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Dinheiro esquecido: 48,7 milhões ainda têm valores a receber

por Antônio Lima
09/12/2025 às 10h29
em Economia
Dinheiro Esquecido: 48,7 Milhões Ainda Têm Valores A Receber - Gazeta Mercantil - Fundada Em 1920

BC alerta: 48,7 milhões ainda têm dinheiro esquecido nos bancos; valor parado chega a R$ 9,9 bilhões

O Banco Central voltou a acionar um sinal de alerta para milhões de brasileiros. Segundo levantamento atualizado até outubro, R$ 9,92 bilhões permanecem esquecidos em instituições financeiras, aguardando resgate por pessoas físicas e empresas. O montante revela um problema persistente: a grande parte da população ainda desconhece que possui valores a receber ou não concluiu o processo de devolução.

De acordo com o BC, 48,7 milhões de pessoas físicas ainda têm dinheiro parado, somando R$ 7,73 bilhões. Entre empresas, são 4,9 milhões de CNPJs, que juntos acumulam R$ 2,19 bilhões em recursos não resgatados. Os valores fazem parte da base de dados do Sistema de Valores a Receber (SVR), mecanismo criado para devolver ao cidadão valores mantidos em contas antigas, tarifas cobradas indevidamente, saldos de consórcios, entre outros.

Leia também: Dinheiro Esquecido: Prazo Final Para Resgate e Como Evitar Perder Seus Valores

Leia também: Seu dinheiro travado: o que acontece se o FGC não pagar os CDBs do Master.

Embora tenha havido campanhas para incentivar o resgate, o estoque continua elevado. Até agora, o órgão já devolveu R$ 12,6 bilhões que estavam parados no sistema financeiro. O dado evidencia, ao mesmo tempo, o alcance da ferramenta e a dificuldade de conscientização do público.

Por que ainda há tanto dinheiro esquecido?

A persistência de valores esquecidos reflete uma realidade comum: milhões de brasileiros possuem contas antigas encerradas sem movimentação, tarifas creditadas ou devoluções de consórcios que nunca foram comunicadas. Em muitos casos, a pessoa sequer sabe que tem direito à restituição.

Leia também: Estrangeiros aportaram R$ 54,9 milhões na B3 em dia de alta do Ibovespa.

Outro fator decisivo é a mudança nas regras ao longo dos últimos anos. Inicialmente, o Banco Central havia previsto o término do resgate em outubro de 2024. Contudo, para evitar prejuízos ao consumidor, o Ministério da Fazenda esclareceu que não há prazo final — os valores permanecem disponíveis enquanto o titular solicitar à instituição financeira.

A orientação, portanto, é inequívoca: quem possui CPF ou CNPJ deve verificar se há recursos a receber.

Como funciona o sistema de consulta

A consulta continua concentrada no sistema do Banco Central, que permite verificar valores de pessoas físicas — incluindo titulares falecidos — e de empresas. Para recuperar o dinheiro, é obrigatório informar uma chave PIX, que será utilizada exclusivamente para o depósito.

Caso o usuário não tenha chave cadastrada, precisa abrir contato com a instituição financeira responsável ou registrar uma chave e retornar ao sistema para solicitar a devolução. Em valores vinculados a pessoas falecidas, apenas herdeiros, inventariantes ou representantes legais podem solicitar o resgate, mediante termo de responsabilidade.

Após a verificação, o cidadão deve contatar as instituições para seguir o procedimento de devolução quando a transferência automática não estiver habilitada.

PIX automático: nova etapa do sistema

Desde maio, o Banco Central implementou uma inovação que promete agilizar o processo: a solicitação automática de valores, disponível para pessoas físicas que possuam chave PIX do tipo CPF.

Com a função ativada, o usuário não precisa mais entrar periodicamente no sistema. Sempre que um valor for identificado em seu nome, a transferência será feita diretamente pela instituição financeira.

O BC reforça que:

  • a adesão é opcional;

  • não há aviso individual de pagamento — o depósito surge na conta vinculada à chave;

  • bancos que não aderiram à devolução automática continuarão exigindo solicitação manual;

  • contas conjuntas também seguem em regime manual.

A novidade amplia a segurança e reduz a burocracia, desde que o cidadão mantenha uma chave ativa e vinculada ao CPF.

Segurança reforçada e alertas contra golpes

Com o aumento de golpes envolvendo supostos “resgates” de valores esquecidos, o Banco Central fortaleceu a camada de segurança do SVR. Agora, o acesso exige conta gov.br nível prata ou ouro e verificação em duas etapas, com validação facial pelo aplicativo oficial.

Essa medida foi criada para reduzir fraudes e proteger dados sensíveis. O órgão também alerta que não envia mensagens, e-mails ou ligações solicitando informações pessoais, códigos de segurança ou senhas. Toda consulta deve ser feita diretamente pelo ambiente oficial, sem intermediários.

O reforço de segurança atende a um cenário de crescente digitalização dos serviços públicos, onde a proteção de dados se tornou essencial para manter a confiança dos usuários e evitar prejuízos financeiros.

Por que os valores permanecem esquecidos?

Segundo técnicos do setor financeiro, a razão central é comportamental: muitos cidadãos deixam de acompanhar contas antigas ou simplesmente não verificam periodicamente se há restituições a receber. Em empresas, a situação se agrava com rotatividade societária, migração de contas e falta de atualização cadastral.

Além disso, valores pequenos — muitas vezes inferiores a R$ 20 — acabam ignorados pelo usuário, ainda que somem bilhões quando analisados de forma agregada.

O Banco Central destaca que, independentemente do valor, todos os recursos pertencem ao cidadão e devem ser recuperados.

Impactos econômicos da devolução

O resgate desses valores redistribui recursos represados no sistema financeiro, gerando impacto especialmente entre famílias de baixa renda. Para especialistas, a liberação desses montantes tem papel de estímulo ao consumo e à liquidez no curto prazo.

A recuperação também beneficia pequenas empresas, que frequentemente possuem valores de tarifas, cobranças indevidas ou saldos remanescentes de contratos antigos.

Ao estimular o resgate, o BC reduz passivos bancários esquecidos e fortalece a transparência no relacionamento entre bancos e consumidores.

Como garantir que o dinheiro será recuperado

Para evitar que valores futuros permaneçam esquecidos, especialistas recomendam:

  • manter dados atualizados nas instituições financeiras;

  • registrar uma chave PIX definitiva;

  • consultar periodicamente valores vinculados ao CPF ou CNPJ;

  • manter controle de contas e consórcios antigos;

  • fortalecer a autenticação em dois fatores no gov.br.

A orientação principal, contudo, permanece: verifique regularmente se há dinheiro esquecido. Milhões de brasileiros ainda têm valores parados sem saber.

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