quarta-feira, 4 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Petrobras concentra 51,8% do lucro das 10 empresas mais lucrativas da B3 no 2T26

Estatal lucrou R$ 52,4 bilhões no trimestre; sem a Petrobras, resultado conjunto das outras nove líderes cresceu apenas 4,7% em um ano.

por João Souza
28/08/2026 às 10h42
em Empresas
Petrobras (Petr3; Petr4) - Gazeta Mercantil

O crescimento de 38,2% no lucro das dez empresas mais lucrativas da B3 no segundo trimestre de 2026 esconde uma concentração pouco perceptível quando se observa apenas o resultado agregado. As companhias somaram R$ 101,2 bilhões entre abril e junho, mas R$ 52,4 bilhões desse montante vieram de uma única empresa: a Petrobras (PETR3; PETR4). Retirada a estatal da conta, o lucro conjunto das outras nove líderes sobe apenas 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado, de R$ 46,6 bilhões para R$ 48,8 bilhões.

A diferença permite dimensionar o peso da companhia na temporada de balanços. A Petrobras respondeu por 51,8% do lucro das dez líderes, segundo levantamento da Elos Ayta. Mais do que isso, seu resultado foi aproximadamente 7,4% superior ao lucro das outras nove empresas somadas. Em outras palavras, uma única companhia ganhou mais dinheiro no trimestre do que Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Vale (VALE3), Itaúsa (ITSA4), BTG Pactual (BPAC11), Ambev (ABEV3), Braskem (BRKM5), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) juntas.

Um cálculo da Gazeta Mercantil a partir dos dados do levantamento mostra outro aspecto da concentração. Considerando o avanço de 38,2% do grupo e a alta de 96,8% registrada pela Petrobras, aproximadamente 92% do aumento nominal do lucro das dez maiores empresas entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período deste ano pode ser associado à estatal. Isso ajuda a separar duas leituras distintas da temporada: houve forte expansão do resultado agregado, mas essa melhora esteve longe de ser distribuída de maneira uniforme entre as maiores companhias do mercado brasileiro.

Petrobras quase dobra lucro e muda a fotografia do trimestre

A Petrobras encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, avanço próximo de 97% em 12 meses. O Ebitda ajustado alcançou R$ 93,8 bilhões, enquanto o fluxo de caixa operacional chegou a R$ 61,8 bilhões, crescimento de 46% sobre o segundo trimestre de 2025.

O balanço foi sustentado principalmente pelo desempenho operacional. A produção própria de petróleo no Brasil chegou a 2,7 milhões de barris por dia, 15% acima de um ano antes, e a companhia registrou recordes na produção total de óleo e gás, na produção operada e no pré-sal. O fator de utilização das refinarias também atingiu 101,2% no trimestre, maior nível trimestral já registrado pela empresa.

A combinação entre produção maior, utilização elevada do refino e preços mais altos do petróleo ampliou a geração de caixa. As exportações se aproximaram de 1 milhão de barris por dia, enquanto a produção de derivados alcançou 1,918 milhão de barris diários, com recordes em diesel S10 e querosene de aviação.

O resultado também produziu efeitos diretos sobre a remuneração ao acionista. A empresa aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao período. Os investimentos totalizaram R$ 26,7 bilhões, dos quais 82% foram destinados à exploração e produção, principalmente aos projetos de expansão no pré-sal.

A dimensão desse balanço explica por que a participação da Petrobras entre as dez maiores geradoras de lucro saltou de 36,4% no segundo trimestre de 2025 para 51,8% agora, uma alta de 15,4 pontos percentuais em apenas um ano.

Petrobras lucrou quase 49% mais que seis grupos financeiros juntos

Os bancos continuam dominando o ranking pela quantidade de empresas, embora não pelo volume de lucro. Seis das dez companhias do grupo pertencem direta ou indiretamente ao setor financeiro: Itaú Unibanco, Bradesco, Itaúsa, BTG Pactual, Banco do Brasil e Santander Brasil.

Juntas, elas registraram R$ 35,2 bilhões de lucro no segundo trimestre, alta de 9,9% em um ano. Mesmo com esse crescimento, a participação do segmento no total das dez empresas caiu de 43,8% para 34,8%.

A comparação com a Petrobras explicita a diferença de escala observada no trimestre. Os R$ 52,4 bilhões obtidos pela estatal foram aproximadamente 48,9% superiores aos R$ 35,2 bilhões acumulados pelo grupo financeiro inteiro. Para cada R$ 1 de lucro produzido pelas seis companhias financeiras reunidas, a Petrobras gerou aproximadamente R$ 1,49.

Isso não significa que os bancos tenham apresentado resultados fracos. O Itaú divulgou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões, avanço de 7,8% em 12 meses, com retorno sobre o patrimônio de 24,3%. O Bradesco registrou R$ 7,05 bilhões de lucro recorrente e contábil, alta anual de 16,2%, completando mais um trimestre de recuperação de rentabilidade.

O BTG Pactual também entregou um dos maiores resultados de sua história, com lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões, crescimento próximo de 23%. O Banco do Brasil teve lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, enquanto o Santander Brasil informou resultado gerencial de aproximadamente R$ 3 bilhões. A Itaúsa, por sua vez, registrou lucro líquido de R$ 5,24 bilhões, beneficiado também por efeitos não recorrentes no período.

Os indicadores divulgados individualmente pelas instituições utilizam métricas contábeis e gerenciais que podem apresentar diferenças de metodologia. Para a comparação agregada das dez líderes, o levantamento da Elos Ayta utiliza sua própria base de dados padronizada.

Empresas não financeiras somam R$ 66 bilhões, mas resultado também é concentrado

Petrobras, Vale, Ambev e Braskem formam o grupo de empresas não financeiras entre as dez maiores geradoras de lucro. Juntas, elas alcançaram aproximadamente R$ 66 bilhões no trimestre, alta de 60,3% sobre o mesmo período de 2025.

A concentração dentro desse grupo, contudo, é ainda maior. A Petrobras respondeu sozinha por cerca de 79,4% do lucro das quatro companhias não financeiras. Vale, Ambev e Braskem dividiram os pouco mais de 20% restantes.

E os balanços seguiram direções bastante distintas. A Vale registrou lucro de aproximadamente R$ 6,8 bilhões, queda de 43,3% na comparação anual, mesmo com melhora operacional em diferentes negócios. Seu Ebitda proforma alcançou US$ 4,1 bilhões, alta de 19%, sustentado por maiores volumes e melhores preços realizados.

A mineradora registrou a maior produção de minério de ferro para um segundo trimestre desde 2018. Também alcançou seus melhores níveis de produção para o período em cobre desde 2017 e em níquel desde 2020. O avanço operacional, porém, conviveu com custos maiores, especialmente em minério de ferro, o que limitou a conversão desse desempenho em lucro líquido.

A Braskem apresentou movimento oposto. A petroquímica reverteu o prejuízo observado no segundo trimestre de 2025 e registrou lucro líquido de R$ 3,3 bilhões, além de Ebitda consolidado de R$ 5,25 bilhões. A companhia atribuiu parte do resultado à ampliação dos spreads químicos e petroquímicos em meio às alterações provocadas pelo conflito no Oriente Médio sobre preços internacionais e custos de matérias-primas.

A Ambev também avançou. O lucro líquido reportado foi de R$ 3,47 bilhões, aumento de 24,5% em relação aos R$ 2,79 bilhões registrados um ano antes. O Ebitda ajustado cresceu organicamente 8,9%, com expansão de margem, enquanto a receita líquida aumentou organicamente 6,1%.

Sem a estatal, crescimento das líderes fica perto de 5%

A diferença entre os números agregados com e sem a Petrobras é provavelmente o indicador mais importante para interpretar o segundo trimestre. As dez empresas mais lucrativas avançaram 38,2%, mas as outras nove cresceram apenas 4,7%.

Isso significa que a expansão do lucro corporativo entre as líderes da B3 esteve muito mais associada ao desempenho específico da petroleira do que a uma aceleração generalizada dos resultados das grandes companhias brasileiras.

A comparação fica ainda mais clara quando se reconstrói o tamanho do aumento. Com R$ 101,2 bilhões no segundo trimestre deste ano e crescimento de 38,2%, o grupo das dez empresas tinha lucro agregado próximo de R$ 73,2 bilhões um ano antes. A diferença é de aproximadamente R$ 28 bilhões.

A Petrobras, por sua vez, acrescentou perto de R$ 25,8 bilhões ao próprio resultado na comparação anual. Pelos valores disponíveis, portanto, cerca de R$ 25,8 bilhões dos aproximadamente R$ 28 bilhões adicionais produzidos pelas dez líderes vieram da estatal, proporção próxima de 92%.

É uma contribuição muito superior à participação da companhia no lucro atual, de 51,8%, porque a Petrobras não apenas ocupa o primeiro lugar: foi também quem mais aumentou o resultado entre os dois períodos.

Concentração exige cuidado na leitura da temporada de balanços

O segundo trimestre mostra uma B3 em que dois grupos continuam dominando a geração de lucro: petróleo e bancos. A diferença desta vez está na distância criada pela Petrobras em relação aos demais participantes.

Os bancos continuam apresentando forte capacidade recorrente de geração de resultado e ocupam seis das dez posições do levantamento, mas perderam participação relativa porque seu crescimento foi muito menor que o da petroleira. Entre as outras empresas não financeiras, Vale apresentou retração do lucro, enquanto Braskem e Ambev avançaram sem alcançar uma dimensão capaz de alterar significativamente a composição do agregado.

Para a avaliação dos próximos trimestres, a questão passa a ser quanto dessa concentração poderá se repetir. O lucro da Petrobras depende de variáveis como produção, preços internacionais de petróleo, câmbio, utilização das refinarias, tributação, exportações e eventos contábeis. Uma alteração importante em qualquer desses componentes pode modificar rapidamente sua contribuição para o conjunto das grandes empresas listadas.

A fotografia do segundo trimestre, entretanto, é inequívoca: as dez maiores companhias lucraram muito mais do que um ano antes, mas quase todo o crescimento adicional veio de uma única empresa. Sem a Petrobras, em vez de uma expansão de 38,2%, o avanço teria sido de apenas 4,7%.


Fontes:

Elos Ayta — levantamento sobre os lucros das dez companhias mais lucrativas listadas na B3 no segundo trimestre de 2026 e comparação com o mesmo período de 2025.

Petrobras — divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, com dados de lucro líquido, Ebitda, geração de caixa, produção, refino, investimentos e remuneração aos acionistas.

Vale — divulgação dos resultados e desempenho operacional do segundo trimestre de 2026, incluindo produção, Ebitda proforma, preços realizados e custos.

Braskem — divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, com lucro líquido, Ebitda e fatores que afetaram os spreads petroquímicos.

Ambev — relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, com lucro líquido, receita, Ebitda e desempenho operacional.

Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, BTG Pactual, Santander Brasil e Itaúsa — divulgações de resultados do segundo trimestre de 2026 utilizadas para conferência dos indicadores financeiros.

Leia também

  • Itaú, Banco do Brasil, Bradesco ou Nubank: qual banco vale mais a pena investir agora?
  • Itaú (ITUB4) centraliza estrutura europeia em Luxemburgo e mantém operações em Londres

LEIA MAIS

Mercados - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

BTG Pactual muda carteira após eleições e projeta alta de até 83% para ações

BTG Pactual altera carteira de ações para novembro após eleições, inclui Caixa Seguridade, Ultrapar e TIM e projeta valorização de até 83% para Rede D'Or.

Leia MaisDetails
Saudi Aramco - Gazeta Mercantil
Empresas

Lucro da Aramco (2222) salta 35% no 3º trimestre e chega a US$ 36,3 bilhões

Lucro da Aramco cresce 35% e atinge US$ 36,3 bilhões no 3º trimestre de 2026, impulsionado pelo petróleo, refino e venda de ativos.

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje: Bolsa abre em queda com eleições nos EUA e decisão do Copom no radar

Ibovespa hoje, 3 de novembro: índice futuro cai 1,57%, com eleições nos EUA, decisão do Copom, alta do dólar e cenário fiscal no radar.

Leia MaisDetails
Ibovespa - Gazeta Mercantil
Mercados

B3 muda horário nesta terça (3) e pregão de ações passa a terminar às 18h

B3 amplia horário de negociação nesta terça-feira (3). Veja os novos horários do pregão de ações, Ibovespa, mini-índice e contratos futuros.

Leia MaisDetails
Fundos Imobiliarios Gzt - Gazeta Mercantil
Fundos Imobiliários

PFIN11 pagará R$ 1,28 por cota em novembro; SNLG11 distribuirá R$ 2,72

PFIN11 pagará R$ 1,28 por cota em 4 de novembro, enquanto SNLG11 fará amortização de R$ 2,72. Veja datas de corte e quem tem direito.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

00:30:40
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Serasa Registra 84,2 Milhões De Inadimplentes E Dívidas De R$ 597,4 Bilhões No Brasil-Gazeta Mercantil
Economia

Serasa registra 84,2 milhões de inadimplentes e dívidas de R$ 597,4 bilhões no Brasil

Leia MaisDetails
Mercados - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

BTG Pactual muda carteira após eleições e projeta alta de até 83% para ações

Leia MaisDetails
Gado Leiteiro - Gzt - Gazeta Mercantil
Agronegócio

Paraná libera construção de centro de pecuária leiteira com investimento de R$ 36 milhões

Leia MaisDetails
Dólar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, com alta de 0,79% e pressão fiscal

Leia MaisDetails
Tesouro Projeta Dívida Pública De 86,3% Do Pib Em 2036 E Identifica R$ 4,87 Trilhões Em Riscos Fiscais-Gazeta Mercantil
Economia

Dívida bruta do Brasil deve atingir 83,7% do PIB em 2026, projeta Tesouro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Serasa registra 84,2 milhões de inadimplentes e dívidas de R$ 597,4 bilhões no Brasil

BTG Pactual muda carteira após eleições e projeta alta de até 83% para ações

Paraná libera construção de centro de pecuária leiteira com investimento de R$ 36 milhões

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, com alta de 0,79% e pressão fiscal

Dívida bruta do Brasil deve atingir 83,7% do PIB em 2026, projeta Tesouro

Lara Resende propõe limitar Selic enquanto juros da dívida superam R$ 1,2 trilhão

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil