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Feriado de 7 de Setembro deve movimentar R$ 1,9 bilhão no turismo de SP

Projeção da Fhoresp indica que alimentação fora do lar ficará com cerca de 86% dos gastos; feriado em uma segunda-feira favorece viagens curtas pelo Estado

por Letícia Nóbrega
02/09/2026 às 15h34
em Economia
Edson Pinto, Diretor Executivo Fhoresp - Foto: Divulgação

Edson Pinto, diretor executivo Fhoresp - Foto: Divulgação

O feriado prolongado de 7 de Setembro deve movimentar entre R$ 1,84 bilhão e R$ 1,90 bilhão nos setores de alimentação e hospedagem do Estado de São Paulo entre sábado, 5, e segunda-feira, 7. A estimativa da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo, a Fhoresp, aponta que restaurantes, bares e outros estabelecimentos de alimentação fora do lar concentrarão a maior parcela do consumo, enquanto hotéis e pousadas ficarão com uma fatia menor, mas ainda relevante, do movimento econômico previsto para os três dias.

Dos quase R$ 1,9 bilhão projetados, entre R$ 1,59 bilhão e R$ 1,63 bilhão deverão passar pelo segmento de alimentação. Na hospedagem, a expectativa varia de R$ 254 milhões a R$ 261 milhões. Em termos proporcionais, isso coloca restaurantes, bares, lanchonetes, cafeterias e negócios semelhantes com aproximadamente 86% do movimento estimado, ante cerca de 14% dos meios de hospedagem. Leia também: Motim de mercenários na Rússia não deve gerar impactos econômicos, avaliam especialistas | Mundo.

A posição do feriado no calendário ajuda a explicar a projeção. A Independência do Brasil será celebrada em uma segunda-feira, criando três dias consecutivos de descanso sem necessidade de que o trabalhador utilize um dia útil adicional para formar o período prolongado. Esse desenho tende a favorecer deslocamentos de curta duração entre a Região Metropolitana de São Paulo, o litoral, o interior e as estâncias turísticas, espalhando consumo por diferentes regiões do Estado.

Alimentação deve responder por mais de R$ 1,6 bilhão

A diferença entre alimentação e hospedagem não decorre apenas do comportamento específico dos turistas. O universo de consumidores atendidos pelos restaurantes é muito maior. Mesmo quem viaja para uma casa própria, imóvel alugado por temporada ou residência de familiares pode consumir em bares, restaurantes, padarias, cafeterias e outros estabelecimentos durante o feriado sem gerar uma diária de hotel. Leia também: Bitcoin e ether sustentam ganhos em dia de liquidez reduzida com feriado nos EUA | Criptomoedas.

Moradores que permanecem em suas cidades também contribuem para essa movimentação ao aumentar gastos com lazer, refeições e encontros durante os dias de descanso. Por isso, o impacto de um feriado prolongado na alimentação costuma alcançar uma base mais ampla do que aquela observada exclusivamente na hotelaria.

A própria estrutura do mercado paulista mostra essa diferença. A Fhoresp estima que alojamento e alimentação deverão movimentar aproximadamente R$ 209,6 bilhões em todo o ano de 2026. Desse valor, cerca de R$ 180,7 bilhões correspondem à alimentação e R$ 28,9 bilhões à hospedagem. Em outras palavras, a alimentação responde por pouco mais de 86% do mercado anual estimado, uma proporção bastante próxima daquela observada na projeção específica para o 7 de Setembro. Leia também: MME indica novos diretores na ENBPar e deve trocar conselho | Empresas.

Os números também mostram que a importância econômica dos três dias não é pequena. A faixa de R$ 1,84 bilhão a R$ 1,90 bilhão corresponde a aproximadamente 0,88% a 0,91% de todo o mercado anual de alojamento e alimentação estimado pela Fhoresp para São Paulo. Considerando uma média simples da atividade anual distribuída por 365 dias, três dias representariam cerca de R$ 1,72 bilhão. O ponto médio da projeção para o feriado, de R$ 1,87 bilhão, fica aproximadamente 8,5% acima dessa referência aritmética.

A comparação não substitui o modelo estatístico da entidade, que incorpora sazonalidade, histórico de demanda, posição do feriado no calendário e comportamento da mobilidade. Ela ajuda, porém, a dimensionar a concentração de atividade esperada para o período. Leia também: Rihanna é a primeira artista feminina a ter dez músicas ultrapassando 1 bilhão de plays no Spotify | Mundo.

O efeito das viagens curtas

A expectativa para setembro está alinhada com a avaliação que a própria Fhoresp vem fazendo desde o início do ano sobre o efeito dos feriados prolongados na economia paulista. Edson Pinto, diretor-executivo da Federação, tem chamado atenção especialmente para o potencial das viagens de menor duração dentro do próprio Estado, favorecidas por datas que criam fins de semana de três dias.

Ao avaliar o calendário de 2026, Pinto afirmou que “essas datas vão beneficiar quem quer realizar viagens mais curtas, para conhecer o próprio estado, por exemplo”. Segundo o diretor-executivo, o efeito não se limita diretamente a hotéis e restaurantes, porque o aumento do fluxo de visitantes movimenta também outros serviços e pode ampliar a demanda por trabalhadores em períodos de maior consumo. Leia também: Com fim da quarentena, Guedes monta curso de MBA e deve ajudar Tarcísio | Política.

O 7 de Setembro se encaixa exatamente nesse perfil. São Paulo possui grandes centros emissores de turistas relativamente próximos de regiões de praia, estâncias climáticas, destinos gastronômicos e cidades de turismo rural. Essa proximidade reduz o tempo necessário de deslocamento e torna viagens de dois ou três dias mais viáveis.

Para bares, restaurantes e hotéis, a concentração de clientes num intervalo curto também exige preparação. Estoque, escala de funcionários, compras de alimentos e bebidas e disponibilidade de quartos precisam ser dimensionados de acordo com a expectativa de movimento. Em cidades cuja economia depende fortemente de turismo, um feriado prolongado pode provocar uma elevação bastante concentrada da demanda.

R$ 1,9 bilhão não significa receita adicional do feriado

A projeção precisa ser interpretada corretamente. O valor entre R$ 1,84 bilhão e R$ 1,90 bilhão representa a movimentação econômica esperada durante os três dias, e não uma receita extraordinária criada integralmente pelo feriado.

Parte dessas despesas ocorreria mesmo se o período fosse um fim de semana convencional. Famílias continuariam fazendo refeições fora de casa, hotéis receberiam hóspedes e estabelecimentos de lazer teriam movimento normal. O que o feriado acrescenta é uma combinação de maior mobilidade, aumento da permanência fora do domicílio e redistribuição dos gastos para cidades turísticas e estabelecimentos beneficiados pelo período prolongado.

A metodologia utilizada pelo Núcleo de Pesquisas e Estatísticas da Fhoresp tenta captar justamente essa diferença. O estudo, coordenado pelo economista Luís Carlos Burbano, utiliza como base informações das Contas Nacionais e da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, além de séries históricas, fatores sazonais, calendário e padrões de mobilidade registrados em períodos comparáveis.

A entidade também utiliza modelos de séries temporais para estimar o comportamento do mercado. Dessa forma, a projeção não resulta simplesmente da divisão do faturamento anual pelo número de dias do ano.

Receita do setor cresce mais rápido que volume

Outro fator importante para interpretar os quase R$ 1,9 bilhão é a evolução dos preços e do gasto médio. Os indicadores acompanhados pela Fhoresp mostram que, em 2026, a receita nominal de alojamento e alimentação vem crescendo mais rapidamente que o volume efetivamente consumido.

Em junho, o índice de receita nominal de alojamento e alimentação alcançou 137,4 pontos, ante 126,5 pontos no mesmo mês do ano anterior. A diferença corresponde a uma expansão próxima de 8,6%. Na alimentação, o índice passou de 128 para 140,4 pontos, crescimento de aproximadamente 9,7%, enquanto o alojamento avançou cerca de 4,5%, de 121,2 para 126,6 pontos.

Esse comportamento mostra que aumento de faturamento não pode ser interpretado automaticamente como crescimento equivalente do número de refeições, diárias ou consumidores. Parte da expansão nominal pode vir de preços mais elevados, mudanças no tíquete médio e composição diferente do consumo.

Esse ponto é relevante para os empresários. Um restaurante pode faturar mais durante o feriado sem necessariamente receber um aumento de clientes na mesma proporção. Da mesma maneira, um hotel pode registrar receita maior mesmo com ocupação semelhante, caso a diária média esteja mais alta.

Fluxo nas estradas mostra dimensão dos feriados

A movimentação registrada nas rodovias paulistas em outros feriados de 2026 ajuda a medir a capacidade desses períodos de deslocar consumidores pelo Estado. Durante Corpus Christi, mais de 22 milhões de veículos circularam pela malha concedida entre 2 e 8 de junho, segundo a Artesp.

Foi o maior fluxo registrado até então no ano. Em Tiradentes, haviam sido contabilizadas 18,9 milhões de passagens, enquanto o feriado do Dia do Trabalho registrou 17,8 milhões e a Páscoa, 16,2 milhões. O movimento de Corpus Christi ficou aproximadamente 17% acima daquele observado em Tiradentes.

Esses números não podem ser convertidos diretamente em faturamento de hotéis e restaurantes, porque uma passagem por rodovia não representa necessariamente um turista ou consumidor adicional. O dado, porém, fornece uma medida da intensidade dos deslocamentos nos períodos prolongados e ajuda a explicar por que essas datas possuem peso relevante nas projeções de alimentação e hospedagem.

A distribuição geográfica do consumo também importa. Parte do dinheiro gasto por moradores da Região Metropolitana pode migrar temporariamente para municípios do litoral ou do interior, enquanto destinos turísticos registram maior procura por alimentação, hospedagem, combustível, lazer e comércio.

Outros feriados prolongados ainda vêm pela frente

O calendário continuará oferecendo datas favoráveis ao setor depois do Dia da Independência. Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, cairá novamente numa segunda-feira. Finados, em 2 de novembro, terá a mesma configuração. O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra será celebrado numa sexta-feira, 20 de novembro, e o Natal também cairá numa sexta-feira.

A Proclamação da República, em 15 de novembro, será a principal exceção entre os feriados nacionais do segundo semestre, porque ocorrerá num domingo.

Essa sequência ajuda a sustentar a expectativa da Fhoresp para 2026. Em projeção divulgada no primeiro trimestre, a entidade estimou faturamento de aproximadamente R$ 211 bilhões para alimentação fora do lar e alojamento no Estado ao longo do ano, avanço de cerca de 9% sobre os R$ 193,6 bilhões registrados em 2025.

A estimativa mais recente de tamanho do mercado, utilizada especificamente no estudo do 7 de Setembro, está em aproximadamente R$ 209,6 bilhões. A diferença entre as duas projeções mostra que estimativas produzidas em momentos distintos do ano podem ser atualizadas conforme entram novos dados de atividade, preços e comportamento da demanda.

Para os estabelecimentos, o resultado efetivo do próximo feriado dependerá de variáveis que vão além do calendário. Condições meteorológicas, preços de combustíveis, pedágios, tarifas de hospedagem, renda das famílias e disposição para consumir influenciam a decisão de viajar e o gasto realizado nos destinos.

A próxima etapa será confrontar a projeção com dados efetivos de faturamento, ocupação e tráfego depois de 7 de Setembro. Esse resultado mostrará quanto dos quase R$ 1,9 bilhão previstos pela Fhoresp de fato passou por restaurantes, bares, hotéis e pousadas e quais regiões conseguiram capturar a maior parcela do movimento gerado pelo primeiro grande feriado prolongado do segundo semestre.

Fontes:

Fhoresp – estudo do Núcleo de Pesquisas e Estatísticas sobre a movimentação econômica do feriado prolongado de 7 de Setembro de 2026

Fhoresp – projeção anual para os setores de Alimentação Fora do Lar e Alojamento e declarações de Edson Pinto sobre o impacto dos feriados prolongados

IBGE – Pesquisa Mensal de Serviços e indicadores de receita e volume dos serviços de alojamento e alimentação em 2026

Artesp – registros de tráfego nas rodovias concedidas de São Paulo durante os feriados prolongados de 2026

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