central será avaliar se o aumento de produção e o plano de investimentos serão acompanhados de geração de caixa suficiente para sustentar dividendos, reduzir riscos de execução e preservar retorno ao acionista.
Cosan (CSAN3) tenta reduzir ruídos sobre futuro da holding
A Cosan (CSAN3) também aparece entre os destaques do dia após Rubens Ometto afirmar que a companhia não vai acabar e seguirá nas mãos da família fundadora.
A declaração veio depois de ruídos gerados por comentários feitos na teleconferência de resultados do primeiro trimestre. Na ocasião, o CEO Marcelo Martins afirmou que seria “bastante razoável” dizer que a Cosan poderia deixar de existir em um horizonte de três a cinco anos, declaração que foi interpretada pelo mercado como sinal de incerteza sobre a estrutura futura da holding.
Ometto disse que a fala foi mal compreendida e defendeu que a empresa está em processo de reorganização. Segundo ele, o momento exige simplificação, redução de alavancagem e foco em execução.
A Cosan (CSAN3) enfrenta desafios financeiros relevantes. A holding foi pressionada pela alta dos juros e precisou receber um aporte de R$ 10 bilhões do BTG Pactual, da gestora Perfin Investimentos e da família Ometto.
O fundador reconheceu que a companhia errou na avaliação do cenário de juros e fez mais investimentos do que deveria. Entre os exemplos citados estão a compra da Shell Argentina, por US$ 1,5 bilhão, a aquisição da Biosev, também por US$ 1,5 bilhão, e investimentos em etanol de segunda geração.
Para investidores, a questão principal é saber se a Cosan (CSAN3) conseguirá reduzir alavancagem, preservar ativos estratégicos e recuperar confiança após um período de forte pressão sobre sua estrutura de capital.
XP (XPBR31) lucra R$ 1,3 bilhão e anuncia recompra
A XP (XPBR31) registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas queda de 1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.
O lucro ficou abaixo das expectativas de analistas compiladas pela LSEG, que estimavam R$ 1,4 bilhão. A receita bruta somou R$ 4,9 bilhões, alta de 8% em um ano, mas queda de 7% na comparação trimestral.
A receita de varejo chegou a quase R$ 3,8 bilhões, avanço anual de 10%, mas recuo de 2% em relação aos últimos três meses de 2025. Em renda variável, houve crescimento de 22% na base anual e de 13% no trimestre. Em renda fixa, a receita caiu 25% em um ano e 19% na comparação trimestral.
Além dos números, a XP (XPBR31) anunciou troca de CFO, dividendos de cerca de R$ 500 milhões e um programa de recompra de ações de até R$ 1 bilhão.
A leitura do mercado combina expansão anual do lucro com sinais de desaceleração em algumas linhas de receita e piora de rentabilidade. A recompra e os dividendos funcionam como instrumentos de remuneração ao acionista em um ambiente mais competitivo para plataformas financeiras.
Braskem (BRKM5) nega decisão sobre recuperação judicial da Idesa
A Braskem (BRKM5) informou que não há decisão tomada sobre alternativas para a reestruturação da Braskem Idesa, sua subsidiária mexicana. A companhia afirmou que seguem em andamento discussões com o grupo de credores financeiros da empresa.
O esclarecimento foi enviado à B3 e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após reportagem informar que a Idesa poderia entrar com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo Chapter 11, antes mesmo de a IG4 assumir a petroquímica.
Segundo a notícia, a ideia inicial seria realizar uma reestruturação mais ampla da dívida na holding Braskem. No entanto, a estratégia poderia começar pela dívida no México.
A Idesa estaria negociando com detentores dos bonds de 2029 e 2032 um acordo para reperfilar pagamentos e reduzir a alavancagem financeira, que estava em 40,31 vezes em março. O grupo de credores possui a maior parte da dívida, com US$ 2 bilhões em papéis.
O principal credor, com 50% dos bonds, seria o empresário Carlos Slim, acionista da Inbrusa, que detém 25% da Idesa.
A Braskem (BRKM5) segue sob atenção do mercado por causa da estrutura de capital, dos ativos internacionais e das discussões envolvendo mudanças no controle societário. O caso da Idesa adiciona mais uma camada de incerteza à tese da companhia.
