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Empreendedorismo feminino tem menor inadimplência no Brasil

Estudo mostra que mulheres têm menor inadimplência e negócios mais equilibrados do que os homens no Brasil

por Gabriel Monteiro
11/11/2025 às 18h34
em Economia
Empreendedorismo Feminino Tem Menor Inadimplência No Brasil - Gazeta Mercantil

O empreendedorismo feminino segue crescendo e se consolidando como um dos pilares mais fortes da economia brasileira. Dados recentes da Serasa Experian, divulgados em comemoração ao Dia do Empreendedorismo Feminino, revelam que as mulheres à frente de negócios apresentam menor taxa de inadimplência e gestão financeira mais equilibrada em comparação aos homens.

O levantamento, que integra a 5ª edição do Boletim Panorama PME, analisou mais de 23 milhões de empresas ativas no país e traçou um retrato detalhado da presença feminina no setor produtivo nacional.


Mulheres empreendedoras: menor inadimplência e maior equilíbrio financeiro

De acordo com o estudo, apenas 16% das empresas com sócias possuem restrições financeiras ativas, contra 20% das companhias lideradas por homens. Essa diferença representa 20% menos casos de inadimplência entre os negócios comandados por mulheres — um dado que reforça o perfil de responsabilidade e prudência na gestão financeira das empreendedoras brasileiras.

O índice é reflexo direto do cuidado com o controle de gastos, da busca por crédito responsável e da adoção de práticas financeiras sustentáveis. Segundo a análise, as mulheres tendem a avaliar melhor os riscos antes de contrair dívidas e a manter reservas para emergências, o que reduz o impacto de crises econômicas sobre suas empresas.


Score PJ e PF revelam melhor desempenho das mulheres

O Score PJ, que mede a probabilidade de uma empresa honrar seus compromissos financeiros em uma escala de 0 a 1000 pontos, também favorece as mulheres.

Entre os negócios liderados por empreendedoras:

  • 42% estão nas faixas intermediárias (400 a 600 pontos), ante 38% dos negócios masculinos;

  • Nas faixas de maior risco (até 300 pontos), as mulheres representam 32%, contra 33% dos homens;

  • Nas faixas de melhor desempenho (acima de 700 pontos), a diferença é pequena — 19% para mulheres e 21% para homens.

o mesmo padrão aparece no Score PF, que reflete o comportamento financeiro pessoal das empreendedoras. Apenas 5% das sócias estão nas faixas de maior risco, contra 6% dos sócios homens. Já no topo da pontuação, 52% das mulheres alcançam nota acima de 700, superando os 50% dos homens.

Esses números indicam que o empreendedorismo feminino está fortemente associado à boa gestão e ao equilíbrio financeiro, fatores que contribuem para o crescimento sustentável das empresas.


Longevidade empresarial: estabilidade semelhante entre gêneros

O estudo também investigou a longevidade das empresas, um índice que vai de 1 a 10 e mede a probabilidade de um negócio encerrar suas atividades nos 12 meses seguintes.

O resultado mostra estabilidade equilibrada entre homens e mulheres:

  • A média do índice é de 4,6 entre empresas com sócias e 4,8 entre as lideradas por homens;

  • Nas faixas de menor risco (níveis 8 a 10), 6% das empresas femininas estão no grupo, ante 8% das masculinas;

  • Nas faixas de maior risco (níveis 1 a 3), 25% dos negócios de ambos os gêneros** apresentam desempenho semelhante.

embora as empresas femininas sejam em geral mais jovens e de menor porte, o nível de estabilidade mostra que o empreendedorismo feminino tem se mantido sólido e resistente às oscilações econômicas.


Perfil das empreendedoras brasileiras

As empresas lideradas por mulheres apresentam características próprias e refletem mudanças sociais e econômicas recentes.

