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Brasil bate recorde de produção de petróleo e gás com avanço do pré-sal

Extração alcançou 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia em junho, com Búzios, Tupi e Mero liderando o resultado.

por Sandro Dias
03/08/2026 às 21h30
em Negócios
Brasil Bate Recorde De Produção De Petróleo E Gás Com Avanço Do Pré-Sal - Gazeta Mercantil

A produção brasileira de petróleo alcançou 4,475 milhões de barris por dia em junho de 2026, o maior volume da série da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O resultado representou crescimento de 4% sobre maio e de 19,1% na comparação com junho de 2025, impulsionado pelo avanço do pré-sal e pela ampliação da atividade de novas plataformas na Bacia de Santos.

O gás natural também atingiu uma máxima, com 217,35 milhões de metros cúbicos por dia, alta de 5,5% em um mês e de 19,7% em 12 meses. Somadas, as produções de petróleo e gás chegaram a 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia, acima do recorde anterior de 5,640 milhões registrado em abril.

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Os dados consolidam uma mudança de escala na indústria petrolífera brasileira. O crescimento está concentrado em ativos marítimos de grande produtividade, sobretudo Búzios, Mero e Tupi, e elevou a participação do pré-sal para 82% do total nacional. A expansão, porém, não significa que todo o gás produzido esteja disponível para consumo no mercado.

Junho supera as marcas registradas em abril

A produção de petróleo havia atingido 4,340 milhões de barris por dia em abril e recuado para 4,301 milhões em maio. A retomada de junho acrescentou aproximadamente 174 mil barris diários ao resultado do mês anterior e levou o volume a uma marca 718 mil barris por dia superior à de junho de 2025.

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No agregado de óleo e gás, o avanço mensal foi de 4,4%, enquanto a expansão anual ficou em aproximadamente 19,2%. A série da ANP mostra que a produção total saiu de 4,900 milhões de barris de óleo equivalente por dia em junho de 2025 para 5,842 milhões um ano depois.

O petróleo extraído em junho apresentou grau API médio de 28,4 graus. Segundo a classificação da ANP, 89,3% do volume foi considerado óleo médio, 3,9% óleo leve e 6,8% óleo pesado. A classificação mostra o amplo predomínio das correntes de densidade intermediária na produção nacional.

A produção teve origem em 6.579 poços, dos quais 608 marítimos e 5.971 terrestres. Apesar de os poços em terra serem numericamente predominantes, os campos marítimos responderam por 98,1% do petróleo e por 87,6% do gás natural.

Pré-sal avança 24% em 12 meses

A produção do pré-sal somou 4,788 milhões de barris de óleo equivalente por dia em junho, crescimento de 4,2% sobre maio e de 24% em relação ao mesmo mês de 2025. O volume foi formado por 3,699 milhões de barris diários de petróleo e 173,19 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural, extraídos de 198 poços.

A Bacia de Santos concentrou a maior parte desse movimento. Seus campos produziram 3,550 milhões de barris de petróleo por dia e 170,49 milhões de metros cúbicos diários de gás, o equivalente a 4,622 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Sozinha, a bacia respondeu por cerca de 79% do petróleo extraído no Brasil.

A Bacia de Campos permaneceu na segunda posição, com 938 mil barris de óleo equivalente por dia. Embora distante do patamar de Santos, a região continua relevante e vem recebendo investimentos de revitalização, manutenção e aumento de eficiência em ativos maduros.

A expansão ocorreu em paralelo ao amadurecimento operacional de unidades recentes. A Petrobras informou que o aumento de eficiência, o avanço de produção dos FPSOs Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão e P-78, além da entrada da P-79, foram os principais fatores do crescimento no segundo trimestre.

Búzios, Tupi e Mero concentram 59% da produção

Búzios liderou a produção nacional de petróleo e gás em junho, com aproximadamente 1,293 milhão de barris de óleo equivalente por dia. Tupi apareceu em seguida, com 1,096 milhão, e Mero produziu 1,079 milhão. Juntos, os três campos entregaram 3,468 milhões, equivalentes a 59,4% do total brasileiro.

Em petróleo, Búzios superou 1,02 milhão de barris por dia no mês. A Petrobras informou que o conjunto de plataformas do campo ultrapassou 1,1 milhão em 23 de junho e atingiu 1,2 milhão três dias depois. Foi também a primeira vez que a média mensal de óleo de Búzios ficou acima de 1 milhão de barris por dia.

A P-79 começou a produzir em 1º de maio, três meses antes da data prevista no Plano de Negócios 2026–2030. A unidade pode produzir 180 mil barris de petróleo por dia e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos diários de gás. Com sua entrada, a capacidade instalada do campo passou para aproximadamente 1,33 milhão de barris por dia.

