As taxas do Tesouro Direto apresentam movimentos mistos na manhã desta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, com os investidores ajustando posições diante das novas projeções para a inflação brasileira, da expectativa pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e das mudanças no cenário internacional.
Entre os títulos mais acompanhados do programa, o Tesouro IPCA+ 2032 oferecia retorno de IPCA mais 8,08% ao ano na abertura, patamar que mantém os juros reais dos títulos públicos brasileiros em níveis elevados.
O papel havia encerrado a sexta-feira (7) oferecendo IPCA mais 8,16%. A redução da taxa nesta manhã implica valorização do preço do título para quem já estava posicionado, em razão da relação inversa entre taxa e preço característica dos títulos negociados a mercado.
Já o Tesouro Prefixado 2029 apresentava taxa de 14,09% ao ano, praticamente estável em relação aos 14,10% registrados anteriormente.
A movimentação não é uniforme em toda a curva. Papéis de vencimentos mais longos chegaram a registrar alta nas taxas, mostrando que o mercado ainda incorpora incertezas relevantes sobre inflação, política monetária e cenário internacional.
Tesouro IPCA+ 2032 paga inflação mais 8,08% ao ano
O destaque da abertura está entre os títulos indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O Tesouro IPCA+ 2032 oferecia IPCA mais 8,08% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA+ 2040 apresentava IPCA mais 7,66%.
No vencimento de 2050, a taxa estava em IPCA mais 7,39% ao ano.
Entre os papéis que distribuem juros semestrais, o Tesouro IPCA+ 2037 oferecia IPCA mais 7,80%, enquanto o título com vencimento em 2045 pagava IPCA mais 7,61% e o IPCA+ com juros semestrais 2060 oferecia IPCA mais 7,48%.
São taxas reais, isto é, o investidor recebe a variação da inflação medida pelo IPCA acrescida do percentual contratado no momento da aquisição, desde que carregue o título até seu vencimento e consideradas as condições do investimento.
Uma taxa de IPCA mais 8,08%, portanto, não significa rentabilidade nominal total de 8,08%. O retorno nominal será formado pela inflação acumulada no período somada ao juro real contratado.
Veja as principais taxas do Tesouro Direto nesta segunda-feira
Na abertura desta segunda-feira, os principais títulos apresentavam as seguintes condições:
| Título | Rentabilidade anual | Investimento mínimo | Vencimento |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2031 | Selic + 0,0739% | R$ 195,64 | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 14,09% | R$ 7,31 | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,47% | R$ 4,84 | 01/01/2032 |
| Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,54% | R$ 7,84 | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 8,08% | R$ 29,80 | 15/08/2032 |
| IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,80% | R$ 42,26 | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,66% | R$ 16,95 | 15/08/2040 |
| IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,61% | R$ 40,89 | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,39% | R$ 8,65 | 15/08/2050 |
| IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,48% | R$ 40,56 | 15/08/2060 |
As taxas e os preços do Tesouro Direto podem mudar diversas vezes durante o dia porque acompanham as condições do mercado de títulos públicos.
Por esse motivo, o investidor que acessar a plataforma em outro horário poderá encontrar valores diferentes dos registrados na abertura.
Prefixados continuam pagando mais de 14% ao ano
Os títulos prefixados também permanecem em níveis elevados.
O Tesouro Prefixado 2029 oferecia 14,09% ao ano, enquanto o vencimento de 2032 apresentava rentabilidade de 14,47%.
Já o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 pagava 14,54% ao ano.
Nos prefixados, o investidor conhece antecipadamente a taxa nominal que receberá caso permaneça com o papel até o vencimento.
Isso significa que um investimento contratado a 14,09% ao ano continuará associado a essa rentabilidade, independentemente das oscilações posteriores das taxas de mercado, desde que o título seja levado até o vencimento.
A situação muda quando existe venda antecipada.
Nesse caso, o preço será determinado pelas condições do mercado naquele momento e o investidor poderá registrar rendimento superior ou inferior à taxa originalmente contratada.
Por que preço sobe quando taxa do Tesouro cai?
A relação entre taxa e preço dos títulos públicos é um dos pontos que mais gera dúvidas entre investidores.
Quando as taxas exigidas pelo mercado caem, títulos anteriormente emitidos ou adquiridos com taxas superiores tornam-se mais valiosos.
O preço do papel, portanto, tende a subir.
O movimento contrário também acontece.
Quando as taxas de mercado sobem, o preço dos títulos já existentes tende a cair para que sua rentabilidade seja ajustada às novas condições.
Esse processo é chamado de marcação a mercado.
Para o investidor que compra um Tesouro IPCA+ ou Prefixado e pretende permanecer com ele até o vencimento, as oscilações intermediárias não alteram a rentabilidade contratada, desde que sejam observadas as características do título.
Para quem pretende vender antecipadamente, entretanto, essas variações tornam-se decisivas.
Focus reduz projeção para inflação de 2026
O mercado também começou a semana acompanhando uma nova rodada das expectativas coletadas pelo Banco Central.
A mediana das projeções para o IPCA de 2026 recuou para 5,02%, mantendo a sequência recente de revisões para baixo.
Apesar da melhora das expectativas, a projeção permanece acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta de inflação.
A meta contínua perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O comportamento das expectativas de inflação é especialmente relevante para o Tesouro Direto porque influencia as projeções para a política monetária e, consequentemente, toda a curva de juros.
Quando o mercado passa a enxergar inflação menor e maior possibilidade de redução da Selic, as taxas dos títulos prefixados e indexados ao IPCA podem recuar.
O movimento oposto pode ocorrer quando aumentam os riscos inflacionários.
Selic está em 14% ao ano
O Tesouro Direto também reage à nova fase da política monetária brasileira.
Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de 14,25% para 14% ao ano.
A decisão aumentou a atenção do mercado sobre a velocidade e a extensão dos próximos cortes.
Nesta terça-feira (11), a divulgação da ata da reunião do Copom deverá fornecer mais detalhes sobre a avaliação do Banco Central a respeito da inflação, atividade econômica, cenário fiscal e ambiente internacional.
A escolha das palavras utilizadas pela autoridade monetária poderá alterar novamente as projeções para a Selic e provocar movimentos na curva de juros.
IPCA de julho será decisivo para as taxas
Outro evento importante desta semana será a divulgação do IPCA de julho.
O resultado poderá confirmar ou contrariar as expectativas de desaceleração da inflação embutidas nas projeções dos agentes financeiros.
Uma inflação abaixo do esperado pode reforçar a perspectiva de novos cortes da Selic e favorecer a queda dos juros futuros.
Um resultado acima das expectativas tende a produzir efeito contrário, especialmente nos títulos prefixados e nos vencimentos mais longos do Tesouro IPCA+.
Esse mecanismo explica por que as taxas do Tesouro Direto podem variar significativamente mesmo quando não existe qualquer mudança nas regras do programa.
O preço dos títulos reflete, diariamente, as expectativas do mercado para vários anos à frente.
Cenário externo também interfere no Tesouro Direto
A segunda-feira começou ainda sob influência das negociações envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo.
Estados Unidos e autoridades de Omã indicaram nos últimos dias algum avanço nas discussões envolvendo uma possível retomada do fluxo comercial pela região, embora permaneçam divergências relevantes e não exista garantia de uma normalização imediata.
O tema importa para o mercado brasileiro porque os preços internacionais do petróleo afetam expectativas de inflação, câmbio e política monetária.
Uma redução consistente do risco de interrupção da oferta de petróleo poderia retirar parte da pressão sobre os preços de energia.
O contrário também é verdadeiro: uma escalada das tensões pode elevar o petróleo e aumentar a percepção de risco inflacionário global.
Tesouro RendA+ mantém juros reais acima de 7%
Os títulos voltados ao planejamento da aposentadoria também continuam oferecendo juros reais elevados.
Na abertura, o Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2030 apresentava taxa de IPCA mais 7,69% ao ano.
O RendA+ 2035 oferecia IPCA mais 7,52%, enquanto o vencimento de 2040 pagava IPCA mais 7,39%.
Nos vencimentos mais longos, as taxas permaneciam acima de IPCA mais 7%.
O RendA+ foi estruturado para permitir a acumulação de recursos e, posteriormente, o recebimento de uma renda mensal durante 20 anos.
Por isso, a data indicada no nome do produto representa o início do período de conversão dos recursos em pagamentos mensais, e não simplesmente um vencimento convencional como ocorre em outros títulos.
Educa+ também supera IPCA mais 8%
Alguns vencimentos do Tesouro Educa+ também negociavam acima da barreira de 8% de juro real.
O Educa+ 2027 e o Educa+ 2028 apresentavam IPCA mais 8,11% ao ano.
O Educa+ 2029 oferecia IPCA mais 8,09%, enquanto o título de 2030 estava em IPCA mais 8,07%.
A taxa gradualmente diminuía nos vencimentos mais longos, acompanhando o formato da curva de juros.
O produto foi desenvolvido para quem pretende acumular recursos destinados principalmente ao financiamento de gastos futuros com educação.
Depois do período de acumulação, os recursos são convertidos em pagamentos mensais durante cinco anos.
Taxas acima de 8% chamam atenção, mas prazo importa
Os níveis atuais dos títulos indexados à inflação chamam atenção porque permitem contratar juro real acima de 8% ao ano em determinados vencimentos.
Isso não significa, entretanto, que todos os títulos sejam adequados para qualquer investidor.
Quanto maior o prazo, maior pode ser a sensibilidade do preço às oscilações da curva de juros.
Um Tesouro IPCA+ de longo vencimento pode apresentar valorização expressiva quando as taxas caem, mas também sofrer desvalorização relevante quando os juros exigidos pelo mercado aumentam.
Por isso, prazo, objetivo do investimento e possibilidade de precisar resgatar o dinheiro antecipadamente são elementos importantes na escolha.
Para recursos destinados à reserva de emergência, títulos vinculados à Selic normalmente apresentam comportamento diferente dos papéis prefixados e dos IPCA+ de prazo longo.
Tesouro Direto deve continuar volátil nesta semana
A combinação de inflação, ata do Copom, cenário externo e expectativas para a trajetória da Selic deve manter as taxas do Tesouro Direto sensíveis a novas informações ao longo dos próximos dias.
O fato de o IPCA+ 2032 continuar oferecendo juro real superior a 8% mostra que, apesar do início do ciclo de redução da Selic, o mercado ainda exige um prêmio elevado para financiar o governo brasileiro por períodos mais longos.
A evolução dessa taxa será um dos termômetros importantes para avaliar até que ponto os investidores estão ganhando confiança na desaceleração da inflação e na capacidade do Banco Central de continuar reduzindo os juros sem comprometer a convergência para a meta.
FONTES:
Tesouro Nacional — Tesouro Direto, preços, taxas e características dos títulos públicos.
Banco Central do Brasil — Relatório Focus.
Banco Central do Brasil — Comitê de Política Monetária (Copom).
Banco Central do Brasil — sistema de metas para a inflação.







