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Santander mantém compra de 3tentos e MBRF; veja riscos e oportunidades

3tentos enfrenta compressão das margens industriais, enquanto MBRF busca reduzir dívida e liberar capital de giro; canola, etanol e recuperação operacional entram no radar.

por Camila Braga
25/08/2026 às 16h47
em Mercados
Santander Brasil (Sanb11) Cai 21% No Ano E Desconto Para Matriz Reacende Debate Sobre Opa Units Do Banco Têm O Pior Desempenho Entre Os Grandes Bancos Listados Na B3 Em 2026; Diferença Recorde De Valuation Para O Grupo Santander Recoloca No Radar A Hipótese De Fechamento De Capital, Mas Operação Ainda Não Foi Anunciada As Units Do Santander Brasil (Sanb11) Voltaram Ao Centro Das Discussões Do Mercado Financeiro Após Acumularem Queda De Cerca De 21% Em 2026, Desempenho Inferior Ao Dos Principais Bancos Listados Na B3. No Mesmo Período, As Ações Do Grupo Santander Na Espanha Avançam Aproximadamente 24%, Ampliando A Diferença De Valuation Entre A Matriz E A Subsidiária Brasileira Para Um Nível Considerado Recorde Desde A Listagem Do Banco No Brasil, Em 2009. A Distância Entre Os Múltiplos Reacendeu Uma Tese Recorrente Entre Analistas: A Possibilidade De O Controlador Espanhol Lançar Uma Oferta Pública De Aquisição (Opa) Para Comprar A Fatia Restante Do Santander Brasil Em Circulação No Mercado. A Hipótese Ganhou Força Porque Apenas Cerca De 10% Das Ações Permanecem Em Free Float, O Que Reduziria O Custo Financeiro De Uma Eventual Operação Para A Matriz. Apesar Disso, Não Há Anúncio Formal De Opa. O Tema Segue No Campo Da Especulação De Mercado, Alimentado Pelo Desconto Das Units, Pela Baixa Liquidez Relativa E Pelo Histórico Do Próprio Santander Em Operações De Simplificação Societária. Em Fevereiro, O Então Presidente Do Santander Brasil, Mario Leão, Afirmou Que O Fechamento De Capital Não Estava No Foco Da Gestão. Por Que Sanb11 Ficou Para Trás Na Bolsa O Mau Desempenho De Santander Brasil (Sanb11) Não Reflete Apenas A Diferença Entre O Mercado Brasileiro E O Europeu. O Banco Também Enfrenta Pressão Operacional Em Um Ambiente De Crédito Mais Difícil, Competição Crescente Com Fintechs E Rentabilidade Abaixo Da Meta De Médio Prazo. No Primeiro Trimestre De 2026, O Santander Brasil Registrou Lucro Líquido Gerencial De R$ 3,788 Bilhões, Queda De 7,3% Ante O Quarto Trimestre De 2025 E Baixa De 1,9% Em Relação Ao Mesmo Período Do Ano Anterior. O Retorno Sobre O Patrimônio Médio, Medido Pelo Roae, Ficou Em 16%, Abaixo Do Objetivo De Médio Prazo De 20% Citado Pela Administração E Acompanhado De Perto Por Analistas. A Qualidade Da Carteira Também Pesa Sobre A Leitura Dos Investidores. O Índice De Inadimplência Acima De 90 Dias Subiu De 2,8% Em Março De 2025 Para 3,3% Em Março De 2026, Segundo A Apresentação De Resultados Do Banco. No Segmento De Pessoa Física, A Inadimplência Acima De 90 Dias Chegou A 4,9% No Fim Do Primeiro Trimestre. Desconto Para A Matriz Alimenta Tese De Opa A Principal Razão Para A Tese De Fechamento De Capital É A Combinação Entre Valuation Descontado E Baixa Fatia Em Circulação. Segundo Análise Da Genial Investimentos, O Free Float De Aproximadamente 10% Representaria Um Custo Relativamente Baixo Para O Grupo Santander Diante De Sua Geração De Capital E De Seu Histórico De Reorganização De Subsidiárias. O Próprio Histórico Brasileiro Reforça A Leitura. Em 2014, O Santander Espanha Realizou Uma Oferta Pública Voluntária De Permuta De Ações E Units Do Santander Brasil Por Bdrs Representativos De Ações Da Matriz. A Operação Elevou A Participação Do Grupo No Capital Da Subsidiária Brasileira Para 88,3%, Mas Não Retirou Integralmente O Banco Da Bolsa Brasileira. Desde Então, O Controlador Avançou Em Outros Movimentos De Simplificação. A Bloomberg Línea Informou Que A Matriz Também Fechou O Capital De Negócios Como A Operação De Financiamento Ao Consumidor Nos Estados Unidos, Em 2021, E A Unidade Mexicana, Em 2023, Além Da Getnet No Brasil. O Que Pesa Contra Uma Operação Agora Embora O Desconto De Sanb11 Torne A Discussão Mais Relevante, O Momento Do Grupo Santander Pode Reduzir A Probabilidade De Uma Opa No Curto Prazo. A Matriz Está Envolvida Em Uma Agenda Internacional Intensa, Com Aquisições Relevantes No Reino Unido E Nos Estados Unidos. Em 2025, O Santander Anunciou A Compra De 100% Do Tsb Banking Group, Do Banco Sabadell, Por 2,65 Bilhões De Libras. A Operação Fortalece A Posição Do Grupo No Reino Unido E Deve Tornar O Santander Uk O Terceiro Maior Banco Do País Em Saldos De Contas Correntes Pessoais. Em Fevereiro De 2026, O Grupo Também Anunciou A Aquisição Do Webster Financial, Nos Estados Unidos, Por Us$ 12,2 Bilhões. Segundo O Comunicado Oficial, A Transação Deve Criar Um Banco Entre Os Dez Maiores Do Varejo E Banco Comercial Americano Por Ativos, Além De Ampliar A Base De Depósitos No Nordeste Dos Eua. Essas Operações Exigem Integração, Capital E Atenção Da Administração. Por Isso, Parte Dos Analistas Avalia Que Uma Eventual Opa No Brasil Pode Fazer Sentido Estratégico, Mas Não Necessariamente Agora. Santander Brasil Tenta Recuperar Rentabilidade A Nova Fase Do Santander Brasil Envolve Uma Combinação De Controle De Custos, Seletividade No Crédito E Busca Por Clientes De Maior Renda. A Apresentação Do Primeiro Trimestre Mostrou Receita Total De R$ 21,248 Bilhões, Avanço De 0,9% Em Relação Ao Primeiro Trimestre De 2025, Enquanto As Despesas Gerais Ficaram Praticamente Estáveis Na Comparação Anual. O Banco Também Vem Tentando Melhorar A Eficiência Operacional. No Primeiro Trimestre, O Índice De Eficiência Ficou Em 37,7%, Melhora De 1,1 Ponto Percentual Ante O Trimestre Anterior, Embora Ainda 0,5 Ponto Acima Do Registrado Um Ano Antes. A Estratégia Passa Por Reduzir Exposição A Carteiras De Maior Risco, Priorizar Originação Mais Rentável E Ampliar A Participação De Segmentos Como Alta Renda, Pequenas E Médias Empresas E Atacado. Em Relatório, A Genial Apontou Que A Administração Segue Buscando Um Roe Sustentável De 20%, Mas Que Esse Patamar Pode Ficar Mais Factível Apenas Em 2027. Troca No Comando Aumenta Atenção Sobre O Banco A Mudança Na Liderança Também Entrou No Radar. Em Março, O Santander Brasil Anunciou A Saída De Mario Leão Da Presidência, Com Transição Prevista Até Julho De 2026. Para O Cargo, O Conselho Escolheu Gilson Finkelsztain, Então Presidente Da B3, Ainda Sujeito Às Aprovações Regulatórias Necessárias. A Chegada De Finkelsztain Ocorre Em Um Momento Sensível. O Banco Precisa Recuperar Confiança Do Mercado, Provar Que A Deterioração Da Inadimplência Está Sob Controle E Mostrar Que A Reestruturação Operacional Pode Gerar Rentabilidade Mais Próxima Da Meta. Para Investidores, A Troca De Comando Pode Ser Positiva Se Acelerar A Disciplina De Capital E A Simplificação Do Banco. Mas Também Adiciona Um Período De Transição Em Uma Fase Em Que Sanb11 Já Sofre Com Pressão De Resultados E Comparação Desfavorável Com Pares Locais. Fintechs Pressionam Bancos Tradicionais Outro Ponto Estrutural É A Competição Com Fintechs. O Avanço De Bancos Digitais, Especialmente Em Cartões, Conta Corrente E Crédito De Varejo, Reduziu Vantagens Históricas De Bancos Tradicionais E Pressionou Margens No Segmento Massificado. O Santander Brasil Tem Exposição Relevante Ao Financiamento Ao Consumo, O Que Torna Seus Resultados Mais Sensíveis Ao Ciclo De Juros, À Inflação E À Inadimplência. Em Períodos De Selic Elevada, O Custo De Funding E O Risco De Crédito Tendem A Pesar Mais Sobre Instituições Com Carteiras Voltadas Ao Consumo. Esse Cenário Ajuda A Explicar Por Que A Matriz Espanhola Valorizou Fortemente Enquanto A Operação Brasileira Perdeu Valor. O Grupo Global Se Beneficiou De Resultados Recordes E Expansão Internacional, Enquanto O Brasil Ainda Tenta Recompor Retorno Em Um Mercado Bancário Mais Competitivo. O Que Observar Em Sanb11 Daqui Para Frente A Tese De Investimento Em Santander Brasil (Sanb11) Passa Por Quatro Pontos Principais: Evolução Da Inadimplência, Recuperação Do Roe, Disciplina De Custos E Sinais Da Matriz Sobre Alocação De Capital. Se Os Indicadores De Crédito Estabilizarem E A Rentabilidade Caminhar Para A Meta De 20%, O Desconto Pode Diminuir Sem Necessidade De Opa. Por Outro Lado, Se Sanb11 Continuar Negociando Com Múltiplos Pressionados, A Discussão Sobre Fechamento De Capital Tende A Permanecer No Radar. Por Enquanto, A Conclusão Mais Prudente É Que Uma Opa É Uma Possibilidade Financeira E Estratégica, Mas Não Um Fato. O Desconto Recorde Para A Matriz Torna O Tema Inevitável, Mas A Agenda Global Do Santander E A Ausência De Manifestação Formal Impedem Tratar A Operação Como Iminente. Para O Investidor, O Ponto Central Não É Apenas Se O Santander Brasil Pode Sair Da Bolsa. É Se O Banco Conseguirá Recuperar Rentabilidade Em Um Ambiente No Qual Fintechs, Juros Altos E Inadimplência Ainda Limitam O Potencial De Valorização De Sanb11. - Gazeta Mercantil

O Santander mantém recomendação de compra para 3tentos (TTEN3) e MBRF (MBRF3), duas empresas expostas a segmentos diferentes do agronegócio brasileiro, mesmo após um segundo trimestre marcado por pressão sobre margens, aumento de endividamento e maior necessidade de capital de giro. Os documentos mais recentes das companhias mostram que as teses de investimento dependem agora menos de crescimento de receita e mais da capacidade de converter expansão operacional em caixa e rentabilidade.

Na 3tentos, a página de relações com investidores registra recomendação de compra do Santander e preço-alvo de R$ 26,60, atualizado em 29 de julho. É o maior preço-alvo entre as instituições relacionadas pela companhia. O consenso disponível no mesmo levantamento reúne 11 recomendações de compra, nenhuma neutra ou de venda, com preço-alvo médio de R$ 21,78.

A MBRF apresenta quadro menos uniforme entre os analistas. Dos 15 bancos e corretoras relacionados pela própria companhia para 2026, 40% recomendam compra, 53% estão neutros e 7% indicam venda. O Santander, por meio da analista Laura Hirata, aparece no grupo que recomenda a aquisição das ações.

A diferença entre as duas estruturas de cobertura ajuda a explicar o caráter seletivo da visão sobre o setor. Na 3tentos, o mercado acompanha uma empresa em processo acelerado de expansão geográfica e industrial. Na MBRF, o foco está na integração dos negócios, na geração de caixa, no ciclo da carne bovina nos Estados Unidos e na redução da dívida.

Receita da 3tentos cresce, mas rentabilidade sofre forte compressão

O segundo trimestre mostrou claramente essa combinação de expansão e pressão operacional na 3tentos. A receita líquida chegou a R$ 4,7 bilhões, com crescimento de 31,9% sobre o mesmo período de 2025. O avanço foi puxado principalmente pelos negócios de grãos e insumos, beneficiados pela maior originação de soja, expansão da rede e crescimento das operações em novos estados.

O desempenho das margens seguiu caminho diferente. O EBITDA ajustado com hedge ficou em R$ 78,7 milhões no trimestre, queda de 64,3% na comparação anual. A margem correspondente recuou de 6,2% para 1,7%. O lucro líquido ajustado caiu 86,3%, para R$ 14,4 milhões.

A indústria foi o principal ponto de pressão. A companhia informou que a receita industrial alcançou R$ 2,01 bilhões, alta de 4,7%, mas o lucro bruto ajustado do segmento caiu 41,2%, para R$ 244,8 milhões. A margem recuou de 21,7% para 12,2%.

Entre os fatores registrados pela própria 3tentos estão a queda dos preços do farelo de soja e do biodiesel. O preço do farelo caiu 12% na comparação anual e o do biodiesel recuou 3%. Os maiores volumes compensaram essa retração na receita, mas não impediram a deterioração da rentabilidade industrial.

A empresa também atravessa um período de aumento de capacidade. A primeira fábrica de etanol de milho, instalada no Vale do Araguaia, em Mato Grosso, começou a operar durante o segundo trimestre e encerrou o período utilizando cerca de 80% da capacidade diária. Ao mesmo tempo, plantas de processamento de soja e produção de biodiesel passaram por expansões.

Esse processo cria um ponto relevante para os próximos balanços: o crescimento da capacidade instalada precisa ser acompanhado por maior utilização dos ativos e recuperação das margens. Caso contrário, a expansão pode elevar a necessidade de capital antes de produzir retorno proporcional.

Canola ganha peso dentro da estratégia da 3tentos

A canola aparece como uma das frentes que podem modificar essa equação. A 3tentos afirma ter alcançado participação equivalente a aproximadamente 25% da área cultivada com a oleaginosa no Rio Grande do Sul por meio da venda de insumos.

Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento confirmam a expansão estrutural da cultura, embora as estatísticas oficiais mais recentes exijam cautela com percentuais divulgados isoladamente. Em maio, a Conab estimava 276,8 mil hectares de canola no Brasil em 2026, crescimento de 30,6% sobre os 211,9 mil hectares do ciclo anterior.

Em janeiro, a estatal havia projetado uma expansão ainda maior para a cultura, sustentada pela liquidez e pelos preços pagos aos produtores. À medida que a safra avançou, as projeções foram ajustadas, movimento normal nos levantamentos agrícolas.

No boletim de junho, a Conab destacou que a canola mantém boa liquidez e é impulsionada pela demanda industrial para produção de óleos e biodiesel. No Paraná, por exemplo, o órgão avaliou que a ampliação da área representa uma consolidação gradual da cultura dentro do portfólio de inverno.

Para a 3tentos, a oportunidade vai além da venda de sementes, fertilizantes e defensivos. A companhia opera uma estrutura verticalizada que começa no fornecimento de insumos, passa pela originação do grão e chega ao processamento industrial.

No segundo trimestre, a receita do segmento de insumos atingiu R$ 487,3 milhões, alta de 24,6%. O lucro bruto ajustado da divisão avançou 35%, para R$ 96,3 milhões, enquanto a margem aumentou de 18,2% para 19,8%.

Esse desempenho contrasta com a deterioração da indústria e mostra por que a diversificação das operações tem relevância para a tese da ação. Enquanto um segmento enfrenta margens menores, outro pode absorver parte da volatilidade.

MBRF cresce, mas dívida líquida chega a R$ 45 bilhões

Na MBRF, o principal desafio é diferente. A companhia encerrou o segundo trimestre com receita líquida consolidada de R$ 40,72 bilhões, crescimento de 4,9% sobre os R$ 38,8 bilhões registrados um ano antes.

O EBITDA ajustado aumentou 5,4%, de R$ 3,039 bilhões para R$ 3,203 bilhões, e a margem ficou praticamente estável, passando de 7,8% para 7,9%. O lucro líquido foi de R$ 69 milhões.

A unidade originada da BRF continuou representando uma parcela importante do resultado. A receita líquida desse negócio ficou em R$ 15,43 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado alcançou R$ 2,596 bilhões. A margem avançou de 16,4% para 16,8%.

A operação bovina na América do Sul também apresentou expansão. A receita passou de R$ 5,055 bilhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 6,389 bilhões no mesmo período de 2026, alta de 26,4%. O EBITDA ajustado aumentou 22,1%, para R$ 570 milhões.

Nos Estados Unidos, entretanto, a escassez de gado continua pressionando a atividade. A própria companhia informou que o volume maior, favorecido pelo aumento do peso médio das carcaças, compensou apenas parcialmente a menor disponibilidade de animais. O negócio norte-americano operou com margem EBITDA ajustada de apenas 0,7%.

Esse contraste entre geografias é central para avaliar a companhia. A diversificação reduz a dependência de um único ciclo pecuário, mas não elimina o efeito que uma deterioração prolongada do mercado americano pode produzir sobre resultados e geração de caixa.

Capital de giro passa a ser peça-chave para a MBRF

O balanço também mostra por que a desalavancagem ocupa posição central na avaliação da MBRF.

A dívida líquida terminou junho em R$ 45,008 bilhões, alta de 2,4% em relação ao trimestre anterior. A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos 12 meses ficou em 3,41 vezes, ante 3,37 vezes no primeiro trimestre.

O caixa operacional alcançou R$ 2,168 bilhões, mas os investimentos, despesas financeiras e outros desembolsos levaram o fluxo de caixa livre a resultado negativo de R$ 864 milhões.

Parte importante dessa pressão está no capital de giro. Estoques e ativos biológicos consumiram R$ 1,6 bilhão no primeiro semestre. A administração declarou como meta reverter integralmente esse efeito durante a segunda metade de 2026.

O estoque passou de R$ 12,441 bilhões no fim de 2025 para R$ 13,432 bilhões em junho. Os ativos biológicos aumentaram de R$ 3,440 bilhões para R$ 4,031 bilhões no mesmo intervalo.

Se essa reversão ocorrer, a liberação de recursos pode melhorar a geração de caixa e criar condições para redução da dívida. Caso os estoques permaneçam elevados ou a recuperação operacional dos negócios de carne bovina demore mais que o esperado, a alavancagem continuará sendo um elemento de risco.

A integração dos negócios também começa a produzir efeitos mensuráveis. A MBRF informou captura de R$ 158 milhões em sinergias no trimestre, além de R$ 328 milhões provenientes do programa interno de eficiência MBRF+. Esses ganhos precisam continuar crescendo para compensar pressões externas sobre matérias-primas e ciclos pecuários.

Recomendações dependem de execução, não apenas de preço das ações

Os números mostram que as recomendações de compra não equivalem a uma avaliação de ausência de riscos. Na 3tentos, a questão central é recuperar rentabilidade industrial depois de um trimestre em que o EBITDA ajustado caiu mais de 60%, apesar do avanço expressivo das receitas.

Na MBRF, a prioridade é transformar desempenho operacional em caixa suficiente para reduzir uma dívida líquida de R$ 45 bilhões e evitar que a alavancagem permaneça em trajetória ascendente.

Há, ao mesmo tempo, vetores que podem fortalecer as duas teses. A expansão da canola aumenta o universo de produtos e serviços para a 3tentos. A entrada do etanol de milho adiciona uma nova frente industrial. Na MBRF, a normalização do capital de giro, a expansão das sinergias e uma eventual melhora do ciclo bovino americano podem alterar a geração de caixa.

Por isso, o desempenho das ações dependerá menos de uma recuperação genérica do agronegócio e mais da capacidade das empresas de entregar resultados específicos. Para a 3tentos, os próximos balanços deverão mostrar se as novas plantas conseguem elevar utilização e reconstruir margens. Para a MBRF, a principal evidência será a reversão do capital de giro no segundo semestre e seu efeito concreto sobre dívida líquida e alavancagem.

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