Exclusivo: Perícia Monumental no Caso Banco Master Deve Congelar Desfecho por até 6 Meses na PGR
O cenário jurídico e financeiro que envolve a recente intervenção e investigação sobre o Banco Master entrou em uma nova e morosa fase de latência técnica. Segundo informações exclusivas obtidas junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), a força-tarefa encarregada de deslindar a complexa teia de transações da instituição financeira deve levar de quatro a seis meses apenas para processar o volume oceânico de dados apreendidos. Este hiato operacional coloca o Banco Master e seus controladores, incluindo o acionista majoritário Daniel Vorcaro, em um limbo jurídico que deve se estender, no mínimo, até o final do primeiro semestre de 2026.
A operação, que visa apurar irregularidades graves na gestão do Banco Master, resultou em uma das maiores apreensões de dados digitais e fiscais dos últimos anos no setor bancário. A complexidade não reside apenas na natureza das transações, mas no volume dos alvos: a PGR terá a hercúlea tarefa de esquadrinhar a quebra de sigilo bancário e fiscal de nada menos que 101 pessoas físicas e jurídicas. Algumas dessas entidades ligadas ao caso do Banco Master possuem movimentações financeiras na casa dos bilhões de reais, o que exige um cruzamento de dados de altíssima precisão para diferenciar operações legítimas de fluxos ilícitos.
O Desafio Pericial da PGR: 101 Sigilos Quebrados
A determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação contra o Banco Master, abriu uma “caixa de Pandora” contábil. Além das quebras de sigilo, a perícia precisará catalogar, descriptografar e analisar o conteúdo extraído de dezenas de computadores e telefones celulares apreendidos em 42 endereços diferentes.
Fontes ligadas diretamente à investigação afirmam que a estrutura do Banco Master e de suas empresas satélites operava com um nível de sofisticação que impede análises superficiais. “Não se trata apenas de olhar extratos. É preciso reconstruir o caminho do dinheiro entre dezenas de CNPJs e CPFs para provar o dolo”, afirmou uma fonte sob condição de anonimato. A análise desse material é o gargalo que define o cronograma de quatro a seis meses.
Diferentemente de investigações convencionais, onde a Polícia Federal (PF) costuma entregar o relatório pronto (“mastigado”) para o Ministério Público, no caso do Banco Master, o ministro Dias Toffoli, relator no STF, ordenou um rito atípico: o material bruto foi encaminhado diretamente para a PGR. Isso coloca sobre os ombros da equipe do procurador-geral Paulo Gonet a responsabilidade primária pela extração de inteligência financeira.
Capacidade Técnica e Cooperação Institucional
Houve, inicialmente, rumores de mercado sobre uma possível tensão entre a PF e a PGR devido a essa mudança de rito processual na investigação do Banco Master. No entanto, fontes de ambas as instituições asseguram que a relação é de cooperação total. A gente tem estrutura para fazer a análise do material, desde a extração de dados brutos até a análise da movimentação financeira”, garantiu a fonte da PGR.
Para dar conta da demanda gerada pelo caso Banco Master, a PGR utilizará softwares de ponta de rastreamento de ativos e inteligência artificial para identificar padrões atípicos. A instituição cita como exemplo de sua capacidade técnica a celeridade com que processou os dados relativos aos ataques de 8 de janeiro, embora o caso do Banco Master envolva uma engenharia financeira substancialmente mais complexa do que a apuração de atos de vandalismo e financiamento de protestos.
Na última quinta-feira, Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reuniram-se para alinhar os ponteiros. O encontro serviu para dissipar qualquer ruído de comunicação. A estratégia definida é de atuação conjunta, com a PF auxiliando nas perícias quando solicitada, garantindo que a prova contra os gestores do Banco Master seja preservada e robusta o suficiente para sustentar eventuais denúncias criminais perante a Corte Suprema.
O Futuro de Daniel Vorcaro e da Diretoria
O horizonte para Daniel Vorcaro, acionista controlador do Banco Master, permanece nublado. A PGR só decidirá se apresentará acusações criminais formais contra ele e outros executivos após a conclusão desta fase pericial de seis meses. Até lá, a defesa dos envolvidos terá acesso limitado ao escopo total do que a acusação está construindo, uma vez que o inquérito corre sob sigilo.
A possibilidade de um acordo de delação premiada no caso Banco Master ainda é considerada remota neste estágio. Segundo apurado, nenhum dos 101 alvos da quebra de sigilo procurou a PGR para negociar colaboração. A estratégia dos investigados parece ser a de aguardar o que a perícia conseguirá efetivamente provar. A fonte da PGR é categórica: uma delação agora seria prematura. É pouco provável que isso ocorra antes da análise dos documentos. E, ainda assim, uma eventual colaboração só seria aceita se trouxesse elementos novos”, destaca.
Isso significa que, para o comando do Banco Master, o silêncio é a estratégia vigente. Contudo, à medida que a perícia avançar e inconsistências forem encontradas nos terabytes de dados apreendidos, a pressão para que executivos de escalões inferiores busquem acordos para salvar a própria pele pode aumentar, alterando a dinâmica do jogo.
Liquidação Irreversível: A Separação das Esferas
Um ponto crucial que precisa ser esclarecido aos investidores e credores é a distinção entre a esfera criminal (conduzida pela PGR/STF) e a esfera administrativa (conduzida pelo Banco Central). Surgiram especulações no mercado de que a investigação poderia levar a uma reversão da liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo BC. A fonte da PGR foi enfática ao negar essa possibilidade.
O foco da investigação é criminal, apurar as eventuais fraudes que ocorreram na gestão do Banco Master. Não se avalia desfazer uma decisão administrativa tomada pelo BC”, afirmou. A liquidação é considerada um fato consumado, baseado em insolvência ou graves violações às normas do sistema financeiro nacional. O trabalho da PGR visa punir os responsáveis (pessoas físicas) pelos atos que levaram o banco a essa situação, e não salvar a pessoa jurídica da instituição.
Portanto, qualquer expectativa de que o STF ou a PGR pudessem intervir para “ressuscitar” o Banco Master operacionalmente é infundada. O foco é a responsabilização penal e o rastreamento de ativos para eventual ressarcimento de prejuízos causados ao sistema e a terceiros.
A Prorrogação do Inquérito e o Rito do STF
Nesta sexta-feira, o ministro Dias Toffoli atendeu ao pedido da Polícia Federal e prorrogou o inquérito sobre o Banco Master por mais 60 dias. Embora a perícia da PGR vá levar até seis meses, a prorrogação do inquérito policial precisa ser renovada periodicamente para manter a validade das diligências em curso.
É comum em investigações de colarinho branco no Supremo que ocorram sucessivas prorrogações. O caso do Banco Master não fugirá a essa regra. A complexidade da teia societária montada pelos investigados exige tempo. A pressa, neste caso, poderia gerar nulidades processuais que a defesa certamente exploraria no futuro.
A supervisão do Supremo Tribunal Federal confere ao caso um peso institucional maior. Diferente de processos na primeira instância, onde recursos podem atrasar o andamento por anos, a tramitação direta na corte máxima, embora garanta foro privilegiado a alguns, também coloca os acusados do Banco Master sob a lupa direta da instância final da justiça brasileira.
Impacto no Sistema Financeiro e “Compliance”
O caso do Banco Master serve como um novo teste de estresse para os mecanismos de compliance do mercado financeiro brasileiro. A facilidade com que movimentações bilionárias atípicas ocorreram antes da intervenção levanta questões sobre a eficácia da fiscalização preventiva.
A análise da PGR sobre as 101 quebras de sigilo poderá revelar não apenas os crimes cometidos dentro do Banco Master, mas também as falhas sistêmicas que permitiram que tais operações passassem despercebidas por tanto tempo. É provável que, ao final dos seis meses de análise, surjam recomendações para o endurecimento de regras de monitoramento bancário.
Investidores institucionais acompanham o desenrolar do caso com lupa. A “contaminação” de reputação é um risco real para parceiros comerciais que operaram com o Banco Master. A análise de dados da PGR poderá implicar terceiros que, sabendo ou não, participaram da cadeia de lavagem ou fraude. Por isso, o mercado adota uma postura de cautela extrema em relação a qualquer ativo ou fundo que tenha tido exposição relevante ao banco.
Tecnologia Forense: O “CSI” Financeiro
A afirmação da fonte de que a PGR possui “estrutura técnica” para realizar a perícia do Banco Master joga luz sobre a modernização do Ministério Público. A análise de dados brutos (Raw Data Extraction) de dezenas de dispositivos móveis envolve quebrar criptografias de aplicativos de mensagens, recuperar arquivos deletados e cruzar geolocalização com horários de transações bancárias.
No caso do Banco Master, o desafio é cruzar esses dados digitais (conversas de WhatsApp, e-mails, rascunhos de documentos) com a realidade fria dos extratos bancários das 101 pessoas investigadas. Muitas vezes, a prova do crime não está no extrato em si — que pode ser maquiado por operações estruturadas — mas na conversa informal que combina a fraude. É esse “ouro” probatório que os peritos da PGR buscarão nos próximos meses.
A utilização de Inteligência Artificial para identificar padrões em movimentações financeiras bilionárias é essencial. A mente humana não consegue processar milhões de linhas de extratos de 101 alvos simultaneamente. O software da PGR buscará o que se chama de “tipologias de lavagem de dinheiro” dentro das contas do Banco Master: fracionamento de depósitos (smurfing), transferências circulares, uso de empresas de fachada e operações de câmbio fictícias.
Um Longo Inverno para o Banco Master
O resumo da ópera para o mercado e para os envolvidos é que nãohaverá desfecho rápido. O caso Banco Master entra agora em hibernação pública enquanto a batalha ocorre nos servidores da Procuradoria-Geral da República.
Para a sociedade, resta a expectativa de que a robustez técnica prometida pela PGR se traduza em uma denúncia sólida, capaz de resistir ao escrutínio da defesa e do judiciário. Para Daniel Vorcaro e os demais investigados, os próximos 180 dias serão de espera tensa, sabendo que cada byte de seus dispositivos eletrônicos e cada centavo de suas contas estão sendo revirados pela elite da perícia forense brasileira.
A liquidação do Banco Master é página virada no âmbito administrativo, mas a história criminal está apenas no prólogo. O tamanho da fraude, se confirmada, e a extensão da rede de cumplicidade só serão conhecidos quando a PGR concluir o que se anuncia como uma das maiores perícias financeiras da década.






