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Donald Trump diz que ação sobre Cuba é “questão de tempo” após guerra com Irã

por Eduardo Toscano
05/03/2026 às 23h05
em Política
Donald Trump Diz Que Ação Sobre Cuba É “Questão De Tempo” Após Guerra Com Irã - Gazeta Mercantil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou nesta quinta-feira (5) que o foco da política externa americana pode se deslocar para Cuba após o encerramento do atual conflito envolvendo o Irã. A declaração, feita na Casa Branca, reforça a possibilidade de uma nova escalada diplomática entre Washington e Havana e reacende discussões sobre o futuro da ilha caribenha no cenário geopolítico das Américas.

Durante um evento oficial com integrantes do Inter Miami CF — equipe campeã da Major League Soccer de 2025 — Trump afirmou que o governo americano pretende priorizar a resolução do impasse com o Irã antes de voltar a atenção para Cuba. A fala foi direcionada a um público majoritariamente formado por moradores de Miami, cidade que abriga uma das maiores comunidades de cubano-americanos dos Estados Unidos.

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“Queremos resolver este conflito primeiro, mas depois será apenas uma questão de tempo até que muitos de vocês possam voltar a Cuba”, disse Trump, ao sugerir que a política externa americana pode sofrer uma mudança estratégica nos próximos meses.


Declaração de Trump reacende debate sobre Cuba

A declaração de Trump ocorre em um momento de tensão internacional crescente e levanta questionamentos sobre qual será o próximo passo da diplomacia americana em relação à ilha governada pelo regime socialista.

Segundo o presidente americano, a situação econômica e política de Cuba estaria se deteriorando de forma acelerada. Na avaliação dele, o cenário abre espaço para uma possível reconfiguração das relações entre os dois países.

Trump afirmou que muitos cubanos que vivem nos Estados Unidos mantêm vínculos profundos com o país de origem e poderiam considerar um eventual retorno caso mudanças estruturais ocorram na ilha.

“O que está acontecendo com Cuba é incrível”, afirmou o presidente, sugerindo que Washington acompanha de perto a crise enfrentada pelo governo cubano.

A declaração foi interpretada por analistas como um indicativo de que a administração Trump pretende ampliar a pressão política sobre Havana, estratégia que já marcou a relação bilateral em períodos anteriores.


“Tomada amigável” volta ao centro do discurso

A possibilidade de uma mudança de regime em Cuba foi mencionada por Trump também na semana passada, quando ele afirmou que os Estados Unidos poderiam conduzir uma espécie de “tomada amigável” do país.

A expressão, embora vaga, gerou forte repercussão internacional. Especialistas em política externa afirmam que o termo pode indicar desde uma transição política negociada até um processo de abertura econômica sob influência americana.

Trump disse que o tema está sendo tratado em alto nível dentro do governo dos Estados Unidos e citou diretamente o secretário de Estado, Marco Rubio, que tem origem cubana e mantém histórico de posições duras contra o regime de Havana.

Segundo o presidente, Rubio estaria conduzindo discussões estratégicas sobre o futuro das relações entre os dois países.

“Poderíamos muito bem acabar tendo uma tomada amigável de Cuba depois de muitos anos”, afirmou Trump em conversa com jornalistas na Casa Branca.


Comunidade cubana nos EUA no centro da estratégia

A fala do presidente foi direcionada especialmente ao público de origem cubana presente no evento. A comunidade cubano-americana exerce forte influência política nos Estados Unidos, principalmente no estado da Flórida.

Historicamente, Miami se tornou o principal polo de exilados cubanos desde a revolução de 1959, que levou Fidel Castro ao poder. Desde então, sucessivas ondas migratórias transformaram a cidade em um dos centros culturais mais importantes da diáspora cubana.

Analistas observam que a retórica de Trump busca dialogar diretamente com esse eleitorado, que tradicionalmente defende uma postura mais dura de Washington contra o governo de Havana.

Ao mencionar a possibilidade de retorno dos cubanos à ilha, o presidente procurou transmitir a ideia de que mudanças políticas poderiam criar condições para uma nova fase na história do país.

“Queremos vocês de volta, não queremos perdê-los”, afirmou.


Relação histórica entre Estados Unidos e Cuba

A relação entre Estados Unidos e Cuba é marcada por décadas de tensão política, econômica e diplomática. Após a revolução liderada por Fidel Castro, Washington rompeu relações com Havana e impôs um embargo econômico que permanece em vigor até hoje.

Durante a Guerra Fria, Cuba se tornou um dos principais aliados da União Soviética no hemisfério ocidental, o que levou a crises de grande escala, como a famosa Crise dos Mísseis de Cuba em 1962.

Ao longo das décadas, diferentes governos americanos adotaram estratégias variadas em relação à ilha. Enquanto alguns priorizaram o isolamento político, outros tentaram promover aproximações diplomáticas.

Um dos momentos mais marcantes ocorreu em 2014, quando o então presidente Barack Obama anunciou a retomada das relações diplomáticas com Cuba após mais de meio século de ruptura.

A abertura, no entanto, sofreu retrocessos nos anos seguintes, especialmente durante a primeira gestão de Trump.


Crise econômica em Cuba aumenta pressão interna

Nos últimos anos, Cuba enfrenta uma das crises econômicas mais severas desde o colapso da União Soviética nos anos 1990. A escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos tem provocado protestos populares e aumentado a pressão sobre o governo.

Especialistas apontam que o modelo econômico centralizado enfrenta dificuldades para se adaptar às transformações do cenário internacional.

Além disso, as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos continuam a afetar diversos setores da economia cubana, dificultando o acesso a financiamento internacional e investimentos estrangeiros.

O governo cubano atribui grande parte das dificuldades ao embargo americano, enquanto críticos internos apontam problemas estruturais de gestão econômica.


Impactos geopolíticos de uma eventual mudança em Cuba

Qualquer transformação política em Cuba teria repercussões significativas no equilíbrio geopolítico do continente americano.

A ilha ocupa posição estratégica no Caribe e historicamente exerceu influência política em diversos países da região. Mudanças no regime poderiam alterar alianças diplomáticas e redesenhar relações comerciais.

Analistas destacam que países como Rússia, China e Venezuela mantêm laços políticos e econômicos com Havana. Uma aproximação maior entre Cuba e os Estados Unidos poderia modificar essas relações.

Além disso, investidores internacionais observam com atenção qualquer sinal de abertura econômica na ilha, que possui potencial significativo em setores como turismo, energia e infraestrutura.


Cenários possíveis para a política externa americana

As declarações de Trump indicam que Cuba pode voltar ao centro da agenda internacional dos Estados Unidos nos próximos meses. No entanto, especialistas afirmam que qualquer mudança significativa dependerá de uma combinação complexa de fatores políticos e econômicos.

Entre eles estão:

  • evolução do conflito envolvendo o Irã

  • estabilidade política interna em Cuba

  • pressão da comunidade internacional

  • apoio do Congresso americano a novas medidas diplomáticas

Além disso, eventuais mudanças exigiriam negociações delicadas para evitar escaladas de tensão na região.


Washington monitora cenário na ilha caribenha

Apesar da retórica contundente, autoridades americanas ainda não detalharam quais medidas concretas poderiam ser adotadas em relação a Cuba.

Fontes diplomáticas indicam que o governo acompanha atentamente os desdobramentos políticos e econômicos no país caribenho.

Enquanto isso, analistas avaliam que o discurso de Trump pode representar tanto uma estratégia de pressão política quanto uma tentativa de sinalizar apoio à comunidade cubano-americana em um momento de intensas disputas geopolíticas.

Independentemente da interpretação, a declaração reforça que Cuba continua sendo um tema sensível na política externa dos Estados Unidos — e pode voltar ao centro das tensões internacionais nos próximos anos.

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