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Paulo Guedes entra no conselho da Revolut em aposta da fintech para crescer no Brasil

Fintech britânica cria conselho consultivo com ex-ministro da Economia, Luiz Lobo e Ana Novaes para reforçar governança no país.

por João Souza
12/06/2026 às 03h03
em Empresas
Paulo Guedes, Ex-Ministro Da Economia - Gazeta Mercantil

A Revolut anunciou a criação de um conselho consultivo independente no Brasil e nomeou o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, além de Luiz Lobo e Ana Novaes, para integrar o grupo que dará suporte estratégico à operação da fintech britânica no país. O movimento, divulgado nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, faz parte da tentativa da empresa de fortalecer sua estrutura de governança corporativa, ampliar a interlocução com o mercado financeiro e preparar uma nova fase de expansão em um ambiente dominado por bancos digitais, grandes instituições financeiras e regulação cada vez mais exigente.

A chegada de Paulo Guedes à Revolut ocorre em um momento de disputa intensa no setor financeiro brasileiro. A fintech, fundada no Reino Unido e com presença global, busca ampliar sua relevância local em um mercado que já conta com competidores de grande escala, como bancos tradicionais, plataformas digitais, instituições de pagamento, corretoras e fintechs nacionais.

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O novo conselho consultivo não terá função executiva direta, mas atuará como instância de orientação institucional. A composição do grupo indica que a Revolut quer reforçar três áreas consideradas decisivas para crescer no Brasil: macroeconomia e mercado de capitais, gestão de riscos e compliance, além de regulação e governança corporativa.

Paulo Guedes reforça agenda institucional da Revolut

Paulo Guedes foi ministro da Economia entre 2019 e 2022 e tem trajetória ligada ao mercado financeiro, à gestão de investimentos e ao debate macroeconômico. Na Revolut, sua função será consultiva, com foco em apoiar a leitura estratégica sobre economia, mercado de capitais, ambiente de negócios e oportunidades de expansão na América Latina.

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Segundo a empresa, Guedes contribuirá com sua experiência em macroeconomia global, mercados financeiros e de capitais, além do conhecimento sobre o ambiente empresarial da região. A nomeação também dá visibilidade à operação brasileira da Revolut, que tenta ganhar espaço em um país onde a digitalização bancária avançou rapidamente nos últimos anos.

Em nota, Guedes afirmou que a Revolut representa uma das principais empresas globais da nova geração de serviços financeiros e disse estar entusiasmado em contribuir para o fortalecimento institucional e a expansão sustentável da companhia.

A entrada de um ex-ministro da Economia no conselho consultivo tem peso simbólico. Para uma fintech estrangeira que busca consolidar presença no Brasil, a escolha sinaliza ambição institucional e tentativa de ampliar diálogo com agentes do sistema financeiro, investidores, reguladores e parceiros estratégicos.

Conselho também terá Luiz Lobo e Ana Novaes

Além de Paulo Guedes, a Revolut nomeou Luiz Lobo e Ana Novaes para o conselho consultivo independente. Os dois nomes reforçam o perfil técnico do grupo e complementam a atuação do ex-ministro.

Luiz Lobo tem experiência em governança, compliance e gestão de riscos no sistema financeiro brasileiro. Ao longo da carreira, passou por instituições como Deutsche Bank, BTG e Travelex, além de atuar em estruturas ligadas a controle, supervisão e riscos.

Sua presença é relevante porque fintechs em crescimento enfrentam pressão crescente para demonstrar controles internos robustos. À medida que ampliam produtos, base de clientes e operações financeiras, essas empresas precisam provar capacidade de prevenção a fraudes, combate à lavagem de dinheiro, segurança operacional e gestão de riscos regulatórios.

Ana Novaes, por sua vez, tem trajetória em governança corporativa, regulação e infraestrutura de mercado. Ela já teve atuação ligada a instituições como B3, Fundo Garantidor de Crédito e Comissão de Valores Mobiliários. Sua experiência tende a contribuir para discussões sobre mercado de capitais, supervisão, governança e relacionamento com o ambiente regulatório brasileiro.

Fintech prepara nova etapa no Brasil

A criação do conselho consultivo indica que a Revolut quer avançar para uma fase mais sofisticada de sua operação no Brasil. A empresa chegou ao país com foco em serviços digitais e produtos financeiros ligados a uma proposta global, mas precisa adaptar seu modelo ao mercado local.

O Brasil é um dos mercados bancários mais digitalizados do mundo. O Pix mudou a dinâmica dos pagamentos, os bancos digitais ganharam milhões de clientes, e os grandes bancos tradicionais aceleraram seus investimentos em tecnologia. Nesse ambiente, uma fintech estrangeira precisa oferecer diferenciais claros para crescer.

A Revolut tem marca global, experiência em contas multimoedas, câmbio, pagamentos internacionais e serviços financeiros digitais. No entanto, a competição brasileira exige escala, preço, confiança, oferta local e aderência regulatória.

O CEO da Revolut Brasil, Glauber Mota, afirmou que a empresa está construindo uma operação de longo prazo no país, alinhada a padrões globais de governança e supervisão. Segundo ele, a chegada de Paulo Guedes, Luiz Lobo e Ana Novaes fortalece as capacidades institucionais da companhia e agrega experiências complementares para a próxima fase de crescimento.

Brasil é mercado difícil para fintechs globais

O mercado brasileiro é atraente pelo tamanho, pela população bancarizada, pela adesão a serviços digitais e pelo crescimento de produtos financeiros via aplicativo. Ao mesmo tempo, é um dos mais difíceis para novos entrantes.

A concorrência é intensa. Bancos tradicionais mantêm presença dominante em crédito, investimentos, cartões, seguros e relacionamento corporativo. Bancos digitais e fintechs locais já conquistaram escala e conhecem profundamente o comportamento do consumidor brasileiro.

Além disso, o Banco Central tem regulação sofisticada e acompanha de perto instituições de pagamento, sociedades de crédito, bancos digitais, fintechs de câmbio, plataformas de investimento e empresas que operam com dados financeiros. Para crescer, uma fintech precisa equilibrar inovação, capital, segurança e conformidade.

Nesse contexto, o conselho consultivo da Revolut pode funcionar como instrumento de adaptação local. Mais do que nomes de prestígio, a empresa busca conhecimento sobre regras brasileiras, riscos do sistema financeiro, estrutura de mercado e dinâmica de competição.

Governança vira peça central da disputa financeira

A criação do conselho também mostra que a disputa entre fintechs deixou de ser apenas tecnológica. Aplicativos simples, cartões sem anuidade e contas digitais já não bastam para diferenciar empresas em um mercado maduro.

A nova fase da competição envolve governança, solidez operacional, capacidade regulatória, gestão de risco, oferta de crédito, produtos de investimento, atendimento, segurança cibernética e confiança do consumidor.

Para a Revolut, reforçar a governança é essencial para ampliar sua atuação no país. Empresas financeiras que desejam oferecer produtos mais complexos precisam demonstrar controles internos compatíveis com o risco da operação. Isso vale para crédito, câmbio, investimentos, cartões, contas remuneradas e serviços corporativos.

A presença de conselheiros com experiência em governo, mercado financeiro e regulação pode ajudar a Revolut a navegar esse ambiente. Também pode fortalecer a percepção de que a empresa pretende operar no Brasil com estrutura de longo prazo, e não apenas como plataforma digital de nicho.

Paulo Guedes volta ao centro do mercado financeiro

A nomeação de Paulo Guedes também tem dimensão política e econômica. O ex-ministro voltou ao setor privado após deixar o governo e passou a atuar em iniciativas ligadas a investimentos, infraestrutura e serviços financeiros.

Durante sua passagem pelo Ministério da Economia, Guedes comandou a agenda econômica do governo Jair Bolsonaro, com foco em reformas liberais, privatizações, controle de gastos, abertura econômica e redução da presença do Estado. Sua gestão também foi marcada pelos impactos da pandemia, pela criação do auxílio emergencial, por disputas fiscais e por debates sobre o teto de gastos.

Na Revolut, sua atuação será consultiva. Ainda assim, a presença do ex-ministro amplia a exposição pública da fintech e pode atrair atenção de investidores, concorrentes e agentes do mercado.

A escolha também reforça uma tendência do setor financeiro: empresas reguladas buscam nomes com experiência em governo, Banco Central, CVM, mercado de capitais e instituições financeiras para fortalecer conselhos, comitês e estruturas consultivas.

Revolut mira expansão em mercado dominado por gigantes

A Revolut nasceu no Reino Unido e se consolidou como uma das fintechs mais conhecidas do mundo, com forte atuação em contas digitais, câmbio, pagamentos internacionais, cartões, investimentos e serviços financeiros integrados. Seu desafio no Brasil é transformar reputação global em crescimento local.

A empresa precisa disputar clientes que já utilizam bancos digitais brasileiros com alto nível de funcionalidade. O consumidor local se acostumou a Pix gratuito, conta digital simples, cartões, investimentos em poucos cliques e crédito integrado ao aplicativo.

Para ganhar espaço, a Revolut terá de oferecer vantagens competitivas concretas. Produtos internacionais, câmbio, conta global, experiência de uso, integração com viagens e serviços financeiros para clientes com vida financeira internacional podem ser diferenciais.

Mas a escala dependerá de execução. A fintech precisará ampliar produtos, reduzir fricções, ganhar confiança, cumprir exigências regulatórias e demonstrar que consegue competir não apenas com empresas estrangeiras, mas com grupos brasileiros altamente capitalizados.

Nomeações elevam pressão sobre concorrentes

A entrada de Paulo Guedes, Luiz Lobo e Ana Novaes no conselho consultivo da Revolut deve ser acompanhada por concorrentes do setor financeiro. Embora o grupo não tenha função executiva, a composição indica que a fintech pretende elevar seu patamar institucional no Brasil.

Para bancos digitais locais, a movimentação mostra que a Revolut quer competir com mais estrutura. Para bancos tradicionais, sinaliza que a empresa britânica pretende se aproximar do debate regulatório e ampliar sua capacidade de atuação no mercado.

O impacto imediato não está em novos produtos, mas na construção de credibilidade. Em serviços financeiros, reputação e governança podem ser tão relevantes quanto tecnologia. Clientes e investidores tendem a observar a solidez da instituição antes de confiar recursos, dados e operações.

A Revolut tenta ocupar esse espaço. Ao criar um conselho consultivo com nomes conhecidos, a companhia busca mostrar que sua operação brasileira terá acompanhamento estratégico e técnico em áreas sensíveis.

Movimento marca tentativa de ganhar escala no país

A nomeação de Paulo Guedes para o conselho consultivo da Revolut marca uma nova etapa da fintech no Brasil. A empresa passa a reforçar publicamente que pretende construir uma operação de longo prazo, com governança mais robusta e maior capacidade de diálogo institucional.

O anúncio não muda imediatamente a posição da Revolut no mercado brasileiro, mas sinaliza ambição. A companhia quer se preparar para disputar clientes, produtos e autorizações em um ambiente altamente competitivo.

O sucesso da estratégia dependerá menos do peso dos nomes anunciados e mais da capacidade de transformar governança em execução. A Revolut terá de provar que consegue adaptar sua experiência global às necessidades do consumidor brasileiro e às exigências do sistema financeiro local.

Com Paulo Guedes, Luiz Lobo e Ana Novaes no conselho consultivo, a fintech britânica envia um recado ao mercado: quer deixar de ser apenas uma marca global presente no Brasil para se tornar uma operação relevante dentro do setor financeiro nacional.

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