A Embraer (EMBJ3) ampliou sua presença no mercado japonês com a formalização de um pedido adicional de oito aeronaves E190-E2 pela ANA Holdings, controladora da All Nippon Airways. Com a nova encomenda, a companhia japonesa passa de 15 para 23 pedidos firmes do modelo, além de manter cinco opções de compra. A decisão de aumentar a frota havia sido anunciada pela ANA em 29 de julho e o acordo foi posteriormente comunicado pela fabricante brasileira ao mercado. As primeiras entregas estão previstas para o ano fiscal de 2028 da companhia japonesa.
O aumento representa uma expansão de aproximadamente 53% sobre o pedido firme original de 15 aeronaves feito pela ANA em 2025. Considerando também as cinco opções mantidas pela empresa, a relação comercial poderá chegar a 28 E190-E2. O valor financeiro do contrato adicional não foi divulgado pelas companhias, o que impede calcular com precisão o impacto da encomenda sobre a carteira da Embraer apenas com base no número de aeronaves.
A escolha ganha peso estratégico porque o E190-E2 será utilizado pela ANA em sua malha doméstica japonesa, um mercado caracterizado por elevada frequência de voos e pela necessidade de ajustar a capacidade das aeronaves à demanda de rotas regionais. A holding pretende utilizar o modelo para complementar aviões maiores de corredor único, aumentando a flexibilidade da operação em ligações nas quais uma aeronave de menor capacidade pode produzir melhor equilíbrio entre ocupação e custo.
Pedido firme cresce de 15 para 23 aeronaves
A relação entre ANA e Embraer começou a ganhar forma em fevereiro de 2025, quando a holding japonesa anunciou a seleção do E190-E2 para seu programa de renovação de frota. Naquele momento, foram previstos 20 aviões, dos quais 15 representavam pedidos firmes e cinco eram opções.
A decisão teve importância especial para a fabricante brasileira porque marcou a primeira seleção de uma aeronave da segunda geração dos E-Jets por uma grande operadora japonesa. O Japão já possuía experiência com modelos da primeira geração da família, mas ainda não havia incorporado o E2 à frota de uma companhia do porte da ANA.
Em julho deste ano, a companhia japonesa decidiu adicionar outros oito aviões ao pedido. Com isso, o número de encomendas firmes passou a 23, crescimento de oito unidades sobre a quantidade inicialmente contratada. As cinco opções não foram convertidas em pedidos firmes e continuam disponíveis para uma possível ampliação futura.
O movimento também significa que a ANA decidiu aumentar sua exposição ao modelo antes mesmo da entrada do primeiro avião em serviço. O primeiro E190-E2 está programado para chegar à companhia no ano fiscal de 2028, de modo que a expansão da encomenda ocorre ainda durante a preparação para a introdução da aeronave na malha.
Essa antecipação indica que a empresa está planejando o E190-E2 como parte de uma estratégia de médio e longo prazo para a aviação doméstica, e não apenas como um teste limitado a poucas unidades.
E190-E2 será usado para ampliar flexibilidade no mercado doméstico
A ANA pretende utilizar o modelo principalmente em rotas dentro do Japão. O E190-E2 ocupa uma faixa de capacidade abaixo dos principais aviões de corredor único utilizados pelas grandes companhias aéreas e permite ajustar a oferta a mercados que não necessariamente justificam aeronaves maiores em todos os horários.
Essa característica é especialmente importante em redes nas quais a empresa precisa manter frequência elevada, mas encontra volumes diferentes de passageiros ao longo do dia ou entre diferentes destinos. Em vez de reduzir o número de voos, uma companhia pode utilizar uma aeronave menor e preservar a conectividade com uma quantidade de assentos mais adequada à demanda.
A ANA informou anteriormente que a introdução do modelo faz parte de um plano mais amplo de renovação da frota. Ao anunciar a primeira encomenda, a empresa destacou eficiência operacional, consumo de combustível e capacidade de complementar os aviões maiores já utilizados nas rotas domésticas.
O E190-E2 também utiliza uma configuração de cabine sem assento central, com duas poltronas de cada lado do corredor. Para a Embraer, esse é um dos diferenciais utilizados na disputa por companhias que procuram aeronaves entre os grandes jatos regionais e os menores modelos de corredor único produzidos por Airbus e Boeing.
A fabricante desenvolveu a segunda geração dos E-Jets justamente para ocupar esse espaço, com novos motores, alterações aerodinâmicas, atualização de sistemas e redução de consumo em relação à família anterior.
Japão ganha importância para a estratégia comercial da Embraer
A ampliação do contrato ocorre em um mercado no qual a Embraer já construiu presença com a geração anterior de E-Jets. Aviões da fabricante operam no Japão desde 2009, principalmente em redes regionais, criando uma base de conhecimento operacional que pode facilitar a entrada da nova geração.
A fabricante também anunciou neste ano novos pedidos de E175 da japonesa Fuji Dream Airlines, reforçando sua presença em um país cuja geografia favorece uma extensa malha aérea doméstica. O arquipélago reúne grandes centros urbanos, cidades regionais e aeroportos distribuídos por diferentes ilhas, criando demanda por aeronaves de capacidades variadas.
A chegada do E190-E2 à ANA pode ampliar a exposição comercial da nova geração no país. Como uma das principais companhias aéreas japonesas, a empresa possui escala e visibilidade suficientes para tornar sua operação uma referência para outras transportadoras da região.
Para a Embraer, conquistar pedidos adicionais na Ásia também ajuda a reduzir a concentração geográfica de sua carteira. O mercado norte-americano historicamente possui grande peso para os E-Jets, especialmente por meio das companhias regionais, enquanto Europa, América Latina e, mais recentemente, Ásia e Oceania ganharam importância para a expansão do E2.
O programa já ultrapassou 500 pedidos firmes da segunda geração, segundo dados divulgados pela fabricante neste ano.
Carteira da Embraer chegou a US$ 34,5 bilhões
A encomenda da ANA ocorre em um momento de forte expansão da carteira de pedidos da fabricante brasileira. Ao fim do segundo trimestre de 2026, a Embraer acumulava backlog consolidado de US$ 34,5 bilhões, o maior valor já registrado pela empresa e o sétimo recorde trimestral consecutivo.
O volume cresceu 7% em relação ao primeiro trimestre e 16% na comparação com o mesmo período de 2025. Somente a Aviação Comercial possuía US$ 15,1 bilhões em pedidos a entregar, alta de 15% em um ano.
Esse desempenho tem sido sustentado por novos contratos da família E2 e pela expansão das encomendas de clientes já existentes. Durante o segundo trimestre, por exemplo, um pedido de 15 E195-E2 realizado pela empresa de leasing Azorra contribuiu para levar o programa E2 além da marca de 500 pedidos firmes.
A demanda também aparece em outros mercados. Companhias europeias e empresas de leasing ampliaram encomendas durante 2026, enquanto a Embraer busca aproveitar a necessidade global de renovação de frotas e a escassez de aeronaves novas em determinadas categorias.
Para investidores, o backlog é um dos principais indicadores para acompanhar a fabricante porque representa uma parcela do volume de negócios já contratado para entrega nos próximos anos. Ele não equivale a receita imediatamente reconhecida, já que o faturamento depende do ritmo de produção, das entregas e das condições previstas em cada contrato.
Produção acelerou no primeiro semestre
O desafio da Embraer agora não está apenas em conquistar novas encomendas, mas em transformar a carteira recorde em entregas. A companhia entregou 65 aeronaves no segundo trimestre de 2026, o maior volume para o período em 16 anos e uma expansão de 48% em relação aos três primeiros meses do ano.
No acumulado do primeiro semestre foram 109 aeronaves, cerca de 20% acima das 91 unidades entregues no mesmo período de 2025. Na Aviação Comercial, 20 aviões foram entregues apenas entre abril e junho, o dobro das dez unidades registradas no primeiro trimestre.
A companhia vem trabalhando para reduzir a tradicional concentração das entregas nos últimos meses do ano. Uma produção mais equilibrada ao longo dos trimestres melhora a previsibilidade operacional, reduz pressão sobre fornecedores e facilita a conversão dos pedidos em receita e caixa.
No segundo trimestre, a Embraer registrou receita de R$ 11,3 bilhões e elevou suas projeções financeiras para 2026. A carteira recorde e a melhora na produção são elementos centrais para sustentar a expectativa de crescimento nos próximos períodos.
A encomenda adicional da ANA ainda precisará ser incorporada ao cronograma de fabricação e entrega, respeitando a disponibilidade de posições de produção e os termos comerciais negociados pelas empresas.
Embraer acaba de entregar o 2.000º E-Jet
O avanço no Japão acontece na mesma semana em que a fabricante atingiu outro marco de sua divisão comercial. Na quarta-feira, 2 de setembro, a Embraer celebrou a entrega do 2.000º E-Jet produzido desde o início do programa.
A aeronave comemorativa foi um E195-E2 entregue à Azul. Desde a entrada da primeira geração em serviço, em 2004, a família passou a operar em mais de 90 companhias aéreas distribuídas por mais de 60 países.
A marca ajuda a dimensionar a importância comercial da família para a fabricante. Os E-Jets transformaram a posição da Embraer na aviação mundial ao criar uma alternativa para rotas que exigem menos assentos do que os tradicionais jatos de corredor único, mas capacidade e alcance superiores aos de aeronaves regionais menores.
A segunda geração busca prolongar esse ciclo comercial. Além de clientes que já utilizavam a primeira família, a Embraer procura conquistar companhias que tradicionalmente concentravam suas frotas em modelos maiores.
É justamente nesse contexto que a ANA se torna um cliente relevante. A empresa não está substituindo uma frota anterior de E-Jets da própria companhia por novos modelos; está incorporando o E190-E2 como um novo componente de sua estrutura doméstica.
ANA ampliou pedido antes da primeira entrega
O aspecto mais significativo da encomenda adicional é o momento em que foi realizada. Quando selecionou o E190-E2 em fevereiro de 2025, a ANA havia assumido compromisso firme com 15 aeronaves e preservado cinco opções. Antes de receber qualquer uma delas, decidiu acrescentar mais oito pedidos firmes.
Com isso, a base contratada aumentou 53,3% em relação à encomenda original e chegou a 23 unidades.
As cinco opções ainda oferecem espaço para uma nova expansão sem que seja necessário, necessariamente, iniciar uma negociação comercial completamente nova. Caso todas sejam exercidas, a frota planejada poderá alcançar 28 aviões.
A materialização desse potencial dependerá do desempenho operacional, da evolução da demanda doméstica japonesa e da estratégia de frota da companhia nos próximos anos.
Por enquanto, o número confirmado é de 23 pedidos firmes. As entregas começarão apenas em 2028 e devem marcar a estreia do E190-E2 na operação da ANA.
Para a Embraer, o acordo adiciona mais aeronaves à sua já elevada carteira e fortalece um dos mercados asiáticos mais relevantes para a aviação comercial. Para a companhia japonesa, amplia uma aposta feita antes mesmo de o primeiro avião entrar em serviço — sinal de que o E190-E2 já ocupa uma posição mais ampla no planejamento de frota do que aquela prevista quando o primeiro contrato foi anunciado.
Fontes:
Embraer – informações sobre a encomenda do E190-E2 pela ANA Holdings e evolução da família E-Jets
ANA Holdings – decisão de adicionar oito E190-E2 à encomenda e planejamento de frota doméstica
Embraer – carteira de pedidos do segundo trimestre de 2026
Embraer – dados de entregas de aeronaves no primeiro semestre de 2026
Embraer – resultados financeiros do segundo trimestre e projeções para 2026
Embraer – informações sobre a entrega do 2.000º E-Jet








