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Dólar Hoje Sobe com Acordo Rússia-Ucrânia e Operação da PF no Radar

por Camila Braga - Repórter de Economia
23/01/2026 às 11h52
em Dólar, Destaque, Economia, Notícias
Dólar Hoje Sobe Com Acordo Rússia-Ucrânia E Operação Da Pf No Radar - Gazeta Mercantil

Dólar hoje sobe com aposta em acordo de paz Rússia-Ucrânia e tensão com Banco Master no radar

O mercado de câmbio opera com viés de alta nesta sexta-feira, refletindo uma complexa engrenagem de fatores geopolíticos globais e ruídos fiscais domésticos. O dólar hoje ganha tração à medida que investidores recalibram suas carteiras diante da possibilidade concreta de um cessar-fogo no leste europeu, ao mesmo tempo em que monitoram as tensões diplomáticas entre Washington e Bruxelas e digerem, no cenário interno, a operação da Polícia Federal envolvendo a RioPrevidência e o Banco Master.

A cotação do dólar hoje não é apenas um reflexo de fluxo cambial, mas um termômetro da aversão ao risco global. A notícia de que os documentos para um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia estão “quase prontos”, conforme anunciado em Davos, alterou a dinâmica dos ativos de risco, fortalecendo a moeda americana frente a divisas emergentes, enquanto o Real sofre pressão adicional de investigações sobre gestão de fundos públicos.

A seguir, a Gazeta Mercantil disseca os vetores que impulsionam a moeda norte-americana e o que esperar para o fechamento desta semana volátil.

O Fator Geopolítico: O “Trade da Paz”

O principal motor para a volatilidade do dólar hoje vem da Suíça. Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, trouxe ao mercado a declaração mais contundente até agora sobre o fim do conflito que se arrasta há anos.

Segundo Zelensky, as negociações intermediadas pelos Estados Unidos avançaram significativamente. Os documentos destinados a pôr fim a esta guerra estão quase prontos”, afirmou o líder ucraniano. A expectativa é que encontros de alto nível, reunindo assessores de segurança nacional de Washington, Kiev e Moscou, ocorram nos próximos dias para selar o que o mercado já apelidou de “Acordo de Davos.

No entanto, o diabo mora nos detalhes. O dólar hoje reage com cautela porque, apesar do otimismo, o ponto nevrálgico da disputa — a soberania territorial no leste da Ucrânia (região de Donbas) — permanece sem solução definitiva. É a questão que ainda não conseguimos resolver”, admitiu Zelensky.

Para o mercado financeiro, a paz é, teoricamente, deflacionária e positiva para o crescimento global. Contudo, a incerteza sobre os termos do acordo gera uma busca por segurança (flight-to-quality). Se o acordo for percebido como frágil ou se a Rússia impuser condições que ameacem o fornecimento de energia para a Europa, o dólar tende a se fortalecer como ativo de refúgio. O documento sobre garantias de segurança para Kiev já foi concluído, mas sua validade está condicionada ao “sim” de Moscou, mantendo o prêmio de risco elevado na curva de juros e no câmbio.

Tensões no Ártico e o “Fator Trump”

Além do front oriental, o dólar hoje também é influenciado pelas renovadas tensões entre os Estados Unidos e a União Europeia. O mercado monitora as declarações da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que nesta quinta-feira (22) alertou para o baixo investimento do bloco na segurança do Ártico.

A região polar tornou-se um tabuleiro de xadrez geopolítico. O ex-presidente e atual figura central da política republicana, Donald Trump, voltou a agitar o noticiário ao reiterar seu desejo estratégico de “anexar” a Groenlândia aos Estados Unidos, embora tenha descartado publicamente uma ação militar para tal fim.

Essa retórica agressiva impacta o dólar hoje através do canal comercial. Trump acenou com a possibilidade de cancelar tarifas punitivas que seriam aplicadas a produtos europeus em fevereiro, numa tentativa de barganha geopolítica. Para o investidor de moedas, essa instabilidade nas relações transatlânticas enfraquece o Euro e, consequentemente, fortalece o Índice Dólar (DXY), que mede a força da moeda americana contra uma cesta de divisas fortes. Quando o DXY sobe, a pressão sobre moedas emergentes como o Real brasileiro é imediata.

Cenário Doméstico: Operação da PF e Risco Institucional

Enquanto o mundo olha para Davos e Kiev, o investidor brasileiro tem motivos de sobra para preocupação interna, o que adiciona volatilidade ao dólar hoje. A Polícia Federal deflagrou uma operação sensível para apurar irregularidades na gestão de recursos da RioPrevidência, o fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro.

O foco das investigações são os aportes bilionários realizados pelo fundo em títulos do Banco Master. A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão na sede da autarquia e em endereços ligados a ex-gestores.

Entre os alvos citados na investigação estão:

  • Deivis Marcon Antunes: Atual presidente do fundo.

  • Euchério Rodrigues: Ex-diretor de investimentos.

  • Pedro Pinheiro Guerra Leal: Ex-gerente de investimentos.

Os dois últimos já haviam deixado seus cargos após as primeiras suspeitas virem à tona. A investigação apura se houve gestão temerária ou fraudulenta na alocação de recursos públicos em ativos de crédito privado de uma instituição bancária específica.

Por que isso afeta o Dólar hoje? O mercado financeiro brasileiro é extremamente sensível a riscos institucionais e fiscais. A RioPrevidência é um dos maiores fundos de pensão do país e garante a solvência do estado do Rio de Janeiro. Suspeitas de rombo ou má gestão em fundos desse porte trazem à memória crises fiscais passadas nos estados, o que eleva a percepção de risco-país (CDS).

Quando o risco Brasil sobe, o investidor estrangeiro tende a retirar capital ou exigir um prêmio maior para manter recursos no país. O mecanismo de saída envolve a venda de Reais e a compra de Dólares, pressionando a cotação do dólar hoje para cima. Além disso, o envolvimento de uma instituição bancária (Banco Master) gera ruídos sobre a saúde do sistema de crédito de médio porte, levando a uma postura defensiva dos grandes gestores.

Análise Técnica e Fundamentos

Do ponto de vista dos fundamentos econômicos, a alta do dólar hoje encontra respaldo no diferencial de juros. Com a economia americana ainda mostrando resiliência e a geopolítica jogando a favor da moeda forte, o carry trade (operações de arbitragem de juros) perde atratividade marginal no Brasil se o risco percebido aumentar.

Analistas consultados pela Gazeta Mercantil apontam que o patamar atual do câmbio já precifica boa parte das incertezas fiscais do governo federal, mas eventos “de cauda” como a operação na RioPrevidência ou uma ruptura nas negociações Ucrânia-Rússia não estão totalmente no preço.

Se o acordo de paz mencionado por Zelensky se concretizar de forma robusta, poderíamos ver um alívio no preço das commodities (especialmente petróleo e grãos), o que ajudaria a inflação global a ceder, mas poderia prejudicar os termos de troca do Brasil (que é exportador dessas matérias-primas). Menos dólares entrando via exportação significa, na teoria, um dólar hoje mais caro.

Por outro lado, se as negociações fracassarem e a guerra escalar, a aversão ao risco global dispara, e o dólar sobe como refúgio seguro. O Brasil, neste cenário, fica “preso” em uma dinâmica onde tanto a paz (via queda de commodities) quanto a guerra (via aversão ao risco) podem pressionar o câmbio no curto prazo.

O Papel dos Bancos Centrais

Não se pode analisar o comportamento do dólar hoje sem olhar para a política monetária. O Federal Reserve (Banco Central dos EUA) segue monitorando esses riscos geopolíticos. Um acordo de paz que impulsione a economia global pode manter a inflação americana pressionada por mais tempo, obrigando o Fed a manter juros altos. Juros altos nos EUA sugam liquidez do mundo todo, fortalecendo o dólar.

No Brasil, o Banco Central observa o câmbio com lupa. Uma desvalorização excessiva do Real impacta a inflação doméstica (pass-through), o que pode obrigar o Copom a manter a Selic elevada por mais tempo. Esse cenário cria um ciclo vicioso: juros altos freiam o crescimento, o que piora a arrecadação fiscal, que por sua vez aumenta o risco-país e pressiona o dólar novamente.

Perspectivas para o Investidor

Para quem precisa comprar moeda ou possui dívidas em moeda estrangeira, o momento exige cautela e proteção (hedge). A volatilidade do dólar hoje deve permanecer alta enquanto não houver clareza sobre:

  1. Os termos finais do acordo Rússia-Ucrânia (especialmente sobre o território de Donbas).

  2. A extensão das investigações na RioPrevidência e se haverá contágio para outros fundos ou instituições financeiras.

  3. A decisão final de Trump sobre as tarifas europeias.

O mercado financeiro opera com base em expectativas. A expectativa de paz trouxe otimismo para as bolsas, mas cautela para o câmbio. A “limpeza” institucional promovida pela Polícia Federal é positiva a longo prazo para a governança do país, mas gera dor e volatilidade no curto prazo.

Em resumo, o dólar hoje reflete um mundo em transição, onde a geopolítica volta a ditar os rumos da economia e onde a governança local é testada. O investidor deve acompanhar o desenrolar das reuniões em Washington e as manchetes policiais no Rio de Janeiro com igual atenção.

A Gazeta Mercantil seguirá acompanhando os desdobramentos da operação da PF e das negociações internacionais, atualizando a cotação e as análises em tempo real.


Aprofundando: Entenda o caso RioPrevidência e Banco Master

Para compreender a profundidade do impacto no dólar hoje, é necessário detalhar a operação policial. A RioPrevidência é a autarquia responsável por pagar as aposentadorias de mais de 100 mil servidores estaduais. A solidez desse fundo é vital para o equilíbrio fiscal do Rio de Janeiro.

As investigações apontam para a compra de títulos privados do Banco Master. Títulos privados, diferentemente de títulos públicos, carregam risco de crédito da instituição emissora. A Polícia Federal investiga se os gestores do fundo, incluindo o presidente Deivis Marcon Antunes, ignoraram análises de risco ou regras de compliance para favorecer o aporte na instituição.

Se confirmado o prejuízo ou a irregularidade, o Estado do Rio pode ter que cobrir o rombo, pressionando suas contas públicas. Em um cenário fiscal federal já desafiador, problemas nos estados são mal vistos pelas agências de classificação de risco e pelos investidores estrangeiros, servindo de combustível para a alta do dólar.

O dia é de monitoramento intenso. O dólar hoje serve como o principal indicador de estresse do mercado. A combinação de esperança de paz na Europa com medo de corrupção e má gestão no Brasil cria um cenário perfeito para oscilações bruscas. O investidor deve evitar movimentos precipitados e focar na diversificação de portfólio para navegar por este período de turbulência.

A cotação segue sensível a qualquer nova declaração de Zelensky ou de autoridades brasileiras sobre a operação policial. Fique atento às atualizações.

Tags: acordo de paz UcrâniaBanco Master RioPrevidênciacotação do dólarCotação Dólar Comercialdolar hojeguerra Rússia Ucrâniaoperação Polícia Federal RJrisco fiscal BrasilZelensky Davos

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