B3 (B3SA3) pode anunciar Christian Egan como novo presidente
A B3 (B3SA3) também entrou no radar após notícia de que Christian Egan deve ser escolhido como novo presidente da companhia. Egan é atualmente chefe da área de corporate e do banco de investimento do Santander no Brasil.
A sucessão ocorre após a saída anunciada de Gilson Finkelsztain, que deixará o comando da B3 para assumir a presidência do Santander Brasil (SANB11).
Em manifestação ao mercado, a B3 (B3SA3) afirmou que o processo de sucessão ainda não foi concluído e segue sendo conduzido pelo Conselho de Administração.
A escolha do novo comando é acompanhada de perto porque a B3 (B3SA3) ocupa posição central na infraestrutura do mercado financeiro brasileiro. A companhia atua em negociação, registro, compensação, liquidação, pós-negociação e serviços ligados a ativos financeiros.
Investidores devem observar como a nova liderança conduzirá temas como competição, diversificação de receitas, inovação tecnológica, regulação e crescimento em novos segmentos.
Telefônica Brasil (VIVT3) compra fatia restante da FiBrasil
A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, informou a compra da totalidade das ações da FiBrasil Infraestrutura e Fibra Ótica que pertenciam à Telefónica Infra S.L. Unipersonal.
A operação foi avaliada em R$ 458,7 milhões. Com a transação, a Telefônica Brasil (VIVT3) passou a deter 100% do capital social da FiBrasil, consolidando integralmente a subsidiária em sua estrutura societária.
A participação adquirida correspondia a 24,99% do capital social total da FiBrasil. Antes da operação, a Telefônica Brasil (VIVT3) já era acionista da empresa de infraestrutura de fibra óptica.
Segundo a companhia, a aquisição foi precedida por avaliação realizada por empresa independente especializada, responsável por apurar o valor por ação da FiBrasil.
A operação reforça a estratégia da Telefônica Brasil (VIVT3) em infraestrutura de fibra, segmento relevante para expansão de banda larga, conectividade residencial, serviços digitais e competitividade no mercado de telecomunicações.
Daycoval recebe aval preliminar para abrir agência nos EUA
O Banco Daycoval informou que recebeu aprovação preliminar condicionada do Office of the Comptroller of the Currency, regulador do sistema bancário dos Estados Unidos, para abrir sua primeira agência federal no país.
A unidade será instalada em Aventura, na Flórida, e terá o nome de Banco Daycoval SA (US Branch). Segundo o banco, a decisão representa avanço relevante em sua estratégia de internacionalização.
A operação nos Estados Unidos terá foco inicial em atividades de atacado, incluindo crédito corporativo, trade finance, tesouraria e mercados. A estrutura também deve dar suporte a empresas brasileiras e multinacionais com atuação internacional.
A autorização ainda depende do cumprimento de exigências regulatórias e operacionais antes do início efetivo das atividades. Entre os requisitos estão estrutura operacional, governança, controles internos e processos de compliance.
A iniciativa pode ampliar a atuação do Daycoval em operações transfronteiriças, comércio exterior e relacionamento com empresas brasileiras fora do país.
Radar corporativo reúne resultados, sucessão e reestruturação
A agenda corporativa desta terça reúne temas relevantes para diferentes setores da Bolsa. Petrobras (PETR4) chama atenção por crescimento de produção e novo plano de investimentos. Cosan (CSAN3) tenta reduzir ruídos sobre seu futuro e avançar em desalavancagem. XP (XPBR31) combina lucro maior na base anual com desaceleração em algumas receitas e nova remuneração ao acionista.
Braskem (BRKM5) segue pressionada por discussões sobre a dívida da Idesa no México. B3 (B3SA3) pode avançar no processo de sucessão de comando. Telefônica Brasil (VIVT3) consolida sua participação na FiBrasil. O Banco Daycoval dá mais um passo em sua expansão internacional.
Para investidores, os movimentos mostram uma sessão marcada por resultados trimestrais, falas de executivos, potenciais mudanças de gestão, renegociações financeiras e operações estratégicas.
O comportamento das ações dependerá da leitura do mercado sobre qualidade dos resultados, impacto das reestruturações, disciplina de capital, governança e capacidade das companhias de preservar geração de caixa em um ambiente de juros elevados.









