A Shopper inicia nesta terça-feira, 1º de setembro, uma nova etapa de sua expansão territorial com a abertura de um centro de distribuição em Brasília, o primeiro da companhia instalado fora do Estado de São Paulo. Segundo informações divulgadas pela empresa, foram investidos R$ 25 milhões na estrutura, que possui mais de 7 mil metros quadrados e funcionará como base logística para o atendimento tanto do Distrito Federal quanto de Goiânia. O movimento amplia a presença física da companhia no Centro-Oeste e combina centro de distribuição, pontos de apoio e unidades dedicadas exclusivamente à preparação de pedidos online.
A nova operação também deverá ampliar de forma relevante o quadro de funcionários da Shopper. A companhia informou ter aberto 260 vagas entre agosto e setembro, sendo 200 destinadas à operação de Brasília e outras 60 relacionadas ao ponto de apoio e às unidades de Goiânia. Até o fim de 2026, a projeção divulgada pela empresa é chegar a 840 postos de trabalho associados ao centro de distribuição e às seis chamadas dark stores planejadas para as duas cidades.
A movimentação já aparece nos canais próprios de recrutamento da Shopper. A página oficial de carreiras da empresa mantém oportunidades presenciais em Brasília e Goiânia, incluindo vagas para auxiliar logístico, analista de compras e funções de liderança operacional. Nas descrições dos cargos de Brasília, a companhia menciona atividades de recebimento, armazenagem, separação, empacotamento e expedição de mercadorias, componentes diretamente associados ao funcionamento de uma estrutura de distribuição e atendimento de pedidos.
Centro de distribuição passa a sustentar operação em duas capitais
O novo centro de distribuição será o quarto mantido pela Shopper no país. Até agora, a estrutura logística própria da companhia estava concentrada no Estado de São Paulo, com operações que atendiam a capital e outras regiões paulistas. Brasília passa, portanto, a representar uma mudança de escala na estratégia da empresa, porque deixa de ser apenas um mercado atendido comercialmente para se transformar em um ponto de infraestrutura logística da operação.
O desenho apresentado pela companhia prevê que o centro de distribuição abasteça diariamente as seis dark stores planejadas para o Centro-Oeste. Quatro dessas unidades ficarão em Brasília e duas em Goiânia. Diferentemente de uma loja tradicional, uma dark store não é estruturada prioritariamente para receber consumidores: o espaço funciona como estoque de proximidade no qual funcionários separam os itens comprados digitalmente para posterior entrega ao cliente.
Essa configuração reduz a distância entre parte do estoque e os consumidores nas áreas atendidas. Enquanto o centro de distribuição concentra volumes maiores e abastece a rede, as dark stores mantêm um sortimento mais restrito e direcionado aos produtos necessários para pedidos de entrega rápida. A Shopper afirma que cada uma dessas unidades terá aproximadamente 3 mil itens disponíveis e que o tempo médio de separação de um pedido deverá ficar em cerca de três minutos e meio.
O modelo não substitui o catálogo mais amplo mantido pela companhia. Em sua página oficial de atendimento, a Shopper informa trabalhar com mais de 12 mil produtos, incluindo alimentos, itens de higiene pessoal, limpeza, utensílios domésticos e produtos para animais. No anúncio da expansão para o Centro-Oeste, a empresa indicou que o portfólio disponível aos consumidores de Brasília e Goiânia poderá chegar a 13 mil itens, dependendo da modalidade de compra.
Shopper Now leva companhia à disputa por entregas de até 20 minutos
Parte da estratégia para Brasília e Goiânia está concentrada no Shopper Now, modalidade de entrega rápida criada pela empresa. Segundo o planejamento divulgado, o serviço funcionará 24 horas e terá como proposta entregar determinados pedidos em até 20 minutos. É justamente essa operação que explica a instalação de dark stores próximas às áreas de consumo, já que pedidos dessa natureza dependem de estoques descentralizados e de ciclos curtos entre compra, separação e entrega.
A Shopper passa, assim, a operar simultaneamente com modelos logísticos diferentes. A empresa nasceu associada principalmente à compra programada, na qual o consumidor monta a cesta de produtos e escolhe previamente a data da entrega. Posteriormente, o serviço foi ampliado para modalidades de compra única, produtos frescos, itens destinados a animais de estimação e compras com menor intervalo entre pedido e entrega.
O próprio site da empresa atualmente diferencia as modalidades de Compra Programada, Programada Fresh, Compra Única e Pet.Shopper. A ampliação para entregas rápidas acrescenta outra camada à operação e exige uma infraestrutura distinta daquela utilizada exclusivamente para compras programadas. Nesse desenho, o centro de distribuição em Brasília assume função estratégica porque precisa alimentar estoques menores espalhados pelas cidades sem comprometer a disponibilidade dos produtos.
