O Move Brasil ampliou o universo de carros que podem ser adquiridos por taxistas e motoristas de aplicativo com financiamento incentivado. Desde agosto, o programa admite automóveis com valor final de nota fiscal de até R$ 200 mil, acima do limite anterior de R$ 150 mil, além de incorporar novas configurações de veículos híbridos.
Na prática, a mudança abre espaço para modelos que antes ficavam fora do programa e inclui desde compactos como Fiat Mobi, Renault Kwid e Volkswagen Polo até SUVs, sedãs, picapes, híbridos e elétricos de marcas como BYD, Chevrolet, Honda, Hyundai, Nissan, Renault, Stellantis, Toyota, Volkswagen, GWM e GAC.
Uma análise da Gazeta Mercantil sobre a relação oficial atualizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em 20 de agosto identificou 150 códigos e versões distribuídos por aproximadamente 45 famílias de modelos.
Há, porém, uma diferença importante que o interessado precisa entender: o limite de R$ 200 mil define o preço máximo do veículo elegível, e não necessariamente o valor que o banco financiará. Na Caixa Econômica Federal, por exemplo, a página do produto ainda informa limite máximo de financiamento de R$ 150 mil por CPF para motoristas de aplicativo e taxistas.
Isso significa que, nas condições atualmente divulgadas pela Caixa, um carro de R$ 200 mil pode estar dentro das regras do Move Brasil, mas o comprador poderá precisar aportar recursos próprios se o banco mantiver o financiamento limitado a R$ 150 mil.
Novo teto do Move Brasil passou de R$ 150 mil para R$ 200 mil
A mudança foi formalizada em agosto pelos ministérios do Desenvolvimento e da Fazenda. O teto passou de R$ 150 mil para R$ 200 mil, considerando o preço constante na nota fiscal.
Esse detalhe é relevante porque não é necessariamente o preço público sugerido pela montadora que determina se o automóvel se enquadra no programa.
Segundo o MDIC, vale o valor final da nota fiscal, depois dos descontos. Portanto, um veículo cujo preço de tabela seja superior a R$ 200 mil poderá, em tese, enquadrar-se caso uma promoção ou desconto leve o valor efetivamente faturado para até o limite estabelecido e o modelo esteja na relação de veículos elegíveis.
O governo estima que a elevação do teto amplia de aproximadamente 63% para 88% a parcela do mercado automotivo brasileiro potencialmente alcançada pelo critério de preço.
Além disso, foram ampliadas as possibilidades de veículos híbridos, permitindo diferentes combinações entre motor elétrico e motor a combustão que utilize álcool, gasolina ou ambos.
Quais carros estão na lista do Move Brasil
A lista oficial consultada pela Gazeta Mercantil contém modelos elétricos, flex, movidos a etanol e híbridos. A presença de um nome na relação, porém, não significa que todas as versões daquele carro estejam automaticamente habilitadas.
O consumidor precisa verificar a versão e o código específicos registrados pelo MDIC.
Entre as principais famílias presentes na relação estão:
| Marca | Modelos encontrados na lista oficial |
|---|---|
| BYD | Dolphin e Dolphin Mini |
| GAC | Aion |
| Chevrolet | Montana, Onix, Onix Plus, Sonic, Spark EUV, Spin e Tracker |
| GWM | Ora 03 |
| Honda | City Hatchback, City Sedan, HR-V e WR-V |
| Hyundai | Creta, HB20 e HB20S |
| Nissan | Kait, Kicks e Versa |
| Geely | EX2 |
| Renault | Boreal, Duster, Kardian e Kwid |
| Citroën | Aircross, Basalt e C3 |
| Fiat | Argo, Cronos, Fastback, Mobi e Pulse |
| Jeep | Compass e Renegade |
| Peugeot | 208 e 2008 |
| Toyota | Yaris Cross |
| Volkswagen | Nivus, Polo, Saveiro, T-Cross, Tera e Virtus |
A relação oficial inclui, por exemplo, versões elétricas do BYD Dolphin e Dolphin Mini, GAC Aion, GWM Ora 03, Chevrolet Spark EUV e Geely EX2.
Também aparecem veículos híbridos como versões do Fiat Fastback e Pulse, além de Jeep Renegade e Peugeot 208 em configurações registradas como híbridas.
Entre os modelos flex estão nomes de grande volume do mercado brasileiro, como Chevrolet Onix e Onix Plus, Hyundai HB20 e HB20S, Volkswagen Polo e Virtus, Fiat Argo e Cronos e Renault Kwid.
A relação deve ser consultada novamente antes da compra porque montadoras podem solicitar inclusão de novos veículos e versões.
Quem pode participar do Move Brasil
O financiamento para automóveis não está aberto a qualquer consumidor.
No caso dos motoristas de aplicativo, é necessário ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses e contabilizar ao menos 100 corridas nesse período na mesma plataforma.
Não é permitido somar viagens de aplicativos diferentes para atingir o mínimo exigido.
Se o motorista acabou de mudar de plataforma, as viagens realizadas no aplicativo anterior também não podem simplesmente ser transferidas para cumprir o critério. A conta utilizada para habilitação precisa atender simultaneamente às regras de tempo e número de corridas.
Taxistas precisam estar devidamente registrados e ativos. O programa também contempla motoristas de cooperativas de táxi que atendam às condições definidas pelo governo.
O programa é destinado a pessoas físicas e permite um automóvel por CPF.
Como pedir o financiamento
O processo começa no portal oficial do Move Brasil.
O motorista entra usando sua conta Gov.br e autoriza o compartilhamento dos dados necessários à avaliação dos requisitos do programa.
Depois disso, ocorre a verificação da elegibilidade.
O governo informa que a resposta deve ser disponibilizada em até cinco dias úteis.
Somente depois de ser considerado elegível o motorista deve procurar uma instituição financeira que opere o programa para solicitar o crédito.
Há, portanto, duas aprovações diferentes:
1. Aprovação no Move Brasil: confirma que o profissional atende às regras do programa.
2. Aprovação do financiamento: é feita pelo banco e depende da capacidade de pagamento e da política de crédito da instituição.
A primeira aprovação não garante a segunda. O próprio governo deixa claro que cabe ao banco decidir se concede ou não o financiamento.
Quanto são os juros do Move Brasil
Na Caixa, as condições divulgadas para motoristas de aplicativo e taxistas são:
- mulheres: 0,91% ao mês;
- homens: 0,99% ao mês;
- prazo: até 72 meses;
- carência: até seis meses.
A Caixa informa ainda que pode ser utilizada a alienação fiduciária do próprio automóvel, combinada aos mecanismos de garantia do programa.
No Banco do Brasil, a página específica do Move Brasil também informa prazo de até 72 meses e carência de até seis meses, além de condições diferenciadas para mulheres.
O consumidor deve comparar o Custo Efetivo Total (CET), e não apenas a taxa anunciada, porque seguros, tarifas, tributos e características da operação podem alterar o custo final.
Quanto ficaria a parcela de R$ 150 mil
Para dimensionar o peso do financiamento no orçamento, a Gazeta Mercantil simulou prestações constantes utilizando exclusivamente as taxas mensais anunciadas pela Caixa.
A simulação não representa proposta de financiamento e não inclui CET, IOF, seguros, tarifas, carência ou outras despesas.
| Valor financiado | Taxa | Prazo | Parcela aproximada |
|---|---|---|---|
| R$ 100 mil | 0,91% ao mês | 48 meses | R$ 2.581 |
| R$ 100 mil | 0,91% ao mês | 72 meses | R$ 1.899 |
| R$ 100 mil | 0,99% ao mês | 48 meses | R$ 2.627 |
| R$ 100 mil | 0,99% ao mês | 72 meses | R$ 1.949 |
| R$ 150 mil | 0,91% ao mês | 48 meses | R$ 3.871 |
| R$ 150 mil | 0,91% ao mês | 72 meses | R$ 2.849 |
| R$ 150 mil | 0,99% ao mês | 48 meses | R$ 3.941 |
| R$ 150 mil | 0,99% ao mês | 72 meses | R$ 2.923 |
O alongamento reduz bastante a prestação mensal, mas aumenta o total de juros pagos.
No exemplo de R$ 150 mil à taxa de 0,99% ao mês, a soma das 72 prestações teóricas ficaria em aproximadamente R$ 210,5 mil, ou cerca de R$ 60,5 mil acima do principal.
Em 48 meses, a soma seria de aproximadamente R$ 189,2 mil.
Carro de R$ 200 mil pode exigir R$ 50 mil próprios na Caixa
Aqui está uma das principais consequências da nova regra.
O governo aumentou para R$ 200 mil o preço máximo do automóvel, mas a página operacional da Caixa consultada pela Gazeta Mercantil continua informando R$ 150 mil como valor máximo financiável por CPF na modalidade.
Se essas condições forem mantidas na contratação, a conta seria:
| Preço do carro | Máximo financiado | Recursos próprios necessários |
|---|---|---|
| R$ 150 mil | R$ 150 mil | R$ 0 |
| R$ 160 mil | R$ 150 mil | R$ 10 mil |
| R$ 180 mil | R$ 150 mil | R$ 30 mil |
| R$ 200 mil | R$ 150 mil | R$ 50 mil |
No último caso, os recursos próprios equivaleriam a 25% do valor do automóvel.
As condições podem variar de acordo com a instituição financeira e ainda podem ser atualizadas operacionalmente após a mudança do teto do programa. Por isso, a confirmação deve ser feita diretamente com o banco antes da assinatura.
Estar negativado impede o financiamento?
A análise de crédito continua sendo responsabilidade da instituição financeira.
O FAQ oficial do programa informa que o banco pode recusar o empréstimo em razão da avaliação de crédito. A página atualizada recomenda que quem esteja negativado regularize a situação, deixando claro que a decisão final permanece com a instituição financeira.
Isso desmonta uma interpretação comum sobre o Move Brasil: o programa não é uma autorização automática para comprar um carro.
O governo verifica se o motorista pode participar; o banco verifica se ele pode assumir a dívida.
O que conferir antes de escolher o carro
Antes de assinar a compra, o motorista deve fazer quatro verificações.
Primeiro, confirmar a elegibilidade no portal oficial. Segundo, consultar se a versão exata do automóvel aparece na relação do MDIC. Terceiro, conferir se o valor final da nota fiscal permanece em até R$ 200 mil. Quarto, solicitar ao banco o CET e o valor efetivamente financiável.
Essa sequência evita uma situação em que o motorista escolhe um veículo dentro do novo teto de R$ 200 mil, mas descobre posteriormente que sua instituição financeira aprova montante inferior.
A próxima etapa relevante será acompanhar a atualização da relação de bens financiáveis e das condições operacionais dos bancos após a ampliação promovida em agosto. Com o novo teto, a quantidade de modelos potencialmente enquadráveis aumentou, mas preço elegível, limite de crédito e aprovação bancária continuam sendo três coisas diferentes.
Fontes:
- Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — página oficial e FAQ do Move Brasil.
- Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — relação oficial de veículos financiáveis, atualizada em 20 de agosto de 2026.
- Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — comunicado oficial sobre ampliação do teto para R$ 200 mil.
- Caixa Econômica Federal — condições oficiais do financiamento Move Brasil.
- Banco do Brasil — condições oficiais do Move Brasil Táxi e Aplicativos.









