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Horário eleitoral começa nesta sexta; veja o tempo de Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Cury

Propaganda gratuita vai até 1º de outubro; Lula terá 5min31s por bloco, Flávio Bolsonaro 4min20s, Ronaldo Caiado 2min02s e Augusto Cury 35 segundos.

por Júlia Campos
28/08/2026 às 10h03
em Política
Eleições 2026: Lula E Flávio Bolsonaro Somam 77% E Deixam Rivais Distantes - Gazeta Mercantil

O horário eleitoral gratuito das Eleições 2026 começa nesta sexta-feira (28) nas emissoras de rádio e televisão de todo o país, inaugurando uma nova fase da disputa que levará mais de 158 milhões de brasileiros às urnas em 4 de outubro. A propaganda seguirá até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, com espaços destinados às candidaturas à Presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.

Embora a transmissão comece nesta sexta, a primeira apresentação dos candidatos à Presidência da República nos programas em bloco ocorrerá no sábado (29). Pela programação definida pela Justiça Eleitoral, presidente e deputado federal ocupam as faixas das terças, quintas e sábados, enquanto as segundas, quartas e sextas-feiras são reservadas às disputas para Senado, deputado estadual ou distrital e governos estaduais.

No rádio, a propaganda presidencial em bloco será transmitida às 7h e ao meio-dia. Na televisão, os programas começam às 13h e às 20h30. Cada bloco destinado exclusivamente aos candidatos à Presidência terá duração de 12 minutos e 30 segundos.

A entrada da campanha no rádio e na televisão representa uma mudança de escala na eleição. Desde 16 de agosto, candidatos já podem pedir votos e realizar propaganda por meios como internet, comícios e materiais impressos. Agora, as campanhas passam também a ocupar faixas obrigatórias da programação de emissoras com alcance nacional, regional e local.

Lula terá 5 minutos e 31 segundos por bloco

A distribuição do tempo presidencial foi formalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral na Resolução nº 23.776, publicada nesta semana. A Coligação Brasil Pronto pra Mais, que sustenta a candidatura à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, ficou com a maior parcela: 5 minutos e 31 segundos em cada bloco.

O Partido Liberal, que disputa a Presidência com Flávio Bolsonaro, terá 4 minutos e 20 segundos. O PSD, de Ronaldo Caiado, contará com 2 minutos e 2 segundos, enquanto o Avante, de Augusto Cury, terá 35 segundos.

Em termos proporcionais, a coligação de Lula concentra aproximadamente 44% dos 12 minutos e 30 segundos disponíveis em cada bloco presidencial. O PL fica com cerca de 35%, o PSD com pouco mais de 16% e o Avante com menos de 5%.

A diferença entre os dois maiores tempos é de 1 minuto e 11 segundos por bloco a favor da coligação que apoia Lula. Considerando as duas transmissões diárias nos dias reservados à Presidência — uma faixa no início da tarde e outra à noite na televisão, além das correspondentes transmissões no rádio — a vantagem acumulada cria maior espaço para a campanha governista desenvolver mensagens mais longas, apresentar propostas e combinar peças diferentes dentro do mesmo programa.

O cálculo não é definido pela posição das candidaturas em pesquisas eleitorais. A legislação considera a representação dos partidos e das federações na Câmara dos Deputados, além da composição das coligações que participam da eleição.

A Coligação Brasil Pronto pra Mais reúne PDT, PSB, Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV — e Federação PSOL/Rede. O PL e o PSD concorrem isoladamente, assim como o Avante.

Ordem de estreia também foi sorteada pelo TSE

Ter mais tempo não significa, entretanto, abrir a sequência do primeiro programa presidencial. A ordem de veiculação foi definida em sorteio realizado durante a elaboração do plano de mídia.

No sábado, o Avante será o primeiro a aparecer, seguido pelo PSD, pelo PL e, por último, pela Coligação Brasil Pronto pra Mais.

Nos programas seguintes haverá rodízio. A legenda ou coligação que tiver aparecido por último passa para a primeira posição no programa posterior, evitando que uma candidatura permaneça sistematicamente com a mesma posição dentro do bloco.

O sistema busca distribuir também a ordem de exposição, um elemento que pode ganhar importância especialmente nos programas noturnos, quando a audiência das emissoras de televisão tende a ser maior.

Além dos blocos, a eleição presidencial terá propaganda espalhada pela programação das emissoras na forma de inserções de 30 segundos.

O plano aprovado pelo TSE prevê 980 inserções presidenciais de 30 segundos ao longo do primeiro turno. Desse total, a Coligação Brasil Pronto pra Mais terá 434, o PL ficará com 339, o PSD terá 160 e o Avante, 47.

Isso adiciona outra frente à estratégia das campanhas. Enquanto os blocos permitem narrativas mais extensas, apresentação de biografias, propostas e ataques políticos estruturados, as inserções funcionam como mensagens curtas repetidas ao longo do dia e capazes de alcançar públicos que não acompanham o horário eleitoral em suas faixas tradicionais.

Rádio e televisão terão duas grandes janelas por dia

Nas terças, quintas e sábados, a programação começa com os candidatos à Presidência. No rádio, eles ocupam o intervalo das 7h às 7h12min30s e das 12h às 12h12min30s. Na televisão, os blocos presidenciais vão das 13h às 13h12min30s e das 20h30 às 20h42min30s.

Logo depois entra a propaganda para deputado federal, completando uma janela total de 25 minutos em cada um desses horários.

Nas segundas, quartas e sextas-feiras, a mesma lógica é aplicada aos demais cargos. O tempo é dividido entre candidatos ao Senado, às assembleias legislativas e aos governos estaduais, obedecendo à distribuição estabelecida pela legislação eleitoral.

A alternância faz com que a campanha presidencial tenha três dias fixos de exposição em bloco por semana até os últimos dias de setembro.

As inserções, contudo, ampliam a presença das campanhas para além dessas janelas, porque são distribuídas ao longo da programação das emissoras.

Eleição de 2026 estreia novas restrições para inteligência artificial

A campanha televisiva de 2026 também ocorre sob uma regulamentação mais rigorosa para conteúdos produzidos ou modificados com inteligência artificial.

A legislação eleitoral exige identificação explícita quando peças de propaganda utilizarem conteúdo sintético multimídia produzido ou alterado por IA ou tecnologia equivalente. O aviso precisa deixar claro ao eleitor que houve fabricação ou manipulação tecnológica e indicar a tecnologia utilizada.

A regra se aplica, por exemplo, a determinadas alterações de imagem e som e estabelece formas diferentes de identificação de acordo com o meio utilizado.

Há também proibição específica para deepfakes utilizadas para beneficiar ou prejudicar candidaturas. A norma eleitoral impede a utilização de conteúdo sintético em áudio, vídeo ou combinação de ambos destinado a criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoas para produzir conteúdo falso ou gravemente descontextualizado capaz de afetar a disputa.

Para as campanhas, isso transforma a produção audiovisual em uma área que exige não apenas estratégia de comunicação, mas também revisão jurídica e técnica. Uma peça produzida para televisão pode posteriormente circular nas redes sociais e aplicativos de mensagens, ampliando tanto seu alcance quanto os riscos decorrentes de eventual irregularidade.

TV continua estratégica mesmo com avanço das redes sociais

A disputa pela televisão ocorre em um ambiente eleitoral significativamente diferente daquele existente quando o horário gratuito se consolidou como principal vitrine das campanhas nacionais.

Redes sociais, vídeos curtos, plataformas de streaming, influenciadores e aplicativos de mensagens passaram a ocupar parte relevante da comunicação política. Ainda assim, rádio e televisão oferecem uma característica difícil de reproduzir integralmente no ambiente digital: distribuição simultânea, obrigatória e gratuita pelas emissoras abrangidas pela legislação.

O horário eleitoral também produz conteúdo que ultrapassa os próprios blocos. Trechos de programas são recortados pelas campanhas, compartilhados nas redes, transformados em anúncios digitais e utilizados para alimentar o debate político durante o restante do dia.

Nesse ambiente híbrido, a quantidade de minutos continua sendo um ativo, mas sua eficiência dependerá cada vez mais da capacidade de transformar cada programa em material para outros canais.

Para Lula, a maior quantidade de tempo permite desenvolver uma campanha televisiva com maior variedade de mensagens. Flávio Bolsonaro parte de uma exposição também elevada e relativamente próxima à do presidente. Já Caiado e Cury precisarão trabalhar com programas significativamente menores, o que tende a aumentar a importância da síntese e da integração com a campanha digital.

Primeiro turno será em 4 de outubro

O horário eleitoral gratuito seguirá no rádio e na televisão até 1º de outubro. O primeiro turno será realizado no domingo seguinte, dia 4.

Além da Presidência da República, os eleitores escolherão governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Caso nenhum candidato à Presidência alcance mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, excluídos votos brancos e nulos, haverá uma segunda votação em 25 de outubro.

Nesse cenário, o horário eleitoral retornará com regras próprias para a disputa entre os dois candidatos classificados. Até lá, os próximos 35 dias transformarão a exposição gratuita no rádio e na televisão em um dos principais ativos das campanhas.

A primeira medida concreta dessa nova etapa ocorrerá já neste sábado, quando Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury farão sua estreia nos blocos presidenciais. A partir daí, além da disputa por votos, começará também uma competição pela eficiência de cada minuto — e, para as candidaturas com menos espaço, de cada segundo — disponível diante do eleitorado.


Fontes:

Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.776, de 25 de agosto de 2026, que estabelece o plano de mídia do horário eleitoral para presidente da República.

Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019, atualizada para as Eleições 2026, com as regras de propaganda eleitoral, horários de rádio e televisão e normas para uso de inteligência artificial.

Tribunal Superior Eleitoral — Calendário das Eleições Gerais de 2026 e orientações sobre o horário eleitoral gratuito.

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