Mais de 340 mil empresas correm risco de exclusão do Simples Nacional por dívidas: veja o que muda e como evitar punições
A exclusão do Simples Nacional volta ao centro das preocupações de micro e pequenos empresários em todo o país depois de um alerta emitido pela Receita Federal. Mais de 340 mil empreendedores foram notificados por inadimplência nos parcelamentos ativos, um movimento que acende o sinal vermelho num momento de recuperação lenta do consumo e de aumento da pressão sobre a regularidade fiscal. Com risco real de perder os benefícios do regime, milhares de companhias agora precisam correr contra o tempo para evitar que suas pendências se transformem em problemas estruturais já no início de 2026.
A nova ofensiva do Fisco confirma uma tendência mais rigorosa de fiscalização e reforça que o regime simplificado, apesar das vantagens tributárias, exige disciplina financeira contínua. Segundo dados oficiais, cerca de 250 mil empresas possuem mais de seis parcelas vencidas, situação que, pelas regras do programa, abre caminho imediato para exclusão do Simples Nacional e cancelamento dos acordos de parcelamento. Outras 204 mil receberam um aviso preventivo, indicando atraso inicial, mas sem risco imediato de desligamento.
O alerta ocorre em um momento em que muitos negócios, especialmente no varejo e em serviços, enfrentam margens apertadas, aumento de custos operacionais e queda de circulação financeira. Perder o regime especial pode ser fatal para empresas que dependem da alíquota unificada e das facilidades administrativas para manter sua competitividade.
Um cenário que exige atenção: risco fiscal crescente e aumento da inadimplência
O Simples Nacional reúne seis tributos federais, além de estaduais e municipais, em uma única guia e oferece uma das menores cargas tributárias do sistema brasileiro. Justamente por isso, a notificação de risco de exclusão do Simples Nacional mobiliza intensamente as empresas que dependem do programa para manter sua estrutura de custos viável.
A Receita Federal afirma que, mesmo em caso de cancelamento do parcelamento, os débitos podem ser regularizados de forma administrativa, porém, a perda do regime obriga o contribuinte a migrar para sistemas mais caros e complexos, como o Lucro Presumido ou o Lucro Real. Em muitos casos, isso significa um aumento imediato da carga tributária em patamares superiores a 300%.
Na prática, a exclusão do regime pode provocar uma reação em cadeia que inclui:
• Aumento abrupto das alíquotas
• Necessidade de contratação de nova contabilidade
• Alterações de enquadramento e estrutura jurídica
• Bloqueios cadastrais em órgãos públicos
• Perda de competitividade frente a concorrentes regulares
Empresas com margens já comprimidas podem não suportar essa mudança brusca, resultando em fechamento de atividades, inadimplência estrutural e demissões.
Por que 2025 terminou com aumento das autuações
A intensificação da cobrança reflete um reposicionamento estratégico do governo federal diante da necessidade de recompor receitas e reduzir a inadimplência do setor produtivo. O crescimento acelerado do número de empresas que atrasaram parcelas desde o primeiro semestre acendeu alerta sobre o risco de descontrole fiscal nos programas de parcelamento voltados às micro e pequenas empresas.
Além disso, fatores conjunturais contribuíram para essa deterioração:
• Aumento dos custos de insumos, especialmente alimentos, energia e transporte
• Oscilações agressivas no dólar, encarecendo produtos importados
• Crescimento moderado das vendas no varejo
• Endividamento das famílias, reduzindo consumo
• Reação lenta do crédito corporativo, apesar das tentativas de estímulo
Como resultado, parte expressiva das empresas utilizou o parcelamento como instrumento de sobrevivência financeira, mas não conseguiu sustentar os pagamentos mensais.
Entenda quem está em risco imediato de exclusão do Simples Nacional
A exclusão do Simples Nacional ocorre formalmente quando a empresa descumpre alguma regra de permanência no regime, incluindo atraso prolongado em pagamentos de tributos e parcelamentos.
Ficam imediatamente sujeitas ao desligamento:
• Empresas com mais de seis parcelas vencidas em qualquer modalidade de parcelamento do Simples
• Contribuintes que não regularizarem a inadimplência após notificações
• CNPJs que apresentarem inconsistências em declarações ou omissões em obrigações acessórias
• Empresas com dívidas que superam o limite técnico de permanência no regime
Segundo a Receita, as notificações foram enviadas por correspondência eletrônica, e todas as verificações podem ser feitas pela plataforma de serviços da instituição.
Impacto econômico: o efeito cascata de 340 mil empresas sob risco
Um eventual desligamento em massa do regime especial teria impacto direto no ecossistema econômico, especialmente em comércio, serviços e indústria leve. A exclusão do Simples Nacional, caso se confirme em larga escala, pode:
• Reduzir a capacidade competitiva de pequenos negócios
• Aumentar a informalidade e pressionar a arrecadação futura
• Desestimular programas estaduais de incentivos
• Elevar o custo do crédito para microempresas consideradas de alto risco
• Criar gargalos administrativos na migração obrigatória para outros regimes tributários
Além disso, muitos municípios dependem do ISS recolhido por empresas optantes do Simples, o que também pode afetar receitas locais e planejamento fiscal.
Como regularizar as dívidas e evitar a exclusão do Simples Nacional
O primeiro passo para evitar consequências mais severas é consultar imediatamente a situação fiscal no Portal de Serviços da Receita Federal ou no Portal do Simples Nacional. Essas plataformas permitem analisar pendências, visualizar acordos ativos e emitir guias de pagamento.
Se houver parcelas atrasadas, a orientação oficial é simples: pagar as pendências antes que o parcelamento seja rompido. A antecipação é uma alternativa viável e foi ampliada pelo Fisco em 2025, permitindo quitação antecipada até mesmo de acordos antigos.
Dentre as novidades importantes:
• A antecipação está liberada para todas as modalidades de parcelamento
• É possível antecipar qualquer quantidade de parcelas, inclusive quitar totalmente
• O Documento de Arrecadação do Simples Nacional já inclui a parcela vigente + antecipadas
• A funcionalidade está disponível no e-CAC e no Portal do Simples Nacional
O objetivo é claro: reduzir o risco de exclusão e incentivar a regularidade fiscal contínua.
Por que antecipar pagamentos pode ser vantajoso
Empresas que conseguem antecipar parcelas colhem três benefícios imediatos:
• Redução do impacto de juros acumulados
• Encerramento mais rápido do parcelamento
• Melhora na pontuação cadastral fiscal, facilitando crédito futuro
Além disso, para empresas que pretendem contratar empréstimos ou participar de licitações, a regularidade fiscal é requisito indispensável.
Risco de exclusão em 2026: um alerta para a virada do ano
Com a aproximação de 2026, a exclusão do Simples Nacional se torna ainda mais sensível. A troca de ano fiscal costuma ser o ponto em que a Receita adota medidas mais rígidas, e estar irregular no início do calendário pode impedir:
• Reenquadramento anual
• Renovação da opção pelo Simples
• Participação em programas estaduais de incentivo
• Emissão de certidões negativas essenciais
Empresas excluídas só podem retornar ao regime no ano seguinte, o que pode comprometer o planejamento estratégico.
O que muda para MEIs
Embora o alerta seja focado em pequenas e médias empresas, os Microempreendedores Individuais também precisam estar atentos. Débitos superiores ao limite de tolerância podem resultar em:
• Desenquadramento automático
• Migração obrigatória para Microempresa
• Exigência de contabilidade formal
• Aumento significativo na carga de impostos
O risco é especialmente alto para MEIs que têm crescido rapidamente, mas mantêm registros fiscais desatualizados.
Receita intensifica política de prevenção à inadimplência
As novas notificações fazem parte de uma estratégia mais ampla da Receita Federal para aumentar o diálogo com o contribuinte e prevenir o acúmulo de dívidas impagáveis. O órgão afirma que a meta não é punir, mas estimular a autorregularização.
Essa abordagem reflete uma mudança de postura: em vez de agir apenas no momento de exclusão do Simples Nacional, o Fisco passou a enviar alertas iniciais para permitir que empresas se reorganizem antes de perderem benefícios.
Especialistas avaliam que essa política tende a gerar impacto positivo sobre as finanças públicas e reduzir litígios administrativos.
Regularização digital: como funciona
Todo o processo pode ser feito digitalmente, sem qualquer necessidade de atendimento presencial. Os sistemas oferecem:
• Consulta detalhada dos débitos
• Histórico de parcelamentos
• Solicitação de renegociação
• Emissão de novas guias
• Informações sobre parcelamento RELP-SN, PERT-SN, entre outros
• Opção de antecipação de parcelas
Essa digitalização facilita a vida do empreendedor, mas exige familiaridade com sistemas fiscais.
O que esperar para 2026
O próximo ano será decisivo para a política tributária das micro e pequenas empresas. Em um ambiente de maior fiscalização, a exclusão do Simples Nacional tende a se tornar mais frequente para contribuintes inadimplentes, especialmente diante do esforço de ajuste fiscal do governo federal.
• O Simples será mantido, mas com regras mais rígidas
• Programas de renegociação devem ser ampliados
• A fiscalização sobre operações estaduais será intensificada
• Haverá mais cruzamento de informações com bancos e plataformas digitais
A recomendação geral é que empreendedores iniciem 2026 com a situação fiscal totalmente regularizada.






