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Bolsas da Ásia sobem com recorde no Japão mesmo após queda da Nvidia nos EUA

por Camila Braga
27/02/2026 às 10h12
em Economia
Bolsas Da Ásia Sobem Com Recorde No Japão Mesmo Após Queda Da Nvidia Nos Eua - Gazeta Mercantil

Bolsas da Ásia fecham em alta e Japão renova recorde histórico mesmo após queda da Nvidia nos EUA

As bolsas da Ásia encerraram esta sexta-feira majoritariamente em alta, com o Japão renovando máxima histórica do índice Nikkei, mesmo após a forte queda das ações da Nvidia em Nova York na véspera. O movimento ocorreu em meio a fluxo estrangeiro consistente para mercados asiáticos, sinalizações pró-crescimento na China e uma leitura predominante de que a volatilidade em Wall Street não altera, por ora, os fundamentos econômicos da região.

O desempenho das bolsas da Ásia indica que investidores locais e internacionais estão priorizando fatores estruturais regionais, como política econômica, governança corporativa e perspectivas de crescimento, em vez de reagir de forma automática às oscilações das big techs americanas. Ainda que a Nvidia tenha recuado quase 5,5% nos Estados Unidos, pressionando o Nasdaq e o S&P 500, os mercados asiáticos mostraram resiliência.

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Japão lidera ganhos e consolida novo patamar histórico

O principal destaque entre as bolsas da Ásia foi o Japão. O índice Nikkei avançou 0,16%, aos 58.850,27 pontos, estabelecendo novo recorde histórico. O patamar reforça a trajetória de valorização sustentada por entrada de capital estrangeiro e por reformas voltadas ao aumento da eficiência corporativa.

Nos bastidores, gestores globais têm ampliado exposição ao mercado japonês diante de múltiplos considerados mais atrativos em comparação com os Estados Unidos. A combinação de câmbio favorável às exportações, reestruturações societárias e incentivos à melhoria de governança contribui para o fortalecimento do mercado acionário local.

A performance do Nikkei sinaliza que as bolsas da Ásia podem atravessar períodos de volatilidade externa com maior autonomia, desde que sustentadas por fundamentos domésticos sólidos.

China mantém trajetória positiva com apoio político

Na China continental, as bolsas da Ásia registraram ganhos moderados. O índice de Xangai subiu 0,39%, aos 4.162,88 pontos, enquanto o Shenzhen Composto avançou 0,30%, aos 2.763,59 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta mais expressiva, de 0,95%, fechando aos 26.630,54 pontos.

O movimento foi respaldado por declarações do Politburo do Partido Comunista chinês, que reiterou compromisso com políticas pró-crescimento. A sinalização fortaleceu a percepção de continuidade de estímulos fiscais e monetários, fator que sustenta o apetite por risco na segunda maior economia do mundo.

Investidores avaliam que, apesar dos desafios estruturais — como endividamento corporativo e ajuste no setor imobiliário —, o governo chinês dispõe de instrumentos para evitar desaceleração acentuada. Esse pano de fundo tem contribuído para o desempenho consistente das bolsas da Ásia na região.

Coreia do Sul realiza lucros após sequência de máximas

Entre as principais bolsas da Ásia, a exceção ficou com a Coreia do Sul. O índice Kospi recuou 1%, aos 6.244,13 pontos, em Seul. A queda é interpretada como realização de lucros após seis pregões consecutivos de alta que levaram o indicador a renovar máximas históricas.

Analistas observam que o mercado sul-coreano possui elevada exposição ao setor de tecnologia, o que amplia a sensibilidade às oscilações de empresas globais como a Nvidia. Ainda assim, o recuo pontual não altera a tendência positiva observada na maioria das bolsas da Ásia ao longo da semana.

Em Taiwan, não houve negociações devido a feriado local.

Nvidia pressiona Nova York, mas impacto na Ásia é limitado

O ambiente global segue marcado por volatilidade em Wall Street. A Nvidia caiu quase 5,5% mesmo após divulgar resultados acima das expectativas. O mercado reagiu negativamente à falta de maior detalhamento sobre perspectivas futuras de receita, o que gerou dúvidas quanto à sustentabilidade do ritmo de crescimento impulsionado pela inteligência artificial.

O recuo pressionou o Nasdaq e o S&P 500, enquanto o Dow Jones registrou estabilidade relativa. Historicamente, movimentos dessa magnitude em ações de grande capitalização poderiam gerar contágio imediato nas bolsas da Ásia. Desta vez, no entanto, a reação foi contida.

O comportamento sugere que investidores asiáticos estão mais focados em fundamentos regionais do que na volatilidade pontual das big techs americanas. Essa postura reforça a percepção de maturidade e maior autonomia dos mercados asiáticos.

Fluxo internacional favorece diversificação geográfica

A valorização recente das bolsas da Ásia também deve ser analisada sob a ótica da alocação global de ativos. Com o mercado americano operando próximo de máximas e concentrado em tecnologia, parte dos investidores institucionais tem buscado diversificação geográfica.

O Japão surge como alternativa relevante, impulsionado por reformas estruturais e políticas voltadas à melhoria de retorno ao acionista. Na China, o valuation considerado mais atrativo após períodos de correção também estimula recomposição de posições.

Esse fluxo de capital internacional contribui para sustentar as bolsas da Ásia, mesmo em cenários de maior incerteza externa.

Oceania acompanha viés construtivo

Na Oceania, o índice S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,25%, aos 9.198,60 pontos. O desempenho acompanha o tom positivo das principais bolsas da Ásia, apoiado por estabilidade macroeconômica e perspectiva favorável para exportações de commodities.

A economia australiana mantém forte correlação com a demanda chinesa, especialmente por minério de ferro. Assim, sinais de estímulo na China tendem a beneficiar o mercado australiano.

Perspectivas para investidores globais

O desempenho das bolsas da Ásia reforça um cenário de reequilíbrio no fluxo internacional de capitais. A região demonstra capacidade de absorver choques externos sem replicar integralmente a volatilidade americana, sobretudo quando sustentada por vetores internos robustos.

Para investidores, o quadro atual sugere que a Ásia pode continuar a oferecer oportunidades relevantes de diversificação, especialmente em mercados como Japão e China, onde reformas e políticas de estímulo seguem em curso.

Embora riscos geopolíticos e incertezas globais permaneçam no radar, a resiliência recente indica que as bolsas da Ásia estão inseridas em uma dinâmica própria, menos dependente de movimentos isolados em empresas específicas dos Estados Unidos.

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