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Home Política

Câmara Pode Ampliar Número de Deputados: Debates Programados para Este Semestre

por Redação
18/03/2025 às 12h30 - Atualizado em 07/10/2025 às 09h06
em Política, Destaque, Notícias
Câmara Dos Deputados - Gazeta Mercantil

Atualmente com 513 membros, a Câmara dos Deputados pode ampliar o número de cadeiras a partir de 2027, quando se inicia a próxima legislatura. O tema compromete os interesses de algumas bancadas e deve ser colocado em pauta na Casa ainda neste semestre para atender a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao julgar um pedido do governo do Pará, a Corte entendeu que há atualmente no parlamento uma “assimetria representativa” em virtude da não redistribuição das cadeiras com base no aumento populacional. Agora, o Legislativo tem até 30 de junho deste ano para aprovar uma norma que atualize o tamanho das bancadas.

O STF entendeu que, em caso de omissão do Congresso, o assunto fica a cargo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que poderá, nessa hipótese e até a data-limite de 1º de outubro de 2025, fixar o novo número de deputados federais de cada estado e do Distrito Federal (DF).

Perspectivas de Mudança nas Cadeiras da Câmara

A ideia é que a atualização passe a valer já para os parlamentares a serem eleitos em outubro de 2026, quando o país irá novamente às urnas para eleições proporcionais. Como a decisão do STF já transitou em julgado, não há mais janela jurídica para uma reformatação do entendimento da Corte. Agora, a pauta fica a cargo do jogo político no Legislativo.

Legislação e Representatividade

A Constituição Federal de 1988 prevê que nenhuma unidade da Federação tenha menos de oito ou mais de 70 deputados na Câmara, estipulando a dimensão populacional de cada estado como parâmetro para o cálculo de tamanho das bancadas. Por regra constitucional, os números precisam ser definidos por meio de lei complementar e atualizados no ano anterior às eleições, mas desde 1993 o Congresso Nacional não volta ao assunto. Na época, a Lei Complementar nº 78/93 fixou o atual número de 513 deputados federais – antes disso, eram 503.

A Importância do Censo Populacional

A população brasileira passou de 146,8 milhões em 1991 para cerca de 230 milhões em 2022, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse meio-tempo, alguns estados registraram aumento populacional, enquanto outros tiveram queda no número de habitantes. Ao ingressar com ação no Supremo em 2017, o Pará alegou que a demora do Congresso em atualizar os números estaria prejudicando o estado, que desde 2010 teria direito a mais quatro cadeiras na Câmara.

O cálculo que define o tamanho das bancadas estaduais é feito a partir do quociente populacional nacional (QPN), obtido a partir do montante populacional do país dividido pelas 513 cadeiras da Câmara. A operação também considera a divisão entre a população de cada unidade da Federação – são 26 estados e o Distrito Federal. O QPN, cujo número final serve de norte para se chegar à quantidade de assentos aos quais cada unidade tem direito.

Cenário de Redistribuição

Considerando a referência populacional, se fossem considerados os dados do Censo de 2022, as bancadas de deputados federais dos diferentes estados viveriam a seguinte mudança no número de membros: Santa Catarina (+4), Pará (+4), Amazonas (+2), Ceará (+1), Goiás (+1), Minas Gerais (+1) e Mato Grosso (+1). Por outro lado, estados como Rio de Janeiro (-4), Rio Grande do Sul (-2), Piauí (-2), Paraíba (-2), Bahia (-2), Pernambuco (-1) e Alagoas (-1) veriam uma diminuição no número de representantes. A projeção foi feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

A Proposta de Ampliação

É em meio a esse cenário que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem acenado no sentido de buscar um acordo com o STF para, em vez de impor perdas de cadeiras a alguns estados, ampliar em 14 o número total de postos de deputados federais para atender as bancadas cujos estados registraram aumento populacional. Com isso, a Casa passaria a ter 527 membros. Motta vê a ideia como via de solução para reequacionar o tamanho das bancadas sem alterar as proporções que hoje marcam o jogo político.

Conflitos de Interesses

Diante dessa conjuntura, o diretor de documentação da entidade, Neuriberg Dias, acredita que o Legislativo tende a rumar para o lado da proposta de Motta, dado o conflito de interesses entre representantes de diferentes estados. O jogo político tende a ser muito mais árduo em caso de tentativa de aprovação de uma engenharia de lugares que não altere o número de 513 deputados.

“As bancadas de estados como o Rio de Janeiro, por exemplo, que são impactados, tendem a se negar a votar essa alteração porque elas perderiam representação na Câmara dos Deputados”, comenta Dias, ao mencionar o estado que tem a terceira maior bancada da Casa. Em primeiro e em segundo lugar estão São Paulo, hoje com 70 membros, e Minas Gerais, que ocupa 53 cadeiras.

Impactos da Redistribuição

A Constituição Federal dita que o número de deputados federais deve servir de base para que se calcule a quantidade de deputados estaduais, que deve corresponder ao triplo da representação do estado na Câmara dos Deputados. Atingido o número de 36, será acrescido de tantos quantos forem os deputados federais acima de 12. Com isso, assim como existe hoje um teto de 70 assentos na Casa para o estado de maior população, existe um teto de 94 membros para assembleias estaduais, situação que ocorre na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Se o Congresso Nacional decidir aumentar o número de parlamentares da Câmara, os sete estados que ganhariam novos postos seriam, então, os mesmos a ampliar o número de vagas em suas casas legislativas locais.

Custos e Desafios Financeiros

Ao mencionar que pretende construir um acordo com o STF para abrir o caminho para a Câmara ampliar o número de cadeiras de deputados, Hugo Motta disse, no mês passado, que a Casa faria isso sem aumento de custo para os cofres públicos. Contudo, não se sabe se isso será possível. “Se forem acrescentados [ao mapa da Casa] os 14 assentos com uma redistribuição do atual orçamento que está destinado ao Poder Legislativo para esses parlamentares, não se teria impacto [financeiro]. Mas será que os demais vão abrir mão de parte desses recursos para dividir com os que entrariam? A discussão gira em torno do que vai ser adotado pelo Legislativo”, ressalta Dias.

A Opinião Pública

Segundo a página oficial da Câmara, cada deputado federal recebe atualmente um salário de R$ 46.366,19. Além disso, cada gabinete tem direito a um montante de mais de R$ 133 mil por mês para pagar os salários de até 25 secretários parlamentares. Os parlamentares recebem ainda auxílio-moradia de R$ 4.253 quando não ocupam um dos 447 apartamentos funcionais que a Casa tem à disposição na capital federal.

Diante desse cenário, o alto custo de manutenção dos membros do Legislativo tende a impulsionar a opinião pública a rejeitar a proposta de aumento do número de cadeiras, aumentando o desgaste entre setores civis e parlamento. Uma pesquisa divulgada em dezembro pelo PoderData mostrou que 48% dos brasileiros avaliam o trabalho da Câmara dos Deputados como “ruim” ou “péssimo”.

A discussão sobre a redistribuição e ampliação das cadeiras na Câmara dos Deputados é complexa e envolve diversas nuances políticas e sociais. O impacto nas eleições, a representação equitativa e os custos envolvidos são tópicos que merecem atenção. A Câmara ainda não tem data para votar a lei complementar que deverá alterar os assentos, e as próximas semanas poderão ser cruciais para definir o futuro da representação política no Brasil.

Tags: ampliação das cadeirasCâmara dos Deputadoscustos da Câmara.redistribuição de cadeirasrepresentação políticaSTF

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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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