Warner Bros. Discovery (WBD) atrai disputa bilionária com Paramount, Netflix e Comcast em antecipação histórica de propostas de compra
A disputa pela Warner Bros. Discovery (WBD) entra em uma das fases mais decisivas de sua história, com grandes grupos de mídia global antecipando seus lances para adquirir parte ou a totalidade da companhia. O movimento, antes esperado para ocorrer próximo ao Natal, foi adiantado para o dia 20 deste mês, poucos dias antes do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos e da Black Friday, simbolizando a urgência e a relevância estratégica que a venda da WBD assumiu no setor de entretenimento e streaming.
A corrida envolve nomes de peso na indústria: Paramount Skydance, Netflix e Comcast. Cada uma, com interesses e estratégias diferentes, enxerga na WBD uma oportunidade rara de expansão, consolidação e reposicionamento competitivo em um mercado que vive um processo acelerado de reestruturação. A antecipação das propostas evidencia o impacto que a eventual compra da WBD pode gerar no ecossistema global de mídia, onde streaming, TV, cinema e tecnologia disputam atenção e recursos.
No centro da disputa está a estrutura multimilionária da Warner Bros. Discovery (WBD), dona de alguns dos ativos mais emblemáticos da indústria mundial, como o estúdio Warner Bros., o serviço de streaming HBO Max, e canais de TV por assinatura como CNN, TNT e Discovery Channel. A possibilidade de aquisição desses ativos por diferentes conglomerados poderá redefinir a dinâmica das majors globais pelos próximos anos.
A antecipação das propostas e o novo tabuleiro da disputa pela WBD
a decisão de antecipar a entrega das propostas para o dia 20 alterou completamente a dinâmica da negociação. A expectativa anterior, de que as cartas fossem apresentadas apenas próximo ao Natal, daria às empresas mais tempo para consolidar suas ofertas, reorganizar financiamentos e estimar riscos. Mas a mudança no cronograma foi interpretada por analistas como um sinal claro de que o ambiente competitivo se intensificou.
A Paramount Skydance, que já tentou adquirir a WBD em três ocasiões recentes — todas rejeitadas — mantém seu interesse em comprar a empresa inteira, incluindo estúdios, canais e operações de streaming. Netflix e Comcast, por outro lado, concentram foco específico em ativos selecionados: principalmente os estúdios de cinema e TV da Warner e o HBO Max.
Ao antecipar o prazo, a WBD reforça a impressão de que deseja uma resolução rápida, ao mesmo tempo em que coloca pressão estratégica sobre os interessados. A mudança também ocorre em um momento em que o setor de mídia enfrenta desaceleração nas receitas tradicionais de TV a cabo, competição crescente no streaming e volatilidade nos mercados financeiros.
Interesses distintos: como cada grupo vê a compra da WBD
Embora três grandes interessadas estejam formalmente na disputa, cada uma enxerga a aquisição de forma diferente, o que torna o processo ainda mais complexo.
Paramount Skydance quer a WBD por completo
A Paramount Skydance planeja uma compra total da WBD, absorvendo desde os grandes estúdios até os canais de TV por assinatura. A estratégia envolveria consolidar produções, ampliar catálogo e reforçar a posição da Paramount no streaming. A empresa já sinalizou disposição para assumir o risco operacional e financeiro que um conglomerado do porte da WBD representa.
A grande dúvida sobre essa oferta recai sobre o financiamento. A Skydance tem como principal apoio o bilionário Larry Ellison, controlador da Oracle e pai do CEO da Skydance, David Ellison. Porém, a queda recente no patrimônio de Larry Ellison, em meio a uma liquidação generalizada de ações de tecnologia, levanta questionamentos sobre a segurança financeira de uma proposta integral.
A última oferta do grupo pela WBD foi de US$ 23,50 por ação, mas a direção da empresa, comandada por David Zaslav, indica que só aceita negociar a partir de US$ 30 por ação — o equivalente a mais de US$ 70 bilhões.
Netflix busca expansão estratégica, não totalidade
Embora seja uma das líderes mundiais do streaming, a Netflix sabe que precisa diversificar suas fontes de receita e fortalecer sua presença em produção física. A aquisição dos estúdios da Warner permitiria ampliar sua capacidade de criação, distribuição e propriedade intelectual.
Mas a gigante do streaming não tem interesse nos canais de TV por assinatura da WBD. Isso inclui CNN, TNT e Discovery Channel, ativos que enfrentam quedas contínuas de audiência e receita no modelo linear tradicional.
Netflix quer o “coração” da WBD — não o corpo inteiro.
Comcast mira crescimento híbrido entre TV e streaming
A Comcast entra na disputa com uma estratégia híbrida. O grupo, dono de NBCUniversal e Peacock, vê na compra dos estúdios e do HBO Max um caminho para escalar globalmente sua operação de streaming, hoje limitada pela concorrência feroz de Netflix, Disney+ e Amazon.
Assim como a Netflix, a Comcast não demonstra interesse pelas emissoras de TV a cabo da WBD. A intenção é reforçar o portfólio de conteúdo premium, fortalecer seus estúdios e expandir seu alcance global.
Estratégia de Zaslav: elevar o valor, atrair mais interessados e ganhar tempo
A postura do CEO da WBD, David Zaslav, tem sido vista como decisiva para o aumento da concorrência. Ao rejeitar três ofertas anteriores da Paramount Skydance, Zaslav elevou a disputa a um novo patamar.
Sua estratégia tem três objetivos principais:
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Aumentar o valor percebido da WBD, pressionando os concorrentes a elevar seus lances.
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Atrair mais interessados, como aconteceu com Netflix, Comcast e rumores envolvendo Amazon e Apple.
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Ganhar poder de barganha, oferecendo a possibilidade de vender partes específicas da empresa, caso não haja acordo global.
Ao afirmar que pode dividir a WBD em duas unidades separadas no próximo ano — uma focada em TV e outra em estúdios e streaming — Zaslav cria uma alternativa que fortalece sua posição em qualquer mesa de negociação. A ameaça velada de dividir a companhia funciona como mecanismo para extrair valores mais altos dos interessados, que temem perder acesso ao controle de ativos essenciais.
Black Friday e Dia de Ação de Graças: contexto estratégico para os lances
A data escolhida para a entrega das propostas, 20 de novembro, está situada entre eventos culturais e comerciais que interferem diretamente no mercado de consumo e no comportamento das empresas:
– o Dia de Ação de Graças, em 27 de novembro;
– a Black Friday, em 28 de novembro.
Ambos são marcos de alta movimentação comercial e intensa visibilidade de produtos e serviços de entretenimento. A proximidade dessas datas levanta hipóteses de que a WBD deseja:
– aproveitar maior liquidez financeira no mercado antes de dezembro;
– antecipar projeções de faturamento para 2026;
– evitar turbulências típicas do fim de ano, quando investidores reduzem exposição.
A decisão também cria impacto psicológico nos proponentes, que precisam demonstrar agilidade e capacidade financeira antes do período festivo.
A fragilidade e o potencial: a realidade da Warner Bros. Discovery
Apesar de possuir ativos valiosos e marcas reconhecidas mundialmente, a Warner Bros. Discovery (WBD) enfrenta desafios estruturais que aceleram a pressão por uma venda:
– queda de assinantes no streaming;
– dívidas elevadas;
– custos altos de produção;
– desaceleração na TV por assinatura;
– concorrência feroz com Disney, Netflix e Amazon;
– necessidade de reposicionar franquias de cinema.
Ao mesmo tempo, seu portfólio é um dos mais poderosos do mundo, com propriedades intelectuais icônicas como:
– Harry Potter;
– DC Comics;
– Looney Tunes;
– Lord of the Rings (coprodução);
– Cartoon Network;
– Discovery;
– CNN.
O valor desses ativos faz da WBD uma joia corporativa cobiçada, mesmo que o momento financeiro seja difícil.
Impacto global da possível venda da WBD
A venda da WBD pode desencadear mudanças profundas no setor de entretenimento:
– concentração ainda maior entre gigantes do streaming;
– reconfiguração de estúdios tradicionais;
– pressão sobre concorrentes menores;
– reposicionamento de modelos de distribuição;
– aceleração de fusões e aquisições no setor.
Se a Paramount adquirir a WBD, surgiria um mega-conglomerado capaz de rivalizar diretamente com Disney e Netflix. Se Comcast ou Netflix vencerem, haverá reestruturação significativa no mercado global de conteúdo premium.
O fator Oracle: apoio de Larry Ellison sob pressão
O financiamento da Paramount Skydance depende, em parte, do apoio bilionário de Larry Ellison, controlador da Oracle. Nos últimos meses, a queda de mais de US$ 130 bilhões em seu patrimônio — reflexo da liquidação nos mercados de tecnologia — colocou incertezas sobre a capacidade de sustentar uma oferta de US$ 56 bilhões ou mais.
Sem esse apoio, analistas acreditam que o lance da Paramount perde competitividade. A disputa, portanto, depende não apenas de estratégia, mas também da estabilidade financeira dos patrocinadores.
O que esperar até o dia 20
As próximas semanas serão decisivas para o futuro da Warner Bros. Discovery (WBD). A empresa, pressionada por mercado e acionistas, busca um desfecho até o Natal. Caso não consiga vender os ativos dentro do valor desejado, avançará com a divisão da companhia em duas entidades independentes no próximo ano.
A antecipação das propostas mostra que:
– há urgência no processo;
– os interessados enxergam risco de perder protagonismo;
– o setor de mídia vive uma corrida histórica por consolidação.
O que está em jogo não é apenas a compra de uma empresa, mas o reposicionamento global do mercado de entretenimento.






