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Mercado já vê espaço para Selic abaixo de 14% em 2026

Mercado passa a precificar chance de a Selic cair abaixo de 14% ainda em 2026, enquanto investidores avaliam inflação, Copom e trajetória dos juros no Brasil.

por Antônio Lima
06/07/2026 às 13h36
em Mercados
Mercado Financeiro Acompanha Expectativa Para Selic Abaixo De 14% Em 2026. - Gazeta Mercantil

O mercado financeiro começou a precificar um cenário mais favorável para a taxa Selic em 2026, com parte dos investidores já enxergando espaço para os juros caírem abaixo de 14% até o fim do ano. O movimento contrasta com a leitura ainda mais conservadora do Boletim Focus, que mantém a mediana das projeções para a taxa básica em 14% no encerramento de 2026.

A mudança de percepção aparece nas opções de Copom negociadas na B3, instrumento usado pelo mercado para medir as apostas sobre as próximas decisões do Banco Central. Segundo a coluna Radar Econômico, da Veja, a probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto ganhou força nas últimas semanas e já aparece como cenário majoritário nas mesas de operação.

Leia também: Taxas dos DIs sobem após IBC-Br surpreender e mercado reduz apostas de corte da Selic.

Na prática, esse movimento levaria a Selic dos atuais 14,25% para 14% ao ano. A novidade está na reunião seguinte, em setembro. Ainda de acordo com a publicação, as opções de Copom já indicam uma probabilidade próxima de 40% para mais uma redução da taxa, o que abriria caminho para uma Selic de 13,75% em 2026.

Mercado testa cenário mais benigno para os juros

A precificação de uma Selic abaixo de 14% reflete uma leitura mais otimista sobre a inflação. O mercado passou a considerar que a interrupção das revisões mais fortes para o IPCA pode dar margem para o Banco Central manter o ciclo de afrouxamento monetário, ainda que de forma gradual.

Leia também: Mercado vê chance de candidatura moderada contra Lula em 2026 após prisão de Bolsonaro.

No Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026, a projeção para o IPCA deste ano caiu de 5,33% para 5,30%. A estimativa para a Selic no fim de 2026, porém, permaneceu em 14%. Para 2027, a mediana da taxa básica seguiu em 12%.

Esse descompasso mostra que há uma diferença entre o cenário médio dos economistas consultados pelo Banco Central e a leitura de curto prazo dos agentes que operam contratos e opções no mercado. Enquanto o Focus ainda indica cautela, os preços negociados na B3 sugerem que parte relevante dos investidores passou a apostar em uma trajetória de juros um pouco mais baixa.

Copom ainda mantém tom cauteloso

A Selic está atualmente em 14,25% ao ano, após o Copom ter reduzido a taxa em 0,25 ponto percentual na reunião de junho. A decisão marcou o terceiro corte consecutivo de juros, mas o Banco Central manteve um discurso cauteloso sobre os próximos passos da política monetária.

A autoridade monetária tem condicionado novas reduções ao comportamento da inflação, das expectativas, do câmbio e do cenário fiscal. Esse cuidado explica por que o mercado ainda não trata a Selic abaixo de 14% como cenário consolidado, mas como uma possibilidade que ganhou força.

O ponto central é que, se os próximos dados de inflação confirmarem uma desaceleração mais consistente e o câmbio permanecer relativamente comportado, a expectativa de juros a 14% no fim do ano poderá ser revista antes das próximas reuniões do Copom.

Inflação e câmbio serão decisivos

A principal variável para a decisão do Banco Central continua sendo a trajetória da inflação. Apesar da melhora recente nas projeções, o IPCA esperado para 2026 ainda permanece acima da meta perseguida pela autoridade monetária.

Por isso, uma Selic abaixo de 14% dependerá de novos sinais de alívio nos preços, especialmente em serviços, alimentos e itens mais sensíveis ao câmbio. Também pesará na decisão o comportamento do dólar, já que uma depreciação mais forte do real poderia reacender pressões inflacionárias e reduzir o espaço para cortes adicionais.

A leitura do mercado, neste momento, é que a inflação deixou de piorar na mesma intensidade observada em semanas anteriores. Isso foi suficiente para abrir espaço a apostas mais agressivas na curva de juros, ainda que o Banco Central siga indicando prudência.

Selic abaixo de 14% ainda não é consenso

Apesar da mudança de preço nos derivativos, uma taxa Selic abaixo de 14% em 2026 ainda não representa consenso entre economistas. O Focus segue apontando 14% ao ano como mediana para o fim do período, o que mostra que boa parte dos analistas ainda prefere aguardar mais dados antes de revisar suas projeções.

A divergência entre Focus e mercado futuro é comum em momentos de transição da política monetária. O Focus tende a refletir projeções mais consolidadas de instituições financeiras, enquanto os contratos negociados em bolsa reagem com mais rapidez a dados de inflação, discursos do Banco Central, fluxo estrangeiro e alterações no apetite ao risco.

Para investidores, a diferença é relevante porque influencia diretamente o preço de ativos de renda fixa, ações, fundos imobiliários e câmbio. Juros menores tendem a favorecer ativos de risco, reduzir o custo de capital das empresas e melhorar a atratividade relativa da Bolsa.

O que observar nas próximas semanas

As próximas divulgações de inflação serão decisivas para confirmar ou frustrar a aposta em uma Selic abaixo de 14%. Caso o IPCA continue mostrando alívio e as expectativas de médio prazo parem de subir, o Banco Central poderá encontrar espaço para seguir reduzindo os juros em ritmo moderado.

Por outro lado, qualquer piora no câmbio, na percepção fiscal ou nos núcleos de inflação pode levar o Copom a interromper o ciclo de cortes ou a adotar um ritmo mais lento do que o mercado passou a precificar.

Por enquanto, o sinal mais importante é que os investidores começaram a desafiar a projeção mais conservadora do Focus. A Selic a 14% ainda é o cenário central dos economistas, mas já não é a única hipótese relevante nos preços de mercado.

Se a trégua da inflação se mantiver, a taxa básica poderá terminar 2026 em 13,75% ou abaixo disso. A confirmação desse cenário, porém, dependerá menos da disposição do mercado e mais da capacidade dos indicadores econômicos de convencer o Banco Central de que há segurança para continuar cortando os juros.

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