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São Paulo lidera aluguel mais caro entre 5 capitais; Rio fica só em 4º no ranking

Levantamento por metro quadrado mostra que a capital paulista tem mediana de R$ 63,04, acima de Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre; Ipanema aparece entre os bairros mais caros, mas não puxa o Rio ao topo

por Maria Helena Costa
07/07/2026 às 16h11
em Economia
São Paulo Lidera Aluguel Mais Caro Entre 5 Capitais; Rio Fica Só Em 4º No Ranking - Gazeta Mercantil

Foto: Reprodução

São Paulo tem o aluguel residencial mais caro entre cinco grandes capitais brasileiras analisadas em levantamento do Índice Chaves na Mão de Preços de Aluguel. A capital paulista registrou mediana de R$ 63,04 por metro quadrado, valor bem acima de Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

O resultado contraria a percepção comum de que o Rio de Janeiro lideraria o ranking por causa de bairros como Ipanema e Leblon. Embora a capital fluminense tenha alguns dos endereços mais caros do país, o preço médio da cidade como um todo é puxado para baixo por bairros mais acessíveis da Zona Oeste e do subúrbio.

Leia também: Bolha imobiliária em São Paulo: cidade supera Nova York e lidera ranking global de segurança no setor.

No comparativo, Belo Horizonte aparece em segundo lugar, com mediana de R$ 46,43 por metro quadrado. Em seguida vêm Curitiba, com R$ 42,58, Rio de Janeiro, com R$ 41,64, e Porto Alegre, com R$ 41,36.

O levantamento considera a mediana do preço por metro quadrado, e não a média. Isso reduz o efeito de anúncios muito fora da curva e permite uma comparação mais fiel entre cidades e bairros.

Leia também: As profissões mais afetadas pela IA, segundo a Microsoft: veja o ranking completo.

Ranking do aluguel mais caro entre 5 capitais

Entre as cinco capitais analisadas, São Paulo lidera com folga. A diferença entre a capital paulista e Belo Horizonte, segunda colocada, é de R$ 16,61 por metro quadrado.

Posição Capital Mediana do m² Bairro mais caro
1º São Paulo R$ 63,04 Vila Nova Conceição, R$ 131,34/m²
2º Belo Horizonte R$ 46,43 Santo Agostinho, R$ 87,30/m²
3º Curitiba R$ 42,58 São Francisco, R$ 77,51/m²
4º Rio de Janeiro R$ 41,64 Ipanema, R$ 123,53/m²
5º Porto Alegre R$ 41,36 Mont Serrat, R$ 90,00/m²

O dado reforça que o preço do aluguel não depende apenas de bairros de alto padrão. A composição da cidade, a oferta de imóveis, a concentração de empregos, a infraestrutura urbana e a desigualdade entre regiões influenciam diretamente o valor final do metro quadrado.

Por que São Paulo tem o aluguel mais caro

São Paulo aparece no topo porque combina alta demanda, grande concentração de empregos, ampla oferta de serviços e bairros corporativos com forte procura por moradia próxima ao trabalho.

A mediana paulistana de R$ 63,04 por metro quadrado é a maior do levantamento. No bairro mais caro da cidade, Vila Nova Conceição, o aluguel chega a R$ 131,34 por metro quadrado. Na outra ponta, bairros como Tremembé registram mediana de R$ 28,85 por metro quadrado.

Isso significa que o metro quadrado mais caro da capital paulista custa cerca de 4,5 vezes o valor observado em áreas mais acessíveis. A distância mostra que São Paulo não é um mercado único, mas um conjunto de mercados imobiliários muito diferentes dentro da mesma cidade.

O levantamento analisou 38.776 anúncios distribuídos por 101 bairros da capital paulista, a maior base entre as cidades comparadas.

Belo Horizonte supera Rio de Janeiro no preço geral

Belo Horizonte aparece como a segunda capital mais cara do comparativo, com mediana de R$ 46,43 por metro quadrado. O resultado chama atenção porque coloca a capital mineira à frente do Rio de Janeiro quando se observa a cidade inteira.

O bairro mais caro de Belo Horizonte é Santo Agostinho, com R$ 87,30 por metro quadrado. A região fica na área Centro-Sul da cidade, onde também estão bairros valorizados como Savassi, Lourdes e Funcionários.

A Savassi, tradicionalmente associada a imóveis de alto padrão, aparece abaixo de Santo Agostinho, com mediana de R$ 83,10 por metro quadrado. Na ponta mais barata, bairros como Santa Amélia registram R$ 22,00 por metro quadrado.

A diferença entre o bairro mais caro e o mais acessível chega a quase quatro vezes. A amostra de Belo Horizonte reuniu 1.758 anúncios em 52 bairros.

Curitiba tem mercado mais equilibrado

Curitiba ocupa a terceira posição no ranking, com mediana de R$ 42,58 por metro quadrado. O dado mais relevante, porém, é a menor distância entre bairros caros e baratos.

O bairro mais caro da capital paranaense é São Francisco, com R$ 77,51 por metro quadrado. Na base do levantamento aparece Lindóia, com R$ 27,78 por metro quadrado.

A diferença entre os extremos é de cerca de 2,8 vezes, a menor entre as cinco capitais analisadas. Isso indica que a mudança de bairro tende a alterar menos o orçamento do aluguel em Curitiba do que em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

O levantamento considerou 3.167 anúncios em 61 bairros curitibanos.

Rio de Janeiro tem o paradoxo da orla cara

O Rio de Janeiro é o caso mais simbólico do ranking. A cidade tem dois dos bairros mais caros do levantamento: Ipanema, com R$ 123,53 por metro quadrado, e Leblon, com R$ 121,49 por metro quadrado. Ainda assim, a mediana geral da capital fica em R$ 41,64, apenas a quarta maior entre as cinco cidades.

A explicação está na forte desigualdade interna do mercado carioca. Enquanto bairros da Zona Sul concentram aluguéis elevados, regiões da Zona Oeste e do subúrbio têm valores bem menores. Na Praça Seca, por exemplo, o metro quadrado mediano é de R$ 16,36.

Com isso, o metro quadrado mais caro do Rio custa cerca de 7,5 vezes o mais barato, a maior diferença entre as capitais analisadas. A amostra da cidade reuniu 2.098 anúncios em 38 bairros.

O dado mostra que a fama imobiliária da orla não representa, sozinha, o comportamento do aluguel em toda a cidade.

Porto Alegre fecha a lista entre as cinco capitais

Porto Alegre aparece como a capital mais acessível do comparativo, com mediana de R$ 41,36 por metro quadrado. Apesar de ficar no fim do ranking geral, a cidade também apresenta bairros com valores elevados.

O bairro mais caro é Mont Serrat, com R$ 90,00 por metro quadrado. O resultado surpreende porque Moinhos de Vento, tradicionalmente associado ao alto padrão na capital gaúcha, aparece apenas na sexta posição local.

Na ponta mais acessível, bairros como Medianeira registram mediana de R$ 22,13 por metro quadrado. A diferença entre os extremos é de aproximadamente quatro vezes.

Porto Alegre teve a segunda maior amostra do levantamento, com 4.716 anúncios distribuídos por 59 bairros.

Mediana evita distorção no preço do aluguel

A metodologia é um ponto central para entender o ranking. O levantamento usa a mediana do valor do metro quadrado, e não a média simples.

A mediana representa o ponto central da distribuição: metade dos imóveis anunciados tem preço abaixo daquele valor e metade tem preço acima. Esse método reduz o peso de anúncios muito caros, imóveis de luxo ou registros com valores atípicos.

Outro cuidado metodológico é a deduplicação dos anúncios. Antes do cálculo, registros repetidos são filtrados para evitar que o mesmo imóvel anunciado mais de uma vez distorça o resultado de um bairro ou cidade.

No total, o levantamento considera mais de 50 mil anúncios nas cinco capitais, distribuídos por mais de 300 bairros, sempre com imóveis que informam área útil.

FipeZAP também mostra São Paulo no topo

O resultado do Índice Chaves na Mão é compatível com outro indicador relevante do mercado imobiliário. O Índice FipeZAP de Locação Residencial, calculado pela Fipe com base em anúncios de imóveis em portais do Grupo OLX, também aponta São Paulo entre as capitais com aluguel mais caro do país.

No informe de maio de 2026, São Paulo registrou preço médio de R$ 64,67 por metro quadrado, acima de capitais como Recife, Belém, Florianópolis e Rio de Janeiro.

A comparação entre os dois levantamentos deve ser feita com cautela, porque as metodologias são diferentes. O Chaves na Mão usa mediana em um recorte de cinco capitais. O FipeZAP trabalha com preço médio e acompanha uma base mais ampla de cidades. Ainda assim, ambos reforçam a mesma tendência: São Paulo permanece no topo do custo de locação residencial.

O que o ranking revela sobre o aluguel no Brasil

O ranking mostra que o aluguel nas grandes capitais brasileiras não pode ser medido apenas pela reputação dos bairros mais conhecidos. Ipanema e Leblon continuam entre os endereços mais caros, mas isso não significa que o Rio de Janeiro seja a capital mais cara no conjunto da cidade.

Da mesma forma, Santo Agostinho supera Savassi em Belo Horizonte, e Mont Serrat aparece à frente de Moinhos de Vento em Porto Alegre. O dado por metro quadrado revela movimentos que nem sempre acompanham a percepção popular.

Para quem procura imóvel, a mediana do metro quadrado funciona como uma régua prática. Ela ajuda a identificar se um anúncio está acima, abaixo ou em linha com o padrão da região.

Para o mercado imobiliário, o levantamento reforça uma tendência mais ampla: o aluguel segue pressionado nas capitais, especialmente nas áreas com maior concentração de renda, serviços e empregos. Mas a diferença entre bairros continua sendo tão importante quanto a diferença entre cidades.

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