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Ouro fecha em alta com conflito no Oriente Médio e aversão ao risco global

por Camila Braga
04/03/2026 às 20h00
em Economia
Ouro - Gazeta Mercantil

Ouro fecha em alta com escalada no Oriente Médio e reforça papel de proteção global

O ouro voltou ao centro das atenções do mercado internacional nesta quarta-feira (4), encerrando o pregão em alta em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio e à intensificação da aversão ao risco nos mercados globais. O movimento foi sustentado tanto pelo avanço das tensões geopolíticas quanto por uma pausa na valorização do dólar americano, combinação que tradicionalmente favorece os metais preciosos.

Na Comex, divisão de metais da Nymex, o contrato de ouro para abril fechou com valorização de 0,21%, cotado a US$ 5.134,7 por onça-troy. Durante a manhã, o metal chegou a registrar ganhos superiores a 1%, refletindo a busca imediata por ativos de refúgio diante do quinto dia consecutivo de confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Leia também: Cotação do ouro bate recorde de US$ 4.700 com crise diplomática entre Trump e Europa

Leia também: Ibovespa fecha em alta e marca 10ª valorização seguida acima dos 150 mil pontos.

Enquanto isso, a prata para maio recuou 0,34%, encerrando a US$ 82,63 por onça-troy, movimento que evidencia a preferência dos investidores pelo ouro como instrumento primário de proteção em momentos de estresse sistêmico.


Conflito no Oriente Médio sustenta alta do ouro

A valorização do ouro ocorre em um ambiente de incerteza crescente quanto aos desdobramentos militares no Oriente Médio. O confronto entre forças apoiadas pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã mantém o mercado em estado de alerta máximo.

Leia também: Cobre fecha em alta atingindo recorde pela tonelada.

As informações sobre eventuais negociações diplomáticas permanecem desencontradas. O governo iraniano classificou como “totalmente falsa” a informação de que Teerã estaria buscando diálogo com Washington para discutir um cessar-fogo. A ausência de clareza alimenta a percepção de risco prolongado, sustentando a demanda pelo ouro.

Historicamente, o metal precioso é visto como reserva de valor em períodos de instabilidade geopolítica. Em contextos de guerra ou ameaça a cadeias estratégicas globais, investidores institucionais ampliam exposição ao ouro como forma de preservação de capital.

Leia também: Bitcoin hoje cai com tensão entre EUA e Irã e aversão global ao risco.


Estreito de Ormuz amplia tensão e fortalece ouro

Outro foco crítico está no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para transporte global de petróleo e gás. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) afirmou ter “controle total” da região, declaração que intensificou o receio de interrupções logísticas.

Nesta quarta-feira, um navio com bandeira de Malta foi atingido por projétil na área, ampliando o grau de instabilidade. Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a Marinha norte-americana poderá escoltar navios-tanque no estreito, caso seja necessário.

O risco de bloqueio parcial ou total do Estreito de Ormuz traz implicações inflacionárias globais, sobretudo no mercado de energia. Em cenários de choque de oferta, o ouro tende a ganhar relevância como hedge contra inflação e volatilidade cambial.


Dólar perde força e favorece cotação do ouro

A pausa no ciclo de valorização do dólar também contribuiu para o desempenho positivo do ouro. Como o metal é negociado internacionalmente na moeda norte-americana, movimentos de enfraquecimento do dólar tornam o ativo mais acessível para investidores estrangeiros.

A correlação inversa entre dólar e ouro permanece estrutural no mercado financeiro. A combinação de dólar estável e elevação do risco geopolítico criou ambiente propício para recomposição de posições compradas no metal.

Operadores destacam que, mesmo com alta moderada no fechamento, o ouro manteve sustentação técnica relevante acima de patamares psicológicos estratégicos.


Dados econômicos mistos reforçam busca por proteção

O pano de fundo macroeconômico também contribuiu para o movimento do ouro. Nos Estados Unidos, indicadores recentes apresentaram sinais divergentes.

O PMI de serviços medido pelo S&P Global ficou abaixo das projeções, enquanto o índice do ISM superou expectativas. Já o relatório da ADP apontou criação de empregos no setor privado acima do previsto em fevereiro.

A leitura combinada desses dados reforça um cenário de incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia americana. Em ambientes de ambiguidade econômica, o ouro costuma atrair fluxo como instrumento de proteção contra volatilidade.


China, Japão e zona do euro ampliam cenário cauteloso

No exterior, os indicadores também apresentaram comportamento heterogêneo. No Japão e na zona do euro, o PMI de serviços ficou praticamente alinhado às previsões. Na China, dados industriais e de serviços mostraram desempenho misto.

A economia chinesa exerce influência significativa sobre o consumo físico de ouro, tanto para joalheria quanto para reservas estratégicas. Ao mesmo tempo, sinais de desaceleração global aumentam o interesse financeiro pelo metal.

Esse duplo vetor — consumo estrutural e fluxo financeiro — sustenta a relevância do ouro como ativo híbrido, com características de commodity e reserva de valor simultaneamente.


Ouro como ativo estratégico em cenário de risco sistêmico

A valorização recente reforça o papel do ouro como instrumento estratégico em carteiras institucionais. Fundos soberanos e bancos centrais vêm ampliando reservas em metais preciosos nos últimos anos, movimento interpretado como estratégia de diversificação diante de tensões geopolíticas recorrentes.

Em contextos de fragmentação econômica global, o ouro volta a ser percebido como ativo neutro, não atrelado a políticas monetárias específicas. Esse atributo fortalece sua posição em ambientes de disputa geopolítica.

Além disso, o histórico de desempenho do ouro em ciclos de crise reforça sua função como porto seguro em períodos de instabilidade financeira.


Mercado monitora próximos indicadores e evolução militar

A trajetória do ouro nas próximas sessões dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio e da divulgação de novos indicadores macroeconômicos relevantes.

Caso haja intensificação militar ou ameaça concreta ao fluxo energético global, o ouro poderá testar novas máximas. Por outro lado, qualquer avanço diplomático tende a reduzir parte do prêmio de risco embutido nas cotações.

No campo econômico, dados de inflação e emprego nos Estados Unidos serão determinantes para calibrar expectativas sobre política monetária e trajetória do dólar, fatores que influenciam diretamente o comportamento do ouro.


Metal precioso reassume protagonismo nos mercados globais

O desempenho desta quarta-feira confirma que o ouro permanece como termômetro da tensão internacional. A combinação de conflito armado, risco energético e indicadores econômicos mistos reativou o apetite por proteção.

Mais do que uma alta pontual, o movimento sinaliza reposicionamento estratégico de investidores diante de um cenário internacional volátil. O ouro reafirma, assim, sua centralidade em momentos de incerteza sistêmica, consolidando-se como ativo-chave em portfólios globais.

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