quarta-feira, 16 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Desenrola Brasil renegocia R$ 10 bilhões em dívidas e dá desconto médio de 85%

Programa do governo federal já beneficiou mais de 1 milhão de CPFs e reduziu para R$ 1,3 bilhão o valor efetivamente pago após abatimentos

por Álvaro Lima
21/05/2026 às 16h40
em Economia
Desenrola Brasil - Gazeta Mercantil

O Desenrola Brasil já renegociou cerca de R$ 10 bilhões em dívidas de famílias, estudantes, pequenos empreendedores, microempresas e produtores rurais desde o lançamento da nova etapa do programa, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (21) pelo governo federal. Após os descontos aplicados nas negociações, o valor efetivamente pago pelos devedores caiu para aproximadamente R$ 1,3 bilhão, o que representa abatimento médio de 85% sobre os débitos renegociados.

De acordo com o Ministério da Fazenda, mais de 1 milhão de CPFs já foram beneficiados pelo programa. A iniciativa foi criada para facilitar a regularização de dívidas em atraso, reduzir a inadimplência e permitir que consumidores e pequenos negócios recuperem acesso a crédito no sistema financeiro.

Durante a apresentação dos dados, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os primeiros resultados indicam potencial de impacto relevante sobre as famílias brasileiras ao longo da mobilização de 90 dias. O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, também participou da divulgação do balanço.

Desenrola Brasil reduz valor pago após descontos

O principal dado do balanço é a diferença entre o valor original das dívidas renegociadas e o montante efetivamente pago após os descontos. Embora as operações somem cerca de R$ 10 bilhões em débitos, os abatimentos reduziram esse total para aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

Na prática, isso significa que os consumidores conseguiram renegociar dívidas com desconto médio de 85%. O percentual mostra que o programa tem sido usado principalmente para débitos antigos, de difícil recuperação pelos credores e com maior espaço para abatimento.

A renegociação de dívidas com descontos elevados costuma beneficiar os dois lados. Para o consumidor, reduz o valor devido e facilita a regularização do CPF. Para bancos e credores, permite recuperar parte de créditos que poderiam permanecer inadimplentes por mais tempo.

O governo aposta que a redução da inadimplência pode melhorar a capacidade de consumo das famílias e ampliar o acesso ao crédito, especialmente entre brasileiros de menor renda.

Mais de 449 mil consumidores quitaram dívidas à vista

Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 449 mil consumidores quitaram seus débitos integralmente à vista dentro do Desenrola Brasil. O pagamento imediato é uma das modalidades mais relevantes para credores, pois gera recuperação rápida de caixa e encerra a pendência financeira do devedor.

Ao mesmo tempo, outras 685,5 mil operações foram refinanciadas dentro do programa. Nesses casos, os consumidores não quitaram a dívida de uma só vez, mas obtiveram novas condições de pagamento, com prazos mais longos e juros limitados.

O refinanciamento é importante para famílias que não têm recursos disponíveis para pagamento imediato. A possibilidade de parcelamento permite adequar a dívida ao orçamento mensal, reduzindo o risco de nova inadimplência.

Entre as condições previstas estão parcelamento em até 48 meses, prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela e juros limitados a 1,99% ao mês.

FGTS poderá ser usado para quitar dívidas

O governo informou que consumidores poderão usar recursos do FGTS para quitar débitos renegociados a partir da próxima semana. A medida amplia as alternativas de pagamento para quem tem saldo disponível no fundo e deseja regularizar pendências financeiras.

O uso do FGTS em renegociações pode acelerar a quitação de dívidas, especialmente para trabalhadores que possuem recursos parados e enfrentam restrição de crédito por inadimplência.

A medida, porém, exige cautela do consumidor. O FGTS funciona como uma reserva vinculada ao emprego formal e pode ser importante em situações como demissão sem justa causa, compra da casa própria ou outras hipóteses previstas em lei.

Por isso, a decisão de usar o fundo para quitar dívidas deve considerar o tamanho do desconto, o custo da dívida, a urgência da regularização do nome e a necessidade de preservar uma reserva financeira.

Fies entra na renegociação do Desenrola Brasil

O Desenrola Brasil também passou a incluir contratos do Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies. Segundo o Ministério da Fazenda, aproximadamente 34 mil contratos estudantis já foram refinanciados.

As dívidas do Fies renegociadas somavam inicialmente cerca de R$ 2 bilhões. Após descontos e novas condições de pagamento, o valor caiu para aproximadamente R$ 410 milhões.

A inclusão do Fies amplia o alcance social do programa. Muitos estudantes e ex-estudantes enfrentam dificuldades para quitar financiamentos educacionais após a conclusão do curso, especialmente quando encontram instabilidade no mercado de trabalho ou renda abaixo do esperado.

A renegociação pode permitir que esses devedores regularizem a situação, recuperem acesso ao crédito e reduzam a pressão financeira sobre o orçamento familiar.

Quem pode participar do Desenrola Brasil

O Desenrola Brasil atende principalmente brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente atualmente a R$ 8.105. O programa também contempla micro e pequenas empresas, microempreendedores individuais e produtores rurais.

Podem entrar na renegociação dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 90 dias e dois anos. As operações devem ser feitas diretamente nos canais oficiais dos bancos participantes.

A orientação é que consumidores evitem intermediários e procurem apenas plataformas oficiais das instituições financeiras. Como programas de renegociação costumam atrair tentativas de golpe, o cuidado com links falsos, mensagens suspeitas e cobranças antecipadas é essencial.

O governo também informou que o programa conta com garantia do Fundo Garantidor de Operações, o FGO, mecanismo usado para reduzir o risco das instituições financeiras nas renegociações.

Condições incluem desconto de até 90%

As condições oferecidas pelo Desenrola Brasil variam conforme o tipo de dívida, o tempo de atraso e a instituição financeira. Entre as principais regras estão descontos entre 30% e 90%, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 meses e limite de até R$ 15 mil renegociados por instituição financeira.

De acordo com o governo, os maiores descontos aparecem em dívidas de cartão de crédito rotativo e cheque especial. Nesses casos, os abatimentos podem chegar a 90% para débitos com atraso entre um e dois anos.

No crédito pessoal e no parcelamento de cartão, os descontos podem alcançar até 80%, dependendo do período de inadimplência. Essas modalidades concentram parte relevante da dívida das famílias brasileiras, principalmente por causa dos juros elevados cobrados em operações de curto prazo.

A limitação dos juros a 1,99% ao mês busca evitar que a renegociação apenas troque uma dívida impagável por outra igualmente difícil de cumprir. Ainda assim, o consumidor precisa avaliar se a nova parcela cabe no orçamento antes de fechar o acordo.

Programa tenta reduzir inadimplência e reabrir acesso ao crédito

O avanço do Desenrola Brasil ocorre em um cenário em que a inadimplência ainda pesa sobre o orçamento das famílias. Dívidas em atraso limitam o acesso a crédito, dificultam compras parceladas, afetam pequenos negócios e reduzem a capacidade de consumo.

Para o governo, a renegociação em massa pode ajudar a destravar parte da economia ao permitir que consumidores voltem a ter relacionamento regular com bancos e empresas. Esse efeito, no entanto, depende da capacidade das famílias de manter os novos pagamentos em dia.

A renegociação também pode beneficiar microempreendedores individuais e pequenos negócios que tiveram crédito comprometido por dívidas vencidas. Para esse público, limpar restrições pode ser decisivo para obter capital de giro, comprar insumos ou manter a atividade econômica.

O desafio é evitar reincidência. Sem melhora de renda, educação financeira e controle do orçamento, parte dos consumidores pode voltar a se endividar depois de renegociar.

Desconto alto mostra dificuldade de recuperação das dívidas

O desconto médio de 85% indica que parte relevante das dívidas renegociadas tinha baixa expectativa de recuperação integral pelos credores. Em geral, quanto mais antiga e mais difícil de cobrar é uma dívida, maior tende a ser o abatimento oferecido.

Para bancos e instituições financeiras, aceitar descontos elevados pode ser uma estratégia racional quando a alternativa é manter o crédito inadimplente por longo período. A recuperação parcial melhora balanços, reduz perdas e encerra processos de cobrança.

Para os consumidores, o abatimento permite quitar débitos que, em muitos casos, cresceram rapidamente com juros, multas e encargos. Dívidas de cartão de crédito e cheque especial, por exemplo, podem se tornar impagáveis quando ficam meses em atraso.

O Desenrola Brasil tenta justamente atuar nesse ponto: transformar dívidas de difícil pagamento em acordos mais próximos da realidade financeira das famílias.

Balanço reforça aposta do governo na renegociação

O balanço de R$ 10 bilhões em dívidas renegociadas reforça a aposta do governo federal no Desenrola Brasil como instrumento de redução da inadimplência e reorganização financeira das famílias. Com mais de 1 milhão de CPFs beneficiados, o programa ganha escala em sua nova etapa.

A partir da próxima fase, a possibilidade de usar o FGTS poderá aumentar o volume de quitações, sobretudo entre consumidores que têm saldo disponível e buscam regularizar o nome rapidamente.

O impacto econômico dependerá da continuidade das renegociações, da adesão dos bancos, da capacidade de pagamento dos consumidores e da manutenção de condições atrativas. Se conseguir reduzir restrições de crédito sem estimular novo endividamento excessivo, o programa pode ajudar a aliviar parte da pressão financeira sobre famílias e pequenos empreendedores.

LEIA MAIS

Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, prolongando pelo quinto encontro consecutivo...

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16) que não pode ser responsabilizado pela presença de Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça...

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

O JPMorgan reduziu de R$ 24 para R$ 22 o preço-alvo das ações do Banco do Brasil (BBAS3) para dezembro de 2027 e manteve recomendação neutra para os...

Leia MaisDetails
Redução Da Selic 2026: Governo Confia Em Corte De Juros Na Próxima Reunião Do Copom - Gazeta Mercantil
Política

Alckmin participa de encontro com empresários na Faria Lima nesta sexta-feira

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participará na sexta-feira, 18 de setembro, de um encontro com empresários e clientes da Genial Investimentos na região da Faria Lima, em São...

Leia MaisDetails
Lula Cobra Flávio Bolsonaro Por R$ 130 Milhões Ligados Ao Filme Sobre Jair Bolsonaro-Gazeta Mercantil
Política

Lula cobra Flávio Bolsonaro por R$ 130 milhões ligados ao filme sobre Jair Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cobrar nesta quarta-feira (16) explicações do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, sobre recursos negociados...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

23:11:04
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP