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Abinee: acordo Mercosul-UE fortalece setor eletroeletrônico

Tratado histórico cria a maior zona de livre comércio do mundo e abre novas oportunidades para o setor industrial, segundo avaliação da Abinee

por Daniel Wicker - Repórter
09/01/2026
em Economia, Destaque, News
Abinee: Acordo Mercosul-Ue Fortalece Setor Eletroeletrônico - Gazeta Mercantil

Acordo Mercosul União Europeia impulsiona exportações e amplia competitividade da indústria eletroeletrônica brasileira

A aprovação do Acordo Mercosul União Europeia pelos países europeus representa um marco estratégico para o comércio internacional e para a indústria brasileira, especialmente em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica, disputas comerciais e desaceleração econômica em diversas regiões. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado surge como uma resposta estruturante para ampliar mercados, reduzir barreiras tarifárias e reposicionar o Brasil e seus parceiros sul-americanos em cadeias globais de valor mais sofisticadas.

Na avaliação da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o Acordo Mercosul União Europeia cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo dois grandes blocos econômicos e estabelecendo um novo patamar de previsibilidade para empresas que dependem do comércio exterior. O setor eletroeletrônico aparece entre os principais beneficiados, tanto pelo potencial de expansão das exportações quanto pela possibilidade de diversificação de fornecedores de insumos estratégicos para a produção industrial.

Um acordo construído ao longo de 25 anos

O Acordo Mercosul União Europeia é resultado de um processo diplomático e comercial iniciado há cerca de 25 anos, marcado por avanços, impasses e revisões profundas. Ao longo desse período, mudanças no cenário econômico global, crises financeiras e transformações nas cadeias produtivas exigiram adaptações constantes no texto negociado.

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A aprovação pelos países europeus representa um passo decisivo, embora o tratado ainda precise ser ratificado pelo Parlamento Europeu para entrar plenamente em vigor. Mesmo assim, a sinalização política já é considerada relevante para o planejamento estratégico das empresas, que passam a enxergar o mercado europeu com maior previsibilidade no médio e longo prazo.

Impacto direto nas exportações do setor eletroeletrônico

Segundo estimativas da Abinee, o Acordo Mercosul União Europeia pode propiciar um aumento entre 25% e 30% nas exportações do setor eletroeletrônico brasileiro para o mercado europeu no médio prazo. Esse crescimento está associado principalmente à redução gradual de tarifas de importação, à harmonização de regras comerciais e à maior segurança jurídica nas transações internacionais.

A indústria eletroeletrônica brasileira, que reúne segmentos como automação industrial, equipamentos para geração e transmissão de energia, telecomunicações, informática e dispositivos de comunicação, encontra na União Europeia um mercado exigente, porém altamente relevante em termos de valor agregado e inovação tecnológica.

Recuperação da competitividade perdida ao longo dos anos

A Abinee destaca que, há mais de duas décadas, o Brasil foi “graduado” pela União Europeia, deixando de ser beneficiário do Sistema Geral de Preferências (SGP), mecanismo que concede vantagens tarifárias a países em desenvolvimento. Essa mudança reduziu significativamente a competitividade das exportações brasileiras, especialmente quando comparadas a fornecedores que continuaram usufruindo do SGP, como Turquia e Índia.

Com o Acordo Mercosul União Europeia, a indústria instalada no Brasil tende a recuperar parte dessa competitividade perdida. A eliminação ou redução de tarifas cria condições mais equilibradas de concorrência, permitindo que produtos brasileiros disputem espaço em igualdade de condições com concorrentes internacionais já consolidados no mercado europeu.

Abertura de novos mercados e diversificação de fornecedores

Além do estímulo às exportações, o Acordo Mercosul União Europeia também favorece a diversificação de fornecedores de insumos industriais. A redução de barreiras comerciais facilita o acesso a componentes, tecnologias e matérias-primas produzidas na Europa, ampliando as opções para a indústria brasileira e reduzindo a dependência de mercados concentrados.

Essa diversificação é considerada estratégica em um contexto de rupturas frequentes nas cadeias globais de suprimentos, como observado nos últimos anos. Para o setor eletroeletrônico, que depende de componentes específicos e de alta complexidade tecnológica, a previsibilidade no fornecimento é um fator decisivo para a competitividade.

Integração industrial e ganhos de eficiência

O Acordo Mercosul União Europeia também cria oportunidades para maior integração industrial entre empresas dos dois blocos. Parcerias, joint ventures e investimentos cruzados tendem a ganhar força, impulsionados por um ambiente regulatório mais estável e por regras claras de origem e comércio.

Esse movimento pode resultar em ganhos de eficiência produtiva, transferência de tecnologia e elevação do padrão tecnológico da indústria brasileira. Para a Abinee, a integração com empresas europeias representa uma oportunidade de acelerar processos de inovação e ampliar a inserção do Brasil em segmentos de maior valor agregado.

Papel da Reforma Tributária no novo cenário

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica ressalta que o Acordo Mercosul União Europeia ganha ainda mais relevância quando combinado às mudanças estruturais previstas na Reforma Tributária brasileira. A desoneração das exportações, um dos pilares da reforma, tende a estimular as vendas externas industriais, reduzindo distorções históricas que penalizavam a competitividade dos produtos nacionais.

Nesse contexto, o acordo comercial e a reforma interna atuam de forma complementar. Enquanto o tratado amplia o acesso a mercados e reduz barreiras externas, a reorganização do sistema tributário interno melhora as condições de produção e exportação, criando um ambiente mais favorável para o crescimento sustentável da indústria.

Segurança jurídica em tempos de instabilidade global

Em um cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos, disputas comerciais e revisão de acordos multilaterais, o Acordo Mercosul União Europeia é visto como um sinal de compromisso com regras claras e previsíveis. Para empresas do setor eletroeletrônico, que operam com investimentos de longo prazo e cadeias produtivas complexas, a segurança jurídica é um fator determinante.

A criação da maior zona de livre comércio do mundo fortalece o multilateralismo e reduz a exposição a medidas unilaterais, como tarifas emergenciais ou restrições inesperadas ao comércio. Esse ambiente favorece decisões de investimento e planejamento estratégico mais consistentes.

Reflexos no emprego e na indústria nacional

O aumento das exportações impulsionado pelo Acordo Mercosul União Europeia tende a gerar efeitos positivos também no mercado de trabalho. A expansão da produção industrial, aliada à necessidade de atender padrões técnicos e regulatórios mais elevados, pode estimular a criação de empregos qualificados e a valorização da mão de obra especializada.

Para a indústria eletroeletrônica, que já emprega profissionais altamente capacitados, o acordo representa uma oportunidade de ampliar operações, investir em inovação e fortalecer sua presença internacional sem abrir mão da base produtiva instalada no Brasil.

Desafios e necessidade de adaptação

Apesar das oportunidades, o Acordo Mercosul União Europeia também impõe desafios. O mercado europeu é reconhecido por padrões rigorosos em áreas como sustentabilidade, segurança de produtos e conformidade regulatória. Para competir de forma efetiva, empresas brasileiras precisarão investir em adequação tecnológica, certificações e processos produtivos mais eficientes.

A Abinee avalia, no entanto, que esses desafios podem se transformar em vantagens competitivas no médio prazo. A adaptação a padrões mais elevados tende a elevar a qualidade dos produtos nacionais e abrir portas em outros mercados internacionais igualmente exigentes.

A atuação da Abinee no fortalecimento do setor

Fundada em setembro de 1963, a Abinee é uma entidade sem fins lucrativos que representa a indústria elétrica e eletrônica brasileira, reunindo empresas nacionais e estrangeiras de diversos segmentos estratégicos. Com atuação em âmbito nacional, a associação desempenha papel relevante na articulação de políticas industriais, na defesa de interesses do setor e na promoção da competitividade.

No contexto do Acordo Mercosul União Europeia, a Abinee atua como interlocutora entre o setor produtivo e o poder público, contribuindo para a disseminação de informações técnicas e para a preparação das empresas diante das novas oportunidades comerciais.

Perspectivas para o médio e longo prazo

A expectativa da indústria é que o Acordo Mercosul União Europeia marque o início de uma nova fase de inserção internacional do Brasil. A combinação entre acesso ampliado a mercados, recuperação de competitividade e reformas estruturais internas cria um ambiente mais favorável para o crescimento industrial.

Para o setor eletroeletrônico, o tratado representa mais do que um acordo comercial: trata-se de uma oportunidade de reposicionamento estratégico, com potencial para consolidar o Brasil como fornecedor relevante de produtos industriais em mercados de alta exigência técnica.

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