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Tesouro Direto: taxas caem ao menor nível desde maio com trade eleitoral; veja quanto pagam os títulos

Prefixados e papéis atrelados à inflação recuam nesta quinta-feira (3) com fechamento dos juros futuros; Tesouro Prefixado 2029 paga 13,86% ao ano e IPCA+ 2032 oferece juro real de 7,93%

por Bruno Assis
03/09/2026 às 16h03
em Mercados
Tesouro Direto Hoje: Prefixados Pagam Até 14,21% Com Alta Do Risco Político - Gazeta Mercantil

As taxas do Tesouro Direto recuaram nesta quinta-feira, 3 de setembro, acompanhando mais um fechamento da curva de juros brasileira em meio ao chamado “trade eleitoral”. O movimento levou alguns títulos prefixados e indexados à inflação aos menores rendimentos observados desde maio e, ao mesmo tempo, valorizou no mercado os papéis que já estavam nas carteiras dos investidores. No início da tarde, o Tesouro Prefixado 2029 oferecia 13,86% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA+ 2032 pagava inflação mais 7,93% ao ano.

A queda ocorre depois de uma mudança rápida de percepção nos mercados financeiros nas últimas sessões. Pesquisas eleitorais mostrando maior equilíbrio na corrida presidencial aumentaram as apostas de parte dos investidores em uma mudança na condução econômica a partir de 2027, enquanto a desaceleração do Produto Interno Bruto reforçou a perspectiva de continuidade do ciclo de redução da Selic. A combinação ajudou a derrubar as taxas dos contratos de juros futuros e se espalhou para os títulos públicos. Leia também: Exportações do Japão caem pela primeira vez desde 2021 e provocam preocupações com economia Por Reuters.

Para quem está pensando em comprar Tesouro Direto agora, taxas menores significam que os novos investimentos oferecem uma remuneração inferior à encontrada algumas semanas atrás. Para quem já comprou títulos prefixados ou IPCA+ quando os juros estavam mais altos, porém, o movimento é favorável: quando a taxa de mercado cai, o preço desses papéis sobe. É o efeito da marcação a mercado, que pode gerar valorização antes mesmo do vencimento.

O comportamento desta quinta-feira também mostra como a proximidade das eleições começa a interferir diretamente na renda fixa. Até outubro, novas pesquisas, propostas econômicas, sinalizações dos candidatos e expectativas para a composição do Congresso tendem a provocar oscilações importantes nos juros — e, consequentemente, nos preços dos títulos públicos. Leia também: Ouro fecha no maior patamar desde junho após CPI dos EUA abaixo do esperado.

Tesouro Prefixado 2029 cai para 13,86% ao ano

Entre os títulos prefixados, o Tesouro Prefixado 2029 oferecia rentabilidade de 13,86% ao ano nesta quinta-feira. O patamar não era observado desde maio, quando o mercado também atravessou um período de redução dos prêmios cobrados nos juros brasileiros.

O Tesouro Prefixado 2032 pagava 14,23% ao ano, enquanto a versão com juros semestrais e vencimento em 2037 apresentava taxa de 14,30%. Leia também: Confirmado: Ana Maria Braga fará participação na Record.

Apesar do recuo recente, esses rendimentos continuam elevados em termos nominais. Um investidor que compra um título prefixado e permanece até o vencimento trava a taxa disponível no momento da aplicação, desde que considere as condições tributárias e os custos aplicáveis.

A principal diferença em relação ao Tesouro Selic está justamente na oscilação de preço antes do vencimento. Um título prefixado comprado a 14,5% ao ano, por exemplo, tende a se valorizar se o mercado posteriormente passar a exigir apenas 13,5% para um papel semelhante. O inverso também acontece: se os juros voltarem a subir, o preço do título cai. Leia também: Nova política de preços da gasolina põe etanol em xeque.

Por isso, uma taxa de 13,86% não deve ser analisada apenas pela dimensão do número. O investidor precisa considerar o prazo da aplicação, a possibilidade de precisar do dinheiro antes do vencimento e sua própria expectativa para inflação e juros nos próximos anos.

Principais taxas observadas nesta quinta-feira

Título Rentabilidade anual Vencimento
Tesouro Selic 2031 Selic + 0,0729% 01/03/2031
Tesouro Prefixado 2029 13,86% 01/01/2029
Tesouro Prefixado 2032 14,23% 01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 14,30% 01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032 IPCA + 7,93% 15/08/2032
Tesouro IPCA+ 2040 IPCA + 7,41% 15/08/2040
Tesouro IPCA+ 2050 IPCA + 7,26% 15/08/2050

As taxas são intradiárias e podem mudar ao longo da sessão conforme as condições do mercado. Leia também: Tesouro começa a vender títulos voltados para a educação.

IPCA+ ainda paga juro real acima de 7%

A queda também alcançou os títulos ligados à inflação. O Tesouro IPCA+ 2032 oferecia IPCA mais 7,93% ao ano. O papel chegou a trabalhar perto de 7,78% em maio, referência utilizada pelo mercado para dimensionar o tamanho do fechamento recente.

Nos vencimentos mais longos, o Tesouro IPCA+ 2040 oferecia inflação mais 7,41% ao ano e o IPCA+ 2050 pagava IPCA mais 7,26%. Mesmo depois da queda, são taxas reais elevadas para padrões históricos brasileiros.

A expressão “IPCA + 7,93%” significa que o rendimento contratado possui duas partes: a variação da inflação oficial e um juro real de 7,93% ao ano. Se o investidor mantiver o título até o vencimento, respeitadas as regras do produto, sua remuneração será composta por essas duas parcelas.

Isso torna os títulos IPCA+ particularmente utilizados em estratégias de longo prazo, porque preservam o poder de compra do capital e adicionam um rendimento acima da inflação. Ao mesmo tempo, os vencimentos longos também são bastante sensíveis às mudanças nas taxas de mercado.

Quanto maior o prazo até o vencimento, maior tende a ser a oscilação do preço quando os juros sobem ou caem. Por isso, papéis longos podem registrar ganhos relevantes em períodos de fechamento da curva, mas também perdas expressivas de marcação a mercado caso as taxas voltem a subir.

Por que a eleição está derrubando os juros

O movimento mais recente ganhou força com as pesquisas sobre a eleição presidencial.

Na quarta-feira, levantamento Quaest mostrou redução da distância entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno. Nesta quinta-feira, o PoderData/Aya apresentou Flávio numericamente à frente de Lula, com 45% contra 44%. Como a margem de erro é de 1,8 ponto percentual, os dois permanecem tecnicamente empatados.

Para o mercado de juros, o que importa não é apenas quem aparece na frente. Investidores procuram antecipar como cada cenário eleitoral poderia afetar gastos públicos, tributação, resultado fiscal, dívida e política econômica a partir de 2027.

O estreitamento da corrida aumentou as apostas de uma parcela do mercado em uma possível mudança de governo. Essa percepção reduziu momentaneamente os prêmios fiscais embutidos na curva e ajudou a puxar para baixo os juros de prazos intermediários e longos.

É importante observar, entretanto, que esse movimento pode ser revertido. Pesquisas eleitorais são fotografias de determinado momento e, em uma disputa apertada, diferenças pequenas podem mudar de direção rapidamente. Caso novos levantamentos alterem a leitura dos investidores ou propostas econômicas aumentem a preocupação com as contas públicas, as taxas poderão voltar a subir.

O mesmo processo que beneficia agora quem possui títulos prefixados e IPCA+ pode funcionar na direção oposta.

PIB mais fraco também ajuda a fechar a curva

A eleição não é a única explicação para a queda dos juros. Os dados recentes da atividade econômica reforçaram a percepção de que o aperto monetário acumulado nos últimos anos começa a produzir uma desaceleração mais evidente.

O PIB brasileiro avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais. O crescimento foi menor do que a alta de 1,1% registrada no primeiro trimestre.

A composição também revelou perda de força na demanda doméstica. O consumo das famílias caiu 0,4%, enquanto os serviços cresceram apenas 0,2% e a indústria ficou praticamente estável, com avanço de 0,1%. A agropecuária, com alta de 2,8%, ajudou a sustentar o resultado positivo.

Para o Banco Central, uma economia que cresce em ritmo mais moderado tende a reduzir as pressões inflacionárias ao longo do tempo. Isso pode abrir espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária, desde que a inflação e as expectativas permaneçam compatíveis com a trajetória esperada pela autoridade monetária.

É justamente essa expectativa que aparece na curva de juros. Quando investidores passam a acreditar que a Selic poderá cair mais rapidamente ou permanecer em níveis menores no futuro, as taxas negociadas nos títulos públicos também tendem a recuar.

Quem já comprou títulos com taxas maiores ganha com o movimento

A queda das taxas cria uma situação aparentemente contraditória: o Tesouro Direto passa a oferecer menos rendimento para quem compra agora, mas o investidor que entrou anteriormente pode observar aumento do saldo de sua carteira.

Isso ocorre por causa da relação inversa entre taxa e preço.

Imagine um investidor que comprou um título prefixado quando ele pagava 15% ao ano. Se algum tempo depois o mercado passar a aceitar apenas 13,86% para o mesmo fluxo de pagamentos, aquele título antigo, que carrega uma remuneração contratada mais elevada, se torna mais valioso.

Seu preço sobe para compensar a diferença.

O mesmo ocorre com os papéis IPCA+. Quem comprou um título pagando IPCA mais 8,5%, por exemplo, pode observar valorização se o mercado reduzir a taxa real exigida para 7,5%.

Esse ganho só se transforma definitivamente em resultado se o investidor vender o título antes do vencimento. Caso decida levá-lo até o fim, receberá a remuneração contratada na compra, independentemente das oscilações intermediárias da marcação a mercado.

Por isso, acompanhar diariamente o saldo do Tesouro Direto pode gerar uma impressão equivocada em quem comprou títulos pensando no longo prazo. Variações positivas e negativas durante o caminho são naturais.

Vale comprar Tesouro Direto depois da queda das taxas?

Não existe uma resposta única. A taxa adequada depende do objetivo e do prazo do investidor.

Para reserva de emergência ou dinheiro que pode precisar ser utilizado a qualquer momento, títulos pós-fixados ligados à Selic tendem a apresentar menor volatilidade. Já prefixados e IPCA+ fazem mais sentido quando existe um prazo definido e capacidade de suportar oscilações caso seja necessário vender antes do vencimento.

Mesmo depois do recuo desta semana, os juros oferecidos permanecem elevados. Um IPCA+ acima de 7% representa uma taxa real historicamente alta, enquanto prefixados próximos ou superiores a 14% ainda incorporam prêmio relevante.

A dúvida está em saber se esses níveis continuarão caindo.

Se o cenário fiscal melhorar, o Banco Central continuar reduzindo a Selic e o mercado enxergar maior previsibilidade para 2027, as taxas atuais poderão parecer atraentes no futuro, porque títulos comprados agora tenderiam a se valorizar.

Se ocorrer uma deterioração fiscal ou uma mudança na percepção eleitoral, porém, a curva pode voltar a abrir e apresentar rendimentos ainda maiores. Nesse caso, quem comprar hoje verá inicialmente o preço de seus títulos cair.

O ponto mais importante é não transformar a compra de títulos públicos em uma aposta puramente eleitoral. Tesouro Direto continua sendo renda fixa, mas prefixados e IPCA+ podem apresentar volatilidade significativa antes do vencimento.

Eleição deve manter Tesouro mais volátil até outubro

As próximas semanas prometem ser particularmente sensíveis para a renda fixa brasileira. Faltando pouco mais de um mês para o primeiro turno, pesquisas eleitorais passarão a ser divulgadas com maior frequência e terão capacidade crescente de movimentar câmbio, Bolsa e juros.

Além dos levantamentos de intenção de voto, investidores acompanharão os programas econômicos dos candidatos, as propostas para despesas e receitas e as sinalizações sobre a condução da dívida pública a partir de 2027. A composição do próximo Congresso também terá papel relevante, porque qualquer ajuste fiscal dependerá da aprovação de medidas pelo Legislativo.

Ao mesmo tempo, o mercado continuará acompanhando inflação, atividade econômica e decisões do Banco Central.

O resultado é um ambiente no qual as taxas do Tesouro Direto podem variar bastante mesmo sem qualquer mudança na segurança de crédito dos títulos, que são emitidos pelo Tesouro Nacional. O que muda diariamente é o preço que o mercado exige para financiar o governo em diferentes prazos.

Nesta quinta-feira, esse movimento favoreceu os títulos já comprados e reduziu o retorno oferecido às novas aplicações. O Prefixado 2029 chegou a 13,86% ao ano e os IPCA+ voltaram a níveis que não eram observados havia meses. Se a tendência continuará dependerá menos de um único resultado de pesquisa e mais da combinação entre eleição, política fiscal, inflação, atividade e trajetória da Selic.

Fontes:

Tesouro Direto – preços, taxas e condições dos títulos públicos negociados em 3 de setembro de 2026

Tesouro Nacional – regras de negociação, precificação e marcação a mercado dos títulos públicos

IBGE – Sistema de Contas Nacionais Trimestrais e PIB do segundo trimestre de 2026

PoderData/Aya – pesquisa presidencial realizada entre 30 de agosto e 2 de setembro de 2026

Mercado de juros futuros – movimentação da curva brasileira em 3 de setembro de 2026

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