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Bolsas da Ásia hoje fecham em alta com apoio do cenário global

por Gabriel Monteiro
27/11/2025 às 08h24
em Economia
Bolsas Da Ásia Hoje Fecham Em Alta Com Apoio Do Cenário Global - Gazeta Mercantil

Bolsas da Ásia hoje avançam com expectativa de alívio monetário nos EUA e sinais mistos da economia chinesa

As bolsas da Ásia hoje encerraram a sessão em alta, sustentadas por um ambiente global que reforça a perspectiva de flexibilização monetária pelo Federal Reserve e por um apetite moderado ao risco diante da agenda econômica carregada do fim de novembro. O movimento ocorre em meio à volatilidade estrutural do mercado chinês, ainda pressionado pela crise imobiliária, enquanto Japão, Coreia do Sul e Taiwan mostram maior resiliência diante do cenário externo.

O desempenho positivo das bolsas asiáticas reflete uma combinação de fatores: a desaceleração da inflação global, a queda dos rendimentos dos Treasuries americanos, a manutenção das taxas de juros em diversas economias do continente e a expectativa de que o Fed promova, em 2026, o ciclo de cortes mais amplo desde o período pré-pandemia. Esse pano de fundo cria um ambiente mais favorável à tomada de risco e impulsiona principalmente os setores de tecnologia, varejo digital e manufatura de alta complexidade, motores tradicionais dos índices asiáticos.

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Mercado em Hong Kong avança apesar de nova pressão sobre o setor imobiliário

Entre as bolsas da Ásia hoje, Hong Kong voltou a apresentar volatilidade, mas encerrou o pregão em leve alta. O índice Hang Seng subiu 0,1%, aos 25.945,93 pontos, refletindo o equilíbrio entre o otimismo externo e a deterioração do setor imobiliário local.

A nova rodada de tensões veio após a gigante Vanke anunciar a intenção de adiar o pagamento de um título onshore, fato que desencadeou a suspensão de negociações em outros papéis de dívida e provocou um movimento de realização por parte de investidores expostos ao segmento. A decisão volta a expor a fragilidade da cadeia imobiliária chinesa, que atravessa uma das mais longas crises de confiança desde sua ascensão no início dos anos 2000.

Leia também: Bunge e Mantiqueira fecham acordo para fornecimento de soja sustentável com menor pegada de carbono.

Companhias como Shimao e Longfor também registraram perdas expressivas. O setor imobiliário permanece como o ponto de maior vulnerabilidade da economia chinesa e segue pressionando a liquidez de curto prazo, aumentando o grau de incerteza do mercado. Apesar disso, o avanço marginal do Hang Seng indica um ajuste técnico sustentado pelo fluxo estrangeiro, que se mantém cautelosamente otimista em relação à política monetária internacional.


Tóquio lidera ganhos entre as bolsas da Ásia hoje

O avanço mais significativo veio do Japão. O índice Nikkei 225 subiu 1,23%, chegando a 50.167,1 pontos. A valorização foi apoiada por gigantes da tecnologia e por empresas de investimento que operam com forte exposição a ativos globais.

Leia também: Bolsas da Europa sobem com ações de IA; Stoxx 600 ganha 10% no trimestre.

As ações da SoftBank, em particular, tiveram novo impulso. A companhia, referência nos investimentos tecnológicos internacionais, avançou 3,6%, beneficiada pela queda no custo global do dinheiro e pela melhora do sentimento no segmento de inteligência artificial e semicondutores.

Outro destaque foi a estreia na bolsa japonesa da marca de streetwear Human Made, que encerrou seu primeiro pregão com alta de 13%. O resultado fortalece a tese de que o mercado japonês segue atraindo novos investidores após anos de política monetária ultrafrouxa, além de refletir a vitalidade de empresas voltadas ao consumo jovem, que se tornam cada vez mais competitivas dentro e fora da Ásia.


Coreia do Sul registra alta com manutenção de juros e cenário econômico mais estável

Na Coreia do Sul, o Kospi fechou em alta de 0,7%, aos 3.986,91 pontos. O Banco da Coreia manteve a taxa básica de juros inalterada, confirmando a leitura de que a autoridade monetária tem espaço para observar por mais tempo o comportamento da inflação e o ritmo da atividade.

