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BTG muda projeção da Selic e prevê dois novos cortes de juros em 2026

Banco estima taxa básica em 13,75% no fim do ano, mas mantém cautela com inflação, fiscal e cenário externo.

por Antônio Lima
08/07/2026 às 11h31
em Economia
Bc Deve Manter Postura Rígida Sobre A Selic, Avalia Anbima

O BTG Pactual alterou sua projeção para a trajetória da Selic em 2026 e passou a considerar mais duas reduções de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros brasileira ao longo do segundo semestre. Com a revisão, o banco estima que a Selic encerre o ano em 13,75%, em um cenário de menor pressão inflacionária, mas ainda marcado por riscos relacionados às contas públicas, ao câmbio e ao ambiente externo.

A mudança representa uma alteração na leitura feita pela instituição no relatório macroeconômico divulgado anteriormente. Antes, a expectativa era de que o ciclo de flexibilização monetária fosse interrompido após a taxa chegar a 14,25%, permanecendo nesse nível até o fim de 2026. Leia também: Hotel de luxo muda para atrair jovens | Empresas.

A nova avaliação considera que a combinação entre desaceleração da atividade econômica brasileira, menor pressão sobre os preços internacionais de energia e melhora marginal no balanço de riscos da inflação criou condições para a continuidade dos cortes, ainda que em ritmo moderado.

O BTG, porém, ressalta que o cenário continua exigindo cautela. A inflação ainda permanece acima da meta, as expectativas dos agentes econômicos seguem pressionadas e fatores como a política fiscal brasileira e a trajetória dos juros americanos podem limitar o espaço para uma redução mais acelerada da taxa. Leia também: Juros nos EUA e estímulos na China ajudam fundos de emergentes, mas techs americanas sobem mais.

Banco vê espaço para cortes, mas mantém cautela com inflação

A revisão da projeção ocorre em meio a uma mudança gradual na percepção do mercado sobre o ritmo da economia brasileira.

Depois de um período prolongado de juros elevados, os efeitos da política monetária começaram a aparecer com maior intensidade sobre setores dependentes de crédito. Empresas passaram a adiar investimentos, enquanto consumidores enfrentaram maior custo de financiamento. Leia também: JBS (JBSS3), Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3): Por que ações caem nos últimos dois dias?.

Para o BTG Pactual, esse processo contribui para reduzir pressões de demanda e ajuda na trajetória de desaceleração dos preços.

A instituição avalia que o ambiente inflacionário apresentou melhora na margem, mas destaca que a convergência da inflação ainda não está consolidada. Leia também: Para Lula, inelegibilidade de Bolsonaro é uma questão da Justiça | Política.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi mantida em 5,3% para 2026 e 4,5% para 2027.

O número ainda representa uma inflação acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central, mantendo a necessidade de uma condução cuidadosa da política monetária. Leia também: BC da Austrália decide manter juros em 4,10% ao ano para ganhar tempo e avaliar economia | Finanças.

Queda do petróleo reduz risco de novos choques internacionais

Um dos fatores considerados pelo banco na revisão do cenário foi a redução das pressões no mercado internacional de petróleo.

A commodity havia sido uma das principais fontes de preocupação para investidores diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A possibilidade de interrupções no fornecimento global elevou o risco de novas pressões sobre combustíveis e inflação.

Com a diminuição desse risco, o ambiente externo passou a apresentar menor pressão sobre os preços de energia.

O petróleo possui impacto relevante sobre a economia brasileira porque influencia diretamente combustíveis, transporte e custos de produção de diversos setores.

A redução desse fator de risco trouxe algum alívio para as expectativas inflacionárias, embora não tenha eliminado as incertezas sobre a trajetória dos preços.

Dólar mais forte altera previsão cambial do BTG

Enquanto revisou para baixo sua projeção para a Selic, o BTG Pactual elevou sua estimativa para o dólar no encerramento de 2026.

A nova previsão aponta a moeda americana em R$ 5,40 ao fim do período, contra R$ 4,90 na estimativa anterior.

Segundo o banco, a mudança está relacionada principalmente à expectativa de juros elevados nos Estados Unidos e a uma postura ainda restritiva do Federal Reserve (Fed).

A política monetária americana é considerada um dos principais fatores externos para economias emergentes. Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a fortalecer o dólar e podem reduzir o fluxo de recursos para mercados como o brasileiro.

No Brasil, o câmbio também tem impacto direto sobre a inflação, especialmente por meio dos preços de combustíveis, produtos importados e componentes utilizados pela indústria.

Dívida pública passa a ser maior preocupação para investidores

O cenário fiscal brasileiro também entrou no radar do BTG Pactual.

O banco elevou sua projeção para a dívida bruta do governo geral, estimando que o indicador alcance 81,6% do PIB em 2026 e 85,8% em 2027.

A revisão considera uma combinação de câmbio mais depreciado e uma avaliação menos favorável sobre a trajetória das contas públicas.

Para investidores, o comportamento da dívida pública é um dos principais indicadores de risco do país. Uma deterioração fiscal pode pressionar os juros futuros, aumentar o custo de financiamento e afetar decisões de investimento.

A relação entre política fiscal e política monetária permanece como um dos pontos centrais do debate econômico brasileiro, já que um cenário fiscal mais expansionista pode dificultar o processo de redução da inflação.

Crescimento econômico deve perder força em 2027

Na atividade econômica, o BTG manteve sua previsão de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

Para 2027, entretanto, reduziu a estimativa de expansão de 1,3% para 1,1%.

A projeção incorpora os efeitos defasados dos juros elevados e uma expectativa de menor impulso fiscal sobre a economia.

O impacto tende a ser mais relevante em setores que dependem de crédito, como construção, varejo e bens duráveis.

Para as empresas, a manutenção de um ambiente financeiro mais restritivo significa maior seletividade nos investimentos e necessidade de controle sobre custos e endividamento.

Exportações continuam como ponto positivo no cenário brasileiro

Apesar das revisões negativas em algumas variáveis, o BTG manteve sua expectativa para o desempenho comercial brasileiro.

A projeção de superávit comercial permanece em US$ 85 bilhões para 2026 e 2027.

O banco considera que as exportações, especialmente de commodities, continuarão desempenhando papel importante para a entrada de divisas no país.

O setor de petróleo segue entre os destaques da pauta exportadora brasileira, mesmo diante da expectativa de preços internacionais mais moderados.

Mercado acompanha próximos movimentos do Copom

A nova projeção do BTG Pactual reforça uma visão de cortes graduais na Selic, sem indicar uma mudança completa no cenário de juros.

Para investidores, a trajetória da taxa básica continuará influenciando decisões em renda fixa, Bolsa e câmbio.

Empresas também acompanham os próximos movimentos do Banco Central, já que juros menores podem reduzir custos financeiros e melhorar as condições para novos investimentos.

O cenário traçado pelo banco combina uma perspectiva de flexibilização monetária com riscos que permanecem relevantes. Inflação, contas públicas, câmbio e decisões dos bancos centrais globais devem continuar determinando o ritmo da economia brasileira nos próximos meses.

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