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Por que Lula usa chapéu até em entrevistas à noite?

Uso frequente começou após cirurgia e radioterapia preventiva no couro cabeludo, mas o acessório também passou a integrar a imagem pública do presidente.

por Júlia Campos
28/08/2026 às 08h42
em Política
Por Que Lula Usa Chapéu Até Em Entrevistas À Noite? - Gazeta Mercantil - Destaque

O chapéu usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a sabatina da TV Globo na noite de quinta-feira, 27 de agosto de 2026, chamou atenção suficiente para transformar o acessório em uma das buscas relacionadas à entrevista. A explicação, porém, não está originalmente em uma estratégia de campanha ou em uma simples mudança de estilo. Lula passou a utilizar o chapéu com frequência depois de retirar um carcinoma basocelular no couro cabeludo e receber recomendação para reforçar a proteção da região contra a exposição solar.

O presidente foi submetido em 24 de abril de 2026 a um procedimento no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para retirada da lesão. Segundo informações médicas divulgadas naquele momento, o tumor era localizado e foi removido. Um mês depois, em 25 de maio, Lula iniciou no Sírio-Libanês de Brasília um tratamento complementar de radioterapia superficial preventiva, programado em 15 sessões ao longo de aproximadamente três semanas. Leia também: Anatel Irá Apurar Níveis de Radiação do iPhone 12 Após Suspensão de Vendas na França.

O tratamento foi concluído em 12 de junho. Desde então, o chapéu passou a aparecer com frequência crescente em compromissos públicos, viagens, eventos políticos e, mais recentemente, durante a campanha eleitoral. A presença do acessório até mesmo em ambientes fechados ou durante compromissos noturnos acabou produzindo uma segunda dimensão para a mudança: aquilo que começou como proteção médica passou também a integrar a imagem pública do presidente.

Lula retirou carcinoma basocelular no couro cabeludo

A sequência começou no fim de abril, quando Lula passou por um procedimento cirúrgico para retirada de uma lesão localizada no couro cabeludo. O diagnóstico informado posteriormente foi de carcinoma basocelular, uma forma de câncer de pele não melanoma. Leia também: Previsão do Crescimento Econômico Brasileiro Continua a Subir.

Segundo a equipe médica que acompanhou o presidente, a lesão era localizada. O carcinoma basocelular é o tipo mais frequente de câncer de pele e, em comparação com outros tumores cutâneos, apresenta baixa capacidade de disseminação para órgãos distantes. Isso não significa que deva ser ignorado: o tratamento é necessário e o acompanhamento médico continua sendo importante, especialmente porque a exposição acumulada à radiação ultravioleta está entre os principais fatores relacionados ao desenvolvimento de cânceres de pele.

No caso de Lula, a localização também ajuda a explicar a posterior recomendação de proteção. A lesão estava justamente na região superior do couro cabeludo, uma área diretamente exposta à radiação solar em pessoas com pouca cobertura de cabelos. Leia também: Bolsas de Nova York Oscilam em Antecipação à Decisão de Juros do Fed.

O Instituto Nacional de Câncer recomenda, de maneira geral, evitar exposição prolongada ao sol nos horários de maior intensidade e utilizar barreiras físicas, incluindo chapéus de abas largas, além de roupas adequadas, óculos e protetor solar.

Por isso, o acessório adotado pelo presidente não funciona apenas como elemento estético. Ele cria uma barreira física entre a região tratada e a radiação ultravioleta. Leia também: Maíra Cardi surpreende ao revelar que vai se AFASTAR da web e conta DETALHES sobre os planos de aumentar a família com Thiago Nigro: “Tranquilidade para gerar”.

Por que Lula precisou fazer radioterapia depois da cirurgia?

A retirada da lesão não encerrou imediatamente o tratamento. Em 25 de maio, o Hospital Sírio-Libanês informou que a equipe médica havia optado por uma radioterapia superficial complementar e preventiva no couro cabeludo.

O presidente realizou 15 sessões, distribuídas ao longo de três semanas. As aplicações eram breves e não exigiram afastamento de suas atividades. Segundo o boletim médico, Lula poderia seguir normalmente sua agenda enquanto permanecia em acompanhamento pelas equipes responsáveis pelo tratamento. Leia também: Starbucks estréia hoje no Brasil com café a R$ 2,80.

Radioterapia complementar pode ser utilizada depois da retirada cirúrgica de determinadas lesões para reduzir a possibilidade de permanência ou recorrência de células tumorais na região tratada. No caso do presidente, o próprio hospital classificou a terapia como preventiva.

Em 12 de junho, Lula anunciou publicamente que havia realizado a 15ª e última sessão. O encerramento da radioterapia, contudo, não significa que medidas de proteção da pele deixem de ser necessárias. A orientação preventiva contra exposição solar permanece particularmente relevante para pessoas que já tiveram câncer de pele.

Então por que Lula estava de chapéu à noite na Globo?

É justamente essa questão que provocou curiosidade durante a entrevista.

Se o objetivo inicial é proteger o couro cabeludo da radiação solar, por que usar chapéu dentro de um estúdio de televisão e durante a noite?

A resposta está na diferença entre a origem do hábito e sua utilização atual. A recomendação médica explica por que Lula começou a incorporar o chapéu à rotina. Isso não significa que exista necessidade médica de proteção contra o sol dentro de um estúdio televisivo à noite.

O que ocorreu ao longo dos últimos meses é que o acessório deixou de aparecer exclusivamente em situações de exposição solar e passou a fazer parte da apresentação pública do presidente. Lula manteve o chapéu em diferentes compromissos e o incorporou progressivamente ao visual utilizado durante a campanha de 2026.

Isso ajuda a explicar por que o acessório apareceu também na Globo. A proteção médica continua sendo a origem da mudança, mas o chapéu se transformou igualmente em um elemento de identificação visual.

Não existe contradição entre as duas coisas. Um hábito iniciado por necessidade de saúde pode permanecer como preferência estética mesmo em momentos nos quais sua função protetora imediata não seja necessária.

Chapéu tornou-se parte da imagem de Lula em 2026

A mudança chama atenção justamente porque Lula possui uma imagem pública extremamente consolidada. Depois de mais de quatro décadas de exposição nacional, alterações relativamente pequenas em seu visual são imediatamente percebidas.

A barba branca, por exemplo, tornou-se um elemento de identificação tão forte quanto sua voz e seu modo de falar. Durante diferentes campanhas eleitorais, mudanças de cabelo, barba, roupas e fotografias oficiais também foram utilizadas para produzir determinadas percepções sobre idade, experiência e proximidade com o eleitor.

O chapéu aparece agora em circunstância diferente porque não nasceu originalmente de uma decisão de marketing. Sua utilização está ligada ao tratamento realizado no couro cabeludo.

Mas política e comunicação acabam atribuindo significado a elementos visuais que se repetem.

Ao aparecer de chapéu em discursos, viagens e eventos de campanha, Lula criou em poucos meses uma nova associação visual. O eleitor passa a reconhecer imediatamente o acessório como parte do presidente de 2026, da mesma forma que outros elementos de vestuário acabam associados a diferentes líderes políticos.

Essa transformação explica também por que a presença do chapéu na entrevista da Globo gerou tanta curiosidade. Para quem não acompanhou o tratamento realizado entre abril e junho, a mudança parece repentina.

Carcinoma basocelular está relacionado à exposição solar

A recomendação de proteção possui fundamento conhecido na prevenção dos cânceres de pele. O INCA considera a exposição à radiação ultravioleta proveniente do sol uma das principais causas dos cânceres cutâneos e recomenda a combinação de medidas para reduzir essa exposição.

Entre elas estão evitar longos períodos sob o sol, principalmente entre 10h e 16h, procurar áreas sombreadas e utilizar roupas, óculos, protetor solar e chapéus de abas largas.

O próprio instituto ressalta que as barreiras físicas são importantes porque a proteção não deve depender exclusivamente do filtro solar.

No caso do couro cabeludo, a exposição pode ser particularmente relevante quando existe calvície ou redução significativa da cobertura capilar. O cabelo funciona naturalmente como uma barreira parcial contra a radiação, proteção que diminui à medida que o couro cabeludo fica mais exposto.

Lula tem 80 anos e apresenta extensa exposição da região superior da cabeça, justamente onde o tumor foi removido. Isso torna bastante compreensível a orientação para adoção regular de uma barreira física depois do tratamento.

Uso do chapéu não significa que Lula continue em tratamento

Outro ponto importante é separar a presença do acessório da situação clínica do presidente.

Lula encerrou as 15 sessões de radioterapia em junho. Na ocasião, afirmou estar bem e comemorou a conclusão do tratamento. O boletim médico divulgado quando a radioterapia foi iniciada já informava que o procedimento não exigiria restrições às atividades presidenciais.

Portanto, o uso atual do chapéu não significa que Lula esteja realizando radioterapia neste momento ou que a presença do acessório indique, por si só, uma piora clínica.

A função relatada para o chapéu é preventiva: proteger a região que foi submetida a cirurgia e tratamento da exposição solar.

Essa distinção é relevante porque a repetição de imagens de uma autoridade usando algum acessório relacionado a uma condição médica pode gerar interpretações que vão além das informações oficialmente disponíveis.

Os dados divulgados permitem afirmar que houve um carcinoma basocelular removido em abril, seguido de radioterapia complementar encerrada em junho e de orientação para maior proteção do couro cabeludo. Não há fundamento, apenas a partir do uso do chapéu, para inferir qualquer condição diferente dessa.

Da recomendação médica à campanha eleitoral

A evolução do chapéu na imagem presidencial é um exemplo interessante de como elementos inicialmente funcionais podem adquirir significado político.

Primeiro veio a cirurgia. Depois, a radioterapia. Em seguida, a necessidade de proteção solar. Com a repetição do acessório em compromissos públicos, entretanto, o chapéu passou a ser reconhecido como parte da aparência de Lula durante a campanha de 2026.

Por isso, a resposta curta para a pergunta que ganhou força durante a sabatina da Globo é simples: Lula começou a usar chapéu por recomendação relacionada à proteção do couro cabeludo depois de retirar um câncer de pele e passar por radioterapia preventiva.

A resposta mais completa exige uma nuance adicional.

O motivo médico explica a origem do hábito, mas já não explica sozinho todas as situações em que Lula aparece com o acessório. Dentro de um estúdio de televisão à noite, não existe exposição solar que justifique aquela proteção naquele instante. Nesse contexto, o chapéu já funciona também como elemento de seu visual.

A mudança, portanto, percorreu um caminho bastante claro em apenas quatro meses: começou como uma precaução depois de um tratamento médico e terminou incorporada à imagem pública de um presidente que disputa mais uma eleição.

Fontes:

Instituto Nacional de Câncer — prevenção do câncer de pele

Instituto Nacional de Câncer — câncer de pele e exposição à radiação ultravioleta

Hospital Sírio-Libanês — boletim médico de Luiz Inácio Lula da Silva, divulgado em 25 de maio de 2026

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