Flávio Bolsonaro (PL) levou sua campanha presidencial à Avenida Paulista nesta segunda-feira, 7 de setembro, em uma mobilização marcada por ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pedidos pela saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal e manifestações de apoio a André Mendonça. O candidato dividiu o palanque com Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Silas Malafaia e outras lideranças da direita.
Ao discursar, Flávio repetiu as palavras de ordem “Fora Lula” e “Fora Moraes” e procurou associar politicamente o presidente ao ministro do STF. O senador afirmou ainda que Moraes “vai cair” e disse que pretende indicar cinco ministros para o Supremo caso seja eleito.
A conta mencionada pelo candidato depende, porém, de fatores que não estão sob controle exclusivo do presidente da República. O número de vagas disponíveis no STF durante um eventual mandato de Flávio dependerá de aposentadorias compulsórias, outras vacâncias e da situação das indicações pendentes. Uma eventual saída antecipada de Moraes, considerada no cálculo político apresentado pelo candidato, não está definida.
A mobilização havia sido organizada como parte da campanha presidencial, mas ganhou novo conteúdo nos dias anteriores ao feriado após a divulgação de informações envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A crise entre Moraes e André Mendonça tornou-se uma das principais bandeiras dos discursos na Paulista.
Flávio vincula Moraes a Lula e promete mudanças no Supremo
Flávio foi o último dos principais nomes a falar e concentrou seu discurso na eleição presidencial, no STF e na situação de Jair Bolsonaro.
O senador voltou a contestar a condenação do pai e acusou integrantes das instituições de perseguição política. As declarações representam a posição do candidato e de seus aliados e não conclusões estabelecidas pelas autoridades envolvidas.
Flávio também prometeu subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado do pai caso vença a eleição. Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre pena em regime domiciliar.
Na segurança pública, Flávio afirmou que pretende classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas se chegar à Presidência. A proposta foi apresentada como parte de sua política de combate ao crime organizado.
Tarcísio cobra reação institucional e reforça apoio a Flávio
Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo paulista, afirmou que as revelações relacionadas a Moraes precisam ser esclarecidas e declarou que ninguém está acima da lei.
O governador não pediu diretamente o impeachment do ministro, mas cobrou atuação do Senado e defendeu a eleição de uma bancada de direita mais numerosa na Casa.
Tarcísio também reforçou seu apoio a Flávio e exaltou Jair Bolsonaro. Sua presença tem peso na campanha porque o governador foi apontado durante meses como possível candidato presidencial, antes de optar pela tentativa de reeleição em São Paulo.
A disputa pelo Senado apareceu de forma recorrente nos discursos. Com duas das três vagas de cada Estado em jogo em 2026, serão renovadas 54 das 81 cadeiras. Cabe ao Senado processar eventuais pedidos de impeachment contra ministros do STF e aprovar indicações feitas pelo presidente da República para a Corte.
Nikolas e Malafaia aumentam pressão sobre Moraes
Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou que pretende promover uma manifestação em Macapá no domingo, 13 de setembro, para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em relação a um pedido de impeachment contra Moraes.
O deputado também dirigiu críticas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Silas Malafaia adotou um dos discursos mais duros contra Moraes. O pastor pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que afaste o ministro e argumentou que sua crítica era dirigida a Moraes, e não à Corte como instituição.
Ao mesmo tempo, participantes fizeram demonstrações de apoio a André Mendonça. O ministro, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, retirou em 1º de setembro o sigilo de relatório da Polícia Federal relacionado ao caso Master. Posteriormente, Moraes pediu apuração sobre a atuação do colega.
Essa divisão permitiu aos aliados de Flávio concentrar os ataques em Moraes sem direcioná-los indistintamente ao Supremo.
Palanque também mira eleição para o Senado
A mobilização reuniu nomes como Marco Feliciano, Sóstenes Cavalcante, Sergio Moro, Deltan Dallagnol, Valdemar Costa Neto e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, além de candidatos e dirigentes de partidos aliados.
Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, atacou Lula e Moraes. Guilherme Derrite, candidato ao Senado por São Paulo, defendeu o impeachment de autoridades do Supremo e criticou Alcolumbre pela condução dos pedidos contra ministros da Corte.
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, voltou a relacionar a vitória de Flávio à situação jurídica de Jair Bolsonaro.
O conjunto dos discursos mostrou que a estratégia eleitoral da direita não está concentrada apenas na Presidência. O Senado é tratado como prioridade por causa de suas atribuições sobre o STF e da renovação de dois terços de suas cadeiras.
Michelle Bolsonaro não participa
Michelle Bolsonaro não compareceu à Paulista, apesar de ter sido anunciada anteriormente entre as presenças esperadas.
A ex-primeira-dama permaneceu em Brasília para acompanhar Jair Bolsonaro. Segundo sua assessoria, a decisão ocorreu enquanto ainda não havia despacho sobre pedido da defesa relacionado à presença de outro cuidador quando Michelle precisasse se ausentar para compromissos eleitorais.
Michelle disputa uma vaga no Senado pelo Distrito Federal e permanece entre os principais nomes do PL na campanha de 2026.
Público ainda não tem estimativa independente consolidada
Até o encerramento dos principais discursos, não havia estimativa independente consolidada sobre o número de participantes.
Dirigentes do PL haviam estabelecido como objetivo reunir aproximadamente 100 mil pessoas, mas a meta dos organizadores não pode ser apresentada como público efetivamente registrado.
Sem uma medição independente acompanhada de metodologia conhecida, também não é possível classificar a mobilização como a maior ou uma das maiores da campanha.
Flávio busca reduzir vantagem de Lula
A ofensiva ocorre em um momento de aproximação entre Flávio e Lula nas pesquisas, principalmente nas simulações de segundo turno.
No Datafolha divulgado em 3 de setembro, Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Augusto Cury (Avante) registra 8%.
No confronto direto, a diferença diminui: Lula tem 46% e Flávio, 44%, resultado que configura empate técnico dentro da margem de erro.
Outros levantamentos divulgados na mesma semana também mostraram Lula com vantagem mais clara no primeiro turno e uma disputa significativamente mais apertada contra Flávio no segundo.
A campanha do PL tenta agora converter a mobilização de sua base em crescimento entre eleitores ainda não consolidados. Ao colocar Lula e Moraes no centro do discurso, Flávio procura transformar a crise institucional em um tema eleitoral e reforçar sua posição como principal adversário do presidente.
As próximas pesquisas indicarão se a estratégia produziu mudança mensurável na corrida presidencial.