  • 90% dos negócios femininos faturam até R$ 300 mil por ano, contra 85% dos negócios masculinos;

  • Apenas 2,6% das empresas femininas superam R$ 1 milhão em faturamento anual, enquanto 4,3% dos empreendimentos masculinos atingem esse patamar;

  • Em termos de porte, 58% das empresas com sócias são microempresas (até 10 funcionários), frente a 53% dos negócios liderados por homens;

  • Entre as pequenas empresas (11 a 50 funcionários), as mulheres representam 19%, e entre as grandes corporações (acima de 500 funcionários), apenas 0,4%, metade da taxa masculina (0,8%).

Os dados reforçam que, embora as mulheres tenham conquistado espaço significativo no mundo dos negócios, ainda enfrentam barreiras de escala, acesso a crédito e participação em setores de maior receita.


Setores mais representativos no empreendedorismo feminino

O comércio é o setor mais expressivo entre as mulheres empreendedoras, reunindo 48% das empresas com sócias. Em seguida vem a indústria, com 23% de participação.

Nos negócios masculinos, o comércio também lidera, com 45%, seguido da indústria (20%) e de áreas mais tradicionais, como serviços especializados e construção civil.

Essa predominância do comércio e dos serviços no universo feminino indica uma forte presença das mulheres em atividades de atendimento direto ao consumidor, especialmente nas áreas de moda, beleza, alimentação e varejo.


Empreendedorismo feminino: desafios e avanços

O estudo destaca que o empreendedorismo feminino no Brasil evoluiu não apenas em número, mas também em qualidade de gestão. As mulheres estão mais presentes em cursos de capacitação, programas de inovação e redes de apoio voltadas ao fortalecimento de negócios liderados por elas.

Apesar dos avanços, ainda há desafios importantes: a desigualdade de acesso a crédito, a dupla jornada de trabalho e o preconceito estrutural no ambiente empresarial continuam sendo barreiras para o crescimento.

Organizações públicas e privadas têm atuado para reduzir essas diferenças, oferecendo linhas de financiamento específicas, mentorias e projetos de incentivo à formalização de negócios femininos.


O papel do crédito na sustentabilidade dos negócios femininos

A pontuação positiva no Score PJ e PF mostra que o crédito responsável é um dos pilares do sucesso das empreendedoras. Ao gerenciar dívidas com disciplina, manter boa reputação junto a instituições financeiras e planejar investimentos de forma estratégica, as mulheres conseguem crescer com solidez e evitar riscos de endividamento.

Esse comportamento contribui para o fortalecimento do ecossistema empresarial brasileiro, promovendo um mercado mais estável e confiável, no qual o crédito é concedido com base em histórico consistente de pagamento.


A importância da representatividade e da liderança feminina

O empreendedorismo feminino vai além dos números: ele representa uma mudança cultural e social profunda. A presença de mulheres em cargos de liderança e no comando de empresas inspira novas gerações e estimula a diversidade no ambiente corporativo.

Empresas com maior equilíbrio de gênero tendem a tomar decisões mais colaborativas, inovar mais rapidamente e apresentar melhor desempenho financeiro. Além disso, as lideranças femininas costumam priorizar práticas sustentáveis, ética nos negócios e bem-estar de suas equipes — fatores cada vez mais valorizados por consumidores e investidores.


O avanço do empreendedorismo feminino no Brasil

Os dados da Serasa Experian comprovam que as mulheres empreendedoras não apenas estão conquistando mais espaço, como também estão gerindo seus negócios com eficiência e responsabilidade.

Com índices de inadimplência mais baixos, pontuações de crédito equilibradas e práticas financeiras saudáveis, o empreendedorismo feminino se consolida como força econômica e social determinante para o futuro do país.

À medida que políticas de apoio, acesso a crédito e programas de capacitação continuarem evoluindo, a tendência é que as mulheres ocupem posições cada vez mais estratégicas — tanto nas microempresas quanto nas grandes corporações.

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