quarta-feira, 16 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mercados

Ágora troca Cury por Cyrela e escolhe 5 small caps para investir em setembro

Carteira mantém Copasa, JHSF, OceanPact e Smart Fit; mudança coloca CYRE3 no portfólio, mas um dos catalisadores apontados para a incorporadora deixou de existir antes do início do mês

por Camila Braga
01/09/2026 às 11h16
em Mercados
Cyrela (Cyre3) - Gazeta Mercantil

Foto: Divulgação

A Ágora Investimentos fez uma única alteração em sua carteira recomendada de small caps para setembro: retirou as ações da Cury Construtora (CURY3) e colocou no lugar os papéis da Cyrela Brazil Realty (CYRE3). Copasa (CSMG3), JHSF Participações (JHSF3), OceanPact (OPCT3) e Smart Fit (SMFT3) permanecem no portfólio, que distribui igualmente 20% do capital entre cada uma das cinco empresas.

A mudança não representa uma deterioração da visão sobre a Cury. A avaliação apresentada pela casa foi de que a Cyrela oferece maior liquidez para a carteira, enquanto a tese da companhia substituída continua sendo considerada positiva. Leia também: Carla Zambelli vira ré por porte ilegal de arma.

O portfólio combina empresas expostas a cinco vetores diferentes: saneamento, incorporação imobiliária, ativos de renda recorrente e alta renda, serviços marítimos ligados à indústria de óleo e gás e academias. A diversificação reduz a dependência de um único gatilho econômico, embora não elimine os riscos característicos de ações de menor capitalização.

Entre os papéis escolhidos, a JHSF apresenta o maior dividend yield projetado para 2026 na carteira da Ágora, de 7,3%. Na sequência aparecem Cyrela, com 6,4%; Copasa, com 3,6%; Smart Fit, com 3,3%; e OceanPact, para a qual a projeção indicada é de 0%. Leia também: Ágora Atualiza Carteira Top 10 e Carteira de Dividendos para Setembro.

Os percentuais, porém, não devem ser interpretados como retorno garantido. Dividend yield é apenas uma relação entre os proventos estimados e o preço da ação e pode mudar conforme os resultados das empresas, decisões sobre distribuição de caixa e oscilações das próprias cotações.

Cyrela entra no lugar da Cury

A principal novidade da carteira é a Cyrela (CYRE3). A avaliação favorável da Ágora considera a rentabilidade da incorporadora, a recuperação da geração de caixa e a expansão da participação de produtos destinados ao segmento de menor renda, combinação que tem contribuído para melhorar o perfil operacional do grupo. Leia também: STF tem maioria para validar contribuição assistencial para sindicatos.

No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou lucro líquido de R$ 452 milhões, avanço de 16% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A receita líquida chegou a aproximadamente R$ 2,48 bilhões, enquanto a margem bruta alcançou 34,4%.

A incorporadora também encerrou o período com dívida líquida ajustada inferior à observada no trimestre anterior, outro elemento importante para uma empresa de um setor particularmente sensível ao custo de capital. Leia também: Ainda vale a pena investir?.

Mas há uma mudança relevante em relação ao cenário considerado inicialmente na avaliação da ação.

No começo de agosto, a Cyrela havia anunciado um memorando de entendimentos com a TRX para uma potencial venda de ativos imobiliários ao TRX Real Estate Fundo de Investimento Imobiliário (TRXF11). O portfólio estava avaliado em cerca de R$ 2,14 bilhões e incluía lajes comerciais e participações ligadas a quatro galpões logísticos. Leia também: Tecnologia ajuda pessoas surdas a sentir música.

A operação chegou a ser vista como um possível mecanismo de monetização de ativos e liberação de capital. Esse catalisador, entretanto, deixou de existir antes do início de setembro.

Em 31 de agosto, a Cyrela comunicou oficialmente que TRX e TRXF11 haviam desistido de prosseguir com a potencial aquisição. Como o memorando era não vinculante, o acordo foi encerrado sem multa, penalidade ou obrigação adicional para as partes. Leia também: Google e American Airlines criam tecnologia para reduzir rastros químicos.

Isso significa que o investidor que analisar CYRE3 em setembro não deve considerar a venda do portfólio ao TRXF11 como uma operação futura contratada. A tese passa a depender essencialmente da capacidade operacional da própria Cyrela, da geração de caixa, das vendas de imóveis, das margens e de novas alternativas de monetização que eventualmente sejam estruturadas.

Copasa combina operação defensiva e distribuição de caixa

A Copasa (CSMG3) permanece na seleção da Ágora como a representante de um segmento tradicionalmente mais defensivo: saneamento.

No segundo trimestre, a companhia apresentou receita líquida de água, esgoto e resíduos sólidos de aproximadamente R$ 1,95 bilhão, avanço de 8,9% sobre o mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado atingiu cerca de R$ 762 milhões, crescimento de 11,7%, enquanto o lucro líquido ajustado ficou em R$ 275,5 milhões.

Parte da expansão da receita esteve associada ao efeito tarifário e ao crescimento do volume medido.

A companhia também continua distribuindo recursos aos acionistas. Somente no primeiro semestre de 2026, os juros sobre capital próprio declarados pela Copasa somaram aproximadamente R$ 320,1 milhões. Foram R$ 177,6 milhões referentes ao primeiro trimestre e R$ 142,5 milhões relativos ao segundo.

Embora a projeção de dividend yield da Ágora para CSMG3, de 3,6%, seja inferior à de JHSF e Cyrela, a característica da tese é diferente. O investidor compra exposição a um negócio regulado, com receitas menos dependentes diretamente do consumo discricionário das famílias.

Isso não significa ausência de risco. Tarifas, investimentos, eficiência operacional, regulação e decisões relacionadas ao controle acionário permanecem elementos capazes de modificar substancialmente a avaliação da empresa.

JHSF chega a setembro após resultado recorde

A JHSF (JHSF3), dona de ativos como shopping centers, hotéis, restaurantes, clubes, empreendimentos imobiliários e negócios voltados ao público de alta renda, também foi preservada pela Ágora.

Os números do segundo trimestre ajudam a explicar a manutenção.

A companhia registrou receita bruta consolidada de R$ 985,2 milhões, crescimento de aproximadamente 81% frente ao mesmo trimestre de 2025. O Ebitda ajustado alcançou R$ 502,6 milhões, mais que o dobro do registrado um ano antes, e o lucro líquido ficou em R$ 444,4 milhões.

Nos chamados negócios de renda recorrente, a receita bruta avançou aproximadamente 30%, para R$ 439,6 milhões, enquanto o Ebitda ajustado dessa divisão cresceu 31%, chegando a R$ 197,3 milhões.

Esse componente recorrente é importante para a leitura da JHSF porque reduz, parcialmente, a dependência do ciclo de lançamentos imobiliários.

Na carteira da Ágora, JHSF3 aparece ainda com o maior dividend yield projetado para 2026 entre as cinco ações, de 7,3%.

A contrapartida está no custo financeiro. Empresas intensivas em ativos e capital continuam expostas ao nível dos juros, e a própria JHSF registrou aumento do resultado financeiro negativo na comparação anual. A trajetória da taxa de juros brasileira, portanto, permanece relevante para a avaliação do papel.

OceanPact ganha novo catalisador com combinação com a CBO

A OceanPact (OPCT3) é provavelmente a ação com o evento societário mais importante no horizonte imediato da carteira.

A companhia presta serviços marítimos e opera embarcações utilizadas pela indústria de petróleo e gás. No segundo trimestre, apresentou receita líquida consolidada de aproximadamente R$ 736 milhões e Ebitda ajustado de R$ 256 milhões.

O Ebitda ajustado cresceu 84% sobre o mesmo trimestre do ano anterior, enquanto a companhia registrou lucro líquido de R$ 56 milhões.

Além do desempenho operacional, a OceanPact entra em setembro em uma fase decisiva de sua combinação de negócios com a CBO Holding.

Nesta terça-feira, 1º de setembro, a companhia informou que, depois da aprovação definitiva da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, foram atendidas as condições necessárias para avançar com a transação.

Os conselhos das empresas fixaram 16 de setembro como data de fechamento da operação.

A incorporação prevê a emissão de cerca de 274,6 milhões de novas ações ordinárias da OceanPact destinadas aos acionistas da CBO. A partir de 17 de setembro, esses novos papéis deverão passar a ser negociados na B3.

Para OPCT3, isso acrescenta uma dimensão que vai além do resultado trimestral: o mercado terá de reavaliar escala, frota, endividamento, potenciais sinergias e estrutura acionária da companhia resultante da combinação.

Também haverá risco de execução. Fusões desse porte exigem integração operacional e financeira, e o aumento expressivo do número de ações modifica a estrutura de capital. O teste decisivo virá nos balanços posteriores ao fechamento da transação.

Smart Fit mantém crescimento acima de 20%

A quinta ação da carteira é a Smart Fit (SMFT3), tese mais diretamente associada a crescimento e expansão regional.

No segundo trimestre, a companhia registrou receita líquida de aproximadamente R$ 2,18 bilhões, crescimento de 22% na comparação anual. O Ebitda chegou a R$ 712 milhões, avanço de 24%, enquanto o lucro líquido recorrente ficou em R$ 204 milhões.

A rede encerrou o período com mais de 2,1 mil academias, sustentando uma estratégia de expansão que combina novas unidades, amadurecimento das academias já inauguradas e desenvolvimento de receitas adicionais.

Um dos ativos importantes dentro dessa estratégia é o TotalPass, plataforma corporativa que amplia a capacidade do grupo de monetizar sua rede e alcançar consumidores por meio de benefícios oferecidos por empresas.

O ponto de atenção é que expansão acelerada exige investimento. Quanto maior o ritmo de abertura de unidades, maior a necessidade de capital e maior a importância da disciplina financeira para impedir que crescimento de receita seja acompanhado por deterioração do retorno sobre o capital.

Carteira mistura dividendos, crescimento e eventos corporativos

A composição escolhida pela Ágora para setembro não é uma aposta uniforme em small caps baratas. Cada empresa possui um motor diferente.

A Copasa oferece exposição a saneamento e geração de caixa. A Cyrela reúne o ciclo imobiliário, melhora operacional e potencial de monetização de ativos, embora a transação com o TRXF11 tenha sido cancelada. A JHSF combina incorporação com receitas recorrentes e dividendos. A OceanPact entra no mês às vésperas da implementação de uma transformação societária relevante. A Smart Fit continua apoiada em expansão e ganho de escala.

A carteira fica, portanto, composta por Copasa (CSMG3), Cyrela (CYRE3), JHSF (JHSF3), OceanPact (OPCT3) e Smart Fit (SMFT3), cada uma com peso de 20%.

A principal mudança em relação a agosto é a saída da Cury (CURY3). A substituição foi justificada pela busca de maior liquidez, e não por uma mudança negativa na avaliação fundamental da construtora.

Para setembro, dois eventos merecem atenção especial. O primeiro será a capacidade da Cyrela de apresentar alternativas depois do cancelamento da operação de R$ 2,14 bilhões com a TRX. O segundo ocorrerá em 16 de setembro, data prevista para o fechamento da combinação entre OceanPact e CBO. Esses acontecimentos podem alterar justamente as duas teses que chegam ao mês com os catalisadores corporativos mais relevantes da carteira.

LEIA MAIS

Há 4 Anos, Lula E Bolsonaro Iniciavam Campanhas Que Definiriam A Eleição De 2022 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

A comparação entre os mercados financeiros nos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva mostra resultados diferentes conforme o tipo de ativo e o período...

Leia MaisDetails
Braskem (Brkm5) -Gazeta Mercantil
Mercados

Braskem (BRKM5) despenca após UBS BB cortar preço-alvo para R$ 3,75

As ações preferenciais da Braskem (BRKM5) caíam cerca de 13% nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, depois que o UBS BB reduziu a recomendação dos papéis de...

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje recua para R$ 5,14 antes de decisões do Fed e do Copom

O dólar recua ante o real nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, em uma sessão dominada pelas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos....

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje recua na Super Quarta antes de decisões do Fed e do Copom

O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, em uma sessão marcada pela combinação de decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos,...

Leia MaisDetails
Queda Dos Fiis Exige Análise De Vacância, Crédito E Alavancagem Antes Da Venda-Gazeta Mercantil
Fundos Imobiliários

Queda dos FIIs exige análise de vacância, crédito e alavancagem antes da venda

A queda de uma cota de fundo imobiliário (FII) não significa, por si só, que a tese de investimento deixou de funcionar. Em um mercado influenciado por juros,...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

23:21:28
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP