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Banco Central confirma regulação do Pix Parcelado para o fim de outubro

Nova modalidade permitirá dividir pagamentos via Pix em parcelas, com foco em ampliar o acesso ao crédito e aumentar a segurança das transações digitais

por Gabriel Monteiro
06/10/2025 às 10h25
em Economia
Nova Modalidade Permitirá Dividir Pagamentos Via Pix Em Parcelas, Com Foco Em Ampliar O Acesso Ao Crédito E Aumentar A Segurança Das Transações Digitais - Gazeta Mercantil

BC confirma publicação da regulação do Pix Parcelado para o fim de outubro

O Banco Central (BC) anunciou que a regulação do Pix Parcelado será publicada apenas na última semana de outubro, adiando novamente o lançamento oficial dessa modalidade de pagamento. A ferramenta, que permitirá ao consumidor parcelar valores enviados via Pix, mesmo sem limite no cartão de crédito, é considerada uma das evoluções mais aguardadas do sistema de pagamentos instantâneos do país.

O que é o Pix Parcelado e por que o mercado aguarda sua regulação

O Pix Parcelado é uma nova modalidade de crédito que permitirá ao usuário dividir o valor de uma transferência Pix em várias parcelas, com juros definidos pelas instituições financeiras. Diferente do Pix tradicional — que é uma operação de pagamento à vista —, o parcelado funcionará como um empréstimo instantâneo, em que o banco do pagador antecipará o valor ao recebedor e cobrará as parcelas posteriormente do cliente.

Leia também: Dinheiro esquecido em bancos cai 39,5% e soma R$ 6,24 bilhões, diz Banco Central.

Esse modelo já vinha sendo testado por diversas instituições financeiras de forma privada, mas ainda sem uma regulação padronizada pelo BC. A expectativa é que, com a publicação das regras oficiais, o mercado ganhe transparência, padronização e segurança, tanto para quem oferece quanto para quem utiliza o serviço.

Novo cronograma do Banco Central

Previsto inicialmente para setembro, o lançamento oficial do Pix Parcelado foi adiado. Segundo o Banco Central, a primeira etapa da regulação, a ser publicada no fim de outubro, trará a padronização da definição do produto e das práticas de mercado, de modo a melhorar a experiência dos usuários e evitar confusões entre diferentes tipos de crédito associados ao Pix.

Leia também: Banco Master: Acareação Expõe Divergências com BRB sobre Carteiras de Crédito.

Já a segunda etapa será divulgada no início de dezembro, com detalhes sobre os procedimentos operacionais e a padronização da jornada do usuário — tanto na contratação do crédito quanto no pagamento das parcelas. Após essa publicação, haverá um período de adaptação para que as instituições financeiras e de pagamento ajustem seus sistemas às novas regras.

Regulamentação busca transparência e proteção ao consumidor

A decisão de estruturar o Pix Parcelado em etapas faz parte da estratégia do Banco Central de assegurar clareza regulatória e padronizar a experiência do consumidor. Hoje, algumas instituições já oferecem produtos semelhantes — como o “Pix com limite” ou “Pix Crédito” —, mas cada uma com regras próprias de taxas, limites e prazos.

Leia também: Presidência do Banco Central: Lula Indica Gabriel Galípolo para Substituir Roberto Campos Neto.

Com a regulação, o BC pretende garantir que todas as instituições sigam parâmetros comuns, especialmente no que diz respeito à informação clara sobre taxas de juros, encargos e prazos de pagamento. Assim, o consumidor poderá comparar ofertas de forma mais justa e tomar decisões mais conscientes sobre o uso do crédito.

Além disso, o órgão reforça que a criação do Pix Parcelado é parte de um movimento de democratização do crédito no Brasil, uma vez que permitirá o acesso a financiamentos rápidos, mesmo para quem não possui cartão de crédito.

