quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Dívidas renegociadas pela Caixa chegam a R$ 820 milhões no novo Desenrola Brasil

Programa avança em 2026 com acordos para pessoas físicas, estudantes e pequenos empreendedores, em meio ao endividamento elevado das famílias brasileiras

por Maria Helena Costa
20/05/2026 às 09h02
em Economia
Desenrola - Gazeta Mercantil

A Caixa Econômica Federal alcançou R$ 820 milhões em renegociações de dívidas no novo Desenrola Brasil em 2026, segundo dados divulgados pelo banco. O volume envolve acordos firmados com consumidores que possuíam pendências financeiras junto à instituição e reforça o peso do programa em um ambiente de juros ainda elevados, orçamento familiar pressionado e inadimplência relevante no sistema financeiro.

A iniciativa tem como objetivo permitir que pessoas físicas renegociem dívidas bancárias em condições especiais, com descontos mínimos definidos conforme o tipo de crédito e o tempo de atraso. Entre as modalidades contempladas estão cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, empréstimos pessoais, crédito consignado, CDC e contratos do FIES.

O avanço das renegociações ocorre em um momento em que bancos buscam reduzir perdas com crédito inadimplente, enquanto famílias tentam reorganizar o orçamento e recuperar acesso ao mercado de crédito. No caso da Caixa, o saldo total da carteira de crédito informado no último trimestre divulgado chegou a R$ 1,4 trilhão, com índice de inadimplência de 3,71%.

O programa também prevê regras específicas para diferentes perfis de devedores. Em algumas faixas, há limite de renda mensal de até cinco salários mínimos, enquanto outras modalidades podem ter participação mais ampla, de acordo com as condições oferecidas pela instituição financeira.

Caixa amplia renegociação em cenário de inadimplência ainda elevada

A marca de R$ 820 milhões renegociados pela Caixa mostra a adesão de consumidores ao novo Desenrola Brasil. O programa tem funcionado como uma frente de recuperação de crédito para o banco e como uma alternativa de reorganização financeira para famílias endividadas.

A renegociação permite que consumidores troquem dívidas antigas e mais caras por acordos com descontos e novas condições de pagamento. Em muitos casos, os contratos elegíveis precisam ter atraso mínimo de 90 dias para entrar nas regras especiais.

O resultado tem impacto direto sobre a inadimplência bancária. Para as instituições financeiras, acordos dessa natureza permitem recuperar parte de créditos considerados de difícil recebimento. Para consumidores, a renegociação pode abrir caminho para retirada de restrições em cadastros de inadimplentes, desde que o acordo seja formalizado e cumprido.

Embora o banco observe preocupação em segmentos específicos, como o agronegócio, a tendência indicada pela instituição é de estabilização da inadimplência nas demais carteiras. Esse movimento é relevante para o mercado financeiro, porque a qualidade da carteira de crédito influencia provisões, rentabilidade e apetite dos bancos para novas concessões.

Quem pode participar do novo Desenrola Brasil

O novo Desenrola Brasil é voltado a pessoas físicas. Empresas e pessoas jurídicas com CNPJ não podem aderir às regras do programa.

Podem participar consumidores com dívidas em instituições financeiras em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, empréstimos pessoais, crédito consignado, CDC, FIES e outras linhas de crédito bancário.

Em determinadas faixas, o programa pode limitar a participação a pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos. No entanto, algumas renegociações dependem da política adotada por cada banco credor, o que pode permitir condições mais amplas.

O consumidor não precisa fazer cadastro prévio em uma plataforma específica para buscar a renegociação. O procedimento deve ser feito diretamente com a instituição financeira responsável pela dívida, por meio de canais digitais, aplicativos, internet banking, agências ou atendimento oficial.

Regras preveem descontos mínimos conforme o atraso

As regras do programa estabelecem descontos mínimos para determinadas modalidades de crédito. No caso de dívidas de cartão rotativo e cheque especial, os descontos mínimos aumentam conforme o tempo de atraso.

Para atrasos de 91 a 120 dias, o desconto mínimo é de 40%. Entre 121 e 150 dias, sobe para 45%. Dívidas com atraso de 151 a 180 dias têm desconto mínimo de 50%. Para atrasos de 181 a 240 dias, o abatimento mínimo é de 55%.

Nas dívidas mais antigas, os descontos são maiores. Atrasos de 241 a 300 dias têm desconto mínimo de 70%. Entre 301 e 360 dias, o abatimento mínimo chega a 85%. Já pendências com atraso de 361 a 720 dias podem ter desconto mínimo de 90%.

Para cartão parcelado e crédito pessoal, a escala também varia conforme o atraso. Dívidas de 91 a 120 dias têm desconto mínimo de 30%. Entre 121 e 150 dias, o percentual é de 35%. De 151 a 180 dias, chega a 40%.

Nos atrasos mais longos dessas modalidades, o desconto mínimo pode chegar a 80% para dívidas com atraso de 361 a 720 dias. Os percentuais definidos representam piso obrigatório, o que significa que bancos podem oferecer condições melhores.

Passo a passo para renegociar a dívida

O consumidor interessado deve primeiro verificar se a dívida está incluída nas regras do programa. Em geral, entram pendências contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso mínimo de 90 dias.

Depois, é recomendável reunir os documentos necessários antes de procurar a instituição financeira. Entre os documentos mais comuns estão CPF, documento com foto, comprovante de residência e informações do contrato da dívida.

A renegociação pode ser feita pelos canais oficiais do banco, como aplicativo, internet banking, agências ou atendimento remoto. O consumidor deve evitar intermediários não autorizados e conferir se a proposta aparece nos canais oficiais da instituição.

Após receber as condições, o devedor precisa avaliar o valor total do acordo, a quantidade de parcelas, o desconto aplicado, a taxa de juros, a data de vencimento e eventuais encargos. O acordo só deve ser formalizado se couber no orçamento mensal.

A partir de 25 de maio, consumidores também poderão verificar a possibilidade de usar saldo do FGTS para abatimento parcial ou total da dívida, conforme as regras previstas para a modalidade.

Desenrola Fies também avança em renegociações

Além das dívidas bancárias tradicionais, o programa contempla contratos do FIES. O chamado Desenrola Fies permite a renegociação de financiamentos estudantis antigos, com descontos que variam conforme o perfil do estudante, o tempo de inadimplência e as condições do contrato.

A regularização desses débitos é importante porque dívidas do FIES podem comprometer o acesso a crédito e gerar restrições financeiras de longo prazo. Para muitos estudantes e ex-estudantes, a renegociação representa uma oportunidade de reduzir encargos acumulados e reorganizar o pagamento.

Os descontos podem ser mais relevantes em contratos com maior tempo de atraso. Ainda assim, o consumidor deve analisar cuidadosamente o valor final a ser pago e a capacidade de cumprir as parcelas.

A inclusão do FIES amplia o alcance social do programa, ao atingir consumidores que contrataram financiamento educacional e enfrentaram dificuldade para manter os pagamentos em dia após a conclusão ou interrupção do curso.

Programa busca recuperar crédito e aliviar orçamento das famílias

A renegociação de dívidas tem impacto direto sobre o orçamento das famílias. Quando um acordo é concluído em condições sustentáveis, o consumidor pode reduzir juros acumulados, organizar pagamentos e retomar gradualmente o acesso ao crédito.

A regularização também pode resultar na retirada do nome dos cadastros de inadimplência, como SPC e Serasa, conforme os prazos legais e as condições do acordo. Isso melhora a capacidade do consumidor de contratar novos produtos financeiros.

Para os bancos, o programa permite recuperar parte de valores que poderiam permanecer inadimplentes por longo período. A melhora da carteira de crédito também pode reduzir pressão sobre provisões e abrir espaço para novas concessões.

Na economia, o efeito pode aparecer por meio da retomada do consumo, da reorganização financeira de famílias e da redução de restrições no mercado de crédito. O impacto, porém, depende da capacidade dos consumidores de manter os acordos em dia.

Consumidor deve avaliar parcelas antes de fechar acordo

Apesar dos descontos, especialistas recomendam cautela antes da assinatura de qualquer renegociação. O principal risco é aceitar parcelas que não cabem no orçamento e voltar à inadimplência poucos meses depois.

O consumidor deve analisar o valor original da dívida, o desconto concedido, o custo final do acordo, a taxa de juros, o número de parcelas e a data de vencimento. Também é importante verificar se há cobrança adicional ou mudança relevante nas condições.

Todo acordo deve ser formalizado por escrito ou em contrato digital. O documento precisa informar valor original, desconto aplicado, saldo renegociado, número de parcelas, vencimentos e condições de quitação.

A recomendação é priorizar acordos compatíveis com a renda disponível, sem comprometer gastos essenciais como moradia, alimentação, transporte, saúde e educação. A renegociação só é eficaz quando reduz a pressão financeira de forma sustentável.

Bloqueio de apostas online entra nas novas regras

Entre os requisitos previstos nas novas regras está a autorização para bloqueio de acesso a plataformas de apostas online por período mínimo de um ano. A medida busca reduzir o risco de reincidência no endividamento e evitar que parte da renda do consumidor renegociado seja direcionada a apostas.

A inclusão desse mecanismo ocorre em meio ao crescimento do mercado de bets no Brasil e ao aumento da preocupação com seus efeitos sobre o orçamento das famílias. Para consumidores superendividados, gastos recorrentes com apostas podem agravar desequilíbrios financeiros.

A regra também sinaliza maior integração entre políticas de renegociação de crédito e medidas de proteção financeira. O objetivo é tornar o acordo mais sustentável e reduzir o risco de novo ciclo de inadimplência.

Na prática, o consumidor deve observar todas as condições exigidas antes de aceitar a renegociação. Caso a restrição esteja prevista no contrato, ela fará parte das obrigações vinculadas ao acordo.

Renegociação reforça disputa dos bancos por recuperação de crédito

A marca de R$ 820 milhões renegociados pela Caixa no novo Desenrola Brasil reforça a importância dos programas de recuperação de crédito no sistema financeiro. Em um cenário de juros elevados e orçamento familiar pressionado, bancos buscam reduzir inadimplência sem interromper completamente a oferta de crédito.

Para a Caixa, o avanço das negociações também tem peso estratégico. A instituição possui uma das maiores carteiras de crédito do país e forte presença em segmentos como habitação, crédito social, financiamento estudantil e relacionamento com famílias de menor renda.

O desempenho do programa será acompanhado ao longo de 2026, especialmente pela capacidade de transformar renegociações em pagamentos efetivos. A assinatura do acordo é apenas a primeira etapa; a manutenção das parcelas em dia será decisiva para medir o sucesso da iniciativa.

Com o volume já renegociado, o novo Desenrola Brasil se consolida como uma das principais frentes de reorganização de dívidas bancárias no país. Para consumidores, a oportunidade pode representar a retomada do controle financeiro. Para os bancos, o programa pode reduzir perdas e melhorar a qualidade das carteiras de crédito.

LEIA MAIS

Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, prolongando pelo quinto encontro consecutivo...

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

O JPMorgan reduziu de R$ 24 para R$ 22 o preço-alvo das ações do Banco do Brasil (BBAS3) para dezembro de 2027 e manteve recomendação neutra para os...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails
Banco Mundial Nomeia Nobel Michael Kremer Como Novo Economista-Chefe-Gazeta Mercantil
Economia

Banco Mundial nomeia Nobel Michael Kremer como novo economista-chefe

O Banco Mundial nomeou nesta quarta-feira, 16 de setembro, o economista americano Michael Kremer, vencedor do Prêmio de Economia de 2019, para os cargos de economista-chefe do Grupo...

Leia MaisDetails
Super Quarta: Fed Pode Subir Juros Enquanto Copom Deve Cortar Selic Para 13,75%
Economia

Super Quarta: Fed pode subir juros enquanto Copom deve cortar Selic para 13,75%

Brasil e Estados Unidos chegam à Super Quarta desta quarta-feira, 16 de setembro, em momentos opostos de seus ciclos monetários. O Federal Reserve deve elevar os juros americanos...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

06:51:20
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP