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XPLG11 paga R$ 0,82 por cota em julho; veja rendimento e indicadores operacionais

Valor mantido há mais de um ano; inadimplência chega a 5,9% e vacância fica em 8,1%

por Daniel Wicker
01/07/2026 às 19h55
em Fundos Imobiliários
Xplg11 Paga R$ 0,82 Por Cota Em Julho; Veja Rendimento E Indicadores Operacionais-Gazeta Mercantil
O fundo imobiliário XPLG11, gerido pela XP Gestão de Recursos, confirmou a distribuição de proventos referentes ao mês de junho de 2026, mantendo o valor pago por cota inalterado desde fevereiro de 2025. Conforme comunicado divulgado ao mercado, o montante será de R$ 0,82 por cota, com data de pagamento agendada para 14 de julho de 2026. Terão direito ao recebimento os investidores que mantiverem posição no papel até o fechamento do pregão de 30 de junho de 2026, considerada a data-base da operação.
Com base na cota de fechamento de junho, que encerrou o período cotada a R$ 93,69, o provento representa um rendimento mensal de aproximadamente 0,87%. Em termos anualizados, esse patamar equivale a cerca de 10,44%, mantendo o retorno consistente observado nos últimos meses. No mês anterior, com a cota negociada a R$ 97,00, o rendimento anualizado havia ficado em 10,14%. Para pessoas físicas que atendam aos requisitos da legislação em vigor, o valor distribuído é isento de Imposto de Renda, benefício que caracteriza a maioria dos fundos imobiliários no Brasil.
Como suporte adicional à política de distribuição, o fundo mantém saldo de resultado acumulado e não distribuído, classificado como base caixa, de R$ 0,95 por cota. Esse valor, proveniente do veículo NE Logistic FII — cujas cotas são integralmente detidas pelo próprio XPLG11 — funciona como uma reserva de segurança para manter a regularidade dos pagamentos mesmo em períodos de oscilação na receita operacional. A estrutura de participação integral no ativo reforça a previsibilidade de caixa no curto e médio prazo, reduzindo incertezas para os cotistas.

Inadimplência e vacância ficam abaixo de patamares críticos

O principal destaque operacional do período foi o aumento da inadimplência, que alcançou 5,9% da receita de locação bruta, envolvendo um total de seis locatários. Desse percentual, 3,1 pontos percentuais estão concentrados na empresa Mobly, que recentemente protocolou pedido de recuperação judicial por meio do seu grupo econômico, Toky. A administração do fundo informou que acompanha o processo de reestruturação e negocia alternativas para a quitação dos valores devidos, evitando impacto maior sobre os resultados futuros.
A taxa de vacância física, que mede a proporção de área construída sem contrato de locação, encerrou junho em 8,1%, enquanto a vacância financeira — que considera a receita efetivamente recebida em comparação com o potencial máximo — ficou em 3,9%. Esses indicadores permanecem dentro da média histórica do segmento logístico, que costuma operar com níveis de ocupação mais elevados em comparação com fundos de escritórios ou shoppings centers.
O portfólio do XPLG11 conta com 31 condomínios industriais e logísticos, totalizando 330 módulos e anexos já performados e geradores de receita. Há também um empreendimento em fase de construção, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026, que deve agregar cerca de 45 mil metros quadrados de área locável. A área construída total soma 1.715.690 metros quadrados, distribuídos entre 94 locatários ativos, o que reduz a concentração de risco em um único contrato.

Composição do portfólio e perfil de locatários

A alocação de recursos do fundo segue a estratégia definida em regulamento, com 95% do patrimônio aplicado diretamente em imóveis, 3% em aplicações financeiras de renda fixa com baixo risco de crédito e 2% em cotas de outros fundos imobiliários. Essa estrutura garante que a maior parte da receita venha de contratos de locação, enquanto a parcela financeira serve para cobrir despesas operacionais e manter a liquidez necessária para eventuais aquisições.
Na divisão por tipo de contrato, 56% da receita imobiliária provém de contratos típicos, com duração média de cinco a dez anos e reajuste anual por índice de inflação. Os 44% restantes correspondem a contratos atípicos, que possuem prazos mais longos, condições específicas e, em muitos casos, responsabilidade compartilhada por manutenção e reformas. Essa combinação confere equilíbrio entre estabilidade de longo prazo e flexibilidade para renegociação de termos.
Entre os principais locatários, o Mercado Livre representa a maior fatia da receita, com 22%, seguido pela Leroy Merlin, com 8%, pela Renner, com 6%, pelo grupo SB, com 5%, pela Mobly, com 4%, e pela Via Varejo, com 3%. Os demais 88 inquilinos respondem por 46% da receita total, demonstrando baixa concentração de risco. Por segmento econômico, o comércio varejista é responsável por 56% da receita, seguido por atividades logísticas, com 13%, materiais de construção, com 8%, e outros setores, com 23%.
Quanto aos indexadores de reajuste, 93% dos contratos são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), enquanto os 7% restantes utilizam o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). A predominância do IPCA alinha a receita do fundo à inflação de consumo, que historicamente apresenta menor volatilidade em comparação com o IGP-M, mais sensível a variações no mercado de insumos e câmbio.
O cronograma de vencimentos dos contratos de locação também favorece a estabilidade. Cerca de 59% dos contratos têm vencimento previsto para 2029 ou anos subsequentes, 21% expiram ainda em 2026, 15% em 2028 e 5% em 2027. Essa distribuição ao longo do tempo evita que uma parcela expressiva da receita fique sujeita a renegociações em um mesmo período, reduzindo o risco de queda nos valores praticados em momentos de menor demanda.

Desempenho no mercado secundário

No mercado de negociação de cotas, o XPLG11 registrou volume relevante durante o mês de junho. Foram contabilizadas 1.412.733 negociações, que movimentaram R$ 139,4 milhões na B3. A liquidez média diária ficou em R$ 7,0 milhões, patamar que mantém o fundo entre os cinco mais negociados do segmento logístico, facilitando a entrada e saída de investidores sem grandes impactos no preço da cota.
Analistas do setor avaliam que a manutenção do valor do provento reflete a capacidade de geração de caixa do portfólio, mesmo com o impacto pontual da inadimplência relacionada à Mobly. O resultado acumulado não distribuído e a diversificação de locatários e contratos são fatores que reduzem a probabilidade de redução dos pagamentos nos próximos meses, desde que não haja novas ocorrências de inadimplência relevantes.
Para os próximos meses, a expectativa é que a conclusão do empreendimento em construção agregue nova receita, compensando eventuais ajustes em contratos que vencerem no segundo semestre de 2026. A administração do fundo também informou que avalia oportunidades de aquisição de ativos alinhados à estratégia logística, visando aumentar a área locável e ampliar a base de receita nos próximos exercícios.

Fontes e documentos

B3: Dados de negociação e liquidez do XPLG11 — junho de 2026 — consultado em 01/07/2026 — https://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/fundos-imobiliarios.htm
Comissão de Valores Mobiliários: Regulamento e demonstrações financeiras do XPLG11 — exercício de 2025 e primeiro semestre de 2026 — consultado em 01/07/2026 — https://www.gov.br/cvm/pt-br
Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais: Guia de tributação para fundos imobiliários — versão atualizada em 2026 — consultado em 01/07/2026 — https://www.anbima.com.br

Leia também: BTG seleciona 8 FIIs de tijolo com desconto e dividendos de até 12,1%

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