Como funcionará o Pix Parcelado

Na prática, o Pix Parcelado funcionará de forma muito similar ao cartão de crédito tradicional, mas com a agilidade e o alcance do Pix. O cliente fará a transferência no valor total, e o banco ou fintech credora antecipará o pagamento ao recebedor, assumindo o risco da operação. Em seguida, o usuário pagará as parcelas mensais conforme o contrato firmado no momento da transação.

As parcelas poderão incluir juros e encargos administrativos, determinados pela instituição financeira, respeitando os limites e diretrizes estabelecidos pelo BC. O modelo também permitirá a integração com o Open Finance, o que facilitará o compartilhamento de informações de crédito e o acesso a melhores condições de pagamento.

Impactos esperados no mercado financeiro

O Pix Parcelado promete transformar a maneira como os brasileiros realizam pagamentos e utilizam crédito. Para os consumidores, ele representa uma alternativa mais ágil e acessível de parcelamento, sem a necessidade de cartão. Para os lojistas e prestadores de serviço, o modelo garante recebimento imediato, reduzindo o risco de inadimplência.

Instituições financeiras, por sua vez, veem na novidade uma oportunidade de ampliar sua base de clientes e aumentar a competitividade no mercado de crédito pessoal, especialmente frente a fintechs que já oferecem soluções de parcelamento instantâneo.

O mercado estima que o Pix Parcelado pode movimentar bilhões de reais nos primeiros meses após a regulamentação, consolidando o Brasil como referência global em inovação de pagamentos digitais.

Reunião do Fórum Pix e decisão do Banco Central

O adiamento da publicação da regulação foi comunicado durante a última reunião do Fórum Pix, grupo consultivo permanente que reúne cerca de 300 representantes do sistema financeiro e da sociedade civil. O comitê tem papel estratégico na definição das normas e procedimentos que orientam o funcionamento do sistema de transferências instantâneas no país.

Segundo o BC, a participação dos integrantes do Fórum é essencial para assegurar a governança colaborativa do Pix e garantir que as inovações — como o Pix Parcelado — sejam implementadas de forma segura e sustentável.

Segurança reforçada: bloqueio de chaves suspeitas

Além da regulação do Pix Parcelado, o Banco Central também anunciou novas medidas para reforçar a segurança do sistema. A partir de 6 de outubro, o BC passou a bloquear automaticamente chaves Pix identificadas pelas instituições financeiras como associadas a golpes ou fraudes.

O objetivo é proteger os usuários e aumentar a confiabilidade do sistema de pagamentos instantâneos, um dos mais utilizados do país. Desde o lançamento do Pix, em 2020, mais de 160 milhões de pessoas já aderiram à ferramenta, que se tornou essencial na rotina financeira dos brasileiros.

Adesão em massa e a próxima fase de evolução

O sucesso do Pix no Brasil é incontestável. Segundo dados do Banco Central, o sistema movimenta trilhões de reais mensalmente, superando cartões e boletos como principal meio de pagamento digital. A chegada do Pix Parcelado é vista como a nova etapa dessa revolução financeira, unindo conveniência e acesso ao crédito em um único ecossistema.

Com a regulação, espera-se que mais pessoas tenham acesso a crédito formal, reduzindo a dependência de modalidades informais ou de alto custo, como o cheque especial e o crédito rotativo. Além disso, a ferramenta deverá impulsionar o comércio eletrônico, oferecendo novas opções de pagamento para consumidores e lojistas.

Expectativas para o lançamento oficial

O mercado financeiro, as fintechs e os consumidores aguardam com expectativa o lançamento oficial do Pix Parcelado. A promessa é de simplicidade, segurança e inclusão financeira, fatores que devem consolidar ainda mais o Brasil como líder global em inovação de pagamentos.

Quando a regulação for publicada, em outubro, as instituições terão de se adaptar rapidamente às novas normas para poderem oferecer o serviço de forma padronizada e segura até o fim do ano. Assim, a expectativa é que os primeiros Pix Parcelados cheguem ao público já no início de 2026.

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