terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Política

PT aponta ação coordenada de influenciadores contra Lula e caso chega ao radar do TSE

Levantamento identifica repetição de roteiros, imagens e publicações sobre preços de alimentos; eventual investigação terá de apurar se houve organização, remuneração ou propaganda eleitoral irregular.

por Carlos Menezes
27/08/2026 às 08h25
em Política
Lula - Gazeta Mercantil

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva identificou uma sequência de publicações de influenciadores digitais que, segundo levantamento produzido pelo grupo político, apresentaria características de atuação coordenada para ampliar conteúdos críticos ao governo federal. O material concentra-se principalmente em vídeos e postagens sobre preços de alimentos e custo de vida e deverá alimentar uma discussão na Justiça Eleitoral sobre os limites da atuação organizada de perfis digitais durante a campanha de 2026.

O ponto central da suspeita não é a existência de críticas ao governo — manifestação protegida pela liberdade de expressão e inerente ao debate eleitoral —, mas a eventual utilização de roteiros, imagens, estruturas narrativas e estratégias de publicação semelhantes por diferentes influenciadores sem que uma possível coordenação seja informada ao público.

Leia também: Trump demite Pam Bondi: crise no caso Epstein derruba procuradora-geral dos EUA.

Segundo informações sobre o levantamento da campanha que vieram a público, mais de 20 influenciadores foram analisados. O grupo teria identificado vídeos com frases semelhantes, construções narrativas repetidas e conteúdos publicados em intervalos próximos.

Entre os exemplos apresentados está a circulação da mesma imagem de uma peça de carne em diferentes contas. A fotografia apresentaria inclusive o mesmo código de barras, embora fosse utilizada por diferentes perfis para ilustrar críticas ao preço do produto em estabelecimentos comerciais.

A ocorrência isolada de conteúdos semelhantes, entretanto, não comprova uma operação irregular. Para que exista repercussão eleitoral relevante, será necessário demonstrar se houve algum grau de organização, contratação, remuneração, distribuição centralizada de material ou concessão de vantagens aos responsáveis pelas publicações.

Coordenação não significa automaticamente ilegalidade

A legislação eleitoral brasileira não impede que eleitores, militantes, simpatizantes ou influenciadores produzam manifestações espontâneas favoráveis ou contrárias a candidatos.

Pessoas naturais podem publicar opiniões políticas, compartilhar conteúdos e até organizar mobilizações digitais.

O problema jurídico aparece quando uma atuação apresentada como espontânea é, na realidade, resultado de uma estrutura financiada ou organizada para produzir propaganda eleitoral sem cumprir as obrigações estabelecidas pela legislação.

As regras do Tribunal Superior Eleitoral para a propaganda na internet estabelecem restrições à contratação de pessoas físicas para realizar propaganda político-eleitoral em seus próprios perfis mediante remuneração.

A distinção é importante.

Um influenciador pode declarar preferência por um candidato e criticar outro. Também pode produzir conteúdo político espontaneamente.

Situação diferente ocorre se receber dinheiro, presentes, benefícios, serviços ou qualquer vantagem econômica para publicar material eleitoral sem que a relação seja devidamente enquadrada nas regras aplicáveis.

É justamente essa fronteira que deverá determinar a relevância jurídica do levantamento produzido pela campanha de Lula.

Padrões digitais chamaram atenção

A análise atribuída à campanha presidencial busca demonstrar que determinados conteúdos não seriam apenas manifestações individuais que coincidentemente abordaram o mesmo assunto.

O levantamento procura identificar padrões.

Entre eles estariam a utilização de estruturas semelhantes de roteiro, repetição de imagens, objetos posicionados de forma semelhante durante as gravações e argumentos apresentados praticamente na mesma ordem.

Publicações realizadas em períodos muito próximos também foram consideradas.

Nenhum desses elementos, isoladamente, comprova contratação ou financiamento.

Em conjunto, porém, eles podem justificar uma investigação sobre a origem do conteúdo, principalmente se houver evidências adicionais de pagamentos, distribuição prévia de material ou comunicação entre os responsáveis pelas postagens.

Esse tipo de investigação costuma depender de elementos que não estão disponíveis apenas pela observação pública das redes sociais.

Leia também: Quem é Willer Tomaz, advogado próximo de Flávio Bolsonaro citado pela PF como “hub financeiro” no caso INSS

Dados financeiros, contratos, mensagens, registros de publicidade e informações fornecidas pelas próprias plataformas podem ser necessários para determinar se houve uma estrutura organizada por trás das publicações.

Preço dos alimentos virou arma eleitoral

O tema escolhido pelas publicações analisadas também ajuda a explicar a preocupação da campanha governista.

O custo dos alimentos é uma das variáveis econômicas de maior impacto na percepção cotidiana do eleitor.

Ao contrário de indicadores como Produto Interno Bruto, resultado fiscal ou formação bruta de capital fixo, o preço da carne, do café, do arroz, do leite e de outros itens básicos é observado diretamente pelo consumidor praticamente todos os dias.

Por isso, alimentos historicamente ocupam papel relevante em campanhas eleitorais.

Uma sequência de vídeos demonstrando supostos aumentos expressivos de preços pode produzir repercussão política mesmo quando o movimento observado em determinado estabelecimento não representa necessariamente a média nacional.

Para o governo, a disseminação coordenada desse tipo de conteúdo poderia ampliar artificialmente uma percepção negativa sobre a economia.

Para a oposição, por outro lado, críticas ao custo de vida fazem parte do debate político legítimo e não podem ser classificadas como desinformação simplesmente porque prejudicam eleitoralmente o presidente.

Essa tensão deverá acompanhar o debate jurídico.

TSE ampliou atenção sobre comportamento inautêntico

As regras eleitorais de 2026 também aumentaram a atenção sobre operações digitais coordenadas.

Normas recentes do Tribunal Superior Eleitoral determinam que plataformas mantenham mecanismos destinados à identificação de comportamentos inautênticos coordenados e padrões de atuação entre contas.

O conceito busca atingir situações nas quais diversos perfis trabalham de maneira articulada para produzir a aparência de manifestações independentes ou espontâneas.

A existência de coordenação, entretanto, precisa ser analisada com cautela.

Campanhas eleitorais são, por natureza, estruturas coordenadas.

Partidos distribuem argumentos, candidatos repetem mensagens, militantes compartilham peças e grupos de apoiadores promovem hashtags simultaneamente.

Isso, por si só, não constitui irregularidade.

O elemento determinante está na forma como a operação é estruturada e apresentada.

Uma rede de militantes identificados que voluntariamente decide publicar determinada mensagem é diferente de uma estrutura que eventualmente remunera influenciadores para produzir conteúdo apresentado como opinião pessoal e espontânea.

Eventuais benefícios serão ponto sensível

Outro aspecto que poderá adquirir importância caso exista investigação formal é a eventual concessão de benefícios aos responsáveis pelas publicações.

Relatos associados ao levantamento mencionam casos de influenciadores que teriam registrado aumento de seguidores, recebido doações ou obtido algum tipo de vantagem após determinadas publicações.

Essas circunstâncias precisam ser comprovadas individualmente.

Crescimento de audiência, por exemplo, pode ocorrer naturalmente após uma postagem viral.

Da mesma forma, doações feitas por seguidores não demonstram necessariamente vínculo com partido, candidato ou estrutura eleitoral.

A situação muda caso seja possível estabelecer relação entre determinada vantagem e a produção do conteúdo político.

Nesse cenário, a origem dos recursos, os responsáveis pelo pagamento e a existência de eventual orientação editorial passam a ter relevância eleitoral.

Amplificação por políticos também será analisada

O levantamento também observa a repercussão dos conteúdos depois das publicações originais.

Algumas postagens teriam sido compartilhadas ou amplificadas por políticos ligados à oposição.

Esse comportamento igualmente não é suficiente para demonstrar irregularidade.

Parlamentares e candidatos compartilham diariamente conteúdos produzidos por terceiros.

A questão muda se surgir evidência de que a produção original foi previamente combinada com aqueles que posteriormente deram visibilidade ao material.

Uma eventual investigação terá, portanto, de separar três fenômenos diferentes: conteúdo genuinamente espontâneo que posteriormente ganhou apoio político; conteúdo produzido por militantes organizados; e conteúdo profissional contratado para parecer manifestação espontânea.

São situações juridicamente distintas.

Disputa digital deve crescer até outubro

O episódio antecipa um dos principais campos de confronto da eleição presidencial de 2026.

Campanhas estão cada vez mais interessadas em identificar não apenas peças de propaganda tradicionais, mas estruturas de distribuição de conteúdo capazes de influenciar algoritmos das redes sociais.

Influenciadores ocupam posição privilegiada nesse ambiente porque possuem relação de confiança com suas audiências e conseguem inserir mensagens políticas dentro de conteúdos aparentemente cotidianos.

Essa característica também torna mais difícil identificar quando termina a opinião pessoal e começa uma campanha profissional.

O risco de decisões excessivamente abrangentes também existe.

Uma interpretação que trate qualquer repetição de argumentos como prova de coordenação poderia restringir manifestações políticas legítimas de cidadãos e criadores de conteúdo.

Por outro lado, permitir estruturas comerciais ocultas capazes de comprar influência eleitoral sem transparência criaria uma forma de propaganda paralela fora das regras impostas aos candidatos.

Prova documental será decisiva

Até que sejam apresentados documentos capazes de demonstrar contratação, financiamento ou orientação centralizada, a existência de publicações semelhantes deve ser tratada como indício, e não como prova conclusiva de uma operação eleitoral irregular.

A campanha de Lula terá de demonstrar à Justiça Eleitoral não apenas que diferentes influenciadores publicaram mensagens parecidas, mas que existe algum vínculo concreto entre essas ações.

Do outro lado, os perfis eventualmente questionados poderão argumentar que produziram críticas de maneira espontânea, utilizaram informações públicas ou apenas reproduziram tendências que já circulavam nas redes sociais.

A Justiça Eleitoral terá então de decidir se os elementos apresentados caracterizam manifestação política legítima, mobilização coordenada permitida, propaganda eleitoral irregular ou comportamento inautêntico capaz de justificar medidas contra contas, financiadores ou responsáveis pela operação.

A próxima etapa relevante será a identificação de eventual processo no Tribunal Superior Eleitoral e a disponibilização da representação, das provas anexadas e das manifestações dos influenciadores citados. Esses documentos permitirão determinar se o caso representa apenas mais um capítulo da disputa política nas redes sociais ou uma investigação capaz de estabelecer novos parâmetros para a atuação de influenciadores nas eleições de 2026.

LEIA MAIS

Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Nova pesquisa BTG/Nexus mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

O grupo Prerrogativas acusa o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, de abuso de poder e de adotar decisões que, na avaliação do

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Os presidentes dos diretórios estaduais do MDB de dez estados das regiões Norte e Nordeste anunciaram, nesta terça-feira (13), apoio à candidatura do

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Pesquisa ouviu brasileiros sobre temas de costumes e valores, como aborto, casamento homoafetivo, pena de morte e redução da maioridade penal

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (13) em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,0227 no mercado à vista, recuperando parte das perdas acumuladas na semana anterior,...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

23:20:31
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP