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Casas Bahia (BHIA3) registra prejuízo contábil de R$ 1,5 bilhão no 4º trimestre, mas mostra recuperação financeira e crescimento de vendas

por Alice Nascimento
12/03/2026 às 11h21
em Negócios
Casas Bahia (Bhia3) Registra Prejuízo Contábil De R$ 1,5 Bilhão No 4º Trimestre, Mas Mostra Recuperação Financeira E Crescimento De Vendas - Gazeta Mercantil

A Casas Bahia (BHIA3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo líquido de R$ 1,529 bilhão, resultado impactado principalmente por uma provisão contábil de Imposto de Renda diferido de R$ 1,45 bilhão, sem efeito direto no caixa da companhia. Apesar do número expressivo, especialistas e executivos destacam que a medida é prudencial e não compromete a saúde financeira da varejista.

O diretor financeiro da empresa, Elcio Ito, ressaltou que a provisão foi realizada após rigorosos testes de estresse, que levaram em conta cenários macroeconômicos globais, incluindo tensões geopolíticas, inflação elevada e juros altos. “Essa é uma ação de prudência e conservadorismo. O impacto contábil não reflete a liquidez real ou capacidade operacional da companhia”, afirmou o executivo.

Leia também: Intelbras lucra R$ 148 milhões no 3º trimestre de 2025 com alta eficiência financeira e controle cambial.

Prejuízo ajustado evidencia resultados mais positivos

Quando desconsiderada a provisão contábil, o resultado ajustado do trimestre indica um prejuízo de R$ 79 milhões, significativamente inferior à perda de R$ 452 milhões registrada no mesmo período de 2024.

O balanço também aponta despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) de R$ 1,9 bilhão, praticamente estáveis na comparação anual. O resultado financeiro negativo foi de R$ 557 milhões, mas sofreu melhoria em relação ao ano anterior, reflexo da reestruturação do perfil de endividamento finalizada no fim de 2025.

Leia também: FenaCap registra crescimento de 9,7% e reforça alta demanda por soluções financeiras seguras em 2025.

Dívida líquida cai 75%, fortalecendo balanço

Um dos destaques do período foi a redução significativa da dívida líquida da Casas Bahia, que caiu de R$ 4,48 bilhões no terceiro trimestre para R$ 1,13 bilhão, uma diminuição de aproximadamente 75%.

Essa redução impactou positivamente a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, que passou de 1,9 vez para 0,4 vez. Segundo Ito, essa etapa é “fundamental para colocar a companhia em um novo patamar financeiro e operacional”.

Leia também: Vendas no varejo surpreendem expectativas com crescimento de 1% em fevereiro.

Receita líquida e GMV em expansão

A receita líquida da empresa avançou 6,1% no quarto trimestre, alcançando R$ 8,47 bilhões. Já o GMV consolidado cresceu 8,7%, totalizando R$ 13,1 bilhões.

O destaque foi o e-commerce, que registrou expansão de 21,7%, enquanto o GMV das lojas físicas permaneceu estável. As vendas em mesmas lojas tiveram crescimento de 2,6%, reforçando a retomada do consumo mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.

O Ebitda ajustado atingiu R$ 826 milhões, representando alta de 29,1% na comparação anual, com a margem avançando de 8% para 9,8%. A margem bruta também cresceu, passando de 30,8% para 31,5%, refletindo maior eficiência operacional e controle de custos.

Perspectivas e estratégia para 2026

O CFO da Casas Bahia enfatizou que a empresa segue ganhando participação de mercado, mesmo diante de juros elevados e incertezas econômicas. Entre os fatores que podem estimular o consumo em 2026 estão:

  • Proposta de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

  • Eventos de grande impacto econômico, como a Copa do Mundo e as eleições gerais, historicamente geradores de aumento na atividade de consumo.

  • Expansão do crediário próprio, com carteira alcançando R$ 6,6 bilhões, alta de 7% em relação ao ano anterior.

A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 8,6%, com perda líquida de 4,6%, indicador dentro de parâmetros sustentáveis para a operação de crédito da varejista. O objetivo declarado é expandir o crédito de forma prudente e sustentável, atendendo à crescente demanda do consumidor brasileiro.

Reestruturação financeira e impacto no mercado

A redução da dívida líquida e a melhora do Ebitda ajustado indicam que a Casas Bahia finalizou com sucesso seu processo de reestruturação financeira iniciado em 2025. Essa disciplina de capital é considerada estratégica para enfrentar volatilidades econômicas e manter a competitividade no setor varejista, dominado por grandes players como Magazine Luiza e Via Varejo.

Especialistas apontam que, apesar do prejuízo contábil expressivo, a saúde operacional da empresa continua sólida, com fluxo de caixa positivo e capacidade de investimento. A provisão de Imposto de Renda diferido é uma prática comum de empresas de grande porte para se proteger contra riscos fiscais futuros.

Histórico e importância da Casas Bahia no varejo brasileiro

Fundada em 1957 em São Caetano do Sul (SP), a Casas Bahia se consolidou como uma das maiores redes varejistas do Brasil, com atuação nacional em móveis, eletrodomésticos e eletrônicos. A empresa integra o portfólio da Via Varejo, listada na B3 com o ticker VVAR3, e mantém um dos maiores sistemas de crediário próprio do país.

Ao longo das décadas, a companhia foi reconhecida por sua capilaridade, presença em cidades de médio e pequeno porte e forte penetração em classes C e D, segmento que representa parcela significativa do consumo doméstico.

A operação digital vem crescendo consistentemente, com investimentos em logística, tecnologia e experiência do consumidor, alinhando a marca ao cenário de varejo omnichannel. O crescimento de 21,7% no e-commerce no último trimestre evidencia o sucesso dessa estratégia.

Fatores macroeconômicos e desafios

O cenário econômico brasileiro em 2026 apresenta desafios como juros ainda elevados, inflação em patamar acima da meta e incertezas políticas, que podem afetar o poder de compra das famílias.

No entanto, a Casas Bahia adota políticas de gestão conservadoras, reduzindo alavancagem, controlando custos e expandindo crédito de forma responsável. Esses fatores são essenciais para manter a estabilidade e permitir investimentos estratégicos em expansão e tecnologia.

Além disso, fatores externos como variações cambiais, preço de commodities e inflação global também influenciam diretamente o desempenho financeiro, especialmente no e-commerce e na cadeia logística de produtos importados.

Perspectiva de mercado e investimento

Analistas de mercado destacam que, mesmo com prejuízo contábil elevado, a ação BHIA3 mantém atratividade devido à melhora estrutural do balanço, redução de dívida e crescimento de receita. O foco na expansão digital, junto à política de crédito sustentável, coloca a Casas Bahia em posição favorável para capturar participação de mercado em 2026 e anos seguintes.

Investidores observam que a empresa combina:

  • Liquidez saudável e fluxo de caixa positivo.

  • Redução significativa da dívida líquida e baixa alavancagem.

  • Crescimento consistente do e-commerce e estabilidade nas vendas físicas.

  • Estratégia de crédito próprio com inadimplência controlada.

Essa combinação oferece resiliência em cenários macroeconômicos voláteis, mantendo a Casas Bahia como referência no varejo brasileiro.

Indicadores-chave do 4º trimestre 2025

  • Prejuízo líquido: R$ 1,529 bilhão (R$ 79 milhões ajustado).

  • Receita líquida: R$ 8,47 bilhões (+6,1%).

  • GMV consolidado: R$ 13,1 bilhões (+8,7%).

  • Ebitda ajustado: R$ 826 milhões (+29,1%).

  • Margem Ebitda ajustada: 9,8% (+1,8 p.p.).

  • Margem bruta: 31,5% (+0,7 p.p.).

  • Dívida líquida: R$ 1,13 bilhão (-75%).

  • Alavancagem (Dívida Líquida / Ebitda ajustado): 0,4 vez.

  • Carteira de crédito própria: R$ 6,6 bilhões (+7%).

  • Inadimplência > 90 dias: 8,6%.

O desempenho financeiro e operacional reforça a confiança da empresa em manter crescimento sustentável e consolidar posição de liderança no setor varejista brasileiro.

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