A probabilidade de corte de juros, inicialmente esperada para janeiro, foi revista por consultorias internacionais para fevereiro. A combinação de expectativas de crescimento mais robusto, diminuição dos riscos comerciais externos e inflação ainda resistente adia a flexibilização, mas não altera a perspectiva de que a Coreia do Sul entrará num ciclo mais brando de política monetária ao longo de 2026.

Esse cenário favorece empresas exportadoras e setores industriais que sofrem forte influência da demanda global, especialmente tecnologia, automóveis e equipamentos de defesa.


China continental registra movimentos opostos em Xangai e Shenzhen

Entre as bolsas da Ásia hoje, a China continental mostrou sinais mistos.
O Xangai Composto subiu 0,3%, aos 3.875,26 pontos, enquanto o Shenzhen Composto recuou 0,1%, para 2.430,54 pontos.

A discrepância das duas bolsas revela a diferença na composição dos índices. Xangai, mais concentrado em grandes empresas estatais, tende a reagir melhor a estímulos institucionais e fluxos estrangeiros. Shenzhen, mais voltado a empresas privadas de tecnologia e startups, permanece pressionado pelo ambiente macroeconômico e pelas dificuldades de liquidez.

A recente desaceleração das exportações e os sinais de fragilidade fiscal em algumas províncias adicionam um componente de cautela aos investidores locais. Ainda assim, a leitura predominante no mercado é de que o governo chinês intensificará políticas de suporte ao crescimento em 2026, com maior presença do Estado no financiamento de empresas consideradas estratégicas.


Taiwan mantém estabilidade, mas setor de defesa sente volatilidade

Em Taiwan, o Taiex avançou 0,5%, para 27.554,53 pontos. Embora a indústria de tecnologia siga como força dominante na ilha, o setor de defesa registrou queda após dúvidas sobre a execução do pacote de investimentos anunciado pelo governo.

Papéis de empresas como Aerospace Industrial Development e Aero Win recuaram, refletindo a incerteza quanto ao ritmo de implementação dos projetos de modernização militar. Mesmo assim, a economia taiwanesa segue apoiada pela forte demanda por chips avançados, utilizados globalmente nas indústrias de inteligência artificial, 5G e computação de alto desempenho.


Mercado australiano acompanha exterior e avança levemente

O S&P/ASX 200 da Austrália subiu 0,13% em Sydney, aos 8.617,30 pontos. Embora modesto, o avanço reflete o cenário global de juros estáveis, aumento da confiança empresarial e recuperação gradual do setor de mineração. A Austrália permanece sensível a movimentos da economia chinesa, principal destino de suas exportações de minério de ferro e commodities energéticas.


Expectativas para os próximos pregões na Ásia

O desempenho positivo das bolsas da Ásia hoje reforça a percepção de que os mercados globais entraram numa fase de maior estabilidade a curto prazo, impulsionada por três tendências predominantes:

  1. Alívio monetário internacional – A desaceleração da inflação nos EUA e na Europa fortalece o cenário de cortes de juros em 2026.

  2. Reorganização da economia chinesa – Apesar dos riscos estruturais, espera-se que novas políticas fiscais e monetárias sejam anunciadas.

  3. Resiliência tecnológica no Japão, Coreia e Taiwan – A região mantém liderança global em manufatura de chips, semicondutores e equipamentos de automação.

Esses fatores devem continuar atraindo fluxo global para ativos asiáticos, especialmente para mercados com maior integração tecnológica.


Análise econômica: por que as bolsas da Ásia hoje reagem mais ao Fed do que à China

Nos últimos anos, os mercados asiáticos passaram a operar cada vez mais sincronizados com os ciclos monetários dos Estados Unidos. A razão é simples: a liquidez internacional determina grande parte do comportamento das bolsas da região.

Quando os rendimentos dos Treasuries caem, o capital global migra para mercados emergentes e para setores de maior risco, beneficiando principalmente Japão, Coreia e Taiwan. Já a China, por enfrentar desafios internos significativos, reage de maneira mais contida, com diferenciação entre índices corporativos.

O ambiente de juros mais baixos em 2026 deve reduzir o custo de captação global, impulsionar exportações e estimular investimentos em cadeias industriais de alta tecnologia.

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