terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Política

Zema propõe privatizar estatais e limitar STF; dívida de Minas chega a R$ 208,8 bi

Programa apresentado à Justiça Eleitoral prevê reforma previdenciária e mudanças no STF; dados oficiais mostram redução da dívida líquida em relação à receita desde 2018, apesar do aumento nominal do passivo.

por Henrique Valverde
24/08/2026 às 23h41
em Política
Defensor Da Anistia A Bolsonaro, Zema Agora Propõe ‘Rejugalmento’ Do Ex-Presidente

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e nome lançado pelo Novo na disputa pela Presidência da República, chega à campanha de 2026 com uma plataforma que combina ajuste fiscal, privatização integral das empresas estatais federais e mudanças profundas no desenho institucional do Supremo Tribunal Federal. O programa apresentado à Justiça Eleitoral estabelece, entre outras medidas, idade mínima de 60 anos para indicação ao STF, fim das decisões monocráticas em temas de relevância nacional e redução das matérias tributárias e penais submetidas à Corte.

O componente econômico do discurso de Zema se apoia diretamente na experiência de governo em Minas Gerais, cargo que ele deixou em 22 de março de 2026, quando transmitiu o Executivo estadual a Mateus Simões. Os números oficiais, porém, exigem distinguir dois movimentos ocorridos simultaneamente: a dívida mineira cresceu em valores nominais, mas a relação entre a dívida consolidada líquida e a receita corrente líquida terminou 2025 abaixo do patamar observado antes de sua posse.

O Relatório Contábil de 2018 da Secretaria de Estado de Fazenda registrava dívida consolidada líquida de R$ 106,509 bilhões e receita corrente líquida de R$ 56,345 bilhões, equivalentes a 189,03%. No fechamento de 2025, o Relatório de Gestão Fiscal mostrou DCL de R$ 187,10 bilhões diante de RCL ajustada de R$ 111,73 bilhões, proporção de 167,46%. Assim, o passivo líquido aumentou em termos nominais, enquanto seu peso em relação à receita caiu 21,57 pontos percentuais no período comparável.

Dívida pública chega a R$ 208,8 bilhões em junho

O indicador mais recente de estoque da dívida pública estadual, que não é idêntico à DCL usada nos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, chegou a R$ 208,81 bilhões em junho de 2026. O valor avançou 0,37% em relação a maio. A União respondia por 90% do estoque, e outros 6,27% estavam vinculados a contratos expostos à variação cambial. A maior parte da dívida, 90%, era corrigida pelo IPCA.

Leia também: CNJ faz operação contra Newton Ramos, do TRF-1, em apuração sobre precatórios de R$ 4,7 bilhões

A própria Fazenda mineira registra uma mudança metodológica desde fevereiro. Os saldos do contrato de refinanciamento no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag, e de contratos com o BNDES passaram a ser atualizados pela posição do último dia do mês, em vez do primeiro. Segundo o boletim estadual, a alteração elevou contabilmente o saldo, razão pela qual comparações mensais precisam considerar o efeito da nova metodologia.

O relacionamento financeiro com a União também mudou. Minas retomou em julho de 2022 os pagamentos de parcelas que haviam ficado suspensas entre 2018 e 2022 por ações no STF. Do retorno dos pagamentos até junho de 2026, o Estado desembolsou R$ 13,527 bilhões à União, conforme a Secretaria da Fazenda. O total reúne diferentes contratos e mecanismos de refinanciamento, além do aporte ao Fundo de Equalização Federativa previsto no novo regime.

O Propag passou a organizar a principal obrigação federal depois da assinatura de termo aditivo em 31 de dezembro de 2025. Em 2026, o Estado amortiza 20% do valor das parcelas da dívida com a União; o percentual aumenta em 20 pontos a cada ano até a retomada integral do serviço em 2030. A parcela não paga no período de transição vai para uma conta gráfica e será agregada ao saldo contratual a partir de 2030. Isso reduz o desembolso imediato, mas não equivale à extinção da obrigação.

Nos primeiros seis meses de 2026, a execução orçamentária relacionada ao serviço da dívida somou R$ 5,033 bilhões, equivalente a 60,82% dos R$ 8,275 bilhões autorizados para o ano. Desse montante, R$ 1,663 bilhão correspondeu ao Fundo de Equalização Federativa. O aporte ao fundo é uma contrapartida da adesão de Minas ao Propag para obter correção da dívida com a União pelo IPCA sem juros reais: o Estado deve destinar ao mecanismo 1% do saldo da dívida até 30 de junho de cada exercício, segundo o boletim oficial.

Plano econômico prevê privatização de todas as estatais

No programa registrado na Justiça Eleitoral, Zema transforma em proposta nacional a redução do papel empresarial do Estado. O documento prevê explicitamente “privatizar todas as empresas estatais”, sem apresentar, nesse trecho, lista de exceções. Também propõe ampliar parcerias público-privadas inclusive em saúde e educação e mapear imóveis federais ociosos ou considerados não essenciais para venda direta ou leilão.

O eixo fiscal inclui uma reforma administrativa destinada a reduzir ministérios, cargos comissionados, autarquias e fundações, além da revisão de despesas obrigatórias. O programa defende ainda uma nova reforma da Previdência abrangendo estados e municípios, previdência rural e militares, com mecanismo de reajuste automático da idade mínima de aposentadoria de acordo com a expectativa de vida e a sustentabilidade do sistema.

Há também uma promessa de fixar metas progressivas de redução da carga tributária vinculadas a cortes de despesas. O desenho apresentado é de uma sequência em que a contenção do gasto abre espaço para redução de impostos, e não de compensação posterior mediante aumento de receitas. O programa não quantifica, no trecho dedicado a essa diretriz, o tamanho do corte tributário, o prazo para alcançá-lo nem o impacto fiscal anual.

A experiência mineira é utilizada politicamente como credencial para esse modelo, mas os dados da dívida mostram que o resultado fiscal não pode ser resumido apenas pelo estoque nominal. Entre 2018 e 2025, a DCL cresceu R$ 80,591 bilhões, ao mesmo tempo em que a RCL praticamente dobrou. O percentual DCL/RCL continuou elevado, embora abaixo do teto de 200% definido pelo Senado e inferior ao nível de 2018. O novo cronograma do Propag desloca parte relevante do serviço para os próximos exercícios.

Zema propõe limitar competências do STF

Na área institucional, o plano eleitoral dedica um eixo próprio ao Supremo. Zema propõe elevar para 60 anos a idade mínima para indicação de ministros, criar mecanismos para reduzir vínculos políticos dos indicados e impedir que decisões individuais suspendam leis, bloqueiem políticas públicas ou imponham obrigações ao governo em matérias consideradas de relevância nacional.

O documento também prevê prazo limite para pedidos de vista e propõe retirar do STF matérias tributárias e penais. Outra diretriz busca limitar a possibilidade de a Corte reverter decisões do Congresso. Essas medidas exigiriam, em diferentes graus, mudanças legislativas e constitucionais, portanto dependeriam do Congresso Nacional e não poderiam ser implementadas apenas por ato do presidente da República.

O programa ainda sugere impedir escritórios com parentes de até terceiro grau de ministros de tribunais superiores de atuar nessas cortes e estabelecer novas restrições a atividades privadas de integrantes do Judiciário e dos tribunais de contas. As justificativas apresentadas pelo documento incluem críticas ao que a candidatura chama de ativismo judicial e conflitos de interesse; essas formulações representam a avaliação política do candidato, não conclusões de órgãos de controle ou decisões judiciais.

A defesa de anistia para pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro aparece em posicionamento oficial do Novo, mas não foi incorporada ao programa presidencial nos mesmos termos. Em comunicado partidário de 2026, a legenda afirma que Zema defende “anistia geral” e diz ter como objetivo uma anistia ampla para envolvidos no 8 de janeiro que não tenham cometido crimes graves. O conteúdo é uma posição política do partido e do candidato sobre condenações já proferidas.

Plano registrado não prevê anistia nominal a Bolsonaro

O documento programático apresentado ao TSE não contém os termos “anistia” nem “Bolsonaro”. Por isso, a posição partidária sobre o 8 de janeiro deve ser separada do conteúdo formal do plano de governo: nas fontes oficiais analisadas, há defesa de anistia geral atribuída a Zema pelo Novo, mas não há, no programa registrado, promessa nominal de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Essa diferença é relevante porque a concessão de anistia depende de lei aprovada pelo Congresso Nacional. O presidente da República participa do processo legislativo por meio de sanção ou veto, mas não cria sozinho uma anistia penal por simples decisão administrativa. Já eventual indulto presidencial é instituto jurídico distinto, disciplinado pela Constituição, e não deve ser confundido com anistia legislativa.

O pedido de registro da candidatura de Zema à Presidência foi protocolado no TSE em agosto. A Justiça Eleitoral esclarece que o protocolo não encerra o procedimento: os pedidos são autuados, podem receber impugnações e passam por análise das condições de elegibilidade e dos documentos apresentados antes do deferimento ou indeferimento. O plano de governo integra a documentação disponibilizada no sistema de candidaturas.

Com a propaganda eleitoral autorizada desde 16 de agosto, Zema passa a submeter ao eleitorado uma agenda que conecta a redução do Estado, a reforma fiscal e a reconfiguração de competências do Judiciário. Na frente mineira, o dado que continuará exigindo acompanhamento é o cronograma do Propag: em 2026 o Estado paga apenas 20% das parcelas refinanciadas com a União, enquanto a parcela diferida será acumulada em conta gráfica e incorporada ao saldo contratual a partir de 2030.

LEIA MAIS

Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

O grupo Prerrogativas acusa o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, de abuso de poder e de adotar decisões que, na avaliação do

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Os presidentes dos diretórios estaduais do MDB de dez estados das regiões Norte e Nordeste anunciaram, nesta terça-feira (13), apoio à candidatura do

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Pesquisa ouviu brasileiros sobre temas de costumes e valores, como aborto, casamento homoafetivo, pena de morte e redução da maioridade penal

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (13) em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,0227 no mercado à vista, recuperando parte das perdas acumuladas na semana anterior,...

Leia MaisDetails
Governo Notifica 37 Fintechs Ligadas A Bets Ilegais
Política

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Presidente afirmou que manifestações nas ruas pressionaram o partido; nesta terça, Flávio Bolsonaro declarou voto favorável à PEC após ter criticado a proposta. * * Lula afirmou nesta...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

19:47:00
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails
Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP