O setor de serviços brasileiro registrou crescimento de 1,2% em abril na comparação com março, já descontados os efeitos sazonais, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado superou as expectativas do mercado financeiro, que projetava alta mediana de 0,6%, e evidencia a continuidade da recuperação da principal atividade econômica do país, responsável por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB).
Na comparação com abril de 2025, o volume de serviços avançou 1,9%, enquanto o acumulado do ano registrou crescimento de 2,2%. Em 12 meses, a expansão ficou em 2,9%, mantendo o mesmo ritmo observado até março.
O desempenho reforça a percepção de que a economia brasileira segue sustentada pelo consumo das famílias, pela demanda corporativa e pela recuperação gradual de segmentos ligados à informação, tecnologia e atividades profissionais, mesmo em um ambiente ainda marcado por juros elevados e restrições de crédito.
A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrou ainda que a receita bruta nominal do setor cresceu 1,5% em abril ante março e avançou 8,1% na comparação anual.
Resultado supera projeções e indica retomada mais consistente
O avanço do setor de serviços ficou acima da faixa central das projeções coletadas pelo mercado. Segundo levantamento realizado junto a instituições financeiras, as estimativas variavam entre alta de 0,1% e 1,8%, com mediana de 0,6%.
O dado divulgado pelo IBGE sugere uma aceleração mais forte do que a esperada para o início do segundo trimestre, período acompanhado de perto por economistas e investidores em busca de sinais sobre o ritmo da atividade econômica após a divulgação do PIB do primeiro trimestre.
Embora os indicadores industriais também tenham mostrado evolução recente, o desempenho dos serviços possui peso ainda maior sobre a atividade econômica nacional, dada sua participação predominante na geração de emprego, renda e arrecadação tributária.
Com a alta de abril, o setor de serviços passou a operar apenas 0,3% abaixo do recorde histórico alcançado em outubro de 2025, evidenciando que a atividade permanece próxima dos maiores níveis já registrados desde o início da série histórica da pesquisa, em 2011.
Todas as atividades pesquisadas registraram crescimento
Um dos principais destaques do levantamento foi a disseminação do crescimento entre todos os segmentos monitorados pelo IBGE.
Os serviços prestados às famílias avançaram 1,4% em abril na comparação mensal. O grupo engloba atividades como hotéis, restaurantes, bares, eventos, lazer e turismo, áreas que continuam sendo beneficiadas pela recuperação do consumo e da circulação de pessoas.
Já os serviços de informação e comunicação cresceram 0,5%, mantendo trajetória positiva impulsionada pela digitalização de processos empresariais, expansão de serviços tecnológicos e investimentos em infraestrutura de comunicação.
O segmento de serviços profissionais, administrativos e complementares registrou alta de 0,4%, refletindo a demanda de empresas por terceirização, consultoria, gestão de negócios e serviços especializados.
Na área de transportes, o avanço foi de 0,9%, resultado associado ao aumento da movimentação econômica, logística e fluxo de mercadorias em diversas regiões do país.
A maior expansão mensal ocorreu em outros serviços, grupo que reúne atividades variadas e registrou crescimento de 2,2%.
O resultado disseminado entre todos os segmentos é interpretado por analistas como um sinal positivo para a sustentabilidade da recuperação econômica, uma vez que reduz a dependência de um único setor para impulsionar a atividade.
Serviços de tecnologia seguem próximos do maior nível da série histórica
Apesar do crescimento generalizado, os diferentes segmentos ainda apresentam distâncias distintas em relação aos seus respectivos recordes históricos.
Os serviços de informação e comunicação permanecem como um dos destaques estruturais da economia brasileira. Segundo o IBGE, o segmento operava em abril apenas 0,1% abaixo do maior patamar da série, registrado em fevereiro de 2026.
O comportamento reflete a transformação digital observada nos últimos anos, com expansão de serviços ligados à tecnologia da informação, computação em nuvem, telecomunicações, produção de conteúdo digital e soluções corporativas.
O segmento de serviços profissionais, administrativos e complementares também mostra recuperação consistente, embora ainda opere 3% abaixo do pico alcançado em dezembro de 2014.
No caso dos serviços prestados às famílias, o nível atual permanece 4,7% inferior ao recorde histórico registrado em outubro de 2013, indicando que parte do potencial de recuperação ainda não foi totalmente explorada.
Transportes continuam abaixo do auge registrado em 2023
Embora tenham apresentado crescimento em abril, os transportes seguem abaixo dos níveis máximos observados nos últimos anos.
De acordo com o levantamento do IBGE, o segmento opera atualmente 4,7% abaixo do recorde registrado em março de 2023.
A atividade tem sido influenciada por fatores como oscilações no comércio internacional, custos logísticos, preços dos combustíveis e ritmo da produção industrial.
Mesmo assim, a alta mensal observada em abril sugere melhora gradual do fluxo de cargas e passageiros, acompanhando o fortalecimento da atividade econômica doméstica.
Especialistas apontam que o comportamento do setor de transportes costuma funcionar como um indicador antecedente da economia, uma vez que acompanha diretamente a movimentação de mercadorias e a demanda empresarial.
Comparação anual mostra crescimento em quatro dos cinco segmentos
Na comparação com abril de 2025, quatro das cinco atividades pesquisadas registraram expansão.
Os serviços de informação e comunicação lideraram o crescimento anual, com alta de 6,3%.
Os serviços prestados às famílias avançaram 2,7%, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 1,2%.
O grupo de outros serviços registrou aumento de 3,4% no período.
A única exceção foi o segmento de transportes, que apresentou retração de 1,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Apesar dessa queda pontual, o resultado agregado do setor de serviços permaneceu positivo, sustentado pelo desempenho das demais atividades.
O comportamento dos serviços ligados à tecnologia e comunicação tem sido especialmente relevante para compensar oscilações em setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
Indicador reforça cenário de crescimento moderado da economia
A divulgação dos dados de abril ocorre em um momento de atenção dos agentes econômicos sobre a capacidade de expansão da atividade brasileira ao longo de 2026.
Nos últimos meses, indicadores de produção industrial, mercado de trabalho e consumo das famílias têm mostrado sinais mistos, refletindo os efeitos combinados da política monetária restritiva, da desaceleração global e da recuperação gradual da demanda interna.
Nesse contexto, o desempenho do setor de serviços ganha relevância por representar a maior parcela da economia nacional e por possuir forte correlação com emprego e renda.
O avanço de 1,2% em abril sugere que a atividade econômica iniciou o segundo trimestre em ritmo mais forte do que o previsto pelo mercado.
Além disso, a manutenção do crescimento acumulado em 12 meses reforça a percepção de estabilidade e resiliência do setor diante de um ambiente econômico ainda desafiador.
Para investidores e formuladores de política econômica, o comportamento dos serviços também serve como termômetro para avaliar a intensidade do crescimento do PIB nos próximos meses.
Desempenho dos serviços fortalece expectativas para o PIB em 2026
Com o setor de serviços operando próximo do maior nível de sua série histórica e apresentando crescimento disseminado entre as atividades pesquisadas, os dados de abril aumentam a probabilidade de continuidade da expansão econômica ao longo de 2026.
O resultado divulgado pelo IBGE mostra que a recuperação permanece sustentada por diferentes frentes da economia, incluindo consumo das famílias, tecnologia, atividades empresariais e logística.
Embora persistam desafios relacionados ao crédito, ao ambiente internacional e ao custo financeiro, o desempenho do setor reforça a capacidade de resistência da atividade doméstica.
Como principal componente do PIB brasileiro, o setor de serviços continuará no centro das atenções de economistas, investidores e autoridades econômicas ao longo dos próximos meses, especialmente diante das expectativas para crescimento, emprego e arrecadação tributária no restante do ano.