Para o consumidor, a combinação permite que uma mesma empresa dispute ocasiões diferentes de compra. Uma cesta maior pode ser organizada antecipadamente, enquanto itens necessários no mesmo dia podem ser atendidos por estoques de proximidade. Do ponto de vista operacional, porém, essa estrutura aumenta a complexidade da gestão de inventário: a companhia precisa distribuir os produtos entre centro de distribuição e dark stores de acordo com a demanda esperada de cada região.
Contratações acompanham aumento da capacidade logística
A abertura de vagas é uma das evidências concretas da preparação operacional da Shopper para a expansão. No canal oficial de recrutamento consultado nesta segunda-feira, 31 de agosto, a companhia apresentava oportunidades específicas para Brasília e Goiânia, incluindo auxiliar logístico com início imediato na capital federal.
Na descrição da vaga para Brasília, a Shopper relaciona entre as atribuições o recebimento e a conferência de produtos, armazenamento de materiais, separação e preparação de pedidos para expedição, inventários, carga e descarga de mercadorias e controle de estoque. A empresa também possui processo seletivo para funções de supervisão operacional na capital federal, com responsabilidade sobre recebimento, armazenagem, separação, empacotamento e acompanhamento de produtividade.
Essas funções ajudam a dimensionar a natureza da nova estrutura. Um centro de distribuição destinado a sustentar seis unidades de preparação rápida depende não apenas da armazenagem física, mas também de sistemas de reposição, previsão de demanda, gestão de estoque e coordenação entre diferentes pontos da cadeia logística. A abertura simultânea de vagas operacionais e de gestão indica que a expansão envolve a formação de uma estrutura permanente no Centro-Oeste.
Segundo o cronograma anunciado pela Shopper, das 260 vagas abertas inicialmente, 200 estarão ligadas à operação de Brasília e 60 à estrutura de Goiânia. A projeção de 840 postos até o fim do ano considera também a expansão das dark stores. Como se trata de uma estimativa corporativa vinculada à implantação das unidades planejadas, o número final dependerá do ritmo efetivo de abertura e da evolução operacional da empresa nas duas cidades.
Expansão faz parte da meta de R$ 2 bilhões em receita em 2027
A entrada física no Centro-Oeste está inserida em um plano mais amplo de crescimento. A Shopper estabeleceu como meta alcançar R$ 2 bilhões de receita em 2027, objetivo que exige aumento da base de consumidores e maior capacidade de processamento e distribuição de pedidos. A expansão geográfica, nesse contexto, passa a ser uma das variáveis necessárias para sustentar um volume de negócios superior ao permitido por uma estrutura concentrada em São Paulo.
O CEO e cofundador da companhia, Fábio Rodas, vinculou diretamente a abertura da operação à estratégia nacional. No anúncio feito pela empresa, o executivo afirmou que a implantação da estrutura no Centro-Oeste demonstra que a operação está preparada para avançar territorialmente e buscar a meta de receita definida para 2027.
A Shopper foi fundada em 2015 e estruturou sua operação a partir de um modelo digital de abastecimento residencial. Nos canais institucionais, a companhia se apresenta como um sistema de reabastecimento de produtos essenciais, posicionamento relacionado principalmente à recorrência de compras e à redução da dependência de lojas físicas abertas ao consumidor.
A empresa também recebeu aportes de investidores ao longo de sua trajetória. Em seu próprio canal de recrutamento, a Shopper informa ter levantado aproximadamente R$ 300 milhões em duas rodadas realizadas em 2021 e cita, entre investidores, nomes e grupos como GIC, Minerva Foods e executivos e empreendedores do setor de tecnologia e varejo. A expansão logística representa uma aplicação diferente de capital: em vez de apenas desenvolver a plataforma digital, a companhia precisa construir infraestrutura capaz de sustentar fisicamente o crescimento das vendas.
Brasília será teste para uma operação menos concentrada em São Paulo
A relevância estratégica do novo centro de distribuição está menos no número isolado de unidades e mais na mudança da arquitetura logística da Shopper. Até então, a concentração de centros de distribuição em São Paulo permitia atender um mercado geograficamente mais próximo das estruturas principais. Ao estabelecer capacidade própria em Brasília e conectá-la a Goiânia, a companhia começa a formar um segundo núcleo operacional.
O desempenho dessa estrutura será importante para determinar a velocidade de futuras expansões. Centros de distribuição exigem investimento antecipado, estoque, trabalhadores, sistemas, transporte e volume suficiente de pedidos para diluir custos fixos. A combinação com dark stores amplia a capacidade de atendimento rápido, mas também exige precisão na distribuição de mercadorias entre diferentes pontos.
Para a Shopper, portanto, a inauguração de 1º de setembro marca mais do que a abertura de seu quarto centro de distribuição. O projeto representa a tentativa de transformar uma operação desenvolvida inicialmente em São Paulo em uma plataforma com infraestrutura física distribuída entre diferentes regiões. A execução das seis dark stores, a contratação prevista de até 840 trabalhadores e a evolução da demanda em Brasília e Goiânia serão os próximos indicadores concretos para medir se essa nova configuração poderá sustentar a expansão nacional pretendida pela companhia.