O FPSO Almirante Tamandaré, também em Búzios, foi a unidade com maior produção de petróleo do país, com 253.801 barris por dia. Em Mero, o FPSO Marechal Duque de Caxias liderou a produção de gás entre as instalações, com 13,36 milhões de metros cúbicos por dia. O campo produziu 48,73 milhões de metros cúbicos diários de gás.

Petrobras amplia produção própria e operada

Os campos operados pela Petrobras (PETR4), isoladamente ou em consórcio, responderam por 87,08% da produção brasileira de petróleo e gás em junho. A condição de operadora não deve ser confundida com a parcela econômica pertencente à companhia, porque diversos campos têm participações de outras empresas e da União.

Na distribuição por consorciado calculada pela ANP, foram atribuídos à Petrobras 3,437 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A Shell Brasil ficou em segundo lugar, com 561,6 mil, seguida pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), representante da União nos contratos de partilha, com 357,7 mil. A TotalEnergies apareceu depois, com 281,6 mil.

A Shell havia informado em maio que sua produção no país superara 500 mil barris por dia em março de 2026. A companhia participa de grandes ativos do pré-sal, inclusive Tupi e Mero, e o volume atribuído pela ANP em junho confirma sua posição como segunda maior produtora por participação nos consórcios.

No segundo trimestre, a produção própria média de óleo, líquidos de gás natural e gás da Petrobras atingiu 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O volume cresceu 14,1% em 12 meses e 3,4% frente ao primeiro trimestre. A produção total operada chegou a 4,87 milhões, enquanto a produção própria no pré-sal alcançou 2,78 milhões.

A companhia conectou dez novos poços produtores entre abril e junho, seis na Bacia de Santos e quatro na Bacia de Campos. Segundo a Petrobras, os ganhos de eficiência adicionaram cerca de 70 mil barris por dia em relação ao segundo trimestre de 2025, compensando parcialmente o declínio natural de campos maduros.

Recorde de gás não se converte integralmente em oferta

Dos 217,35 milhões de metros cúbicos de gás natural produzidos por dia em junho, 64,36 milhões foram disponibilizados ao mercado, ou 29,6% da produção bruta. Outros 126,22 milhões de metros cúbicos por dia, equivalentes a 58,1%, foram reinjetados nos reservatórios, principalmente para manutenção de pressão e recuperação de petróleo.

O consumo interno nas operações alcançou 20,14 milhões de metros cúbicos por dia, enquanto a queima somou 6,63 milhões. Com isso, o índice de aproveitamento ficou em 97%. A disponibilidade ao mercado cresceu 5,8% em relação a maio, mas permaneceu abaixo dos 67,39 milhões registrados em março.

A queima aumentou 12,9% sobre maio e 10,1% em relação a junho de 2025. A ANP atribuiu a elevação principalmente ao comissionamento da P-79, etapa em que sistemas da plataforma são testados e estabilizados. Ainda assim, a queima representou aproximadamente 3% da produção de gás.

A Bacia de Santos produziu 170,49 milhões de metros cúbicos de gás por dia, mas respondeu por 119,84 milhões reinjetados. Foram disponibilizados ao mercado 32,84 milhões, menos de um quinto da produção bruta da bacia. O avanço do gás associado ao petróleo, portanto, não se traduz automaticamente em oferta comercial equivalente.

Nova escala amplia exportações e exige capacidade logística

O crescimento elevou o volume de petróleo disponível para exportação e processamento. A Petrobras informou que suas exportações chegaram a um patamar próximo de 1 milhão de barris por dia no segundo trimestre, enquanto as importações de óleo recuaram para 89 mil barris por dia, o menor nível desde a pandemia.

A companhia também registrou produção média de 559 mil barris de petróleo por dia na Bacia de Campos entre abril e junho, o segundo maior resultado trimestral da região desde o quarto trimestre de 2023. O desempenho foi associado a medidas de manutenção, integridade e otimização dos ativos.

A continuidade do crescimento dependerá do avanço operacional das unidades recém-instaladas, da conexão de novos poços e da estabilidade dos sistemas de escoamento, processamento e reinjeção. O próximo detalhamento corporativo será apresentado pela Petrobras no webcast de resultados do segundo trimestre, marcado para 7 de agosto, às 11h45.


Fontes:

  • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Dados consolidados da produção de petróleo e gás em junho de 2026 — 3 de agosto de 2026.
  • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural, junho de 2026.
  • Petrobras — Produção própria de petróleo e gás cresce 14% em 12 meses e atinge 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia no segundo trimestre de 2026 — 28 de julho de 2026.
  • Shell Brasil — Comunicado institucional sobre a produção da companhia no Brasil — maio de 2026.
  • Petrobras — Relações com Investidores, apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026.

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