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Dólar recua e reflete juros do Fed e expectativa sobre a Selic

por Daniel Wicker
11/12/2025 às 10h59
em Economia
Dólar Recua E Reflete Juros Do Fed E Expectativa Sobre A Selic - Gazeta Mercantil - Fundado Em 1920

Valter Campanato/Agência Brasil

Notas de dólar

Dólar inicia o dia refletindo decisões de juros e expectativas por novos dados econômicos

O preço do dólar começou a quinta-feira em leve queda, movimento influenciado por decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, além da divulgação de novos indicadores econômicos. Em dia marcado pela expectativa dos investidores, a moeda norte-americana abriu em ritmo moderado e refletiu reações imediatas aos anúncios do Federal Reserve (Fed) e às projeções relacionadas à Selic, que permanece no centro do debate financeiro nacional.

Logo no início da manhã, o mercado exibiu comportamento cauteloso. Às 9h02, o dólar recuava 0,02%, negociado a R$ 5,4674. A variação discreta traduzia um ambiente de espera, enquanto investidores assimilavam a decisão do Fed, acompanhavam o posicionamento do Comitê de Política Monetária (Copom) e analisavam o impacto de dados recentes de inflação. Ao mesmo tempo, o cenário político também compôs o quadro de influências, com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro atraindo atenção de agentes econômicos pela possível repercussão fiscal.

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Abertura dos mercados e o comportamento do dólar

Para analistas, o movimento inicial da moeda traduzia o esforço dos investidores em ajustar posições após a redução dos juros nos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. Embora amplamente esperada, a decisão produziu impactos diferentes entre segmentos do mercado. Se, por um lado, a redução da taxa tende a aliviar pressões globais, por outro, as projeções apresentadas pelo Fed frustraram parte das expectativas.

O Fed indicou apenas um corte adicional em 2026, sinalização que ficou aquém das estimativas iniciais e trouxe dinâmica mais complexa para os mercados emergentes. Enquanto isso, o Copom brasileiro manteve a Selic em 15% ao ano, reforçando uma postura conservadora. A manutenção da taxa fortaleceu o real no curto prazo, mas investidores seguem atentos ao comportamento da inflação e à possibilidade de início do ciclo de cortes.

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Nesse conjunto de fatores, o preço do dólar reflete tanto o ambiente doméstico quanto o internacional. A oscilação da moeda estrangeira tornou-se uma síntese da combinação entre juros elevados, projeções fiscais, dados inflacionários e incertezas políticas.

Reação do Ibovespa e sinalizações para o dia

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, abriu as negociações às 10h sob influência direta da movimentação internacional. Em dias de anúncios relevantes nos EUA e no Brasil, o índice costuma alternar entre quedas e altas no início da sessão, enquanto investidores definem estratégias com base nos desdobramentos da política monetária.

Leia também: Assaí (ASAI3) paga R$ 7 milhões em juros por dia e reduz expansão para conter dívida.

Ao longo da semana, o Ibovespa acumulava alta de 1,08%. No mês, permanecia estável, enquanto no ano sustentava valorização superior a 32%. O desempenho anual robusto contrastava com as incertezas pontuais do dia e evidenciava o apetite crescente dos investidores por ativos brasileiros, impulsionado pela expectativa de uma trajetória mais moderada da inflação e pela perspectiva de corte de juros a partir do segundo trimestre.

A leitura combinada entre Ibovespa e o comportamento do preço do dólar oferece pistas relevantes sobre a percepção de risco. Quedas do dólar acompanhadas de alta na bolsa indicam fluxo positivo, enquanto situações inversas apontam cautela ou migração para ativos mais seguros.

Inflação de novembro e impacto no mercado de câmbio

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,18% em novembro, número levemente abaixo das expectativas do mercado. A inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,46%, permanecendo dentro do intervalo de tolerância definido pelo Banco Central. O movimento reforça a leitura de que o processo de desinflação segue em andamento, ainda que de forma gradual.

economistas destacam que a composição do índice veio positiva, com arrefecimento nos serviços e deflação nos alimentos consumidos em domicílio. Os descontos da Black Friday também contribuíram para reduzir preços de bens industriais, enquanto a inflação de serviços desacelerou em termos trimestrais dessazonalizados.

Esse comportamento do IPCA é elemento fundamental para a dinâmica do preço do dólar. Quando a inflação apresenta sinais de controle, o mercado tende a interpretar que as condições para cortes futuros da Selic estão mais próximas. Taxas mais baixas, por sua vez, influenciam o fluxo de capitais e o valor da moeda americana no país. Ainda assim, analistas reforçam que os dados não alteram substancialmente o cenário de curto prazo e que a sinalização do Copom continuará determinante para decisões futuras.

Decisão do Fed e repercussão global

O mercado internacional também desempenhou papel decisivo nas oscilações do câmbio. A redução dos juros americanos nesta quarta-feira marcou o terceiro corte consecutivo em 2025, consolidando uma trajetória de flexibilização monetária. No entanto, a comunicação do Fed frustrou investidores ao projetar apenas um corte em 2026. A votação do Fomc ainda revelou divergências internas, com três membros discordando sobre a intensidade ou a conveniência do corte.

A fala de Jerome Powell, presidente do Fed, trouxe nuances adicionais. Segundo analistas, Powell adotou discurso mais equilibrado, evitando comprometer a instituição com novas reduções no horizonte próximo. A postura cautelosa reduz a probabilidade de um ciclo acelerado de quedas e limita espaço para valorização excessiva de moedas emergentes, como o real.

Ainda assim, os mercados reagiram positivamente. As bolsas americanas fecharam em alta, o que influenciou positivamente o mercado brasileiro. Esse movimento contribuiu para estabilizar o preço do dólar, embora a trajetória da moeda siga dependente de fatores domésticos.

Copom mantém Selic e aguarda sinais da economia

No Brasil, a decisão do Copom de manter a taxa Selic em 15% foi amplamente antecipada. A autoridade monetária reiterou sua postura de avaliar dados econômicos antes de iniciar um novo ciclo de cortes. A combinação entre inflação dentro do intervalo de tolerância e desaceleração gradual do núcleo inflacionário reforça a percepção de que o BC está mais confortável com o cenário.

Entretanto, a autoridade monetária também destaca a necessidade de acompanhar indicadores fiscais, expectativas do mercado e a evolução do câmbio. Esses elementos compõem o quadro que determinará o momento exato para a redução dos juros, movimento que terá efeito direto no comportamento do preço do dólar.

Especialistas afirmam que, caso o cenário fiscal se deteriore ou expectativas de inflação voltem a subir, o BC pode ser obrigado a prolongar o aperto, o que manterá o real mais pressionado. Em contrapartida, sinais concretos de melhora na política fiscal podem fortalecer a moeda brasileira e acelerar movimentos de queda.

Bolsas globais e o reflexo nos mercados emergentes

As bolsas internacionais apresentaram resultados mistos ao longo da quarta-feira. Em Wall Street, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq registraram altas consistentes, refletindo o alívio temporário dos investidores após o anúncio do Fed. Na Europa, a cautela predominou, enquanto na Ásia os movimentos foram variados.

A performance global influencia diretamente o fluxo financeiro para mercados emergentes. Quando investidores se sentem mais confiantes, aumentam a exposição em países como o Brasil, favorecendo a queda do dólar. Em períodos de aversão ao risco, porém, ocorre o efeito contrário: capital estrangeiro migra para ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro americano.

Esse comportamento explica por que o preço do dólar tende a oscilar rapidamente diante de eventos internacionais. Em dias de forte volatilidade global, a moeda costuma reagir antes mesmo da abertura do pregão local, especialmente quando decisões dos bancos centrais impactam expectativas de juros ou liquidez.

Perspectivas para o câmbio nos próximos meses

A trajetória futura do preço do dólar dependerá de uma combinação de fatores internos e externos. No plano doméstico, o comportamento da inflação, o posicionamento do Copom, o ambiente fiscal e a dinâmica política devem influenciar diretamente a moeda. No plano internacional, decisões do Fed, indicadores americanos e apetite global por risco continuarão determinantes.

Economistas afirmam que a possibilidade de corte da Selic no primeiro semestre pode pressionar o dólar momentaneamente, mas ressaltam que movimentos estruturais devem prevalecer. Se o cenário internacional permanecer estável e o Brasil sinalizar compromisso fiscal, há espaço para valorização do real. Por outro lado, qualquer deterioração fiscal ou aumento das incertezas políticas pode ampliar a volatilidade e elevar a taxa de câmbio.

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