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STF avalia investigação contra Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro

Polícia Federal pediu autorização para abrir inquérito contra Alfredo Gaspar, que nega acusação de estupro de vulnerável.

por Júlia Campos
06/08/2026 às 09h38
em Política
Stf Avalia Investigação Contra Alfredo Gaspar, Vice De Flávio Bolsonaro - Gazeta Mercantil - Política

O Supremo Tribunal Federal analisa um pedido da Polícia Federal para abrir inquérito contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar é acusado de suposto estupro de vulnerável envolvendo uma adolescente que teria 13 anos na época dos fatos.

O procedimento está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes e tramita em sigilo. Antes de decidir sobre a abertura da investigação, o magistrado solicitou uma manifestação da Procuradoria-Geral da República.

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Até o momento, não há informação de que o inquérito tenha sido formalmente instaurado. Também não existe denúncia criminal apresentada pela PGR, decisão que transforme Gaspar em réu ou julgamento sobre a acusação. O deputado nega os fatos.

A acusação foi encaminhada às autoridades pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke, em 27 de março de 2026, último dia de funcionamento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. Alfredo Gaspar era o relator do colegiado.

Cerca de um mês depois, a Polícia Federal pediu ao Supremo autorização para abrir uma investigação. Como o caso envolve um deputado federal, as diligências dependem de supervisão judicial do STF.

PGR deverá se manifestar antes da decisão

A Procuradoria-Geral da República deverá avaliar os elementos enviados ao Supremo e apresentar seu posicionamento. O órgão pode defender a abertura do inquérito, pedir novas diligências ou considerar insuficientes as informações apresentadas.

O parecer da PGR servirá de subsídio para Gilmar Mendes, mas não obriga o ministro a seguir determinada conclusão. O relator poderá autorizar a investigação, rejeitar o pedido ou solicitar novas providências à Polícia Federal.

Como o processo tramita sob sigilo, não foram divulgados os documentos que sustentam a acusação, as diligências propostas pela PF nem eventual prazo para a manifestação da Procuradoria.

O sigilo também impede a confirmação pública sobre quais depoimentos, mensagens, registros ou outros elementos foram encaminhados pelos parlamentares responsáveis pela acusação.

A existência de um pedido policial não significa que o crime tenha sido comprovado. A abertura de um inquérito, caso autorizada, permitirá à Polícia Federal verificar se há indícios de que o fato ocorreu e identificar eventual responsabilidade.

Acusação surgiu no encerramento da CPMI

A comunicação contra Alfredo Gaspar foi apresentada no encerramento da CPMI do INSS. O deputado alagoano teve atuação de destaque como relator da comissão e participou diretamente da elaboração das conclusões do colegiado.

Lindbergh Farias e Soraya Thronicke levaram às autoridades uma acusação envolvendo um suposto crime sexual contra uma adolescente. As informações disponíveis não permitem conhecer integralmente o conteúdo dos elementos apresentados.

O encaminhamento de uma acusação à Polícia Federal não equivale a uma denúncia criminal. Trata-se de uma comunicação para que as autoridades examinem se existem fundamentos mínimos para iniciar uma investigação.

Uma eventual denúncia somente poderá ser apresentada pela Procuradoria-Geral da República depois da coleta e análise de provas. Mesmo nesse cenário, o Supremo ainda teria de decidir se aceita ou rejeita a acusação formal.

Somente o recebimento de uma denúncia pelo STF transformaria o deputado em réu. Até lá, o caso permanece em uma fase preliminar, sujeita à análise da Polícia Federal, da PGR e do relator.

Alfredo Gaspar nega acusação

Alfredo Gaspar afirma que não cometeu o crime e sustenta ser alvo de perseguição política por sua atuação na CPMI do INSS. Segundo o deputado, a acusação teria sido apresentada como retaliação pelos conflitos ocorridos durante os trabalhos da comissão.

O parlamentar diz apoiar uma apuração rápida para que os fatos sejam esclarecidos. A defesa pública de Gaspar é que a investigação poderá demonstrar que ele não teve participação no episódio relatado.

Gaspar também afirmou ter realizado um exame de DNA. O deputado apresenta o teste como parte dos elementos que sustentariam sua versão dos acontecimentos.

Não há informação, no entanto, de que esse exame tenha sido determinado pela Polícia Federal, submetido a perícia oficial ou analisado pelo Supremo. A validade e a relevância do material dependerão da avaliação das autoridades responsáveis pelo procedimento.

Um exame produzido por iniciativa de uma das partes não encerra, isoladamente, uma investigação. A análise deve considerar a origem das amostras, o método utilizado, a preservação do material e sua relação com os fatos investigados.

A alegação de perseguição política também deverá ser examinada dentro do conjunto de informações reunido. Ela representa a versão apresentada pelo deputado, mas não substitui a apuração institucional.

Investigação não significa condenação

O estupro de vulnerável é um crime previsto no Código Penal para situações que envolvem pessoa menor de 14 anos. A legislação não reconhece eventual consentimento como justificativa para relações sexuais ou atos libidinosos com crianças ou adolescentes abaixo dessa idade.

A aplicação desse tipo penal a um caso concreto depende, porém, da comprovação da ocorrência do ato e da identificação de seu responsável. A simples apresentação de uma acusação não permite concluir que o crime ocorreu ou atribuir antecipadamente sua autoria.

Se o inquérito for autorizado, a Polícia Federal poderá ouvir pessoas, solicitar documentos, analisar registros e realizar outras diligências aprovadas pelo STF. Medidas que envolvam quebra de sigilo ou restrição de direitos dependerão de autorização judicial.

Ao final da investigação, a PF deverá encaminhar suas conclusões ao Supremo e à PGR. A Procuradoria poderá pedir o arquivamento, requisitar novas diligências ou oferecer denúncia, caso entenda que existem provas suficientes.

Durante todo o procedimento, Alfredo Gaspar poderá apresentar documentos, prestar esclarecimentos e contestar os elementos reunidos. A possível vítima também deverá ter sua identidade preservada, especialmente em razão da idade mencionada e da natureza da acusação.

Caso amplia pressão sobre chapa presidencial

A situação ganhou maior relevância política depois que Alfredo Gaspar foi anunciado como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. O avanço ou o arquivamento do pedido poderá produzir efeitos no debate eleitoral, embora não altere os critérios jurídicos que devem orientar a decisão.

Adversários da chapa deverão cobrar esclarecimentos sobre o caso, enquanto aliados de Gaspar sustentam que a acusação tem motivação política. Nenhuma dessas posições representa uma conclusão sobre os fatos.

Uma eventual abertura de inquérito poderá aumentar a pressão sobre Flávio Bolsonaro para explicar a manutenção do deputado na chapa. Ainda assim, a instauração de uma investigação não equivale a denúncia, julgamento ou condenação.

Caso o pedido seja rejeitado ou arquivado, Gaspar poderá usar a decisão para reforçar sua versão de que a acusação não possuía elementos suficientes. O efeito político dependerá do conteúdo e dos fundamentos da manifestação do STF.

A próxima etapa formal é o parecer da Procuradoria-Geral da República. Depois da manifestação, Gilmar Mendes decidirá se autoriza a Polícia Federal a abrir o inquérito, rejeita o pedido ou determina novas diligências. Até essa decisão, Alfredo Gaspar permanece apenas como alvo de uma acusação ainda não comprovada e nega integralmente os fatos.

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