O dólar fechou em queda nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, em uma sessão marcada pela atuação do Banco Central no mercado de câmbio, pelo recuo dos preços internacionais do petróleo e pela melhora da percepção de risco após avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã. A moeda norte-americana terminou o pregão cotada a R$ 5,141 na venda, com desvalorização de 0,46% em relação ao fechamento anterior.
A cotação permaneceu em baixa durante a maior parte do dia, interrompendo parte do movimento de valorização observado na semana anterior, quando o dólar acumulou alta próxima de 2% e passou da região de R$ 5,06 para aproximadamente R$ 5,17.
O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista para ampliar a oferta imediata de moeda estrangeira. Simultaneamente, realizou uma operação de swap cambial reverso equivalente a US$ 1 bilhão, com vencimento em 1º de setembro.
A combinação das operações foi estruturada para fornecer liquidez no curto prazo sem alterar de forma permanente a exposição cambial da autoridade monetária. Enquanto a venda à vista aumenta a disponibilidade física de dólares, o swap reverso produz efeito semelhante a uma compra de moeda no mercado futuro.
O dólar também foi pressionado pelo maior apetite por ativos de risco. O avanço das negociações entre Washington e Teerã reduziu parte do prêmio geopolítico que havia sustentado a moeda norte-americana e elevado os preços do petróleo nos pregões anteriores.
Dólar encerra a sessão vendido a R$ 5,141
O dólar comercial terminou o pregão vendido a R$ 5,141, com queda de 0,46%.
Durante o dia, a moeda operou sob influência de fatores domésticos e internacionais. No Brasil, investidores acompanharam as operações do Banco Central, o recuo dos juros futuros e a revisão das expectativas econômicas divulgadas no Relatório Focus.
No exterior, o mercado reagiu à expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã, à queda do petróleo e à redução da procura por ativos considerados defensivos.
A valorização do real acompanhou o desempenho de outras moedas emergentes, como o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano.
Moedas de países emergentes costumam se beneficiar quando investidores reduzem posições em dólar e aumentam a exposição a mercados com juros elevados e ativos considerados mais baratos.
O diferencial entre as taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos também continua oferecendo suporte ao real, apesar das incertezas sobre a trajetória da Selic.
Banco Central vende US$ 1 bilhão no mercado à vista
O Banco Central realizou nesta segunda-feira uma venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista.
A operação teve como objetivo reforçar a liquidez e atender à procura de instituições financeiras e empresas por moeda estrangeira.
Em uma venda à vista, o Banco Central retira dólares de suas reservas internacionais e entrega a moeda ao mercado em troca de reais.
Esse tipo de intervenção costuma ser realizado quando a autoridade monetária identifica distorções, escassez temporária de liquidez ou aumento excessivo da volatilidade.
A operação não significa que o BC tenha definido um valor específico para a taxa de câmbio. O regime brasileiro é de câmbio flutuante, no qual a cotação é formada pela oferta e pela demanda.
A autoridade monetária pode, entretanto, atuar para garantir o funcionamento regular do mercado e evitar movimentos desordenados.
Swap reverso compensou efeito no mercado futuro
Ao mesmo tempo em que vendeu US$ 1 bilhão à vista, o Banco Central ofertou 20 mil contratos de swap cambial reverso, também equivalentes a US$ 1 bilhão.
O vencimento da operação está previsto para 1º de setembro de 2026.
O swap cambial reverso produz efeito semelhante a uma compra de dólares no mercado futuro. Nesse contrato, o Banco Central assume uma posição favorável à valorização da moeda norte-americana e contrária à variação dos juros domésticos.
A operação pode parecer contraditória em relação à venda de dólares à vista, mas as duas medidas possuem funções diferentes.
A venda física atende à demanda imediata por moeda, enquanto o swap reverso neutraliza parte do impacto da operação sobre a exposição cambial futura.
Na prática, o Banco Central fornece liquidez de curto prazo sem gerar necessariamente uma mudança duradoura no equilíbrio entre posições compradas e vendidas em dólar.
Intervenção não estabelece teto para a moeda
A atuação do Banco Central não deve ser interpretada como uma tentativa de fixar o dólar em R$ 5,14 ou em qualquer outro nível.
A autoridade monetária normalmente evita sinalizar uma cotação considerada adequada para o câmbio.
A taxa depende de fatores como fluxo comercial, investimentos estrangeiros, remessas financeiras, juros internacionais, risco fiscal e percepção política.
Mesmo depois de uma venda de dólares, a moeda pode voltar a subir se houver aumento da aversão ao risco ou saída de recursos do país.
Da mesma forma, o câmbio pode continuar caindo caso o fluxo de entrada se intensifique e o ambiente externo permaneça favorável.
O impacto de uma intervenção depende do volume ofertado, das condições do mercado e das expectativas dos investidores sobre os próximos movimentos do Banco Central.
Petróleo cai mais de 3% e reduz procura por proteção
A queda dos preços internacionais do petróleo ajudou a pressionar o dólar.
O barril do Brent para entrega em agosto recuou mais de 3%, para aproximadamente US$ 77,41, atingindo a menor cotação desde o início de março.
A redução ocorreu após o governo dos Estados Unidos sinalizar a suspensão de sanções relacionadas ao petróleo iraniano.
A decisão foi interpretada como um avanço nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio e normalizar o transporte de energia pelo Estreito de Ormuz.
Antes da guerra, a rota concentrava cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo.
A possibilidade de retomada do tráfego reduziu o temor de escassez e levou investidores a retirar parte do prêmio de risco incorporado às cotações.
Alívio geopolítico favorece moedas emergentes
A melhora das relações entre Estados Unidos e Irã produziu efeitos que ultrapassaram o mercado de petróleo.
O aumento da probabilidade de um acordo reduziu a procura por dólar, títulos do Tesouro norte-americano e outros ativos utilizados como proteção em períodos de instabilidade.
Ao mesmo tempo, investidores ampliaram posições em ações, commodities e moedas de países emergentes.
O real foi beneficiado por esse movimento porque o Brasil oferece uma das maiores taxas de juros reais entre as principais economias.
Aplicações em ativos brasileiros podem gerar retornos elevados quando o câmbio permanece estável ou se valoriza.
Essa estratégia, conhecida como carry trade, consiste em captar recursos em países com juros mais baixos e aplicar em mercados com taxas superiores.
O risco está em uma eventual disparada do dólar, que pode eliminar os ganhos proporcionados pela diferença de juros.
Focus eleva projeções para inflação e Selic
O Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira mostrou nova piora das expectativas para a inflação brasileira.
A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo em 2026 subiu de 5,30% para 5,33%.
Foi a 15ª elevação consecutiva da estimativa para o índice oficial de inflação.
O mercado também aumentou as previsões para 2027 e 2028, indicando preocupação com a velocidade de convergência dos preços para a meta.
Para a taxa Selic, a projeção no fim de 2026 avançou de 13,75% para 14% ao ano.
O Focus não representa a posição oficial do Banco Central. O relatório reúne as expectativas de bancos, corretoras, consultorias e outras instituições acompanhadas pela autoridade monetária.
Juros elevados ajudam o real, mas ampliam riscos domésticos
A revisão da Selic produz efeitos diferentes sobre o mercado de câmbio.
Por um lado, juros mais altos tornam os investimentos brasileiros mais atrativos e podem aumentar a entrada de recursos estrangeiros, favorecendo o real.
Por outro, a necessidade de manter a Selic elevada reflete uma inflação persistente e riscos fiscais, fatores que podem prejudicar a confiança no país.
O mercado avalia não apenas o nível nominal dos juros, mas também sua sustentabilidade e os motivos que levaram à manutenção de taxas elevadas.
Se a Selic alta for associada à falta de controle das contas públicas e à deterioração das expectativas, o efeito positivo sobre o real pode ser limitado.
A projeção de juros próximos de 10% em 2028 e 2029, mesmo com inflação esperada perto de 3,5%, indica que o mercado prevê juros reais elevados por um período prolongado.
Ata do Copom concentra atenções do mercado
Investidores aguardam a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária nesta terça-feira, 23 de junho.
O documento detalhará os motivos que levaram o Banco Central a reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano.
A decisão gerou dúvidas porque ocorreu em um ambiente de alta das projeções de inflação e aumento das incertezas econômicas.
O comunicado divulgado após a reunião reconheceu uma piora no balanço de riscos, mas o Copom decidiu iniciar a redução da taxa básica.
O mercado buscará na ata indicações sobre a continuidade do ciclo de cortes.
Uma sinalização mais cautelosa pode levar investidores a reduzir as expectativas de novas quedas e fortalecer o real.
Um texto interpretado como favorável a cortes adicionais pode pressionar os juros futuros e, dependendo do ambiente externo, limitar a valorização da moeda brasileira.
Tesouro cancela leilão de títulos atrelados à inflação
O Tesouro Nacional cancelou o leilão de Notas do Tesouro Nacional Série B que estava previsto para esta terça-feira.
As NTN-Bs são títulos públicos cuja remuneração combina uma taxa de juros fixa com a variação do IPCA.
A decisão contribuiu para reduzir as taxas negociadas no mercado futuro, principalmente nos vencimentos mais longos.
Nos dias anteriores, os juros haviam subido diante da perspectiva de inflação mais alta e das dúvidas sobre a política monetária.
Quando o Tesouro oferta títulos em um ambiente de baixa demanda, pode precisar aceitar remunerações maiores para conseguir vender os papéis.
Ao cancelar o leilão, o governo evitou validar taxas consideradas elevadas e reduziu a pressão imediata sobre a curva.
Recuo dos juros futuros também favorece o câmbio
A queda das taxas futuras trouxe algum alívio para os ativos brasileiros.
Juros longos mais baixos reduzem o custo esperado de financiamento das empresas e melhoram as avaliações de ações e títulos privados.
O movimento contribuiu para a alta de 1,21% do Ibovespa, que fechou aos 170.370 pontos.
A melhora simultânea da Bolsa, do real e dos títulos públicos indica uma redução da aversão ao risco doméstico durante a sessão.
Esse comportamento, contudo, não significa que as preocupações com inflação e política fiscal tenham desaparecido.
O mercado continuará acompanhando os próximos leilões do Tesouro, as declarações de autoridades econômicas e a evolução das projeções do Focus.
Dólar devolve parte da alta da semana anterior
A queda desta segunda-feira devolveu apenas uma parte da valorização acumulada pelo dólar na semana anterior.
A moeda havia subido cerca de 2%, passando da região de R$ 5,06 para R$ 5,17.
O movimento ganhou força depois das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
O Federal Reserve manteve sua taxa de juros inalterada, enquanto o Banco Central brasileiro reduziu a Selic.
A combinação estreitou ligeiramente o diferencial de juros entre os dois países, diminuindo a atratividade relativa de algumas operações favoráveis ao real.
Além disso, o aumento das tensões geopolíticas elevou a procura pela moeda norte-americana.
A sessão desta segunda-feira mostrou uma correção desse movimento, apoiada pelo alívio externo e pelas operações do Banco Central.
Queda do dólar pode aliviar preços de produtos importados
A desvalorização da moeda norte-americana reduz o custo em reais de produtos e insumos comprados no exterior.
O efeito pode alcançar combustíveis, medicamentos, fertilizantes, equipamentos eletrônicos, máquinas industriais e matérias-primas.
A influência sobre a inflação depende da duração e da intensidade do movimento cambial.
Uma queda registrada em um único pregão tem impacto limitado sobre os preços ao consumidor.
Caso o dólar permaneça em níveis mais baixos durante várias semanas ou meses, empresas podem enfrentar custos menores e reduzir a necessidade de reajustes.
O câmbio também afeta o preço dos alimentos, já que commodities agrícolas são negociadas internacionalmente e respondem à relação entre real e dólar.
Exportadores podem sentir efeito da valorização do real
A queda do dólar nem sempre é positiva para todas as empresas.
Companhias exportadoras recebem parte de suas receitas em moeda estrangeira e podem registrar menor faturamento em reais quando o câmbio recua.
Mineradoras, frigoríficos, fabricantes de celulose e produtores agrícolas estão entre os setores mais expostos.
O efeito depende da estrutura de custos, da existência de dívidas em dólar e das operações de proteção cambial contratadas pelas empresas.
Uma companhia que recebe em dólar e possui custos em reais tende a se beneficiar de uma moeda norte-americana mais forte.
Já empresas com dívidas ou insumos dolarizados podem ganhar com a valorização do real.
Por isso, o impacto do câmbio deve ser analisado individualmente em cada setor e companhia.
Mercado acompanha fluxo e negociações no Oriente Médio
O comportamento do dólar nos próximos pregões dependerá da continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Novos avanços podem manter a pressão sobre o petróleo e reduzir a procura por ativos defensivos.
Uma ruptura das conversas ou retomada das hostilidades teria o efeito contrário, com possibilidade de valorização do dólar e aumento da volatilidade.
O mercado também acompanhará o fluxo de recursos estrangeiros para a Bolsa e para a renda fixa brasileira.
Entradas de capital ampliam a oferta de moeda estrangeira e favorecem a queda da cotação.
Saídas de recursos, remessas de lucros e aumento das importações podem pressionar o dólar para cima.
No cenário doméstico, a ata do Copom e o Relatório de Política Monetária deverão orientar as expectativas sobre a Selic e a inflação.
Atuação do BC e alívio externo levam dólar a R$ 5,14
O fechamento desta segunda-feira refletiu a combinação entre oferta adicional de moeda, queda do petróleo e redução do risco geopolítico.
O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista e realizou uma operação equivalente no mercado futuro por meio de swaps reversos.
A atuação ajudou a atender à demanda imediata por dólares e contribuiu para reduzir a volatilidade.
No exterior, os avanços entre Estados Unidos e Irã diminuíram o prêmio de risco sobre o petróleo e favoreceram moedas emergentes.
O Focus, entretanto, mostrou que as expectativas domésticas continuam pressionadas, com projeções maiores para a inflação e para a Selic.
O dólar fechou a sessão a R$ 5,141, em queda de 0,46%, mas a trajetória nos próximos dias dependerá da ata do Copom, do fluxo de capitais e da evolução das negociações no Oriente Médio.











