Tabela do Imposto de Renda 2026: veja o que muda, quem ganha isenção e como ficam os cálculos
A aprovação do projeto que atualiza a Tabela do Imposto de Renda 2026 marca uma das mudanças mais significativas no sistema tributário brasileiro das últimas décadas. A proposta — que amplia a isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduz o imposto para salários de até R$ 7.350 — deve alterar a rotina fiscal de milhões de contribuintes, desde assalariados até autônomos, profissionais liberais, aposentados e trabalhadores por conta própria.
Considerada pelo governo como uma medida de justiça fiscal e promessa de campanha, a reformulação da tabela chega em um momento de pressão por correções inflacionárias acumuladas ao longo de anos. A última atualização ampla havia ocorrido há quase uma década, o que fazia com que trabalhadores com renda modesta fossem empurrados para faixas de tributação incompatíveis com o poder de compra real.
Com a nova estrutura, o Brasil registra o maior salto de isenção da história do IRPF, ao mesmo tempo em que introduz pela primeira vez um imposto mínimo para altas rendas, buscando compensação fiscal e tentar equilibrar as contas públicas.
A seguir, a Gazeta Mercantil detalha todas as mudanças, explica como será calculado o novo IR, quem ganha, quem perde, como ficam PJs, CLTs, MEIs, autônomos, aposentados e como será feita a compensação pela perda de arrecadação estimada em R$ 31,2 bilhões.
Isenção ampliada: quem ganha até R$ 5 mil por mês não pagará Imposto de Renda
A principal alteração promovida pelo projeto é a criação da maior faixa de isenção já registrada no IRPF. A Tabela do Imposto de Renda 2026 passa a zerar o imposto para quem recebe até R$ 5.000 mensais. A mudança deve beneficiar milhões de trabalhadores de baixa e média renda, especialmente aqueles em profissões operacionais, administrativas e de serviços.
Até então, a isenção oficial era de R$ 2.428,80 — corrigida indiretamente para R$ 3.036 devido ao desconto simplificado automático de R$ 607,20 aplicado pela Receita Federal. A nova regra dobra esse limite e corrige parcialmente a defasagem acumulada pela inflação.
A medida atende a uma demanda histórica de sindicatos, economistas e especialistas em política tributária, que apontavam o avanço da carga fiscal sobre trabalhadores com renda modesta.
Redução do IR para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350
Outra mudança relevante da Tabela do Imposto de Renda 2026 é a criação de uma faixa intermediária que reduz o valor do IR pago por trabalhadores com salários até R$ 7.350 mensais. Essa medida impede que quem ganha pouco acima da nova isenção seja penalizado com imposto desproporcional.
O governo estabeleceu uma dedução automática para assegurar que contribuintes dessa faixa continuem com aumento real de renda, sem distorções que reduzam o salário líquido para abaixo do limite de isenção.
De forma prática, quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 pagará menos imposto do que hoje — um avanço significativo para trabalhadores com remuneração de médio padrão.
Como fica a tabela acima de R$ 7.350? Sem mudanças
Para quem recebe acima de R$ 7.350, a Tabela do Imposto de Renda 2026 NÃO muda. As faixas tradicionais permanecem vigentes, mantendo o modelo progressivo.
Isso significa que:
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A parcela até R$ 3.036 continua isenta.
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As demais seguem tributadas conforme as alíquotas atuais.
A nova regra, portanto, cria um sistema dual: uma tabela para rendas até R$ 7.350 e outra, já existente, para rendas acima disso.
Essa decisão atende ao objetivo fiscal da proposta: ampliar isenção e reduzir impostos para a classe média baixa sem elevar gastos além do que o governo considera sustentável.
Impacto financeiro: 16 milhões de brasileiros serão beneficiados
A reformulação da Tabela do Imposto de Renda 2026 deve alcançar cerca de 16 milhões de pessoas. O grupo inclui:
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quem ganha até R$ 5 mil, agora totalmente isento;
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quem recebe até R$ 7.350, que terá redução no IR;
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trabalhadores que já tinham isenção, mas agora ampliam margem de renda líquida.
O impacto maior será sentido por trabalhadores formais, autônomos e aposentados que recebem até o limite definido pela nova tabela.
Custo fiscal: perda estimada de R$ 31,2 bilhões
Técnicos da equipe econômica projetam que o governo deixará de arrecadar R$ 31,2 bilhões com a implementação da Tabela do Imposto de Renda 2026. A perda, no entanto, será compensada por novas medidas voltadas à tributação de alta renda e remessas internacionais.
Entre elas:
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criação do imposto mínimo para rendas acima de R$ 50 mil mensais;
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tributação de dividendos enviados ao exterior;
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ajustes em regras de compensação fiscal;
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discriminação detalhada de exceções e isenções para rendimentos específicos.
Com essas medidas, o governo projeta arrecadação de R$ 34,1 bilhões, superando a perda e garantindo equilíbrio orçamentário.
Imposto mínimo sobre alta renda: como vai funcionar
Pela primeira vez, o Brasil terá um imposto mínimo aplicado a quem ganha acima de R$ 50 mil por mês ou R$ 600 mil por ano. Esse modelo segue tendências internacionais adotadas em países como Canadá, França e Estados Unidos.
As alíquotas serão progressivas:
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0% até R$ 600 mil/ano
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até 10% progressivos
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topo de 10% para quem recebe acima de R$ 1,2 milhão anual
A projeção aponta que 141 mil contribuintes devem ser alcançados pela medida.
Esse imposto mínimo não substitui outras tributações. Ele funciona como um piso para evitar que contribuintes de alta renda paguem proporcionalmente menos que trabalhadores assalariados, fenômeno chamado pelos especialistas de “regressividade tributária”.
O que entra no cálculo da alta renda?
O cálculo leva em consideração:
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rendimentos empresariais;
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lucros e dividendos;
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ganhos financeiros;
Mas há exceções importantes, que ficam fora da base:
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ganhos de capital com venda de imóvel (exceto os obtidos na Bolsa);
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rendimentos acumulados como ações judiciais e aluguéis atrasados;
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poupança;
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aposentadoria;
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rendimentos isentos por doenças graves como câncer e Aids;
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LCI e LCA;
Essas regras evitam distorções e impedem que eventos extraordinários sejam tributados de maneira excessiva.
Como ficam PJs, autônomos e profissionais liberais
Profissionais liberais — como médicos, dentistas, advogados, engenheiros, arquitetos e consultores — podem sentir impacto da nova tributação mínima, sobretudo aqueles que atuam como pessoa jurídica. Como muitos desses profissionais possuem estrutura empresarial que concentra arrecadação, o projeto incorporou um redutor para evitar bitributação.
Se a soma da alíquota efetiva sobre os lucros da empresa e do imposto mínimo na pessoa física ultrapassar:
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34% para empresas comuns;
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45% para bancos;
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40% para instituições financeiras não bancárias;
Haverá desconto proporcional na cobrança sobre dividendos.
Esse mecanismo impede que profissionais sejam penalizados por modelos societários típicos da atividade.
Dividendos e remessas ao exterior: o que muda na prática
A Tabela do Imposto de Renda 2026 é acompanhada de mudanças na tributação de dividendos:
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Dividendos acima de R$ 50 mil mensais passam a ter retenção na fonte de 10%;
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Dividendos enviados ao exterior serão tributados em qualquer valor.
O Brasil era um dos únicos países do mundo que tratava dividendos como isentos, e a mudança busca alinhar o país à prática tributária internacional.
Impacto para estados e municípios
Estados e municípios manifestaram preocupação com potenciais perdas de repasses via FPE e FPM. Para contornar o problema, o projeto determina que a União compensará automaticamente eventuais perdas decorrentes das novas regras.
Esse mecanismo evita quedas bruscas de arrecadação regional e mantém a previsibilidade dos orçamentos estaduais e municipais.
Quando a nova tabela começa a valer?
A Tabela do Imposto de Renda 2026 entrará em vigor em:
➡️ 1º de janeiro de 2026
A implementação depende apenas da sanção presidencial.






