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MOVI3 dispara 13% com lucro acima do esperado: É hora de comprar ações da Movida?

por Ana Luiza Farias
16/01/2026 às 15h00
em Negócios
Movi3 Dispara 13% Com Lucro Acima Do Esperado: É Hora De Comprar Ações Da Movida? - Gazeta Mercantil

Movida (MOVI3) surpreende mercado com lucro acima do guidance e dispara na B3: Análise completa do turnaround

A divulgação da prévia operacional do quarto trimestre de 2025 impulsionou as ações da locadora, que lideraram os ganhos do dia. Analistas revisam projeções e apontam desconto excessivo nos papéis.

O pregão desta quinta-feira (15) na B3, a bolsa de valores brasileira, foi marcado por um movimento tectônico no setor de locação de veículos, protagonizado pela MOVI3. Em um dia de ajustes para o índice geral, as ações da Movida descolaram-se da tendência neutra do mercado para registrar uma valorização expressiva, chegando a subir mais de 13% no intradia. O gatilho para tal euforia foi a divulgação, na noite anterior, da prévia operacional referente ao quarto trimestre de 2025 (4T25), que trouxe números substancialmente acima das expectativas dos analistas e do próprio guidance da companhia.

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O desempenho da MOVI3 não reflete apenas um trimestre positivo, mas sinaliza a consolidação de um turnaround operacional e financeiro que vinha sendo aguardado com ceticismo por parte dos investidores institucionais. Com um lucro líquido de R$ 102 milhões e a alavancagem no menor patamar dos últimos cinco anos, a Movida envia uma mensagem clara de eficiência e disciplina de capital, recolocando-se como uma tese de investimento atrativa em um cenário macroeconômico que começa a desenhar cortes de juros para 2026.

O Salto da MOVI3: Detalhando a Reação do Mercado

Por volta das 12h (horário de Brasília), os papéis da MOVI3 eram negociados a R$ 10,41, registrando uma alta de 10,28%. No momento de maior euforia compradora do dia, a cotação atingiu a máxima de R$ 10,74, o que representou um salto de 13,77% em relação ao fechamento anterior. Este volume de negociação atípico e a forte pressão compradora evidenciam que o mercado estava mal posicionado ou excessivamente pessimista em relação à capacidade de entrega da locadora.

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A reprecificação da MOVI3 ocorre em um contexto onde o setor de Rent a Car (RAC) e Gestão e Terceirização de Frotas (GTF) sofreu, nos últimos anos, com a alta dos juros e a depreciação acelerada dos ativos (carros). A resposta da Movida, apresentada nestes números não auditados, ataca justamente essas duas frentes: melhoria operacional para compensar custos financeiros e gestão eficiente de seminovos para proteger o valor residual da frota.

Análise dos Números: Por que a MOVI3 surpreendeu?

O fato relevante divulgado pela companhia trouxe dados que desmontaram as teses baixistas (bearish) de curto prazo. O destaque absoluto foi o lucro líquido de R$ 102 milhões no 4T25. Este montante representa uma expansão de 65% na comparação com o mesmo período do ano anterior (4T24). Mais impressionante ainda foi a superação do guidance (meta estipulada pela própria empresa) em 24%. Quando uma empresa supera suas próprias projeções com tamanha margem, a credibilidade da gestão junto ao mercado financeiro aumenta exponencialmente, reduzindo o prêmio de risco exigido para carregar o papel MOVI3.

Além da última linha do balanço, a geração de caixa operacional medida pelo Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também mostrou robustez. O Ebitda atingiu R$ 1,5 bilhão no trimestre, um avanço de 20% na base anual. Esse crescimento do Ebitda é vital para a tese da MOVI3, pois demonstra que a operação principal — alugar carros — está gerando caixa suficiente para cobrir as despesas operacionais e sustentar o serviço da dívida.

A receita líquida, por sua vez, somou R$ 3,7 bilhões, uma alta de 13% ante o 4T24. O crescimento de dois dígitos na receita, em um mercado maduro e competitivo, indica que a MOVI3 conseguiu repassar preços (aumentar tarifas) e expandir volumes, ganhando market share ou rentabilizando melhor sua base de clientes existente.

O Fator Desalavancagem: A Chave para o Rali da MOVI3

Se o lucro atrai o olhar do varejo, a alavancagem financeira é o indicador que define o fluxo dos grandes fundos de investimento. O setor de locação é intensivo em capital (capital intensive), exigindo dívida constante para renovação de frota. Em tempos de Selic elevada, a dívida pode corroer todo o lucro.

Nesse quesito, a prévia operacional da MOVI3 trouxe o dado mais celebrado pelos analistas de crédito e equity: a alavancagem financeira, medida pela relação Dívida Líquida/Ebitda, caiu para 2,6x. Este é o menor nível registrado pela companhia nos últimos cinco anos.

Para o investidor de MOVI3, isso significa segurança. Uma alavancagem de 2,6x é considerada saudável e sustentável, afastando riscos de covenants (quebra de contratos de dívida) ou necessidade de aumentos de capital (follow-ons) que diluiriam o acionista. A redução do endividamento relativo é fruto direto da estratégia da gestão de vender ativos menos rentáveis e focar na eficiência do Ebitda.

Visão dos Analistas: Consenso de Compra para MOVI3?

A repercussão entre as principais casas de análise foi imediata e majoritariamente positiva. Bancos de investimento correram para revisar suas planilhas e emitir relatórios recomendando a atenção aos papéis da MOVI3.

O BTG Pactual foi enfático ao classificar os números como uma surpresa positiva. Em relatório, os analistas Fernanda Recchia, Lucas Marquiori, Marcel Zambello e Samuel Alckmin pontuaram que o lucro líquido foi o grande destaque. Para o banco, os resultados reforçam a “capacidade de execução” da Movida. A expressão “capacidade de execução” é crucial aqui: o mercado sabia que a estratégia da MOVI3 era correta no papel, mas duvidava da implementação. Os números provaram a execução. O BTG também salientou que a divulgação antecipada permite que o foco agora se volte integralmente para as estratégias de 2026.

Já a Ágora Investimentos e o Bradesco BBI adotaram um tom de validação de tese. Para eles, a MOVI3 provou sua resiliência em um “ambiente desafiador”. Os analistas André Ferreira e José Ricardo Rosalen sublinharam que o lucro superou não apenas o guidance, mas também o “teto” das estimativas do próprio banco. Eles atribuem esse sucesso à expansão de margens no aluguel, sustentada por ajustes tarifários (aumento do preço das diárias) e um controle de custos rigoroso.

Um ponto nevrálgico abordado pela Ágora foi o segmento de Seminovos. Havia um temor no mercado de que os cortes de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) pudessem derrubar o preço dos carros usados, implodindo a margem da MOVI3 na venda de ativos. Contudo, a estabilidade das margens de Seminovos reportada na prévia indicou uma disciplina férrea na gestão de ativos e preservação de valor.

Dinamismo Comercial e Crescimento da Base

Outro dado que sustenta a alta da MOVI3 é o crescimento da base de clientes, que avançou 17% na comparação anual. Esse indicador é um termômetro da saúde comercial da empresa. Crescer a base de clientes em um ambiente de tarifas mais altas (necessárias para recompor margens) sugere que a demanda por aluguel de carros no Brasil segue aquecida, seja no segmento corporativo, seja no turismo de lazer.

O fortalecimento da base RAC (Rent a Car) é essencial para diluir os custos fixos da companhia. Quanto mais carros alugados, maior a eficiência por veículo. A MOVI3 parece ter encontrado o ponto de equilíbrio ótimo entre o tamanho da frota e a taxa de ocupação, maximizando o retorno sobre o capital investido (ROIC).

Valuation: A Hora de Comprar MOVI3?

Diante de uma disparada de 13%, a dúvida natural do investidor é: “perdi o bonde?”. A análise dos múltiplos e dos preços-alvo sugeridos pelos bancos indica que ainda pode haver um upside (potencial de alta) considerável para a MOVI3.

Os analistas da Ágora/Bradesco BBI reiteraram a recomendação de compra, citando que a MOVI3 negocia a “múltiplos atrativos” e possui fundamentos operacionais robustos. Em termos técnicos, isso significa que o preço da ação na tela (R$ 10,41) ainda não reflete o valor justo da empresa projetado pelos fluxos de caixa futuros, especialmente agora que o risco da dívida diminuiu.

O BTG Pactual também mantém uma visão construtiva, esperando uma trajetória mais normalizada para a depreciação dos carros e citando um cenário macroeconômico mais favorável em 2026, com o Brasil entrando em um ciclo de afrouxamento monetário. Juros menores beneficiam duplamente a MOVI3: reduzem a despesa financeira da dívida e aquecem o mercado de compra de veículos (Seminovos), facilitando a renovação da frota.

Recomendações e Preços-Alvo para MOVI3

O levantamento realizado pelo Money Times, com base em relatórios de grandes instituições financeiras, aponta para um consenso otimista, embora com graus variados de agressividade nos preços-alvo.

  • Santander: É o mais otimista do grupo, com recomendação de Compra e um preço-alvo de **R$ 16,00**. Considerando o fechamento anterior (R$ 9,44), isso implicaria um potencial de valorização de quase 69,49%. Mesmo com a alta de hoje, o papel ainda teria muito espaço para correr.

  • Ágora Investimentos/Bradesco BBI: Mantêm recomendação de Compra com alvo em R$ 14,00, projetando um ganho potencial de 48,31%.

  • BTG Pactual: Recomendação de Compra com preço-alvo de R$ 12,00, o que sugere um upside de 27,12%. É uma visão mais conservadora, mas ainda assim positiva.

  • Safra: O único com recomendação Neutra entre os citados, com alvo em R$ 11,30 (potencial de 19,70%). A postura neutra do Safra geralmente reflete uma cautela maior com o cenário macroeconômico ou uma preferência por outros <i>players</i> do setor, como a Localiza, mas ainda assim reconhece um valor intrínseco acima da cotação atual.

O Cenário Competitivo e Riscos

Apesar do otimismo, investir em MOVI3 exige atenção aos riscos. O setor é altamente competitivo. A MOVI3 disputa mercado com gigantes consolidados que também possuem acesso a capital barato. A guerra de tarifas é sempre um risco latente que pode comprimir margens.

Além disso, a dependência do mercado de Seminovos para o resultado final é uma característica estrutural do negócio. Qualquer alteração abrupta na política de preços das montadoras ou nos impostos sobre veículos novos (como o IPI) afeta diretamente o valor do estoque da MOVI3. A gestão mostrou competência no 4T25 para lidar com isso, mas a vigilância deve ser constante.

Outro ponto de atenção é a curva de juros futura. Embora a expectativa seja de queda, qualquer repique inflacionário que obrigue o Banco Central a manter a Selic alta por mais tempo penalizaria o resultado financeiro da MOVI3, retardando o processo de desalavancagem total.

Um Novo Capítulo para a Movida

A prévia do 4T25 marca um ponto de inflexão na história recente da MOVI3 na bolsa. A empresa sai de uma posição defensiva, onde precisava provar sua solvência e capacidade de gestão de dívida, para uma posição de ataque, focada em crescimento com rentabilidade.

A redução da alavancagem para 2,6x retira um “peso” enorme das costas da companhia, permitindo que o mercado volte a precificar a MOVI3 pelos seus fundamentos operacionais — que se mostraram sólidos com o crescimento de receita e Ebitda — e não apenas pelo risco financeiro.

Para o investidor que busca exposição ao setor de consumo cíclico e mobilidade, a MOVI3 apresenta-se hoje como uma opção descontada em relação aos seus pares e ao seu próprio histórico de múltiplos. A forte alta desta quinta-feira é apenas o ajuste inicial a uma nova realidade de lucros maiores e dívidas menores. Se a companhia mantiver a disciplina de execução ao longo de 2026, conforme projetam os analistas do BTG e Bradesco, a trajetória de recuperação das ações MOVI3 pode estar apenas começando. A volatilidade é esperada, mas os fundamentos, pela primeira vez em muitos trimestres, jogam a favor da locadora.

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